Pretos Velhos

 
A noite chega e o barulho que se escuta é o ranger das correntes que aprisionam os negros escravos após mais um dia de trabalho árduo nas fazendas. 
Nas senzalas onde são jogados os negros ainda acorrentados uns aos outros deixam que seus pensamentos os transportem até a Mãe África e relembram da época em que corriam livres matas adentro em busca da caça para alimentar sua tribo, sentiam o calor do sol em seus corpos, trazendo ânimo e vitalidade nas águas doces dos rios e cachoeiras, banhavam-se com alegria e disposição e à noite sentavam-se ao redor da fogueira e olhando o céu estrelado conversavam sobre o que cada um fez durante aquele dia tão proveitoso e planejavam as novas aventuras do dia seguinte. 
Antes de dormirem, agradeciam as suas divindades a proteção de mais um bom dia e o negro sonhava dentro da senzala em situação tão adversa e agora a única liberdade que ele tem é sonhar com o passado e ter a esperança que no futuro alguns deles ou seus descendentes possam novamente ser livres para correrem mata adentro, sentir o calor em seu corpo sem o chicote em sua carne, banhar-se nas cachoeiras e rios, sentarem-se ao redor da fogueira, dançar, cantar, amar e cultuar livremente suas divindades.
Esses negros escravos que tanto sofreram no passado e não se revoltaram contra Deus e nem contra os deuses que cultuavam. Séculos se passaram e hoje esses espíritos de luz vêm nos visitar, vem nos ensinar a humildade, a paciência e a esperança em nossos desafios. Essas entidades de tanta luz e amor escutam com paciência nossos pedidos de socorro, enxugam nossas lágrimas e com suas rezas e conselhos, aliviam o nosso coração angustiado.

MIRONGAS DA VOVÓ MARIA CONGA

 

 

            

O que é mironga?

 

Mironga é como chamamos a “magia” de preto-velho, a mandinga dos espíritos que se apresentam como negros idosos e sábios para ajudar os filhos que os procuram.

Aqui vão algumas mirongas que essa nega véia tem a ensinar para resolver as dificuldades do coração, muito comum nos queixumes e pedidos de auxílio dos filhos da Terra.
Leia tudo com muita atenção e principalmente, aplique isso no seu dia-dia.

 

1 – Como você poderá levar felicidade e alegria para outra pessoa? Primeiro relacione-se com seu eu interior. Depois busque alguém.

2 – Assuma a responsabilidade pelo seu relacionamento. Não é magia, inveja, ciúmes de terceiros, etc, que irá separar aquilo que o amor uniu.

3 – É claro que também nenhuma simpatia, reza ou trabalho irá unir ou “amarrar” aquilo que a falta de carinho desuniu.

4 – Simplificando: quem procura as coisas ocultas para resolver problemas sentimentais é imaturo. Ruim do juízo e doente do coração.

5 – Desapegue-se! Porque o amor é um sentimento livre. Um eterno querer bem. Um carinho incondicional. Quase um sentimento de devoção. Se vc “gosta” tanto de alguém, que prefere ele “morto” do que feliz com outra pessoa, escute: Isso não é amor! Simples ilusão disfarçando o egoísmo…

6 – Aprenda que ninguém irá te completar. Você já é completo! Mas quando um relacionamento é calcado no mais puro amor, muito do amado vive no amante, e muito do amante pra sempre viverá no amado. Quer milagre maior que esse?

 

 

7 – Às vazes é melhor sozinho do que mal acompanhado! Sabedoria popular…, mas o que têm de doutor e doutora que não consegue entender isso.

8 – Ponha o pé no chão, se não é o momento de encontrar sua alma gêmea nesta vida, pare de enfeitar suas próprias desilusões com devaneios. Encare a realidade de frente.

9 – A vida vai passando, com ele/a, ou sem ele/a. E a morte se aproximando…

10 – Por isso, vão viver a vida meus filhos! Quem sabe ela não está guardando um presente para vocês? Não existe mironga maior que essa!

Ass: Preta, véia Conga que só ama suncês tudo…

ROSA BRANCA SEM ESPINHOS(PSICOGRAFIA DE VÓ MARIA)

“Minha família de fé,
Quando a ingratidão e a injustiça baterem a sua porta volte seus pensamentos ao bem,feche os olhos e mentalize o sorriso daqueles que foram beneficiados com o trabalho de amor e dedicação que tem dado frutos doces a muitos corações amargurados pela dor,agindo assim toda a ingratidão e injustiça sofridas serão ofuscadas pela luz que emana de suas ações.
Ah se eu fosse recuar cada vez que recebi uma chibatada, não teria feito nada de minha encarnação, não teria feito meu resgate cármico, não teria caminhado, ficaria encolhida no canto da senzala me lastimando… Agora estou me lembrando… já contei para vocês esse fato que ocorreu na fazenda, em minha última encarnação…
…Entrei na casa grande,já era madrugada, fui chamada pela sinhá,o sinhozinho Pedro Henrique, filho dela,um jovem de 18 anos, se encontrava muito enfermo, jazia sobre o leito, muito pálido delirava de febre. Chovia muito e a pequena ponte de madeira que dava travessia para a vila, havia sido levada pela chuva.Assim sendo,não havia como enviar um escravo para trazer o “doutor”.
Ao ver aquele menino,na hora eu soube que ele desencarnaria, havia chegado o momento dele e nem eu,o “doutor” ou qualquer encarnado poderíamos mantê-lo vivo.Eu Havia trazido aquele menino ao mundo,era eu quem realizava todos os partos da família,e foram muitos que eu trouxe ao mundo com minhas mãos de parteira,aquele menino era querido para mim,como um filho!
Ele me amava também e assim que cheguei perto da cama ele me olhou, sorriu e apertou minha mão. A mãe desesperada e ansiosa por notícias implorava com os olhos que eu salvasse seu filho, eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para mantê-lo confortável, troquei os lençóis baixei sua febre com ervas, ele melhorou… 
Quando o dia já amanhecia, ele sentou-se na cama, chamou sua mãe,disse que a amava, se despediu das irmãs,me deu um abraço apertado, deito-se,sorriu e partiu… Eu o vi sair do corpo e quando passou por mim, com´O VELHO ESCRAVO VÓ DITO AO SEU LADO, me disse “até logo vó, te amo!”e se foi…a família se desesperou, foi muito triste a ausência daquele menino tão alegre e generoso… a mãe se trancou no quarto e o pai, se revoltou e mandou me buscar na senzala, derramou sobre mim todo o seu ódio e sofrimento, mandou que esquentassem o ferro e fez uma marca nas minhas costas com ferro em brasa, ele sabia que eu não tinha culpa, mas precisava que o mundo sentisse sua dor, precisava me ver sofrer para ver se amenizava sua dor e para mim a pior dor era a saudade de meu menino,que eu vi crescer e que quando criança me acompanhava por aqueles campos,fazendo mil perguntas:
‘”VÓ,O QUE É ISSO?VÓ, PARA QUE SERVE ESSA ERVA?VÓ PORQUE A SENHORA É ESCRAVA?VÓ,QUANDO EU FOR DONO DESSA FAZENDA A SENHORA NÃO VAI MAIS SER ESCRAVA,VAI SER SÓ MINHA VÓ!”
era assim que ele era comigo e meu coração doía por sua partida, doía tanto que nem senti a queimadura…Passaram-se dois dias, a mãe, a sinhazinha, veio ao meu encontro, chorando pediu perdão pela atitude do marido, chorando nos abraçamos e juntas fomos ao túmulo do nosso menino, juntas fizemos nossas preces e ela me deu uma rosa branca, quando olhei vi que ela havia retirado todos os espinhos da rosa!
Então ela me disse:”ESSA É A PERFEITA REPRESENTAÇÃO DO AMOR QUE ME UNE AO MEU FILHO,UM AMOR SÓ DE PERFUME SEM A DOR DOS ESPINHOS,É ISSO QUE QUERO OFERECER AOS OUTROS, É ISSO QUE OFEREÇO A SENHORA, É ASSIM QUE SINTO MEU FILHO.”
E eu percebi o quanto é bom espalhar rosas sem espinhos,por mais que a dor visite seu coração, não pense em furar o coração dos outros com os espinhos de sua revolta. Conserve em seu coração sentimentos de amor, perdão e gratidão, os espinhos da ingratidão ferem tanto quanto os espinhos da revolta. Que o perfume da amizade, da fé em Deus e do amor ao próximo lhe ajudem a superar as agruras das provas terrenas.
Ofereço a vocês minha família de alma,
principalmente a você filha, minha rosa branca sem espinhos…PASSE ADIANTE…
Vó Maria”

Palavras de Pai Joaquim de Aruanda

 

Combatendo as Zicas do Coração

Meu filho, com esses olhos, “que a terra não comeu”, pois são olhos espirituais, reais, já vi muita coisa. Algumas boas, outras nem tanto, e mais outras que não vale a pena contar.
 
O que passou, passou mesmo. O que ficou foi a experiência das diversas vidas na carne, aliás, muitas delas tão iguais e, ao mesmo tempo, tão diferentes. O que ficou foi o aprendizado e o conhecimento de como é o coração dos homens e suas emoções e vontades. Aprendi a ler a verdade de cada um, por dentro, lá na toca das coisas que não se falam, e que todos escondem muito bem. Tem muita zica  dentro dos corações, meu rapaz.
 
É rolo que não acaba mais! E coração rançoso e rancoroso, você sabe como é que é, está cheio de irmãozinhos das trevas agarrados a ele. Eles se alimentam das emoções podres e dos pensamentos maldosos. E a zica é tanta, que só a pessoa rancorosa é que não vê a energia que está perdendo. Menino de Deus, como os homens sofrem por causa das emoções podres! Igualzinho ao corpo carnal, que pode apresentar escaras na pele, devido à falta de movimento em alguma área, o corpo espiritual também tem suas escaras astrais. 
 
Porém, essas são causadas pelas emoções podres, estagnadas no meio da alma atormentada e sem centro espiritual. Falta movimento sutil ali! Falta vergonha na cara para acertar o passo! Muito disso vem de outras vidas, são escaras do passado, de coisas mal-resolvidas, ainda alojadas no corpo espiritual. Mas, muita coisa é de agora mesmo, é coisa podre dos dias atuais. E o mau cheiro psíquico exalado atrai os espíritos atormentados e atormentadores, que ficam agarrados em penca na aura da pessoa. Isso é uma tragédia invisível! É uma doença psíquica que amarra os encarnados e impede os desencarnados carentes de seguirem em frente. 
 
Nosso Senhor Jesus Cristo avisou muitas vezes sobre isso. Ele disse: “Orai e Vigiai!” – Ele sabia do mal que as emoções podres fazem ao ser humano. Todavia, muitos oram de forma egoísta e mecânica, sem coração e sem alma, e outros nem isso fazem, passando ao largo das boas vibrações que poderiam ajudá-los e fortalecê-los. E os que vigiam raramente se olham por dentro, pois policiam muito mais a vida alheia, e não foi isso que Nosso Senhor ensinou. Meu amigo, tem tanto espírito agarrado nas pessoas, que há horas em que você não sabe mais quem é quem, de tão entranhados que estão. É um fuzuê energético na aura desses infelizes. 
 
Ô coisa feia de se ver! Mas Nosso Senhor é de uma compaixão infinita. Sob o seu comando, legiões de espíritos de luz vêm ajudando os homens nessas lides do invisível. Sem eles, isso aqui já teria ido para o beleléu! São eles que deslindam as ligações psíquicas daninhas e levam os irmãozinhos das trevas para o Espaço, para serem tratados pelos médicos da luz. Esses irmãos da luz são os verdadeiros anjos da guarda da humanidade. Pena que os homens se esquecem tão facilmente das bênçãos que recebem. Esses guias e benfeitores espirituais são os trabalhadores de Nosso Senhor, não importa a linha espiritual na qual laboram. 
 
Sempre agradeça a eles, pela proteção e luz. Todavia, se os guias espirituais ajudam, também é verdade que os homens precisam fazer sua parte. Que vigiem e orem, e exorcizem as emoções podres de seus anseios. Que renunciem aos desejos torpes de vinganças. Que esqueçam as ofensas e se dediquem a alguma causa nobre e verdadeira. Ninguém é vítima do destino! Todos são passíveis de falhas na jornada, como também de atos elevados. E todos são capazes de seguir em frente… 
 
Tem muito coração zicado nessa vida dos homens terrestres, e muitos espíritos zangados na cola deles. Ainda bem que, lá da Aruanda, vem aquela luz que ilumina a fé dos filhos que querem a cura do próprio espírito. Como você escreve sobre as coisas do espírito, fale para as pessoas daquela chuva luminosa que os guias produzem sobre as cabeças dos filhos que se esforçam na senda da luz e do bem. Aquela luz de Aruanda… Aquele amor que cura o coração. Fale das egrégoras  invisíveis que sustentam os bons pensamentos e os bons ideais, para que muitos outros se liguem a elas e se protejam das vibrações pesadas. Filho, olhe essa estrela sobre a sua cabeça. É linda e brilhante. 
 
Você sabe o significado dela, e sabe quem a enviou para iluminar o seu caminho. Pense que o brilho e a proteção que dela emanam possam ser irradiados para outras pessoas. Que Oxalá abençoe as pessoas zicadas e as cure do mal que trouxeram para dentro de si mesmas. Que Ele propicie um momento de despertar para elas. Fique na paz de Nosso Senhor! Na luz de Aruanda. Na fé! – Pai Joaquim de Aruanda – (Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 16 de dezembro de 2005.)

Vovó Maria Conga

Cenas de exaustivo trabalho em plantações de cana. É nisso que Vovó Maria Conga parece estar constantemente envolvida. Gosta de doces, cocada branca em especial, mas não dá demonstrações de ter sido esta sua principal ocupação na encarnação como escrava.

Sentada em um toco de madeira no terreiro contou, certa vez, alguns fatos de sua vida em terra brasileira.

 

Começou dizendo que só o fato de podermos conviver com nossos filhos é uma grande dádiva. Naquele tempo as negras eram destinadas, entre outras coisas, a procriar, a gerar filhos que delas eram afastados muito cedo, até mesmo antes de serem desmamados. Outras negras alimentavam sua cria, assim como tantos outros “filhotes” foram alimentados pela Mãe Conga. Quase todas as mulheres escravas se transformavam em mães; cuidavam das crianças que chegavam à fazenda, rezando para que seus próprios filhos também encontrassem alento aonde quer que estivessem.

 

Os orixás africanos, desempenhavam papel fundamental nesta época. Diferentes nações africanas que antes guerreavam, foram obrigadas a se unir na defesa da raça e todos os orixás passaram a trabalhar para todo o povo negro. As mães tomavam conhecimento do destino de seus filhos através das mensagens dos orixás. Eram eles que pediam oferendas em momentos difíceis e era a eles que todos recorriam para afastar a dor.

 

Maria Conga teve que se utilizar de algumas “mirongas” para deixar de ser uma reprodutora, e assim, pelo fato de ainda ser uma mulher forte, restou-lhe a plantação de cana. A colheita era sempre motivo para muito trabalho e uma espécie de algazarra contagiava o lugar. Enquanto as mulheres cortavam a cana, as crianças, em total rebuliço, arrumavam os fardos para que os homens os carregassem até o local indicado pelo feitor. Foi numa dessas ocasiões que Maria Conga soube que um dos seus filhos, afastado dela quando já sabia andar e falar, era homem forte, trabalhando numa fazenda próxima.

 

Seu coração transbordou de alegria e nada poderia dissuadi-la da idéia de revê-lo. Passou então a escapar da fazenda, correndo de sol a sol, para admirar a beleza daquele forte negro. Nas primeiras vezes não teve meios de falar com ele, mas os orixás ouviram suas súplicas e não tardou para que os dois pudessem se abraçar e derramar as lágrimas por tanto tempo contidas. Parecia a ela que eles nunca tinham se afastado, pois o amor os mantivera unidos por todo o tempo.

Certa tarde, quase chegando na senzala, a negra foi descoberta. Apanhou bastante, mas não deixou de escapar novamente para reencontrar seu filho. Mais uma vez os brancos a pegaram na fuga, e como ela ainda insistisse uma terceira vez resolveram encerrar a questão: queimaram sua perna direita, um pouco acima da canela, para que ela não mais pudesse correr.

 

Impossibilitada de ver o filho, com menor capacidade de trabalho, a Vó Maria Conga passou a cuidar das crianças negras e de seus doentes. Seu coração se encheu de tristeza ao saber que haviam matado seu filho quando tentava fugir para vê-la.

Sua vida mudou. De alegre e tagarela passou a ser muito séria, cuidando do que falava até mesmo com os outros negros. Para as crianças contava histórias de reis negros em terras negras, onde não havia outro senhor. Sábia, experiente e calada, Vovó Maria Conga desencarnou.

 

Com lágrimas na alma ela acabou seu conto. Disse que só entendeu a medida do amor após a sua morte. Seu filho a esperava sorrindo, guardião que fora da mãe o tempo todo em que aguardava seu retorno ao mundo dos espíritos.

 

Palavras de Vô Bento

 – Filhos, ouçam todos e me digam o que é preciso para ser um médium.

 

– Ah, Vô, é preciso ter disciplina, dedicação, estudo ….

 

– Não filhos, para ser médium não precisa de nada disso, ser médium é fácil, todos que passaram hoje por assistência são médiuns como vocês e para isso nada é exigido. O difícil é ser INSTRUMENTO DE DEUS e é isso que vocês precisam ser, se realmente querem evoluir e fazer o bem.

 

E agora, o que é preciso para ser um bom Instrumento de Deus?

 

…silêncio…

 

– Só precisa ter um CORAÇÃO LEVE, um coração cheio de AMOR pela Espiritualidade e não interesse perante ela. Olhem para dentro de vocês e observem qual é o tipo de amor que vocês têm perante a Espiritualidade. Observem qual é o lado do muro em que vocês estão agora, no lado da troca, onde se espera receber ‘também’, ou no lado do amor, onde se é capaz somente de ‘dar’.

 

Saibam que é do lado do amor é que estão os verdadeiros Instrumentos de Deus.

Observem agora, filhos, se vocês estão pulando de um lado para o outro do muro. E o que é pior, observem se vocês não estão em cima do muro prestes a cair ou quem sabe já caíram e não se deram conta, tentando até derrubar seus outros irmãos.

 

Filhos entendam, é através do amor que tudo acontece, é através do amor que vocês ficam receptivos às forças Espirituais Divinas e só assim conseguem receber tudo de Divino.

 

Quanto a dedicação, o estudo e a disciplina, quando há amor todas essas necessidades se tornam naturais e fáceis de serem cumpridas, pois nos dedicamos a tudo que amamos não é verdade?! Então tudo se transforma em “uma grande alegria”.

 

Lições de um Preto Velho

LIÇÕES DE UM PRETO VELHO

Observe esta breve história. Uma história verídica que infelizmente ocorre com grande freqüência nas reuniões espíritas com os então ainda espectadores encarnados, incrédulos que necessitam da ilusão dos “nomes afamados e títulos memoráveis” para se dar a credibilidade ao espírito mensageiro iluminado.
Cenário: reunião mediúnica num Centro Espírita. A reunião na sua fase teórica desenrola-se sob a explanação do Evangelho Segundo o Espiritismo. Os membros da seleta assistência ouvem a lição atentamente. Sobre a mesa, a água a ser fluidificada e o Evangelho aberto na lição nona do capítulo dez: “O Argueiro e a trave no olho”.

Dr. Anestor, o dirigente dos trabalhos, tecia as últimas considerações a respeito da lição daquela noite. O ambiente estava impregnado das fortes impressões deixadas pelas palavras do Mestre: “Por que vês tu o argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu?”. Findos os esclarecimentos, apagaram-se as luzes principais, para que se desse abertura à comunicação dos Espíritos.

Um dos presentes fez a prece e deu-se início às manifestações mediúnicas. Pequenas mensagens, de consolo e de apoio, foram dadas aos presentes. Quando se abriu o espaço destinado à comunicação das entidades não habituais e para os Espíritos necessitados, ocorreu o inesperado: a médium Letícia, moça de educação esmerada, traços delicados, de quase trinta anos de idade, dez dos quais dedicados à educação da mediunidade, sentiu profundo arrepio percorrendo-lhe o corpo. Nunca, nas suas experiências de intercâmbio, tinha sentido coisa parecida. Tomada por uma sacudidela incontrolável, suspirou profundamente e, de forma instantânea, foi “dominada” por um Espírito. Letícia nunca tinha visto tal coisa: estava consciente, mas seus pensamentos mantinham-se sob o controle da entidade, que tinha completo domínio da sua psiquê.

O dirigente, como sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática espírita, deu-lhe as boas vindas, em nome de Jesus:

– Seja bem vindo, irmão, nesta Casa de Caridade, disse-lhe Dr. Anestor.
 
O Espírito respondeu:
 

“Zi-boa noite, zi-fio. Suncê me dá licença pra eu me aproximá de seus trabaios, fio?”.

– Claro, meu companheiro, nosso Centro Espírita está aberto a todos os que desejam progredir, respondeu o diretor dos trabalhos.

Os presentes perceberam que a entidade comunicante era um preto-velho, Espírito que habitualmente comunica-se em terreiros de Umbanda. A entidade comunicante continuou:

“Vós mecê não tem aí alguma coisa pra eu bebê, Zi-Fio ?”.

– Não, não temos, disse-lhe Dr. Anestor. Você precisa se libertar destes costumes que traz de terreiros, o de beber bebidas alcoólicas e café. O Espírito precisa evoluir, continuou o dirigente.

“Vós mecê não tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, Zi-fio”.

– Ora, irmão, você deve deixar o hábito adquirido nas sessões de Umbanda, se queres progredir. Que benefícios traria isso a você?

O preto-velho respondeu:

“Zi-preto véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos que aqui estão, não faz uso do cigarro lá fora, Zi-fio? Suncê mesmo, não toma suas bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que tem o seu Espírito que bebe whisky, no fim de sumana, do meu Espírito que quer beber aqui? Ou explicá prá mim, a diferença do cigarrinho que suncê queima na rua, daquele que eu quero pitá aqui dentro?”.

O dirigente não pôde explicar, mas ainda tentou arriscar:

– Ora, meu irmão, nós estamos num templo espírita e é preciso respeitar o trabalho de Jesus.

O Espírito do preto-velho retrucou, agora já não mais falando como caipira:

“Caro dirigente, na Escola Espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais Centro Espírita. Para nós, estudiosos da alma, o verdadeiro templo é o templo do Espírito, e é ele que não deve ser profanado com o uso do álcool e fumo, como vem sendo feito pelos senhores. O exemplo que tens dado à sociedade, perante estranhos e mesmo seus familiares, não tem sido dos melhores. O hábito, mesmo social, de beber e fumar deve ser combatido por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. A lição do próprio comportamento é que é fundamental na vida de quem quer ensinar”.
 
Houve profundo silêncio diante de argumentos tão seguros. Pouco depois, o Espírito continuou:

“Desculpem a visita que fiz hoje e o tempo que tomei do seu trabalho. Vou-me embora para o lugar de onde vim, mas antes queria deixar a vocês um conselho: que tomassem cuidado com suas obras, pois, como diria Nosso Senhor, tem gente “coando mosquito e engolindo camelo”. Cuidado, irmãos, muito cuidado. Deixo a todos um pouco da paz que vem de Deus, com meus sinceros votos de progresso a todos que militam nesta respeitável Seara”.

Deu uma sacudida na médium, como nas manifestações de Umbanda, e afastou-se para o mundo invisível. O dirigente ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar “daquela forma”. Não houve resposta.

 

No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma importante lição: lição para os confrades meditarem sobre aquilo que creem ou que necessitam ter para crer!!!!
 
Saravá Yofá! Saravá os Preto-Velhos!!!
Saravá todo o povo do cativeiro!
Adorei as Almas!!!!!!
 
QUEM DECIDE COLOCAR-SE COMO JUIZ DA VERDADE E DO CONHECIMENTO É NAUFRAGADO PELA GARGALHADA DOS DEUSES.
PENSE NISSO!

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