Aonde estava Exú nessa hora?

Esses dia fomos questionados pelo fato de estarem acontecendo muitos homicidios
dentro das casas de Candomblé ou Umbanda, no nosso Brasil.
Respondemos assim: Será que não é a insatisfação dos males feitos por sacerdotes
e sacerdotizas? Será que os deuses começaram a fechar os olhos pelo desmando?
Bem, no nosso endender, se isso acontece em alguma casa , é simplesmente 
porque os proprietários, zeladores e zeladoras, dão caminho para a situação! 
Mas como?
Hoje, as  festas de exú são um caminho aonde as Pombo giras, e Exús, mesmo
sabendo dos clientes com seus passados ou vidas tortas, os atendem em
seus pedidos; e, muitas das vezes a ganância dos zeladores é tão grande,
que fecham os olhos para o certo e o errado, e cultivam uma amizade entre
laços por conta do dinheiro fácil, e se esquecem que certos tipos de pessoas
ilícitas procuram somente o Orixá para bens próprios,  muitas das vezes
para se livrarem de desafetos ou até mesmo da polícia/justiça.
O sacerdote ambicioso, se envolve, e muitas das vezes compactua com a
situação,  fechando os olhos para a real situação. Até que a mão não seja
mais um ponto de união entre o bem e o mal, daí o caminho para uma tragédia
já está próximo, e muitas vezes sem volta. 
Daí, quando acontece a tragédia, muitos perguntam: “cadê o Exu da casa que
não viu isso?” “Cadê o jogo do sacerdote que não lhe avisou do mal agouro,
ou seja, respondendo cade o Exu?” Ele estará aonde ele sempre esteve,  lá nos seus
acentamentos, somente observando, porque temos que fazer o correto, pois desde que a
gente compactua com coisas erradas, e sabemos que é errado, os Orixás e Exús não
tem nenhuma obrigação de nos defender, sendo que eles mesmos procuraram por
causa de suas ambiçoes, portanto, se a pessoa passar por um enredo de morte,
vai acontecer! Vai ver o que fizeram nesse meio tempo, clientes e sacerdotes:
TUDO ERRADO! 
Portanto, devemos sempre procurar a autorização de nossos Inkisses, Orixás ,
Voduns,  Exús e Pombos Giras. Se a pessoa realmente veio em sua porta pra somar,
e se não veio a somar, trate bem, dê conselhos, e ponto final.
Nem Exú, nem Pombo gira, vai lhe segurar, se você vive no erro.
Lembre-se também: tudo aquilo que é seu virá nas suas mãos no tempo
e hora marcada. Dinheiro fácil encurta a vida, afasta as boas energias trazendo
perigo à você, e aos seus clientes/seguidores.
Agora, dizer que um jogo não avisa o que vai acontecer, é ilógico.
As coisas negativas caem direto em nossa mesa de jogo, as vezes voce se livra,
e outras vezes você esta condenado aquilo, pois foi voce mesmo
quem procurou.

Então amigos, cuidado com a facilidade.

Orixá, Exú e Pombo Gira não são facilidades.
Procurem ser corretos para que sejam sempre bem visto e lembrados.

Kolofé a quem é de Kolofé,

Motumbá a quem é de Motumbá, 

Mukuiu a quem é de Mukuiu,

E a benção a quem é de benção.

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Nota

Carta de Oxumarê para seu filho (a)

Filha (o), eu sou seu pai.
Dono do mistério, magia, dono do arco íris, sou metade serpente, metade humano, eu sou Oxumarê.
Observo seus passos na terra a cada instante.
Ilumino teus caminhos, para inimigo não te derrubar.
Sabe aquela frase: depois da chuva, sempre vem o arco íris.
Então… Confie. Quando você estiver passando por problemas, situações, angústias, lembre-se que depois da chuva vem o arco íris, sendo assim, depois do sufoco vem a glória, a vitória, o aprendizado.
Cobra mata abraçando, mas você é minha filha (o), e aqui a cobra é você, não seu inimigo. Não deixarei passar por cima de você, pois se elas (eles) são cobras, eu sou mais ainda.
Acredite no seu pai, eu estarei sempre te valendo, e quando ver um arco íris, lembre-se, é seu pai vindo te valer.
Arroboboi!

OXALÁ

Se Exu é o começo de tudo, Oxalá é o fim. 

Se Exu é o principio da vida, Oxalá é o principio da morte. Equilíbrio positivo do Universo, é o pai da brancura, da paz, da união, da fraternidade entre os povos da Terra e do Cosmo. Pai dos Orixás, é considerado o fim pacífico de todos os seres. Orixá da ventura, da compreensão, da amizade, do entendimento, do fim da confusão.

O branco, nos cultos Afro-Brasileiros, é a cor principal. É, entretanto, o luto, a cor de Oxalá, pois Oxalá é aquele Orixá que vai determinar o fim da vida, o fim da estrada do ser humano. Daí sua cor ser considerada a cor do luto, nos Cultos. Oxalá é o fim da vida, é o momento de partir em paz, com a certeza do dever cumprido.

Embora não gostemos dela, nem que a queiramos com certeza, a morte é uma conseqüência da própria vida. Exu inicia, Oxalá termina. É assim nas rodas de Candomblé, no xirês, quando louvamos todos Orixás. Começamos por Exu, terminamos com Oxalá.

A religião, então, encara o fator morte com a mesma naturalidade com que encara os demais assuntos, pois ele faz parte da Natureza e sabemos que tudo tem um inicio, um meio e um fim. Também o Culto vai encarar esta evidência com lógica e vai determinar uma regência, ou melhor, inúmeras regências, para essa força chamada Oxalá.

Mas Oxalá também tem outras atribuições na Natureza. É ele que vai proporcionar a paz entre os homens; é ele que vai trazer o entendimento, a compreensão, o sossego, a fraternidade, não somente entre os homens, mas também em sua relação com outras forças da natureza, pois é comum nas Casas de Santo oferecermos comidas e flores, para que Oxalá venha apaziguar uma situação de conflito, uma determinada cabeça. É ele que servirá de mediador para que haja uma solução, uma definição.

Oxalá, portanto, está presente nos momentos em que a calma é estabelecida. Rege a tranqüilidade, o silêncio, a paz do ambiente.
Oxalá é o equilíbrio das coisas, mantendo-as suavemente estabilizado e em posição de espera ou definição, de acordo com o caso, de acordo com a situação. É, portanto, a organização final, da maneira mais pacífica possível.

Dia: Sexta-feira
Cor: Branco leitoso.
Simbolo: Opaxorô
Elementos: Atmosfera e Céu
Domínios: Poder procriador masculino, Criação, Vida e Morte
Saudação: Epi Epi  Babá
OXALÁ é o detentor do poder procriador masculino. Todas as suas representações incluem o branco. É um elemento fundamental dos primórdios, massa de ar e massa de água, a plataforma e a formação de todo o tipo de criaturas no AIYE e no ORUN. Ao incorporar-se, assume duas formas: OXAGUIÃ jovem guerreiro, e OXALUFÃ, velho apoiado num bastão de prata (OPAXORÔ). OXALÁ é alheio a toda a violência, disputas, brigas, gosta de ordem, da limpeza, da pureza. A sua cor é o branco e o seu dia é a sexta-feira. Os seus filhos devem vestir branco neste dia. Pertencem a OXALÁ os metais e outras substâncias brancas.

Na África, todos os Orixás relacionados com a criação são designados pelo nome genérico de Orixá Funfum. O mais importante entre todos eles chama-se Orixalá (Òrìsanlà), ou seja, o grande Orixá, que nas terras de Igbó e Ifé é cultuado como Obatalá, rei do pano branco. Eram cerca de 154 Orixás Fun Fun, mas no Brasil e na Europa a quantidade reduz-se significativamente, sendo que dois, Orixá Olùfón, rei de Ifón (Oxalufã) e Orixá Ógìyán, o comedor de inhame e rei de Egigbó (Oxaguiã), se tornaram as suas expressões mais conhecidas.

A designação de Orixá FunFun deve-se ao facto de a cor branca se configurar como a cor da criação, guardando a essência de todas as demais. O branco representa todas as possibilidades, a base de qualquer criação. O nome Orisanlá foi contraído e deu origem à palavra Oxalá, e com esse nome o grande Deus-pai passou a ser conhecido no Brasil e na Europa. Todos os Orixás Fun Fun foram reunidos em Oxalá e divididos em várias qualidades das suas duas configurações principais: Òsálufón, Osagiyan, sendo este último, jovem e guerreiro, filho do primeiro mais velho e paciente.

Todas as histórias que relatam a criação do mundo passam necessariamente por Oxalá, que foi o primeiro Orixá concebido por Olodumaré e encarregado de criar não só o universo, como todos os seres, todas as coisas que existiriam no mundo.

A maior interdição de Oxalá é de fato o azeite-de-dendê, que jamais deve macular as suas roupas, os seus objetos sagrados e muito menos o seu Alá. A única coisa vermelha que Oxalá permite, é a pena de Ekodidè, prova de sua submissão ao poder genitor feminino.

O Alá representa a própria criação, está intimamente relacionado com a concepção de cada ser; é a síntese do poder criador masculino. A sua função primeira já remete ao seu significado profundo. A ação de cobrir não evoca somente proteção, zelo, denota a atividade masculina no ato sexual.

No Xirê, Oxalá é homenageado por último porque é o grande símbolo da síntese de todas as origens. Ele representa a totalidade, o único Orixá que, como Exú, reside em todos os seres humanos. Todos são seus filhos, todos são irmãos, já que a humanidade vive sob o mesmo teto, o grande Alá que nos cobre e protege, o céu.

Qualidades de Oxalá

Oxalá Ajagemo: Para o qual durante a sua festa anual em Edé, dança-se e representa-se com mímicas, um combate entre ele e Oluniwi, no qual este último sai vencedor.

Oxalá Akire ou Ikire: É um valente guerreiro muito rico que transforma em surdo e mudo a quem o negligencia.

Oxalá Alase ou Olúorogbo: Salvou o mundo fazendo chover num período de seca.

Oxalá Etéko: Caminha com Oxaguiã, é inquieto. Vive nas matas e come todo o tipo de carne branca.

Oxalá Eteto Obá Dugbe: Outro guerreiro, ligado a Orixalá.

Oxalá Lejugbe: é muito confundido com Oxalufan; por ser vagaroso e indeciso. Muito chegado a Ayrá. Come com Yemanjá e Oxalufan. Come também todo tipo de carne branca.

Oxalá Obatalá: É o mais velho dos orixás. O grande rei branco; raiz de todos os outros Oxalás. Ele não é feito, faz-se Ayrá ou Oxum Opara. É o pai de Oxalufan que por sua vez é o pai de Oxaguiã. Por ser muito grande e poderoso, Obatalá não se manifesta, sua palavra transforma-se imediatamente em realidade. Representa a massa, o ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo, controla a formação dos novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos.

Oxalá Okó: Divindade da agricultura e colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra. Orixá Nagô, pouco conhecido no Brasil. Na época da chegada dos escravos, não deram muita importância a este orixá, considerando como orixá da agricultura, em seu lugar Ogum e dos grãos Obaluaiê. Quando se manifesta leva um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores, traz uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade. É confundido com Oxalá, pois veste-se de branco. Seu Opaxorô, no Brasil, é confeccionado em madeira. Sendo um Orixá raro, tem poucas qualidades conhecidas. É um Orixá rico.

Oxalá Orinxalá, Orixalá ou Obatalá: É casado com Yemanjá, suas imagens são colocadas lado a lado e cobertas com traços e pontos desenhados com efum, no Ilésin, local de adoração, dizem que Yemanjá foi a única mulher de Orixalá um caso excepcional de monogamia entre orixás e eborás.

Oxalá Oxalufã (Orixá Olú Fon): Orixá velho e sábio, cujo templo é Ifón pouco distante de Oxogbô, a cerimónia de saudações é de dezasseis em dezasseis dias. Orixá muito velho, de idade avançada, aleijado, lento, movendo-se com muita dificuldade. Dança apoiado no opaxoró. Treme de frio e velhice. Detesta a violência, disputas e brigas. Não come sal e nem dendê; odeia cores fortes, principalmente o vermelho. A ele pertencem os metais e substâncias brancas; não suporta cavalos.

Oxalá Oxoguiã ou Oxaguian (Orixá Ogiyan): Orixá jovem e guerreiro, cujo templo principal se encontra em Ejigbô. Tomou o título de Eleejigbô Rei de Ejigbô uma de suas características e o gosto pelo inhame pilado chamado lyán, que lhe valeu o apelido de Orisa-Je-Iyán ou Orisájiyan. A tradição exige que os habitantes de dois bairros Xolô e Oké Mapô lutem uns contra os outros a golpes de varas. É o único que tem autorização de enfeitar seus colares brancos com pedras azuis, chamadas Seguy. Está ligado ao culto de Iroko e dos espíritos, assim como a fertilidade e o culto ao inhame. É o pai de Oxossi Inlé, come com Ogunjá, Oxossi Inlé, Airá, Exu, Oyá e Onira. Tem muito fundamento com Oyá pois, é o dono do Atori, fundamento que lhe foi dado por ela, motivo pelo qual as pessoas de Guian devem agradar muito a Oyá. Vem pelos caminhos de Onira; tem ligação forte com Exu. Seus filhos devem evitar brigas e mentiras e principalmente, não devem enganar a Ogum.

Oxalá Olofon Ajigúna Koari: Aquele que grita quando acorda (conhecido pelo nome de Oxalufan).

Temos mais qualidades de Oxalá que iremos estudar mais tarde.

Oxóssi mata a grande Dan (Lenda)

Conta a lenda que certo dia, Oxóssi chegou em sua aldeia quase arriado pelo peso da capanga, das cabaças vazias, pelo cansaço de rastrear a caça rara.

 

Oxum sua mulher e mãe de seu filho olhou para ele e pensou “só caçou desgraça, pois a desgraça para Oxóssi foi prevista por Ifá que alertou Oxum”, porém quando ela contou a Oxóssi sobre essa previsão, ele disse que a desgraça era a fome.

 

A mulher sem leite, a criança sem carinho e que desgraça maior era o medo do homem. Quando Oxóssi se aproximou de Oxum ela notou que ele trazia algo na capanga. Sentiu medo e alegria. Havia caça na capanga do marido e aí imaginou se seria um bicho de pêlo, se seria um bicho de pena. Ansiosa perguntou a ele que respondeu: “-Trago a carne que rasteja na terra, trago a carne que rasteja na terra e na água, no mato, e no rio, o bicho que se enrosca em si mesmo”. Falando isso retirou da capanga, os pedaços de uma grande cobra.

 

O bicho revira a cabeça. Revirava a cabeça e os olhos, agitava a língua partida e cantava:

 

– “Não sou bicho de pena para Oxóssi matar”.

 

A cobra pretendia dizer com certeza que pertencia a Xangô e Oxóssi não poderia tê-la matado.

 

Oxum fugiu temendo a vingança de Xangô e foi consultar Ifá que disse:

 

 – “A justiça será feita, assim o corpo de Oxóssi irá desaparecer, apagando-se da memória da grande cobra. O ouê desaparecerá da vingança de Xangô e fazia parte da punição que Oxóssi saísse da memória do povo de Ketú”.

 

E ele ficou por sete anos esquecido.

 

No dia do Oruncó, o nome do Orixá de cada um, o povo de Ketú começou a chorar por não lembrar o nome de seu rei. Abaixaram-se os olhos e tentaram compreender porque nunca se lembravam dele. Então Ifá ensinou-lhes um Orô, reza que se faz para o sacrifício dos animais. Após o Orô o povo começou a se lembrar de Oxóssi.

 

Ifá disse que esse era o Orô de Oxóssi, o Orixá caçador. Orixá da caça. Corajoso rei de Ketú, rei da caça que nada temia e preservava a vida dos seus filhos e dos filhos dos filhos de seus filhos. Em síntese, desconsiderar as previsões de Ifá e matar a serpente sagrada, com certeza Odé morreu, mas graças a piedade de Ifá que ouviu o lamento de Oxum e de seu povo, encantou-se, renasceu na figura de Oxóssi, o guerreiro caçador, senhor das matas, destemido rei de Alaketú.

Orixá Xangô

Xangô é um dos Orixás mais populares no Brasil e zela pela justiça e pelo fogo. Também é charmoso, sensual e gosta de fazer tudo com muito prazer. Por isso, teve três esposas: Iansã, Oxum e Obá. Sentimento de derrota é uma coisa que não existe em sua personalidade. Apesar de ser famoso por sua ação repressiva e autoritária, consegue distinguir entre o bem e o mal.
O raio é sua arma, que envia como castigo a quem age de maneira contrária a seus princípios de justiça. Os filhos de Xangô são justos e odeiam a mentira e a falsidade. São muito sociáveis e costumam deixar as pessoas admiradas por sua maneira extrovertida de conversadora. Há quem os odeie por dizerem tudo o que pensam. No amor, não há problemas para conquistar, mas podem ser um pouco infiéis.
 

 CONHECENDO MAIS DE XANGÔ

Como personagem histórico, Xangô teria sido o terceiro Alafin Oyo, Rei ( Senhor do Palácio) de Oyo. Era filho de Oranmiyan e de Torossí, esta filha de Elempe, rei dos Tapa, que tinha firmado uma aliança com Oranmiyan. Xangô cresceu no país de sua mãe indo se instalar, mais tarde, em Kosô, onde os habitantes não o aceitaram por causa de seu caráter violento e imperioso; mas ele conseguiu, finalmente , impor-se pela força. Em seguida, acompanhado pelo seu povo, dirigiu-se para Oyo, onde estabeleceu um bairro que recebeu o nome de Kosô. Conservou, assim, seu título de Oba Kosô que, com o passar do tempo, veio a fazer parte de seus Orikis (louvores).
Dadá-Ajaká, irmão consangüíneo de Xangô, filho mais velho de Oranmyian, reinava em Oyo por essa época. Seu caráter era calmo e desprovido da energia necessária a um verdadeiro chefe. Xangô o destronou e Dadá-Ajaká exilou-se em Igboho, durante os sete anos de reinado de seu meio-irmão. Teve que se contentar, então, em usar uma coroa feita de cauris, chamada Adé de Bayani. Depois que Xangô deixou Oyo, Dadá-Ajaká voltou a reinar. Em contraste com a primeira vez, ele mostrou-se, agora, valente e guerreiro e, voltando-se contra os parentes da família materna de Xangô, atacou os Tapa, sem grande sucesso.
 
Xangô, sob seu aspecto divino, é filho de Oranmyian, tendo Yamassé como mãe e sendo marido de três divindades: Oyá, Oxun e Oba, que se tornaram rios no país Yorubá.
 
Xangô é viril e potente, violento e justiceiro, castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por este motivo, a morte pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de Xangô. O proprietário deve pagar pesadas multas ao sacerdotes do Orixá que vêm procurar, nos escombros, os Edun Ará ( pedras de raio) lançados por Xangô e profundamente enterradas no local onde o solo foi atingido.
Este Edun Ará (na realidade machados neolíticos ) são colocados sobre um pilão de madeira esculpido, odô, consagrado a Xangô. Tais pedras são consideradas emanações de Xangô e contém o seu Axé – o seu poder. O sangue dos animais sacrificados é derramado, em parte, sobre suas pedras de raio para manter-lhe a força e a potência. O carneiro, cuja chifrada tem a rapidez do raio, é o animal cujo o sacrifício mais lhe convêm. Fazem-lhe, também, oferecimentos de Amalá, iguaria preparada, com farinha de inhame regada com um molho feito com quiabos. É no  entanto, formalmente proibido oferecer-lhe feijões brancos da espécie Sesé. Todas as pessoas que lhe são consagradas estão sujeita à mesma proibição.
 
O emblema de Xangô é o duplo machado estilizado, Oxé, que os seus iniciados trazem na mão, quando em transe.
O chocalho, chamado Xeré, feito de uma cabeça alongada, contendo pequenos grãos, é sacudido em honra a Xangô. Convenientemente agitada, quando são anunciados os seus louvores, este instrumento imita o barulho da chuva.
As saudações, Oriki, que seus fiéis lhe dirigem não deixam de ter certa graça e mostram a sua forte personalidade:
Ele ri quando vai à casa de Oxun.
Ele fica bastante tempo em casa de Oyá.
Ele usa um grande pano vermelho.
Elefante que anda com dignidade.
Meu senhor, que cozinha o inhame com o ar que escapa de suas narinas.
Meu senhor, que mata seis pessoas com uma só pedra de raio.
Se franze o nariz, o mentiroso tem medo e foge.
Xangô foi sincretizado com São Jerônimo, no Brasil.
Na Bahia, quando uma festa é celebrada em honra de Dadá, irmão mais velho de Xangô, a cerimônia parece conter reminiscências de fatos antigos, sem que os participantes saibam, muitas vezes as histórias dos Yorubás. O Iaô de Dadá vem dançar frente a assistência, tendo na cabeça uma coroa, o Adê de Bayani. Logo depois, Xangô montado sobre um (ou uma) de seus iniciados, toma a coroa, colocando-a sobre sua própria cabeça. Após ter dançado assim adornado por um certo tempo, a coroa é restituída a Dadá.
Este elemento do ritual parece ser uma reconstituição do destronamento de Dadá-Ajaká por Xangô, e sua volta ao poder sete anos mais tarde.
 

Algumas Qualidades do Orixá Xangô

  • AGANJÚ – Quer dizer terra firme. Tem perna de pau e é casado com YEMONJA. É o filho mais novo de ORANNIAN e o preferido, herdou sua fortuna. É o mais cruel é aquêle que leva o coração do inimigo na lança. É o SÀNGÓ amaldiçoado que matou e comeu a própria mãe.  Na verdade foi o 6º Alafin de Oyo que viveu em 1.240 A.C., aproximadamente. Era sobrinho neto de XANGO.
  • BARU  –  Pega tempo e come com ÈSÙ. Dependendo da época este Òrìsá ora é BARU ora é ÌRÓKÒ. Tem caminhos com OYA YÀTOPÈ . Não come quiabo nem amalá, come amendoim cozido e padê. Na África ele é chamado de maluco, pois durante seu reinado fez muita besteira, motivo pelo qual os africanos não o raspam nem assentam. Não fazia prisioneiros, matava todos. Veste-se de marrom e branco e suas contas são iguais a roupa. Toca-se para ÈSÙ e SÀNGÓ. BARU era muito destemido, mas quando comia quiabo, que ele gostava muito, dormia o tempo todo e por isto perdeu muitas contendas, pois, quando acordava seus adversários já tinham voltado da guerra. Ele ficava indignado. Então resolveu consultar um OLUÓ que lhe disse : Se é assim, deixe de comer quiabo – BARU perguntou : me diz o que comerei no lugar do quiabo… Só folhas… Só folhas ? perguntou BARU – Sim, respondeu o OLUÓ, tem duas qualidades , uma se chama oió e a outra xaná, são boas e gostosas como o quiabo. E BARU falou : – A partir de hoje, eu não comerei mais quiabo.
 
  •  BADÈ  –  É o mais jovem VODUM da família do raio ( cujo chefe é KEVIOSSO ), corresponde ao SÀNGÓ jovem dos NAGO. É irmão de LOKO. Usa roupa azul com faixa atada atras. Não fuma, não bebe nem fala. Um de seus animais prediletos é o chicharro.
  • OBAKOSSO  –  Perdeu os poderes mágicos de transportar-se da terra para o céu, enforcando-se num pé de OBI. Tem fundamentos com ÈSÙ, ÉGÚN e OYA, devido a sua morte.
 
  • AGODO  –  Muito ruim, brutal, inclinado a dar ordens e ser obedecido, foi ele quem raptou OBÁ. Come com YEMONJA.
 
  • AFONJÀ  –  É o dono do talismã mágico dado por OYA a mando de OBÀTÁLÁ. É aquêle que fulmina seus inimigos com o raio. Come com YEMONJA, sua mãe.
  • ALAFIN  –  É o dono do palácio real, o governante de OYO. Vem numa parte de ÒÒSÀÀLÀ e caminha com OSOGUIAN.
 
  • OBÀ OLUBÈ  –  É muito orgulhoso, intratável e muito bruto. Come com OYA.
  • OLO ROQUE  –  Seria o pai de ÒSUN OPARÀ. Tem fundamento com ÒSÓÒSÌ. Veste vermelho e branco ou marrom e branco.
 
  • ALUFAN  –  É idêntico a um AYRÀ. Confundem ele com OSÀLÚFÓN. Veste branco e suas ferramentas são prateadas.

Ogun Já

Uma das qualidades mais polêmicas de Ogum,  é Ogum Já, ou Ogum Ajá, Aquele que come cão. O próprio nome já diz um pouco sobre o porque da discussão. Algumas itans nos contam que ele seria filho de Iemanjá e Oxaguiã, desde cedo demonstrava temperamento forte e explosivo e na África é oferecido a esse orixá o cão como sacrifício, porém devemos entender que é o cão selvagem, que apesar de ser da família do nosso cão doméstico, não é a mesma coisa e não critico quem fique horrorizado com isso, afinal o “cãozinho” é o animal de estimação mais comum no Brasil, aliás em quase todos os países de origem européia. E cultura é cultura, não podemos discutir isso.
Existe dois pontos de vista sobre essa questão, muitos zeladores, dizem que não se deve iniciar ninguém nesse orixá, pois não temos material para fazê-lo, e que isso acarreta uma espécie de cobrança dessa energia, pois quando invocamos um determinado orixá, devemos ter ciência de como ele é cultuado originalmente, porém se pensarmos por esse ponto de vista, não iniciaríamos ninguém, pois como você inicia alguém de Iemanjá  sem a água do rio Ogum  Ou alguém de Xangô sem um otá de Oyó? É complicado quando falamos desse assunto, hoje temos como comprar produtos importados da África, mas e a trinta anos? Como eram feitas. Mas continuando falando sobre Ogum Já, sua cor é o azul e o verde, que representação o ferro e o mariwó. Seu espaço é caracterizado pelas estradas de terra estreitas e retas e tem relações estreitas com Oxaguiã Ajagunã.

Oríkì ÒGÚN

Ògún pèlé o !
Ogum, eu te saúdo !
Ògún alákáyé,
Ogum, senhor do universo,
Osìn ímolè.
Poder dos orixás.
Ògún alada méjì.
Ogum, dono de dois facões,
O fi òkan sán oko.
Usou um deles para preparar a horta
O fi òkan ye ona.
e o outro para abrir caminho.
Ojó Ògún ntòkè bò.
No dia em que Ogum vinha da montanha
Aso iná ló mu bora,
ao invés de roupa usou fogo para se cobrir.
Ewu ejè lówò.
E vestiu roupa de sangue.
Ògún edun olú irin.
Ogum, a divindade do ferro
Awònye òrìsà tií bura re sán wònyìnwònyìn.
Orixá poderoso, que se morde inúmeras vezes.
Ògún onire alagbara.
Ògún Onire, o poderoso.
A mu wodò,
O levamos para dentro do rio
Ògún si la omi Logboogba.
e ele, com seu facão, partiu as águas em duas partes iguais.
Ògún lo ni aja oun ni a pa aja fun.
Ogum é o dono dos cães e para ele sacrificamos.
Onílí ikú,
Ogum, senhor da morada da morte.
Olódèdè màríwò.
o interior de sua casa é enfeitado com màríwò.
Ògún olónà ola.
Ogum, senhor do caminho da prosperidade.
Ògún a gbeni ju oko riro lo,
Ogum, é mais proveitoso ao homem cultuá-lo do que sair para plantar
Ògún gbemi o.
Ogum, apoie-me
Bi o se gbe Akinoro.
do mesmo modo que apoiou Akinoro.

 

Orixá Boromu

Boromu é um orixá do deserto, desconhecido no Brasil, mas considerado em Cuba como esposo de Euá. Muito sábio, é o segredo de Euá e também seu mensageiro. Veste-se de roupas esvoaçantes, da cor da areia. Representa o esqueleto, o que é deixado de um ser humano após a morte.
Seu receptáculo é uma sopeira ou tigela de porcelana vermelha que contém 8 otás e uma mão-cheia de búzios. Seus elekes (colares) são todos vermelhos, mas fecham com uma conta preta e uma branca. Recebe sacrifícios de galos bancos, pombas e porquinhos-da-índia.
Mitos de Boromu
Obatalá teve uma filha muito bonita, virtuosa e inteligente, Euá, que apesar de todos os seus dotes, nunca tinha demonstrado interesse por nenhum homem. Assim foi até que um forasteiro chamado Boromu chegou à cidade e ela mudou de comportamento. Tornou-se arredia, tristonha, desinteressada de tudo. Seu pai, embora sábio, não acreditava – como diziam – que ela estivesse apaixonada. E, mesmo que estivesse, nada a impediria de ser feliz ao lado do forasteiro, que, aos olhos de Obatalá, era merecedor de seu carinho. Contudo, Euá estava grávida e guardava o segredo a sete chaves e Boromu deixara a cidade. Uma noite, sentido as dores do parto, Euá fugiu da casa do pai e embrenhou-se na mata, onde deu à luz um menino. Obatalá, ante o desaparecimento da filha, mobilizou todas as forças possíveis para encontrá-la. O mesmo fez Boromu que, sem saber da gravidez de Euá, deixara a cidade por causa de uma missão que ela lhe confiara. Depois de alguns dias, Boromu encontrou Euá desfalecida na floresta, com o filho dormindo a seu lado. Como temiam a reação de Obatalá, resolveram voltar a seu palácio sem lhe revelar a existência da criança, que esconderam na mata. No dia seguinte, ânimos serenados, Boromu voltou para cuidar do filho e não o encontrou. Ele havia sido levado por Iemanjá, que ouvira o choro da criança e a tomara a seus cuidados. Euá e Boromu nunca mais viram o filho. Diante disso e envergonhados perante Obatalá, os dois foram viver no cemitério. Hoje, Boromu representa os ossos, o que restou de um ser humano. Euá, triste e amargurada, cumpre o papel de entregar a Oiá os cadáveres que Obaluaiê conduz a Orixá Okô, para serem devorados e se transformarem de novo na lama inicial.

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Mestre Zé Pilintra

O conhecimento da religião dos Orixás, mostrando lendas, curiosidades e mistérios da nossa religião.

Rainha Maria Padilha, Exús e Pombo Giras

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Lendas, Mistérios e Curiosidades da Religião Afro

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