Oxóssi mata a grande Dan (Lenda)

Conta a lenda que certo dia, Oxóssi chegou em sua aldeia quase arriado pelo peso da capanga, das cabaças vazias, pelo cansaço de rastrear a caça rara.

 

Oxum sua mulher e mãe de seu filho olhou para ele e pensou “só caçou desgraça, pois a desgraça para Oxóssi foi prevista por Ifá que alertou Oxum”, porém quando ela contou a Oxóssi sobre essa previsão, ele disse que a desgraça era a fome.

 

A mulher sem leite, a criança sem carinho e que desgraça maior era o medo do homem. Quando Oxóssi se aproximou de Oxum ela notou que ele trazia algo na capanga. Sentiu medo e alegria. Havia caça na capanga do marido e aí imaginou se seria um bicho de pêlo, se seria um bicho de pena. Ansiosa perguntou a ele que respondeu: “-Trago a carne que rasteja na terra, trago a carne que rasteja na terra e na água, no mato, e no rio, o bicho que se enrosca em si mesmo”. Falando isso retirou da capanga, os pedaços de uma grande cobra.

 

O bicho revira a cabeça. Revirava a cabeça e os olhos, agitava a língua partida e cantava:

 

– “Não sou bicho de pena para Oxóssi matar”.

 

A cobra pretendia dizer com certeza que pertencia a Xangô e Oxóssi não poderia tê-la matado.

 

Oxum fugiu temendo a vingança de Xangô e foi consultar Ifá que disse:

 

 – “A justiça será feita, assim o corpo de Oxóssi irá desaparecer, apagando-se da memória da grande cobra. O ouê desaparecerá da vingança de Xangô e fazia parte da punição que Oxóssi saísse da memória do povo de Ketú”.

 

E ele ficou por sete anos esquecido.

 

No dia do Oruncó, o nome do Orixá de cada um, o povo de Ketú começou a chorar por não lembrar o nome de seu rei. Abaixaram-se os olhos e tentaram compreender porque nunca se lembravam dele. Então Ifá ensinou-lhes um Orô, reza que se faz para o sacrifício dos animais. Após o Orô o povo começou a se lembrar de Oxóssi.

 

Ifá disse que esse era o Orô de Oxóssi, o Orixá caçador. Orixá da caça. Corajoso rei de Ketú, rei da caça que nada temia e preservava a vida dos seus filhos e dos filhos dos filhos de seus filhos. Em síntese, desconsiderar as previsões de Ifá e matar a serpente sagrada, com certeza Odé morreu, mas graças a piedade de Ifá que ouviu o lamento de Oxum e de seu povo, encantou-se, renasceu na figura de Oxóssi, o guerreiro caçador, senhor das matas, destemido rei de Alaketú.

Orixá Xangô

Xangô é um dos Orixás mais populares no Brasil e zela pela justiça e pelo fogo. Também é charmoso, sensual e gosta de fazer tudo com muito prazer. Por isso, teve três esposas: Iansã, Oxum e Obá. Sentimento de derrota é uma coisa que não existe em sua personalidade. Apesar de ser famoso por sua ação repressiva e autoritária, consegue distinguir entre o bem e o mal.
O raio é sua arma, que envia como castigo a quem age de maneira contrária a seus princípios de justiça. Os filhos de Xangô são justos e odeiam a mentira e a falsidade. São muito sociáveis e costumam deixar as pessoas admiradas por sua maneira extrovertida de conversadora. Há quem os odeie por dizerem tudo o que pensam. No amor, não há problemas para conquistar, mas podem ser um pouco infiéis.
 

 CONHECENDO MAIS DE XANGÔ

Como personagem histórico, Xangô teria sido o terceiro Alafin Oyo, Rei ( Senhor do Palácio) de Oyo. Era filho de Oranmiyan e de Torossí, esta filha de Elempe, rei dos Tapa, que tinha firmado uma aliança com Oranmiyan. Xangô cresceu no país de sua mãe indo se instalar, mais tarde, em Kosô, onde os habitantes não o aceitaram por causa de seu caráter violento e imperioso; mas ele conseguiu, finalmente , impor-se pela força. Em seguida, acompanhado pelo seu povo, dirigiu-se para Oyo, onde estabeleceu um bairro que recebeu o nome de Kosô. Conservou, assim, seu título de Oba Kosô que, com o passar do tempo, veio a fazer parte de seus Orikis (louvores).
Dadá-Ajaká, irmão consangüíneo de Xangô, filho mais velho de Oranmyian, reinava em Oyo por essa época. Seu caráter era calmo e desprovido da energia necessária a um verdadeiro chefe. Xangô o destronou e Dadá-Ajaká exilou-se em Igboho, durante os sete anos de reinado de seu meio-irmão. Teve que se contentar, então, em usar uma coroa feita de cauris, chamada Adé de Bayani. Depois que Xangô deixou Oyo, Dadá-Ajaká voltou a reinar. Em contraste com a primeira vez, ele mostrou-se, agora, valente e guerreiro e, voltando-se contra os parentes da família materna de Xangô, atacou os Tapa, sem grande sucesso.
 
Xangô, sob seu aspecto divino, é filho de Oranmyian, tendo Yamassé como mãe e sendo marido de três divindades: Oyá, Oxun e Oba, que se tornaram rios no país Yorubá.
 
Xangô é viril e potente, violento e justiceiro, castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por este motivo, a morte pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de Xangô. O proprietário deve pagar pesadas multas ao sacerdotes do Orixá que vêm procurar, nos escombros, os Edun Ará ( pedras de raio) lançados por Xangô e profundamente enterradas no local onde o solo foi atingido.
Este Edun Ará (na realidade machados neolíticos ) são colocados sobre um pilão de madeira esculpido, odô, consagrado a Xangô. Tais pedras são consideradas emanações de Xangô e contém o seu Axé – o seu poder. O sangue dos animais sacrificados é derramado, em parte, sobre suas pedras de raio para manter-lhe a força e a potência. O carneiro, cuja chifrada tem a rapidez do raio, é o animal cujo o sacrifício mais lhe convêm. Fazem-lhe, também, oferecimentos de Amalá, iguaria preparada, com farinha de inhame regada com um molho feito com quiabos. É no  entanto, formalmente proibido oferecer-lhe feijões brancos da espécie Sesé. Todas as pessoas que lhe são consagradas estão sujeita à mesma proibição.
 
O emblema de Xangô é o duplo machado estilizado, Oxé, que os seus iniciados trazem na mão, quando em transe.
O chocalho, chamado Xeré, feito de uma cabeça alongada, contendo pequenos grãos, é sacudido em honra a Xangô. Convenientemente agitada, quando são anunciados os seus louvores, este instrumento imita o barulho da chuva.
As saudações, Oriki, que seus fiéis lhe dirigem não deixam de ter certa graça e mostram a sua forte personalidade:
Ele ri quando vai à casa de Oxun.
Ele fica bastante tempo em casa de Oyá.
Ele usa um grande pano vermelho.
Elefante que anda com dignidade.
Meu senhor, que cozinha o inhame com o ar que escapa de suas narinas.
Meu senhor, que mata seis pessoas com uma só pedra de raio.
Se franze o nariz, o mentiroso tem medo e foge.
Xangô foi sincretizado com São Jerônimo, no Brasil.
Na Bahia, quando uma festa é celebrada em honra de Dadá, irmão mais velho de Xangô, a cerimônia parece conter reminiscências de fatos antigos, sem que os participantes saibam, muitas vezes as histórias dos Yorubás. O Iaô de Dadá vem dançar frente a assistência, tendo na cabeça uma coroa, o Adê de Bayani. Logo depois, Xangô montado sobre um (ou uma) de seus iniciados, toma a coroa, colocando-a sobre sua própria cabeça. Após ter dançado assim adornado por um certo tempo, a coroa é restituída a Dadá.
Este elemento do ritual parece ser uma reconstituição do destronamento de Dadá-Ajaká por Xangô, e sua volta ao poder sete anos mais tarde.
 

Algumas Qualidades do Orixá Xangô

  • AGANJÚ – Quer dizer terra firme. Tem perna de pau e é casado com YEMONJA. É o filho mais novo de ORANNIAN e o preferido, herdou sua fortuna. É o mais cruel é aquêle que leva o coração do inimigo na lança. É o SÀNGÓ amaldiçoado que matou e comeu a própria mãe.  Na verdade foi o 6º Alafin de Oyo que viveu em 1.240 A.C., aproximadamente. Era sobrinho neto de XANGO.
  • BARU  –  Pega tempo e come com ÈSÙ. Dependendo da época este Òrìsá ora é BARU ora é ÌRÓKÒ. Tem caminhos com OYA YÀTOPÈ . Não come quiabo nem amalá, come amendoim cozido e padê. Na África ele é chamado de maluco, pois durante seu reinado fez muita besteira, motivo pelo qual os africanos não o raspam nem assentam. Não fazia prisioneiros, matava todos. Veste-se de marrom e branco e suas contas são iguais a roupa. Toca-se para ÈSÙ e SÀNGÓ. BARU era muito destemido, mas quando comia quiabo, que ele gostava muito, dormia o tempo todo e por isto perdeu muitas contendas, pois, quando acordava seus adversários já tinham voltado da guerra. Ele ficava indignado. Então resolveu consultar um OLUÓ que lhe disse : Se é assim, deixe de comer quiabo – BARU perguntou : me diz o que comerei no lugar do quiabo… Só folhas… Só folhas ? perguntou BARU – Sim, respondeu o OLUÓ, tem duas qualidades , uma se chama oió e a outra xaná, são boas e gostosas como o quiabo. E BARU falou : – A partir de hoje, eu não comerei mais quiabo.
 
  •  BADÈ  –  É o mais jovem VODUM da família do raio ( cujo chefe é KEVIOSSO ), corresponde ao SÀNGÓ jovem dos NAGO. É irmão de LOKO. Usa roupa azul com faixa atada atras. Não fuma, não bebe nem fala. Um de seus animais prediletos é o chicharro.
  • OBAKOSSO  –  Perdeu os poderes mágicos de transportar-se da terra para o céu, enforcando-se num pé de OBI. Tem fundamentos com ÈSÙ, ÉGÚN e OYA, devido a sua morte.
 
  • AGODO  –  Muito ruim, brutal, inclinado a dar ordens e ser obedecido, foi ele quem raptou OBÁ. Come com YEMONJA.
 
  • AFONJÀ  –  É o dono do talismã mágico dado por OYA a mando de OBÀTÁLÁ. É aquêle que fulmina seus inimigos com o raio. Come com YEMONJA, sua mãe.
  • ALAFIN  –  É o dono do palácio real, o governante de OYO. Vem numa parte de ÒÒSÀÀLÀ e caminha com OSOGUIAN.
 
  • OBÀ OLUBÈ  –  É muito orgulhoso, intratável e muito bruto. Come com OYA.
  • OLO ROQUE  –  Seria o pai de ÒSUN OPARÀ. Tem fundamento com ÒSÓÒSÌ. Veste vermelho e branco ou marrom e branco.
 
  • ALUFAN  –  É idêntico a um AYRÀ. Confundem ele com OSÀLÚFÓN. Veste branco e suas ferramentas são prateadas.

Ogun Já

Uma das qualidades mais polêmicas de Ogum,  é Ogum Já, ou Ogum Ajá, Aquele que come cão. O próprio nome já diz um pouco sobre o porque da discussão. Algumas itans nos contam que ele seria filho de Iemanjá e Oxaguiã, desde cedo demonstrava temperamento forte e explosivo e na África é oferecido a esse orixá o cão como sacrifício, porém devemos entender que é o cão selvagem, que apesar de ser da família do nosso cão doméstico, não é a mesma coisa e não critico quem fique horrorizado com isso, afinal o “cãozinho” é o animal de estimação mais comum no Brasil, aliás em quase todos os países de origem européia. E cultura é cultura, não podemos discutir isso.
Existe dois pontos de vista sobre essa questão, muitos zeladores, dizem que não se deve iniciar ninguém nesse orixá, pois não temos material para fazê-lo, e que isso acarreta uma espécie de cobrança dessa energia, pois quando invocamos um determinado orixá, devemos ter ciência de como ele é cultuado originalmente, porém se pensarmos por esse ponto de vista, não iniciaríamos ninguém, pois como você inicia alguém de Iemanjá  sem a água do rio Ogum  Ou alguém de Xangô sem um otá de Oyó? É complicado quando falamos desse assunto, hoje temos como comprar produtos importados da África, mas e a trinta anos? Como eram feitas. Mas continuando falando sobre Ogum Já, sua cor é o azul e o verde, que representação o ferro e o mariwó. Seu espaço é caracterizado pelas estradas de terra estreitas e retas e tem relações estreitas com Oxaguiã Ajagunã.

Oríkì ÒGÚN

Ògún pèlé o !
Ogum, eu te saúdo !
Ògún alákáyé,
Ogum, senhor do universo,
Osìn ímolè.
Poder dos orixás.
Ògún alada méjì.
Ogum, dono de dois facões,
O fi òkan sán oko.
Usou um deles para preparar a horta
O fi òkan ye ona.
e o outro para abrir caminho.
Ojó Ògún ntòkè bò.
No dia em que Ogum vinha da montanha
Aso iná ló mu bora,
ao invés de roupa usou fogo para se cobrir.
Ewu ejè lówò.
E vestiu roupa de sangue.
Ògún edun olú irin.
Ogum, a divindade do ferro
Awònye òrìsà tií bura re sán wònyìnwònyìn.
Orixá poderoso, que se morde inúmeras vezes.
Ògún onire alagbara.
Ògún Onire, o poderoso.
A mu wodò,
O levamos para dentro do rio
Ògún si la omi Logboogba.
e ele, com seu facão, partiu as águas em duas partes iguais.
Ògún lo ni aja oun ni a pa aja fun.
Ogum é o dono dos cães e para ele sacrificamos.
Onílí ikú,
Ogum, senhor da morada da morte.
Olódèdè màríwò.
o interior de sua casa é enfeitado com màríwò.
Ògún olónà ola.
Ogum, senhor do caminho da prosperidade.
Ògún a gbeni ju oko riro lo,
Ogum, é mais proveitoso ao homem cultuá-lo do que sair para plantar
Ògún gbemi o.
Ogum, apoie-me
Bi o se gbe Akinoro.
do mesmo modo que apoiou Akinoro.

 

Orixá Boromu

Boromu é um orixá do deserto, desconhecido no Brasil, mas considerado em Cuba como esposo de Euá. Muito sábio, é o segredo de Euá e também seu mensageiro. Veste-se de roupas esvoaçantes, da cor da areia. Representa o esqueleto, o que é deixado de um ser humano após a morte.
Seu receptáculo é uma sopeira ou tigela de porcelana vermelha que contém 8 otás e uma mão-cheia de búzios. Seus elekes (colares) são todos vermelhos, mas fecham com uma conta preta e uma branca. Recebe sacrifícios de galos bancos, pombas e porquinhos-da-índia.
Mitos de Boromu
Obatalá teve uma filha muito bonita, virtuosa e inteligente, Euá, que apesar de todos os seus dotes, nunca tinha demonstrado interesse por nenhum homem. Assim foi até que um forasteiro chamado Boromu chegou à cidade e ela mudou de comportamento. Tornou-se arredia, tristonha, desinteressada de tudo. Seu pai, embora sábio, não acreditava – como diziam – que ela estivesse apaixonada. E, mesmo que estivesse, nada a impediria de ser feliz ao lado do forasteiro, que, aos olhos de Obatalá, era merecedor de seu carinho. Contudo, Euá estava grávida e guardava o segredo a sete chaves e Boromu deixara a cidade. Uma noite, sentido as dores do parto, Euá fugiu da casa do pai e embrenhou-se na mata, onde deu à luz um menino. Obatalá, ante o desaparecimento da filha, mobilizou todas as forças possíveis para encontrá-la. O mesmo fez Boromu que, sem saber da gravidez de Euá, deixara a cidade por causa de uma missão que ela lhe confiara. Depois de alguns dias, Boromu encontrou Euá desfalecida na floresta, com o filho dormindo a seu lado. Como temiam a reação de Obatalá, resolveram voltar a seu palácio sem lhe revelar a existência da criança, que esconderam na mata. No dia seguinte, ânimos serenados, Boromu voltou para cuidar do filho e não o encontrou. Ele havia sido levado por Iemanjá, que ouvira o choro da criança e a tomara a seus cuidados. Euá e Boromu nunca mais viram o filho. Diante disso e envergonhados perante Obatalá, os dois foram viver no cemitério. Hoje, Boromu representa os ossos, o que restou de um ser humano. Euá, triste e amargurada, cumpre o papel de entregar a Oiá os cadáveres que Obaluaiê conduz a Orixá Okô, para serem devorados e se transformarem de novo na lama inicial.

Os nove filhos de Oyá

1  –  Imalegã – Nasceu no primeiro dia. Foi tirado do ventre de Oiá pelas Iyamis e envolvido em abanos.

2 – Iorugã – Foi envolvido em palha seca e alimentado com talos de bananeira. Nasceu com a vaidade de Oiá e é o preferido.

3 – Akugã – Nasceu do terceiro dia da tempestade e foi criado nas touceiras de bambu. É rebelde. Não se deve tocar o chão do bambuzal.
4 – Urugã – Alimenta-se das folhas das bananeiras e esconde-se nas florestas. Faz buracos.
5 – Omorugã – Alimenta-se do pó do bambu que está caído no chão. Vive no milharal e fica escondido nos bambuzais observando os seres humanos.
6 – Demó – Oiá cobriu-o de lama para saber os segredos de seus inimigos. Usa pele de búfalo para acompanhar Oxóssi.
7 – Reigá – Acompanha os mortos e ronda os cemitérios. Esconde-se nas grandes árvores dos cemitérios e ronda as sepulturas à procura de objetos perdidos ou esquecidos pelas pessoas.
8 – Heigá – É violento e vive perseguindo o Ori do ser humano. Propicia desastres e desordens.
9 – Egungun – Oiá preparou-o para combater. Apossa-se do ser humano, fazendo-o cometer desatinos.

OS FILHOS DE XANGÔ

Os filhos de Xangô nascem para ser grandes vencedores na vida. Por mais que passem pelas mais graves humilhações, tenham de superar complicados obstáculos, sempre terão seu nome entre as pessoas que venceram por seus talentos e fizeram história. Audaciosos e justiceiros, não aceitam o destino como uma ilha isolada e sem saída, correm atrás do que acreditam ser certo, mesmo quando isso não vá mexer em nada com suas vidas e sim ajudar alguém em especial.
 
 
São grandes exemplos para aqueles que se deixam abater por qualquer coisa. A fortaleza dos regidos por Xangô vem da crença que possuem em si mesmos. 
No amor, adoram curtir a vida e não abrem mão de seus prazeres, por isso são muito namoradores. Demoram em se prender a alguém, aliás, demoram a se apaixonar.
São considerados amantes perfeitos e inesquecíveis, sabem como mexer com os desejos mais secretos do par e como fazer a pessoa se sentir segura em seus braços. Fidelidade não é o seu forte, mesmo quando estão apaixonados ou vivendo um romance sério e podem até cair na ousadia de namorar mais de uma pessoa ao mesmo tempo.
 
 
Por serem extrovertidos e carismáticos, acabam chamando a atenção de muitos e despertando o ciúme do parceiro e a coisa que não toleram é serem cobrados. Preferem ficar só.
 
 
Quando o assunto é trabalho, são tidos como uma pessoa difícil de lidar. Tem tudo para se destacar em suas profissões como administração, contabilidade, direito ou comércio, de preferência que mexa com a vida noturna da cidade em que vive. O gênio autoritário faz com que sejam odiados por muitos. Não aceitam outra opinião que não seja a deles, a não ser que a argumentação seja forte. Por falar a verdade, por falar tudo o que pensam doa a quem doer. Costumam criar inimigos de graça. Às vezes, perdem o emprego por não saber controlar a língua. 
 
 
Com a idade, aprendem que há hora para tudo e que nem sempre tem razão, por mais que sua idéia seja boa. Por terem a posição tensa de um guerreiro que jamais deve cair, vivem com os nervos à flor da pele. Não é difícil ter problemas de coração e do sistema nervoso, costumam ser hipertensos e sofrer com nevralgias e tensão. Doenças ocasionadas pela vida austera que levam, pois são autoritários, severos, justiceiros, egocêntricos e mandões. Possuem uma tendência a violência, temperamento quente, pavio curto. São muito benevolentes e solidários, mas devem ter cuidado para não aborrecê-los, pois sua ira é incontrolável. 
 
 
Possuem um bom senso de justiça, não gostam de ver seus amigos injustiçados, compram logo a briga e resolvem logo, mesmo que seja com a força física, pois perdem o controle diante de contrariedades. Para diminuir os riscos de cair numa cama, precisam buscar uma vida mais saudável e principalmente colocar para fora seus sentimentos mais humanos como medo, saudade, dor, carência, etc.
 
 
Os filhos de Xangô são reconhecidos rapidamente, pois gostam de muitas badalações, de festas onde haja muita comida, pois possuem fama de comilões e esteticamente possuem corpo forte, com tendência a obesidade, normalmente são baixinhos e possuem olhar expressivo.
A quizila dos filhos de Xangô em especial é não comer quiabo e não comer camarão sem tirar a calda e os espetos da cabeça do camarão, senão poderão trazer sérios problemas para essas pessoas.

OS FILHOS DE OXALÁ

Os filhos de Oxalá são pessoas literalmente tranquilas, literalmente equilibradas. O psicológico dos filhos de Oxalá é que são pessoas calmas e reinantes, mas devemos observar que pelo menos no Brasil, Oxalá está subdividido em Oxaguian, que é o Oxalá novo e  Oxalufan que é o Oxalá velho e as características de um e de outro são geralmente bem diferentes. Entretanto, ambos são respeitados e cultuados como Oxalá, e conseqüentemente tem algo em comum em seus temperamentos, a formação da personalidade dos filhos de Oxaguian e de Oxalufan, na verdade começa na infância e da mesma maneira e diversificando, se fixando com o passar do tempo.
Algumas formas de comportamento dos filhos destes dois tipos de Oxalá são muitíssimas parecidas, mas se analisarmos, mas ao fundo, verificamos que é até mesmo antagônico exemplo disso, é que em algumas demarcações são fundamentadas com Ogum, Oxóssi, Logum Edé, Oxum, fazendo destes que são regidos, pessoas mais ativas, animadas, extrovertidas e outras são fundamentadas normalmente com Orixás mais idosos como Omulu, Nanã, Iemanjá, fazendo dos regidos por esse orixá, pessoas mais calmas, introvertidas, pensativas e até mesmo mais lentas.
 
 
Oxalufan no sentido geral são pessoas mais compenetradas, introspectivas, de forte poder de liderança e capacidade de decidir, de resolver, de aconselhar. São muito parecidos com os filhos de Xangô, com certeza trazem consigo o equilíbrio da justiça, do exato, do correto. São pessoas severas, pois gostam de um trabalho limpo e bem feito, normalmente são pessoas muito sérias e de riso difícil, pois entendem a vida como uma missão que deve ser bem cumprida.
Como amantes são ternos e inconstantes, porém são os melhores líderes de família, os melhores chefes de família que existem, pela forma de conduzir-se e com certeza o equilíbrio emocional é o ponto referencial dos filhos de Oxalá. Negativamente são indivíduos de grande impaciência, lentos, vagarosos, meticulosos, reacionários, metódicos e exclusivistas.
 
 
Os regidos por Oxalá são pessoas que reclamam muito, pois acreditam cegamente que são os donos da verdade e da pura sabedoria. São também um pouco egocêntricos e normalmente donos de um grande ciúme, mesmo daquilo que não lhes pertence. Negativamente apesar de ser considerado um Orixá velho, os filhos de Oxalá são pessoas muito ativas e participantes, pessoas que se apegam facilmente a tudo e a todos e espera num sonho dourado resolver os problemas do mundo. São interessadas, amigas, sonhadoras e até mesmo arrojadas, calmas e serenas, escrupulosas e muito honestas.
Como amantes são ardentes apesar de não serem muito felizes no campo sentimental, fazem o possível para se acender sexualmente, o que dificilmente acontece, pois devido a forte carga de energia positiva de pacificação, de pureza, acabam muitas vezes fugindo dos hábitos normais do sexo. Como profissionais são destacados pelo enorme senso de responsabilidade e a liderança que carregam dentro do culto sempre se destacam pela seriedade, pela dedicação. Negativamente são volúveis, fúteis e de sensibilidade exagerada.
 
 
Os filhos de Oxalá não se contentam nunca com aquilo que tem e com certeza estão sempre entrando em choque com as pessoas, vivem reclamando da vida, gostam de um disse me disse e tem um forte poder de feitiço. Normalmente quando amigos tiram-se tudo dele, entretanto, se inimigos, tomem cuidado, pois são impiedosos e implacáveis nos desejos, na vingança, amadurecem pouco a pouco uma vingança e quando menos se espera a casa cai.
 
 
Mas o lado positivo dos filhos de Oxalá é que no geral seus filhos são pessoas muitas bem quistas dentro das casas de axé, dentro da cultura africanista. São pessoas sempre bem vindas, pois estão sempre prontas a participar de fundamentação, de orôs, por estarem sempre mesmo que não queiram, em estado de pureza, em estado de coração aberto. Pessoas que são incapazes às vezes de criticar, de colocar defeito naquilo que eles participam. Quando eles não podem ajudar também não atrapalham, por isso essas pessoas são muito bem vindas às casas de axé, são muito bem vindas para cargos de santo, muito bem vindas para ajudar qualquer casa de axé.
 
 
Os filhos de Oxalá são pessoas que se destacam por serem calmos, pacientes e uns tanto diplomáticos. Sabem como lidar com todo tipo de gente e com jeitinho consegue tirar sempre o melhor das pessoas. Não suportam injustiças e, para ver uma pessoa recebendo    o que lhe é direito, luta como se o problema fosse seu. Não costumam ter inimigos e nem serem invejadas, porque são pessoas humildes que fazem questão de viver de maneira simples, independemente de suas condições financeiras. É difícil vê-los nervosos, mas quando perdem a cabeça, o mundo se abala. Não olham para onde atiram os dardos envenenados, querem a verdade e a solução. Desculpas e tentativas de conciliação não tem espaço.
 
 
No amor são tímidos e sofrem por isso. Até encontrar alguém que esteja disposto a mergulhar nos mistérios de seu coração, sofrem com a solidão. Não namoram muito e, quando se apaixonam, agem como se fosse para sempre. Ainda cedo, acabam encontrando seu amor verdadeiro e costumam viver com ele até o fim da sua vida. Como poucos, sabem usar os seus poderes de sedução e seu romantismo para manter acesa a chama da paixão. Todas as vezes que surgem problemas, usam o diálogo como uma forma de reconciliação. Jamais usam palavras ásperas ou vulgares por mais nervosas que estejam e sabem que sua sinceridade é o seu ponto forte. Quando tem filhos, se transformam numa pessoa melhor ainda.
 
 
Costumam ser bem sucedidos em trabalhos que visam o bem de muitas pessoas. Não conseguem apenas ganhar dinheiro. Quando isso acontece em idade madura, costumam largar tudo por uma causa social. 
 
 
Influenciados por Oxalá, geralmente, torna-se grandes educadores, capaz de levar um grupo  a transformar a vida para melhor. Podem acabar em cargos do governo como diplomata, por saber lidar com o diferente. Como também possuem grande talento artístico, podem se destacar e se realizar como escritores. A inteligência é sempre muito requisitada, o que a força estar sempre fazendo novos cursos e assumindo cargos cada vez maiores onde trabalha. Precisa  analisar  sempre se é o que deseja, porque corre o risco de se estressar, cair doente e descobrir que tudo o que viveu não valeu a pena. Com calma, saberá como vencer na vida sem maiores problemas e chegar muito além do que imaginou.
 
 
A saúde não é das melhores, principalmente porque, muitas vezes, não consegue compreender as injustiças sociais e que nada pode fazer. Isso acaba fazendo com que sofram de gastrite e até desenvolva uma úlcera. Tem tendências à circulação deficiente e problemas nos rins e problemas de visão também são comuns. É preciso buscar maneiras de relaxar não apenas o corpo.
 
 
Os filhos de Oxalá tem uma grande tendência para a teimosia, mas que jamais resulta em violência – que Oxalá detesta, e quando estão na fase serena, relacionam-se em seu meio com responsabilidade, equilíbrio e respeito. Amáveis, prestimosos e espiritualistas, são capazes de resolver os maiores problemas com grande sabedoria, porém algumas vezes tornam-se calados, temperamentais e capazes de uma agilidade sobre-humana. Ainda assim, ostentam uma personalidade majestática e altiva. São aglutinadores e centralizadores, embora pareçam velhos desde a mais tenra idade.

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