Malunguinho

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No século XIX, parte das terras localizadas em Olinda, no estado de Pernambuco, eram improdutivas, fato que culminou na luta pelo desenvolvimento agrário. Um dos movimentos de maior representatividade foi o dos negros do Quilombo de Cacutá, localizado nas terras conhecidas atualmente, como Engenho Utinga, no município de Abreu e Lima. Entre os anos de 1814 a 1837, os revoltosos implementaram diversas ações contra o poder local constituído, que naquele momento estava fragilizado pelos conflitos internos pelo poder e soberania. Desenvolveram técnicas de guerrilha, conhecidas até hoje, como estrepes, um tipo de lança feita em madeira bem afiada, que ao ser enterrada em buracos escondidos na mata, continha os invasores dos quilombos.
De acordo com Mário de Andrade, em Música de Feitiçaria no Brasil, “Malunguinho é um negro africano feiticeiro malévolo. Só pratica o mal. Trabalha com a cabeça no chão à meia-noite com panos pretos. É capaz de tomar mais de uma garrafa de cauim duma vez e até duas. Serviço dele outro espírito não desmancha. É um espírito atrasado, convive em mundos inferiores, no geral, não é chamado. Manda enterrar sapos cururus na porta de quem a gente quer infelicitar”. A visão do autor de Macunaíma é bastante negativa em relação ao cultivo da entidade nos dias de hoje, tida como benevolente pelos praticantes.
De acordo com o pesquisador Hildo Leal da Rosa, no culto da Jurema, Malunguinho é uma entidade de grande poder, que se manifesta de três formas bastante distintas: Exu, caboclo e mestre. 
  • O primeiro representa o mensageiro, fazendo o elo de ligação da linha da Jurema com as pessoas. 
  • O segundo é a figura do guia, o principal protetor dos iniciados no culto. 
  • O terceiro representa alguém que teve existência real na terra. A Jurema, segundo o pesquisador, é um culto religioso de origem indígena (existe no Brasil desde o século 16), mas que também carrega elementos afros (negros) e cristãos (brancos). 

“Malunguinho é uma entidade que fala pouco e não demora muito quando incorpora. Suas palavras são meio truncadas, como uma criança falando, e a língua mistura português com outro idioma”. Durante o culto, as mensagens trazidas pela entidade são repassadas a um médium. “Quando a pessoa está com um problema sério e precisa de uma proteção grande, uma das primeiras entidades chamadas para ajudar é Malunguinho”. 

Traduzido como um Exu muito forte, Malunguinho também é invocado nas cerimônias para levar embora os outros exus. Antes de começar os rituais,  semprem pedem proteção a Malunguinho. 
“Isso é uma história muito bonita. O povo pega um herói popular que existiu de verdade, guerreiro, líder dos negros e o coloca no olimpo das divindades”, acrescenta o historiador Marcus Carvalho. Várias cantigas usadas no culto da Jurema citam a figura de Malunguinho.
“Subir ao panteão das divindades é talvez a maior homenagem que um povo pode prestar aos seus heróis”, destaca Marcus Carvalho na publicação O Quilombo de Malunguinho, o rei das matas de Pernambuco (Liberdade por um fio/História dos quilombos no Brasil, editado pela Companhia das Letras). Para Marcus Carvalho, a unidade entre a divindade e o guerreiro da floresta do Catucá é evidenciada em uma cantiga que cita um antigo aparato militar usados pelos quilombolas, os estrepes.
Marcus Carvalho explica que estrepes eram paus pontudos fincados no chão, em armadilhas ou expostos, para impedir os ataques dos soldados aos quilombos. “Muitos soldados caíam nas armadilhas ao perseguir os negros. Vem daí a expressão ‘se estrepar’, observa. “O Malunguinho da Jurema, que tem o poder de tirar os estrepes do caminho, é, portanto, a recriação simbólica do próprio Malunguinho do Catucá: o verdadeiro rei das matas de Pernambuco”.

Comigo ninguém pode

Entre as maiores recomendações para quem deseja proteger seu lar contra visitas indesejadas, invasores ou cobiça, está a Comigo Ninguém Pode, presente logo ao pé da porta de entrada ou adornando quintais.

 

Através dela, são atribuídos efeitos como a proteção contra o mau-olhado e a inveja, contribuindo ainda no auxílio para uma maior atração de boas energias. Como efeitos secundários, a Comigo Ninguém Pode possibilita a limpeza e o fortalecimento energético, tanto de pessoas quanto do ambiente em que está inserida.

 

Em seu modo de atuação, a planta absorve as energias negativas de pessoas mal-intencionadas, evitando que tais malefícios cheguem ao morador da residência em que se encontra ou demais locais. Como resultado, temos indivíduos felizes e que deverão atrair para si próprios e para seu lar apenas positividades, livrando-se de qualquer aura pesada, intrigas familiares, tristeza e seres obsessores que possam estar rondando o ambiente, prestes a entrar em sua casa.

 

Geralmente, muitas pessoas fazem seu uso em conjunto com outra planta deste mesmo segmento, a Espada de São Jorge, pode potencializar todos os efeitos citados, sendo juntas capazes de quebrar feitiços, magias e livrar quem a possui do mau-olhado. Na Umbanda, ambas as plantas são associadas ao poderoso Orixá Ogum, enquanto a Comigo Ninguém Pode também possui relação com Exú.

 

Outras possibilidade de associação da Comigo Ninguém  Pode é planta-la ao lado ou em um mesmo espaço de terra juntamente à Pimenteiras, Arruda e, claramente, a Espada de São Jorge.

Falsa Mediunidade

Falsa Mediunidade

Falsa mediunidade é quando ocorre uma mistificação, ou seja, uma ação mentirosa consciente, onde alguém simula um fenômeno mediúnico e, na realidade, não é. É algo deliberado, pensado, criado para enganar. A identificação de uma mistificação mediúnica passa, primeiramente, pelo conhecimento dos conceitos acima do que é e do que não é mediunidade, embora sejam fenômenos autênticos do psiquismo. Eliminadas estas hipóteses, parte-se, então, para se testar a contradição do impostor.
Há, porém, a necessidade de se distinguir entre o médium mistificador do médium mistificado. O médium mistificador é aquele que age conscientemente para enganar, enquanto que o médium mistificado é quando o espírito que o médium recebe promove a trapaça. No médium mistificador não existe espírito algum, no médium mistificado, há espírito no médium, mas é ele que gera o equívoco.

A falsa mediunidade pode ocorrer por dois mecanismos:

Animismo –  No qual o médium pensa que está incorporado com uma entidade, mas na realidade está vazio: ele está apenas sugestionando. Isso acontece com médium mal preparado, com aqueles que não cumprem as suas obrigações de desenvolvimento: não se concentram, não mentalizam, não renovam as suas imantações, não se preparam. Para evitar o animismo, basta cumprir todos os passos da preparação correta.

 

 

Mistificação – Existe mas, felizmente, é uma minoria dos casos. Ela pode se apresentar de forma direta ou indireta:

 

 

  •  A Mistificação Direta ocorre quando o médium, com má fé e propositalmente, mistifica, finge, engana propositadamente; esta é uma das condições mais baixas de um médium, e é inadmissível.
  • A Mistificação Indireta ocorre quando é o espírito que mistifica, embora o médium esteja agindo corretamente. Pode acontecer, por exemplo, que um espírito de pouca vibração se apresente como uma alta entidade do astral e comece a dar conselhos errados. 

 

O espírito mistificador pode ser identificado porque o trabalho mediúnico ocorre de forma diferente da habitual; para evita-lo o médium deve ser bem preparado, de modo a poder identificar os sintomas de aproximação das várias entidades.

 

 

Toda e qualquer expressão de mediunidade exige disciplina educação, correspondente conduta moral e social do seu portador, a fim de facultar-lhe a sintonia com Espíritos Superiores.

 

 

O médium irresponsável, não é apenas aquele que, ignorando os recursos de que se encontra investido, gera embaraços e perturbações, tombando nas malhas da própria fraqueza, mas também, aqueles outros que, esclarecidos da gravidade do compromisso, se permitem deslizes morais, vontades típicas do caráter doentio, terminando vitimados pelas obsessões cruéis e ganhar dinheiro em casa.

Abian, Iyawô, Egbomi – A importância de cada fase no Axé.

Axé é a energia, a força. Ela se fortalece, se enfraquece, é positivo e também pode se tornar uma força negativa (ajé). Isso depende somente de nós e de nosso babalorixá.  Tudo começa com o abian:

 

 

 

ABIAN

 

 

O começo. Abian é aquela pessoa que se interessou pelo culto, mas ainda não cumpriu os rituais de iniciação. É uma fase importante, pois nesse momento que começa a busca por uma boa casa, e um bom babalorixá. O que o abian tem que ter em mente é que a escolha pertence a ele, e não ao seu orixá. Se fosse o contrário, não existiriam tantas pessoas iniciando em casas ruins.
Tenha em mente que você precisa procurar uma casa que tenha história, que seja séria. Tenha em mente também que orixá veio da África, e que as palavras mais fortes no culto são humildade, ancestralidade, tradição e hierarquia.
Então se você tem problemas em acatar ordens, em se abaixar para os mais velhos e receber broncas, espere um pouco mais pra se iniciar. No culto vemos os abians e iyawos como crianças; então se você fizer algo errado, vai ter puxão de orelha. Assim como na vida, tem alguns pais que são mais severos que os outros.
Pais muito permissivos tendem a ter uma família desorganizada e desregrada. Pais muito abusivos tendem a ter uma família desunida. Procure o meio termo.
Nesse período de abian dentro de um axé, lhe serão atribuídas tarefas menores, como organização e limpeza. Isso serve para ver se a pessoa irá se adequar a casa, se acostumar com as regras e a hierarquia.
Ele está sempre sendo observado pelos mais velhos, que sempre estão em busca de seu potencial. O que não pode acontecer também é ter abians de mais de 10 anos na casa. Ai tem algo errado. Ou o pai de santo cobra muito caro pela iniciação, ou a pessoa tem medo de compromisso. De qualquer maneira, tem que sair de cima do muro.
Se no seu período de abian você viu coisas que te desagradaram dentro da casa, analise. Se isso aconteceu com você abian ainda, imagine o que pode acontecer depois de anos dentro da casa?
Iyawô – A primeira fase.
Iyawôs são todos aqueles que se iniciaram e não cumpriram o fechamento do ciclo iniciático, ou seja, a obrigação de 7 anos. Um iyawô de 30 anos de santo que não tomou obrigação de 7, ainda é um iyawô. Esse período é crucial para o futuro de uma pessoa do axé.
Na iniciação, através de ritos e cantigas, é evocado o orixá. O orixá no orum, nesse momento é invocado, e cede uma parte de seu axé, que é colocado dentro do iniciado. É um axé direto do próprio orixá (olha a responsabilidade do pai de santo! Pense que ele deve fazer a evocação correta, e deve estar tudo de acordo, pois o orixá (em sua real presença) naquele momento irá se agradar ou se desagradar do que irá presenciar). Esse axé deve ser cuidado com zelo, com o intuito de se fortificar. Esse axé é um recém-nascido. As vezes não incorpora tão bem, não tem características próprias ainda. O babalorixá, ekédis e egbomis irão auxiliar nesse período de aprendizagem, do iyawô e do próprio orixá. Por isso, os mais velhos se intrometem tanto na maneira como o orixá se porta, pois ele e o iyawô não viveram o suficiente pra ter características. As características devem ser acompanhadas pelos mais velhos, tanto pra incentivar, quanto pra se coibir.
Tem que ter em mente que esse axé é cedido pelo orixá, uma parte sua. Por isso vemos vários Oguns, Oxuns em um mesmo barracão, cada um com características próprias.
Então o iyawô foi abençoado com um axé direto do próprio orixá. A benção vem acompanhada de muita responsabilidade. Cada obrigação, cada orô, cada culto, cada banho de folha, fortifica seu orixá, para quando virar adulto (obrigação de 7 anos), ele será um adulto forte e saudável, sem sequelas.
Pense nesse orixá como um bebê, que precisa crescer saudável e com força. Quanto mais você cultuar, mas força ele vai ter. Santo com axé e com força incorpora mais, se comunica com o filho através de sonhos e consegue ter forças para poder modificar os caminhos sua vida. Um santo não cultuado não tem axé suficiente para fazer algo por seu filho. Não é castigo.
Toda essa descrição, tem por finalidade ressaltar as responsabilidades que acompanham essa etapa. Nesse período, aprenda os nomes dos orixás, suas saudações, cantigas. Aprenda a fazer um acaçá, a cozinhar para seu próprio santo e aprenda as comidas básicas. Aprenda a se portar. Como diz um ditado:
“Quando pequeno, sente-se onde mandam, para quando grande, sentar onde quiser” .
 
Seja humilde, seja respeitador. Obedeça seus mais velhos, e não discuta. Se acha que se comportaram de maneira errada, converse somente com seu babá (Yá).
Ninguém respeita um egbomi que não sabe cozinhar comida de santo, que não sabe o suficiente para ensinar seus mais novos com carinho. Tenha orgulho dessa fase, tenha orgulho de seu mukan e de seu pé no chão. Os orixás abençoam mais os humildes, que cumprem as regras.
Um bom iyawô com certeza será um ótimo egbomi, e será respeitado. Pois respeito se conquista, e não se impõe.
Egbomi – A fase adulta
Hoje em dia vemos que ser egbomi anda perdendo seu valor. Isso porque os egbomis não se dão ao respeito, e muitos não sabem nada, pois quiseram pular a fase de aprendizado do iyawô. É lamentável um egbomi que não sabe nada, que não sabe ensinar e só sabe mandar, que não cultua seu santo regularmente. Eles gritam, esbravejam, ordenam e são arrogantes. Tentam impor o respeito que não conquistaram.
Um bom egbomi tomou suas obrigações no período certo, ou se esforçou pra isso. Pois a obrigação se chama Obrigação e não Opção. O santo a partir desse momento passa a ser adulto, e pode exercer suas características de maneira livre, pois aprendeu o bom senso durante seu período de aprendizagem.
A partir desse momento, caso haja interesse, e caso o egbomi tenha cargo, o egbomi está apto a aprender a ser um babalorixá. Ao contrário do que se acredita, ele quando toma 7 anos não está apto a ser um babalorixá logo de cara, mas sim, preparado a se aprofundar pra ser um. Ainda há muito a aprender!
Candomblé é um mar de informações.
Também tem aqueles que não se interessam em ser um babalorixá. Afinal, nem todo católico vira padre. Mas mesmo assim, se quer ser respeitado, tem de saber todo o básico sobre a religião e sua casa.
Seu santo já incorpora melhor, dança e comporta-se melhor. Sabe o que fazer, conhece as dobras do atabaque sem ajuda de ekedis. Nessa fase, se bem cultuado, o orixá já tem força o suficiente para alterar os caminhos de sua vida. O orixá já tem autonomia e pensa por sí próprio. (Quando digo “incorpora” melhor, é porque ao contrário de guias, que “invadem” nosso corpo, o orixá é uma força interna que cresce até tomar nosso corpo por completo. Isso leva um tempo, depende muito do iyawô, que tem que ter a mente aberta pra poder sentir o orixá, e tem que estar cultuando bem pra força (axé) crescer, expandir e se expressar. Alguns levam mais tempo que os outros).
O egbomi não deve ser só respeitado pelos seus mais novos. Ele passa a ser responsável por eles. Deve ensinar, proteger e cuidar de seus irmãos caçulas. Um erro cometido por um mais novo na frente de um mais velho, do ponto de vista espiritual, faz o egbomi ser responsável por aquilo.
Orixá vê iyawô como uma criança. Vê o egbomi como responsável por ensinar, educar e dar broncas, assim como corrigir as falhas cometidas. Quanto mais o tempo passa, mais axé se conquista, mais força e autonomia se tem. Tanto para abençoar, quanto para educar seu filho. Cada fase é importante e crucial para o futuro. Pular etapas é sacrificar o santo e seu axé.
Um dia, todos nós prestaremos conta ao orixá sobre o que fizemos, e de como cuidamos do axé que nos foi confiado por ele.

Adoxu

Adoxu: O Que é, e Sua Importância Na Iniciação
Na Iniciação (de santo) Òsù (adoxé, Adoxu) é um amalgamado de substâncias secretas, algumas in-natura, outras secas, algumas torradas mas tudo isto reduzidos a pó, este conhecido como iye. Ele serve de veículo para transmitir o axé do Orixá a ser consagrado no futuro iniciado dentro do Candomblé de Nação (culto ao Orixá).
O òsù será formado pelos elementos constitutivos e carrega não somente o àse mas a individualização de cada Orixá, sendo assim há uma expressiva diferença entre os òsù, cada qual leva suas substâncias distintas e específicas, ou seja, um diferente do outro. É a preparação mística de uma base apta a receber o Òrìsà, quando ele manifestar-se no iniciado. Para que possa veicular o àse pretendido, deve ser consagrado ritualisticamente em um odo (almofariz/pilão) devidamente preparado para este tipo de cerimônia.
O almofariz, onde os remédios e elementos sagrados são triturados é considerado um objeto sagrado feito apenas com determinados tipos de madeira. Simboliza as duas forças fundamentais: o almofariz representa o pólo feminino, enquanto o pilão representa o pólo masculino. O que se obtém destes dois é o terceiro elemento “O elemento criado, o elemento procriado”. O ritual para o preparo do òsù, onde são recitados a cerimônia adúrà (rezas) são de competência única e exclusiva dos Babalorixás e  Ialorixás.
Em determinado estágio da iniciação, transfere-se esta massa do almofariz e a fixa em formato cônico, sobre o crânio raspado do noviço, mais especificamente em um pequeno corte ritualístico denominado de gbéré, por intermédio de um ciclo ritual que culmina quando esta profere algumas palavras, afim de consagrar o òsù. Estas palavras são conhecidas como ofò. Uma vez sacralizado corretamente e por quem de direito, o òsù fortalece o àse do Orixá consagrado no iniciado e este passa ser chamado de Adòsù. A denominação Adosu (Adoxu) , resulta na forma contraída das palavras: A – dá – òsù, o que poderíamos interpretar como: “Aquele que carrega o òsù” ou “O Portador do òsù”.
O Adósù é um símbolo de submissão ao grande Aláàfin (o soberano da cidade de Òyó). Os seus seguidores, portam este tufo de cabelo, que situa-se no alto da cabeça para que todos possam visualizar, o mesmo ocorre com os iniciados que carregam este símbolo para que sejam reconhecidos como os seguidores e submissos de Sàngó em território Yorùbá, sabe-se que é um dos símbolos mais importantes e sagrados para os iniciados desta divindade, origem Yorùbá.
A galinha de Angola, chamada Etun ou Konkém; ela é o maior símbolo de individualização e representa a própria iniciação. A Etun é adoxu (adosú), ou seja, é feita nos mistérios do Orisá. 

O Adoxu, é um dos maiores fundamentos do Candomblé. Adoxar somente uma vez, neste ato momento do Orunkó (nome do Orisá masculino) ou Morunkó (nome do Orisá feminino) o Orisá só pronuncia este nome no barracão somente uma única vez. Sem Adoxu não há Orixá.

Deus segundo Baruch Spinoza

Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: – ” Acredito no Deus de Spinoza que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa em premiar ou castigar os homens”.
O DEUS DE SPINOZA
Estas palavras são de Baruch Spinoza, filósofo holandês que viveu em pleno séc. XVII. Este texto foi chamado de “Deus segundo Spinoza” ou “Deus Falando com você”.
“Para de ficar rezando e batendo no peito. O que eu quero que faças é que saias pelo mundo, desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Para de ir a estes templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nas praias. Aí é onde eu vivo e expresso o meu amor por ti.
Para de me culpar pela tua vida miserável; eu nunca te disse que eras um pecador.
Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar dos teus amigos, nos olhos de teu filhinho… não me encontrarás em nenhum livro…
Para de tanto ter medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem me incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te castigar por seres como és, se sou Eu quem te fez? 
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos os meus filhos que não se comportam bem pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita o teu próximo e não faças aos outros o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida; que teu estado de alerta seja o teu guia. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Para de crer em mim . . . crer é supor, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho de
mar.
Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo. Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. Não me procures fora! Não me acharás.
Procura-me dentro… aí é que estou, dentro de ti.”

Voduns no Jeje (Mitologia Ewe e Fon)

Os voduns do Jeje Mahi seguem uma divisão por famílias ou panteões, cujos principais são:

 

Panteão da Serpente (Dan): Neste panteão agrupam-se todos os “Voduns Serpentes”, estão ligados diretamente ao movimento, a vida, a renovação e a adivinhação. Alguns voduns Dan: Gbesén, Dangbala, Áidò Wèdò, Frekwen ou Kwenkwen, Dan Ikó, Dan Xwevé, Dan Akasú, Dan Jikún ou Ojikún, Azannadô ou Zoonodô (que está ligado também a Hevioso), Aziri ou Azli.
Panteão do Trovão (Hevioso): Neta família agrupam-se os Voduns Kavionos, ligados ao fogo, à justiça, e ao raio, e também os voduns do oceano (Tòvodum) que mantêm estreitas ligações com os Voduns Kavionos. O Panteão é liderado pelo vodum Sogbo. Os Voduns Kavionos: Sògbò, Gbadé, Akarumbé, Adeen, Kposu, Averekete, Lissá, Agbé Tayó (vodun do aceano), Djó e Agbé Hunnòn (avejidá), Loko.
Panteão da Terra (Sakpata): Neste panteão se agrupam os voduns da terra, das riquezas e das doenças, ligados a vida e a morte. Azansu é o lider do Panteão. Alguns voduns do Panteão: Azansú (Sakpata), Ewá, Parará ou Pararalibu, Avimadje, Agué, Ayizan, Nanã, Agbé Gèlèdè e Abè Afefè (Avejidá). Kposu está ligado a Sakpata, embora seja de Hevioso.
Nagô-Vodum: Esses voduns são na verdade orixás, pois são de origem nagô. Os principais são: Gú (Ogum), Odé, Oyá, Oxun, e Yemanjá. No Bogun, pode-se encontrar o culto a Logun Edé.
Guardiões: Responsáveis pela defesa e fiscalização da casa, como Sòhòkwe, Legba e mesmo Ogun. Legbá por suas diversas funções está ligado aos diversos panteões.
Muitas famílias menores foram absorvidas pelas maiores, assim podemos notar que Avejidá foi dividida entre Sakpata e Hevioso.

Aziri Togbosi, Azli Togbosi ou Aziri Tobôssi (onde Tògbosì: Tò – água; gbo – grande quantidade; sì – esposa, senhora) é a maior e mais importante mãe das águas do Jeje Mahi, é uma divindade ligada às águas profundas, sejam elas doces ou salgadas, e tem estreitas ligações com a mãe nagô Yemanjá. Veste branco e adorna o pescoço com pérolas, considerada como a mãe de muitos Voduns.

 

Naê Aziri, Aziri Tolá ou Azli é uma mãe das águas correspondente a Òsún, ligada às águas doces e considerada uma mãe velha. Seguindo a variação podemos encontrar diferentes variações do nome como Aziri Kaia ou Togbosi Kaia (nome como Aziri Tobôssi é conhecida no Jeje Savalu), mas lembramo-nos que no Jeje não existem qualidades de Voduns, assim sendo, cada nome designa apenas um vodun ou é variação de um mesmo nome. Assim Aziri Tobôssi e Aziri Tolá são as correspondentes, respectivamente, de Yemanjá e Osun. Ainda quanto a Aziri Tobossi, ela pode ser tanto de água doce como salgada dependendo do seu Hún in (nome particular do Vodun).

 

Gu é a denominação fon do vodun senhor da guerra, da metalurgia, da cirurgia e das escarificações, que tem origem de culto do orixá yorubá Ogun. O culto de Gu foi introduzido no atual sul do Benin no final do século XVII por ferreiros e cirurgiões iorubás, e se tornou bastante popular, sendo cultuado nos templos e conventos de praticamente todos os demais voduns, além de ter os seus próprios. O emblema principal de Gu é o gubassá, que é uma adaga metálica adornada com desenhos místicos, utilizada em diversos rituais, incluindo o culto de Fá, para abrir caminho para o mundo dos espíritos. O gubassá é também conhecido e utilizado no vodu haitiano. Em segundo plano fica o gudaglô, menor que o gubassá e que Gu utiliza para defender seus filhos dos inimigos. Na iconografia fon, o vodun Gu é representado portando estes dois sabres, o gubassá na mão direita e o gudaglô na mão esquerda. Gu é o Vodum do ferro e da guerra, que dá ao homem a sua tecnologia. Ele não aceita a cumplicidade com o mal, por isso é capaz de destruir todos os culpados por atos infames e criminosos. Esta personalidade de Gu é expressa pelos Fons como “da Gu do”(Gu castiga, Gu mata). A ferramenta divina em forma de espada. É a divindade do ferro, da guerra e das cirurgias. Representa uma das principais forças de auxilio ao homem – ele é a própria força. Não é o ferro em si, mas sua propriedade de cortar.
Ewá é um vodum feminino da família de Sakpata. Filha de Aido Wedo e Dambala, irmã de Boçalabê nasceu para ser o símbolo da pureza e da beleza dos deuses. Do nascimento a fase adulta Yewa viveu na família de Dan onde representava a faixa branca do arco-íris onde também mora Ojiku. Recebeu de Aido Wedo o poder da vidência, da riqueza, e todos os corais que existiam no mar que ela pegava com seu arpão. A beleza física de Ewá encantava a todos que olhassem em seus olhos, mas essa nunca se encantava com ninguém pois era o símbolo da virgindade e da pureza. Muitos homens se apaixonaram por ela e todos foram punidos pelos deuses pois sabiam que era proibido amar a grande Virgem. Ojiku ou Dan Jikun é um Vodum Dan que sempre é muito confundido com Yewa, assim como Boçalabê que é sua irmã. Ojiku é considerado a Cobra branca e Boçalabê é uma Vodum das água doces, muito confundida com Oxum. Para muitos Ewá é também representada pela figura de uma serpente.
Sakpatá. De dupla etnia viveu com os Nagôs (Yorubá) onde é conhecido como Sapanná, e recebe os títulos de Obaluaiye ou Omolu. Azansú foi o responsável por trazer algumas divindades Yorubás para a Tradição Mahi. É o vodun Rei da Terra (Ayinon) senhor das doenças, da vida e da morte, é o chefe da familia Sakpata. Azansu significa “homem da esteira” onde “azan=esteira” e “su=homem”, mas pode significar também “homem de palha”. Seu domínio sobre o mundo dos mortos é íntegro, sendo ele o senhor do desencarne. É o deus da humildade, regendo todos os desprovidos de riqueza porém ricos de espírito. Seu poder é muito presente na sociedade e dentro do candomblé muitos são seus mistérios e mitos. Para os mais antigos, pronunciar seu nome sem tocar o chão é um sinal de desrespeito, podendo causar a fúria dessa divindade. Dentro das casas de Jeje, os vòdúns da família Sakpata são responsáveis pela doutrina e por toda a organização do ásé. São eles que normalmente cobram o neófito caso aja de forma incoerente as regras. Sua mãe é Nanã Buruku, que o abandonou logo após o nascimento, tendo sido encontrado e criado por Yemanjá. Azansu está ligado a Ewá, sua companheira. É irmão de Bessém e Loko, e também de Agué. Ayinon significa “dono da terra” e é o nome pelo qual este vodum é reverenciado.
Dans são os símbolos da continuidade. Simbolizam também a força vital, o movimento, tudo o que é prolongado. Sustenta a Terra e impede que se desintegre ou saia de órbita. Vivem no arco-íris. Nos arcos-íris da lua e do sol também encontramos Voduns Dan. Dan serve de protetor e auxiliar a outros voduns, em especial a Hevioso. No Brasil encontramos cerca de 40 Voduns Dans, na África encontramos muito mais que isso. Essa família é muito grande. O Dangbê é a serpente sagrada que representa o espírito de Vodum Dan. Dan é um Vodum muito exigente em seus preceitos, muito orgulhoso e teimoso. Quando tratado corretamente, dá tudo aos seus filhos e a casa de santo, mas se tratado de maneira errada ou se for esquecido castiga severamente. Vodum Dan é muito fiel a casa e a mãe/pai de santo que o fez. Dan tanto pode ser um Vodum masculino quanto pode ser um Vodum feminino, porém para tratá-lo, fazê-lo ou assentá-lo temos que cuidar sempre do casal. Como dizem os antigos “cobra não anda sozinha, seu parceiro está sempre por perto”. Ao se iniciar um filho de Dan, preceitos são feitos para que esse Vodum venha sempre em forma humana e nunca em forma de serpente, pois entendemos que na forma humana ele é menos perigoso e entende melhor os homens, podendo assim atender suas necessidades e supri-las. Na forma de serpente torna-se muito perigoso. De modo geral os filhos de Dan são muito chegados a doenças, principalmente de olhos. São pessoas vaidosas, ambiciosas, “perigosas”, espertas e inteligentes. São muito dedicados ao santo e dificilmente saem da casa onde foram feitos. Vestem branco em sua grande maioria. Alguns usam cor verde bem clarinho, prateado, ou tecido liso com o arco-íris estampado. Seus fios de conta variam de acordo com cada Vodum, não existe um modelo padrão. A cor representativa da maioria dos Dans é o verde e o amarelo. Sua louvação principal é: Aho bo boy = “Salve o rei cobra” ( Hho = rei, bo boy = Dans, serpentes, cobras). Os símbolos de Dan são: o arco-íris, a serpente pithon, o traken ou draka, patokwe, o dahun, a takara. E o assôm. Seu principal atinsá dentro de uma casa de Santo é denominado Dan-gbi, que é onde o arco-íris se encontra com a terra (“panela lendária do tesouro!”). Dan usa muitos brajás feitos de búzios. As aigri (escrementos de Dan) são importantíssimas em seus assentamentos e atinsás. No Brasil as Voduncis iniciadas para Dan recebem o cargo ilustre de Megitó (Nação Jeje-mahi).
Dambala e Aido Wedo (Dàngbála e Áidòwèdó) – Para alguns é uma unica divindade andrógina (Dambala é macho, Aido Wedo é femea, imagem de Dambala refletida na água formando o arco-iris), sendo Dambala representado pela serpente e Aido Wedo pelo arco-íris, são muito importantes no Vodu Haitiano. Dambala e Aido Wedo foram quem auxiliou Nanã Buruku na tarefa de criar o mundo (mito do povo Fon): segundo a narração Dambala levava Nanã nas costas enquanto ela criava a terra, a flora, os minerais e os animais, depois ele deu uma volta ao redor da Terra fazendo ela girar.
Bessém (Gbèsén) – Rei das tradições Maxi no Brasil, vodun da fecundidade e da vida, seu assento (assen) é o Dangbe, moticulo de barro com uma panela de barro em cima ornamento com cacos de louça de cor branca. Vodun adorado pelos Maxí como seu Ako vodun (Vodun Principal). Representado pela Piton sagrada. OUTROS:
  • -Frekwen: Feminina, guardiã do arco-íris em volta do sol. Também conhecida como Frekenda. Representada pelas cobras venenosas. Vodun feminino da família DAN, seria se não a parte feminina de Bessén mais ligada as águas, gosta de receber suas oferendas nas nascentes de água nos altos de montanhas, seu encanto é a serpente albina de cor branca e amarela, os antigos dizem que ela é a própria serpente albina, trate-se de um vodun muito encantado, domina o arco-íris em torno do sol, tem forte ligação com Yewá e Azansú, suas cores são o amarelo rajado de verde e vermelho ou as sete cores do arco-íris em missangas transparentes, gosta muito de brajás.
  • -Bosalabe: Toquem feminina, irmã gêmea de Bosuko e irmã de Yewá. Muito alegre e faceira vive nas águas doces. É conhecida também como Vodum Bossá.
  • -Bosuko: Masculino, toquem e gêmeo de Bossá.
  • -Ojiku ou Dan Jikun: Junto com Yewá, vive na parte branca do arco-íris e no arco-íris da lua. É quem trás as chuvas e é uma das esposas de Bessém.
  • -Dan-Ko ou Dan Ikó: Ligada e confundida com Oxalá.

 

Kavionos (Badé, Acrolombé, Adeen, Averekete)

 

Badé – Vodun jovem, guerreiro e brigão. Habita os vulcões e é um vodum ligado ao fogo, assim como Sògbò. suas cores variam entre vermelho, branco, amarelo e azul. Também está ligado ao céu e à chuva.
Adeen – É ela quem faz escurecer os céus e envia os relâmpagos que fulminam. Sua saudação é: – Ahunevi anabahanlan! (não mate as pessoas). Só se manifesta quando o céu está escurecido. Adeen carrega um raio e suas cores representativas são o vermelho e branco além do rosa, roxo e azul. Está ligada as divindades da guerra e do vento, assim como a Oyá. Governa os rêlampagos.
Acrolombé – Ataca os inimigos ou castiga o homem enviando granizo, e faz os rios transbordarem. É ele quem controla a temperatura do mundo. Quando está calmo e satisfeito, ajuda o homem dando-lhe bons movimentos financeiros. Racha as testas de suas vítimas.
Averekete – É um vodum da ligação entre os voduns kavionos e os voduns aquáticos, filho de Sogbo com Naé Agbé (em outros mitos filho de Sogbo com Naeté).

Categorias Hevioso

Sogbò, considerado o rei coroado da Nação Jeje no Brasil, é o chefe do Panteão de Hevioso. Vodum justiceiro que governa os vulcões e o fogo. Sògbò é quem trás os demais voduns do trovão e é o pai de muitos deles. Suas cores são o vermelho e o branco. O dia da semana é a quarta-feira, dia em que se reverenciam os voduns kavionos. Seu símbolo é o sokpe, um machado simples de uma lâmina. Na Africa Sògbò também refere-se a um vodum feminino. muitos filhos de Sògbò se dizem filhos de Sángò, e também no Benin há sacerdotes que consideram que Sògbò é mesmo Xangô. É conhecido pelos mahis com a denominação de Sògbò Adan, ou seja: Corajoso Sògbò, diferenciando-o. Quando Sógbó dança com seu sokpè, imita os raios caindo sobre a terra, em ligeiras quebradas na dança. O que é exemplificado por esta toada muito conhecida nos candomblés de Jeje Mahi no Brasil:
“Sógbó Adan tá nu sá gba owè,
A cabeça do corajoso Sógbó vai até a coxa na quebra da dança,
Sógbó Adan tá nu sá gba o.
A cabeça do corajoso Sógbó vai até a coxa, na quebra.
Avlekete ou Averekete é um vodun ligado à pesca e a caça, erroneamente comparado ao orixá Logun Edé e a um outro vodun chamado Ajaunsi. Estas divindades são bem diferentes uma da outra, sendo sincretizados, talvez, pela característica de ambos serem ligados a caça e a pesca, mas a cosmogonia deles é bem diferente. Logun Edé é um orixá de Ijexá filho de Oxun e Odé, ligado a caça e a pesca, um dos mais belos Orixás, pois assim também a beleza é uma característica de seus pais. Suas cores são o azul turquesa e o amarelo ouro e tem como símbolos a balança, o ofá, o abebè e o cavalo marinho. Averekete nasceu da união do vodun Sogbo com Naeté (em outros mitos com Naé Agbé), tornando-se então um elo entre os voduns do céu (jí-voduns) e os voduns do oceano (tó-voduns). Desempenha a função de mensageiro entre estes voduns. É visto como um vodun jovem, com idade semelhante a de um adolescente. Vive na beira do mar e tem como símbolos o machado simples, o anzol e o punhal. Suas cores são o azul, o vermelho e o branco. Na Casa das Minas é usado o termo tóquen ( tóqüen ) ou toqueno (toqüeno) para designar Averekete e outros voduns jovens tidos como adolescentes. No Jeje Mahi, Averekete pertence a família dos Voduns Kavionos (ou Hevioso), visto como o filho mais jovem de Sogbo.
Ajaunsi é um vodun masculino, pertencente ao panteão da terra e extremamente coligado ao universo das Naés (mães d’água). É um exímio caçador e pescador, e vive na beira dos rios acompanhando as Naés. Rege os animais que vivem tanto na terra quanto na água, tais como répteis, anfíbios e alguns pássaros. Divindade da juventude e da alegria, representa a inocência e a pureza, protegendo as pessoas durante a fase jovem. Responsável por todo o aprendizado das crianças, desde fala até mesmo o andar. Suas cores variam entre o azul, o verde e o amarelo.

Nagô-Vodun Oyá e Aveji Da

Oyá, também conhecida como Iansã pelos candomblés de Ketu, é uma guerreira por vocação, sabe ir à luta e defender o que é seu, a batalha do dia-a-dia é a sua felicidade. Ela sabe conquistar, seja no fervor das guerras, seja na arte do amor. Mostra o seu amor e a sua alegria contagiantes na mesma proporção que exterioriza a sua raiva, o seu ódio. Dessa forma, passou a identificar-se muito mais com todas as atividades relacionadas com o homem, que são desenvolvidas fora do lar; portanto não aprecia os afazeres domésticos, rejeitando o papel feminino tradicional. Oyá é a mulher que acorda de manhã, beija os filhos e sai em busca do sustento. Um Vodun Nagô para o Jeje Mahi, senhora da ventania e da tempestade. Oyá está ligada a outras mulheres guerreiras, voduns conhecidas como Aveji Da, ligadas aos ventos, furacões e aos Akututus (Eguns).
Aveji Da – São voduns femininos da família Hevioso ou Sakpata, cada uma com sua responsabilidade e regência. As Aveji Da da família Hevioso são divindades relacionadas aos fenômenos da natureza tais como chuvas, tempestades, tufões e furacões. São guerreiras ou caçadoras, cujo poder é imenso e temperamento forte. São quentes e irriquietas, estando ligadas as alturas, nuvens e astros. Estão juntas com os Kavionos, julgando a humanidade e castigando quando se faz necessário. Tem certa importância sobre o processo financeiro da sociedade, dividindo com Sogbo o domínio do elemento fogo. Estão sempre dispostas a guerrear pelas casas onde são cultuadas, sendo de extrema importância na batalha contra queimações e inimigos ocultos ou assumidos.
A principal Aveji Da do panteão do trovão é Vodun Djó, divindade responsável por fertilizar e esfriar a terra através da chuva. Segundo os ítàns, vodun Djó teria o poder de se transformar em animal, assim como Oyá. Veste vermelho e usa adornos cobreados. As Aveji Da do panteão da Sakpata seriam coligadas ao domínio dos mortos, possuindo todas ligações com os ancestrais, sejam masculinos ou femininos. Elas ficam juntos com os Sakpatás, ajudando a cuidar dos enfermos e dando auxilio no desencarne. Tem como principal função sondar o funcionamento das Casas e quando veem algo de errado cobrar, muito das vezes fechando-os.
A principal Avejidá da família Sakpata é Agbé Gèlèdè, senhora dos mortos e do culto aos Akututos (ègún). Agbé Gèlèdè teria o poder e a importância de Oyá Igbale dos cultos iorubás, sendo invocada em síhúns, ègbós e limpezas nas quais seja necessária sua presença. Representa o desencarne e a aceitação do espírito para com sua morte, sendo responsável pelo envio dos espíritos desencarnados para o òrún. As Aveji Da são extremamente poderosas e independente da família com a qual é associada, possui grande importância para os kwês e adeptos do culto. Representam a liberdade, a batalha cotidiana e a força de vontade. Podemos citar ainda Agbé Afefé ligada a alegria e a felicidade, também aos mortos, seu símbolo são as flores as quais ofertamos a nossos entes queridos, que representam toda felicidade que passaram em suas vidas. Agbé Huno, a Aveji Da guerreira e da tempestade.

CategoriasVoduns Guardiões

 

Légbà é um vòdún muito importante dentro do culto jeje, sendo responsável pela comunicação entre deuses e humanos e vice-versa. Entre os fons do Benin (antigo Daomé) Légbà equivale a Exu dos Yorubas. Ele é representado por um montículo de terra em forma de homem acocorado, ornado com um falo ereto. Esse falo ereto nada mais é do que a afirmação de seu caráter truculento, atrevido e sem-vergonha e de seu desejo de chocar o decoro. Légbà é o caçula de Mawu e Lissá, que diferente dos demais Vòdúns do panteão Fòn, não possui um domínio fixo, ele está em todo lugar e em tudo, divindade do imprevisível, do inatribuível ele esta além do bem e do mal concebidos pela sociedade. Nele, o bem e o mal se entrelaçam. Na organização do Panteão Vòdún cada Vòdún tem um domínio Fixo herdado pelos criadores Mawu e Lissá, já Légbà não possui um domínio fixo, mas mesmo assim não perde sua importância no panteão, pois o que poderia parecer que o Vòdún Légbà é desprovido de um domínio, o torna o vòdún da mobilidade, sendo o único que tem acesso a todos os domínios, pois é o mensageiro da palavra de Máwú- Lísá, interlocutor entre os Vòdúns e o criador e interlocutor entre os vòdúns e os Homens, fazendo dele o personagem intermediário por excelência. Légbà tem o papel de guardião do patrimônio divino, que lhe foi atribuído por Máwú-Lísá, patrimônio esse que são os domínios que cada um dos vòdúns herdou de Mawu, portanto Légbà não herdou nenhum desses domínios mas sim a guarda de todos os domínios para que haja a mobilidade e não seja um universo de caráter imutável, portanto mesmo sendo Fá o vòdún da adivinhação, tudo depende de Légbà e o destino se torna manipulável através dele, nada poderá acontecer sem a intervenção do mesmo, de intérprete e mensageiro nenhuma comunicação entre os homens e Vòdúns e Vòdúns e Mawu pode acontecer sem a sua intermediação, ele da a mobilidade ao todo, nele esta a ordem e a desordem das coisas é o deus coletivo. Devido a esse seu poder quase que absoluto sobre a vida e a morte, sucesso e fracasso, riqueza e miséria, Légbà é o mais temido e respeitado do Panteão Fòn e o mais importante para o povo Fòn. Dizem que quando Mawu e Lissá enviaram seus filhos a Terra todos vieram, com excessão de Légbà que ficou acocorado aos pés de sua mãe. Com o passar do tempo todos esqueceram a língua de Mawu, menos Légbà que permaneceu junto a ela. Por isso somente ele pode levar nossa mensagem até ela.
Na África, os légbásì (nome dado aos iniciados para Légbà) vestem-se com uma saia de ráfia tingida de roxo e usam a tiracolo inúmeros colares de búzios. Debaixo da sua saia traz, disfarçado, um volumoso falo de madeira que levantam, de vez em quando, com mímicas eróticas. Além disso, têm na mão uma espécie de espanta-moscas, roxo, semelhante a um espanador, no qual está escondido um bastão em forma de falo, que eles agitam, de maneira engraçada, na cara das pessoas presentes, particularmente sob o nariz dos turistas, pois os légbásì não deixam de observar seus sentimentos ambivalentes diante dessas exibições.
Os mais velhos dizem que é perigoso dizer o nome desse vòdún em vão. Normalmente, seu nome para ser dito é necessário tocar no solo em respeito ao seu poder. Seu principal ritual é chamado de Légbà lé lé que se compara ao ritual de ípádè dos yorubás porém, com muitos outros fundamentos e atos que os diferem. É cultuado após Áyízàn, que em alguns mitos é tido como sua esposa ou até mesmo, sua forma fêmea, possuindo muito em comum com essa divindade, principalmente no que se diz respeito aos oráculos. Seu dia da semana é a segunda-feira, sua cor o vermelho rajado de preto, seu elemento o fogo e também a terra e sua saudação Áhò gbò gbòy Légbà!
Àyízàn, cujo nome significa “A esteira da terra” é um vòdún feminino dos mais importantes na cosmologia fòn . Ela é considerada a dona dos mercados e dos espaços públicos, onde as pessoas se encontram e interagem. Para alguns, ela é a primeira divindade a ser saudada. A ela também é atribuído o dom da palavra e da comunicação e desta forma está ligada à Légbà, a quem muitas vezes é associada como mãe ou esposa. Sua representação é um montículo de terra colocado no meio das praças de mercado coberto de muitas rodilhas de dèzàn (palmas ainda verdes e desfiadas de dendezeiro), onde os comerciantes fazem oferendas. Àyízàn também é cultuada nos Hùnkpàmè, onde é responsável pelos neófitos em processo de educação e aprendizado. O culto de Àyízàn é de origem hwedá e é forte sobretudo na região de Uidá, no Benin. No Vodoo haitiano o Loa àyízàn (também chamado de Gran Àyízàn) é considerado a senhora da pureza ritual e a Mambo, ou sumo-sacerdotisa iniciadora (como a íyálòrísá no candomblé) arquetípica, sendo homenageada em primeiro lugar nas cerimônias. Nas iniciações do vodou, a presença de Áyízàn é marcada pela rodilha de palma desfiada de dendezeiro(dèzàn), que os neófitos usam ao sobre a cabeça ao ingressarem na reclusão iniciática. No Vodou, e especialmente no Haiti, Àyízàn (ou Ayizan Velekete) é a loa do mercado e do comércio. Ela é uma raiz loa, associada com ritos de iniciação Vodoun (chamado kanzo).Ela é sincretizada com a Santa Clara Católica, ela não bebe nenhum álcool, e é a esposa de Papa Lòkò .
Dentro do convento é representada no período de reclusão do vòdúnsì através do Águídázàn, espécie de assentamento que deve ser alimentado com tudo o que o Vòdúnsì comer. É cultuada antes de Légbà, sendo para os Fòn a senhora dos oráculos juntamente com o mesmo, assim como Èsú, respondendo por Fá ( vòdún coligado a Òrúnmíllá). Possui grande relações com os ancestrais (ègúngún e íyámí) e com suas sociedades e assim nos ritos de Jeje Mahi é a responsável pela parte de louvação aos ancestrais da casa. Em sua homenagem os vòdúnsì’s dançam de joelhos na zàn (esteira). Considerada a patrona dos grandes mercados. É costume em todo Benin, quando nasce uma criança, levar a mesma ao mercado e lá fazer os mlenmlen (òríkís) e oferendas à Áyízàn, pois acreditam que esse ritual dará muito boa sorte à vida da criança. Esse procedimento também se dá aos casais de noivos. Os familiares das duas partes ser reúnem e vão juntos com os noivos ao mercado. Nos dois casos, tanto a criança quanto os noivos trazem para casa um pouco de terra e a coloca no solo de suas casas para que a fartura e a prosperidade façam sempre parte de suas vidas. Vòdún Áyízàn tem uma grande família e cada um dos membros reina em uma parte da terra, inclusive o mundo ctônico (subterrâneo) e abissal (subterrâneo aquático). Sua saudação é Áhò gbò gbòy Àyízàn!
Ayizan no Jeje Mahi – Nas casas de Jeje Mahi, encontra-se assentada no portão casa, nos pés de uma palmeira de ráfia, Vodun Ayizan, que para esta modalidade é um vodun feminino ligada aos ancestrais e a terra, bem assim como a morte.

Vodun Sòhòkwè, nem Ogun, nem Exu

Sòhòkè (lê-se Soroquê) é um vòdun filho de Máwú e Lissá, cujo elemento principal é o fogo. Muitas são as dúvidas relacionadas a esse vodun. Devido a mistura de cultos, já explicada em outros tópicos, Sòhòkè passou a ser aglutinado na cultura yorubá, passando a ser confundido com um dos caminhos de Ògún. Segundo o mito yorubá, Ògún Sòhòkè (lê-se Xoroquê) é o Ògún que desceu as montanhas, sendo o senhor das trilhas e do fogo líquido onde, Xòrò deriva do termo yorubá Sòròrò ou Xòròrò que significa descer ou escorrer e, òkè significa montanha). Segundo os mais velhos é um Ògún muito arredio, sendo muito coligado ao seu irmão Èsú e tendo todas oferendas e fundamentações com o mesmo. Dizem ainda que essa “qualidade” de Ògún tem muito fundamento com ègún, sendo ele responsável por todos aqueles que desencarnam em acidentes na estrada ou linha férrea. Em outras casas, Sòròkè deixou de ser uma qualidade de Ògún e passou a ser um Èsú , com as mesmas características do Ògún Sòròkè porém, sendo fundamentado como qualidade de Èsú e passando a ser cultuado como o mesmo. Mas para os jeje, Sòhòkè não é nem Èsú nem Ògún e, sim um vòdún independente, com culto próprio e de características próprias que acabou por ser fundido a cultura desses dois òrísás por ter coisas em comum. Isso ocorreu também com outras divindades como Agbé, Aboto, Azansu, Sogbo, Intoto e outros mais que acabaram aglutinados a cultura de outras deidades africanas, talvez por falta de estudos ou fundamentos. Sòhòkè é o guardião das casas de jeje, onde Sòhò(lê-se sorrô) significa guardião e kwè(lê-se Qüê) significa casa. Seu assentamento é fixado ao chão, cravado na terra, ao lado do assentamento do vodun Légbà, vodun Ayizan e do vodun Gú (Ogun). Sòhòkè não é iniciado na cabeça de nenhum adepto pois o mesmo não incorpora. É iniciado apenas na cabeça de ogans e ekedis e possui a função de manter a ordem dentro das casas de jeje, punindo e cobrando quem as desrespeita. Sòhòkè é o caminho formado pela lava após ser expelida do vulcão, possuindo muito fundamento com Badé, Sògbò e outros voduns que moram nos vulcões e que estão ligados ao fogo e também com Oyá. Sua cor é o Azul escuro e o vermelho, seu dia da semana a segunda-feira e sua saudação Aho bo boy Sòhòkè! Geralmente quando aparece um filho rodante com arquétipo de Sòhòkè geralmente é iniciado para Ogun.
VODUN KPÓSÚ – POSSÚ – Este Deus, pode até ser cultuado em outras nações, vai da fé e do coração de cada um! mas! Só pode ser feito na nação Jêje por ser um vodun, seu nome significa Homem Pantera, é um vodun muito sério e complicado de ser cultuado, porém lindo, tem ligações tanto com a terra e com a família Dan e Sakpatá, como com o fogo e o ar e a família de Hevioso, tambem tem ligação com o vodun Loko e Vodun Azanadô, Possú é o vodun patriarca do Axé Pó Zerren “Kpó Zehen” pois o ex escravo que fundou o primeiro axé foi batizado pelos portugueses com o nome de Manoel Ventura que era iniciado deste vodun. Possú aprecia a cor negra, gosta de usar o Laguidibá e o Brajá como colares, carrega em suas mãos a serpente negra, que é a mais venenosa de todas as Dans, suas cores são o preto rajado de branco ou ainda o terracota rajado de verde e amarelo ou preto, usa garras e máscara lembrando uma pantera que é seu animal… Ahoboboi Kpò! Arrungelô Possú!!!
VODUN LOKO – Trata-se de um vodun muito importante na nação Jêje, é muito sério, repepresenta tambem o orixá Irôko dos Ketús e o nkise Ktenbo dos Angola, sua árvore é de tão grande importância quanto a árvore do vodun Azanadô, Loko tem forte ligação com Azansú, Agué, Besén, Possú e Sogbô, tambem ligação com todos os orixás funfun e com os ancestres, Loko é o verdadeiro dono do Rungebe, suas missangas são de cor laranja rajado de preto, abóbora rajado de preto, em alguns axés são o verde musgo rajado de marrom ou ainda o branco com cinza grafite, usa o laguidbá e dois brajás cruzados no peito…
VODUN AZANADÔ – “A árvore sagrada da nação Jêje”… Trata-se de um vodun muito importante para os Jêjes, o dono do Gboitá, Obará de Jêje, só recebe frutas, doces e comidas secas, nada de ejé, até pelo fato dele não ser feito no Ori de ninguém, esse vodun tem grande ligação Azansú, Agué, Besén, Loko e Possú, alguns antigos dizem que ele é um Besén, dizem que é um Azansú, outros ja dizem que ele é um vodun único e destinto, em sua volta a seus pés mora Adangbé, a serpente sagrada que morde a própria calda representando o ciclo da vida, é feito um grande preparo para o plantio desta árvore dentro do Kwê, só poderá ser plantada por um vodun da família DAN como Besén, Frekwen, Yewá e etc… Em uma parte do ato da confecção do verdadeiro Rungebe tambem passa por Azanadô, este vodun Gosta de Brajás e laguidbás. Sua festa é realizada no dia 06 de Janeiro ou juntamente com o Olubajé, suas cores são o verde rajado de amarelo…
Azaka ou Zaká, é um vodun masculino, raro e antigo, guardião dos juramentos e segredos, pertence a familia de Sakpatá rei de Savalú. Considerado o Vodun da agricultura. Vive nas partes mais escuras das florestas de Savalú, aceita suas oferendas em grutas mais escondidas, pois gosta de silêncio, usa lança e cabaça, caçador de extrema habilidade e conhecimento das florestas.
Vodun Otolú (vodun da caça ) – Otolu é um dos Voduns ligados ao campo do ensino, da cultura, da arte. Nas antigas tribos africanas, cabia ao caçador, que era quem penetrava o mundo “de fora”, a mata, trazer tanto a caça quanto as folhas medicinais. Além, eram os caçadores que localizavam os locais para onde a tribo poderia futuramente mudar-se, ou fazer uma roça. Otolu representa a busca pelo conhecimento puro: a ciência, a filosofia. Enquanto cabe a Gu a transformação deste conhecimento em técnica. Apesar de ser possível fazer preces e oferendas a Otolu para os mais diversas facetas da vida, pelas características de expansão e fartura desse Vodun, os fiéis costumam solicitar o seu auxílio para solucionar problemas no trabalho e desemprego. Há uma grande semelhança com o Oxossi dos Yorubas.
Vodun Agassu – Herói mítico fundador da linhagem dos kpòvĭ (filhos do leopardo). Teria sido gerado pela princesa Alìgbonon, filha do rei da cidade Adjá de Tadô ou Sadô, às margens do Rio Mono, no atual Togo, depois de um encontro com um leopardo. Seu nome significa “bastardo”. Malgrado esse apelido aparentemente injurioso, seus descendentes fundaram os reinos de Aladá, Porto Novo e Abomei no atual Benin, constituindo-se nas bases institucionais fundamentais dos fon. Agassu é cultuado como vodun nas três cidades governadas por seus descendentes, mas seu culto mais importante esta é Abomei onde seu sumo-sacerdote, o Agassunon, possui o papel de chefe de cultos dentro na cidade. Seu emblema é o leopardo, cuja pele faz parte das insígnias tanto de rei como do Agassunon, e seus iniciados são chamados de Hogbonutó (nativos de Hogbonu [Porto Novo]) pois atribui-se a esta cidade o local do aparecimento culto de Agassu como vodun. Ele é, ao mesmo tempo um atinmé-vodun e um hunvé, ou seja, um vodun “vermelho”, os e admiradores de “Hùndevalú” título dado aos grandes ancestrais Caçadores-Guerreiros da antiga dinastia de Savalú. Suas cores são o azul claro, branco, preto e vermelho. Sua saudação é BISALO (bi-saló), cuja resposta é “Lo (ló)”. Suas ervas são as mesmas de Sakpata, Azaká também desempenha um grande papel na verdadeira iniciação de um Vodunsi Jêje pelo fato de todo o processo de iniciação ser consagrado a ele através de preceitos e juramentos de feitura, tem ligação com Intôto e a mãe das 09 Dans.
VODUN AZANSU – Este grande vodun é um dos mais importantes para os Jêje, as histórias contam que ele teria sido o 1º Rei da Nação, mas renunciou ao poder e a “coroa” por votos de humildade entregando o reinado a seu irmão Bessen, mas ainda sim ele é um dos Reis da nação, trata-se também de um vodun muito perigoso e exigente, os historiadores revelam que o primeiro terreiro da nação Jêje no Brasil tinha Azansu como patrono, fato comprovado por um registro na prefeitura de Salvador de uma ferrovia construída sobre algumas residências e no qual relatava a demolição de terreiro de candomblé no qual tinha até o nome não identificado mas que possuía a palavra Azansu entre meios, não se tem maiores informações de quando e quem fundou ou a que cidadão(a) presidia o terreiro, nosso Rei gosta muito de laguibás e brajás, tem ligação com todos os demais voduns, suas cores são o branco e preto ou branco, preto e vermelho ou branco, preto e amarelo, suas derivações… Azönwani, Sakpatá, Parará, Lepon, Azönce, Intôto, Avimaje.
VODUN AGUÉ – Vodun Agé ou Agüé como é mais conhecido, tem grande importância não só na nossa nação bem como nas outras, pois ele é o senhor de todas as folhagens e florestas, dono do Ewe Eje, pois sem as folhas não há axé, não ha nação, não há nada, carrega cabaças onde guarda suas porções de encantamentos e segredos de axé, o que o torna também um grande feiticeiro, conhecido no Ketú como Ossain, e no Angola como Katendê, Vodun Agué tem forte ligação com Azansu, Loko e Azanadô, como todos os voduns gosta de Brajás e Laguidibás, suas cores são o verde rajado de branco, verde puro, verde, branco e vermelho ou verde e vermelho.

Averekete nasceu da união do vodun Sogbo com Naeté (em outros mitos com Naé Agbé), tornando-se então um elo entre os voduns do céu (jí-voduns) e os voduns do oceano (tó-voduns). Desempenha a função de mensageiro entre estes voduns. É visto como um vodun jovem, com idade semelhante a de um adolescente. Vive na beira do mar e tem como símbolos o machado simples, o anzol e o punhal. Suas cores são o azul, o vermelho e o branco. Na Casa das Minas é usado o termo tóquen ( tóqüen ) ou toqueno (toqüeno) para designar Averekete e outros voduns jovens tidos como adolescentes. No Jeje Mahi, Averekete pertence a família dos Voduns Kavionos (ou Hevioso), visto como o filho mais jovem de Sogbo.

Vodun Nanã Buruku ou Buku é considerada a mais antiga das divindades. Muito cultuada na África em regiões como: Daça Zumê, Abomey, Dumê, Cheti, Bodé, Lubá, Banté, Djabalá, Pesi e muitas outras regiões. Para os fons e ewes, a palavra Nanã ou Nàná é empregada para se chamar de mãe as mulheres idosas e respeitáveis, ou seja, a palavra Nanã significa: “Respeitável Senhora”.
Nanã está associada à terra, à água e à lama. Os pântanos e as águas lodosas são o seu domínio. É a mais antiga das divindades, pois representa a memória ancestral. Mãe de Loko ou Irokô, Omolu e Oxumarê ou Bessém na dinastia Fon, Nanã está ligada ao mistério da vida e da morte. É a senhora da sabedoria, mais velha que o ferro. Daí, não usar lâminas em seu culto. 

VODUM LISSÁ – Vodum Lissá,também chamado de vodum olissasá,oulissá segbo-lissa ou até de agbé-lissa-mawu é um vodum que veste a cor branco (por isso é chamado de vodum funfun)e esse precioso vodum alimenta-se sempre de animais femininos por sua forte ligação com a Yá Mín ássòróngà (mãe dos passáros da noite) e babá egungun (Pai ancestral) esses dois grandes mantos representas a ancestralidade no culto aos voduns, lembrando-se de que vodum olissasá não é o orixa Oxalá da nação alaketu porem é muito comparado com o mesmo, esse vodum chamado olissasá não aceita em hipótese alguma atim preto, epô apupa e limão. Tem como prato litúrgico predileto o ebô (milho branco cozido temperado com azeite e mel), ilés funfuns (pombos brancos) e bodys funfuns feminino (cabras bracas) o ibin que é seu animal predileto que nunca pode faltar em suas oferendas de obrigações e em seus orôs e as frutas doces e claro,Gostando também de todos os objetos de cor clara e tendo a cor branca como preferencia. Esse vodum tem fortes ligações com o Vodum Heviosso Badé Zoro (ou Vodum Badé como é mais conhecido). Possui ligação extrema com a vida (agbé) e ligação com morte (ikú) também. Dizem que olissasá veste o branco prá esconder o preto,por causa desse fato dele ser a vida,a pureza e a bondade sempre mais que pelo simples fato dele ter ligação com a morte (ikú)ele se torna um Vodum com ambiguidade nas forças por reger o lado agbé e o lado ikú ao mesmo tempo. Esse vodum exige de todos os seus filhos iniciados que fique em reclusão (resguardo) usando branco totalmente por um período de um ano após seus vinte e oitos dias de reclusão pra iniciação ao culto e mesmo depois desse tempo concluído as pessoas nunca podem deixar de usar o branca as sextas feiras que é o dia votivo desse vodum.
Na mitologia grega, Lissa era o daimon que personificava a ira frenética, a fúria (sobretudo na guerra) e a loucura produzida pela raiva. Fisicamente, os filhos de Vodum olissasá tendem a apresentar um porte majestoso ou no mínimo digno, principalmente na maneira de andar e não na constituição física. Às vezes, porém, essa maneira de caminhar e postura dá lugar a alguém com tendência a ficar curvado como se o peso de toda uma longa vida caísse sobre os seus ombros, mesmo tratando-se de alguém muito jovem.

Aziza é um vodún anão das florestas da África Ocidental, que confere grande força e poder com a capacidade de curar os homens através de seu excepcional conhecimento das ervas.) Vodun Aziza é representado por São Benedito. Dia consagrado: quinta-feira, Comida: Weli sivo amanjé – bata doce cozida, amassada e temperada no dendê, com lascas de coco. Cores: Verde, vermelho e amarelo que simbolizam a esperança e o vigor e atraem conquistas e prosperidade. Características do Orixá: Aziza é criativo e prudente. Foi quem ensinou Legba, o segredo das ervas. Usa o ponuhan (2 lanças tipo arpão). Aziza é o Atinsa beto (homem árvore). Seu número é o 7 (criatividade). Sua evocação: “Man Iezum!” (Boas folhas, estou aqui!).

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