Ori – O Orixá mais importante

“Ko sí Òòsà tí i dá´ni gbè léhìn Orí eni”
“Ko sí Òòsà tí i dá´ni gbè léhìn Orí eni”
“Nenhum Orixá abençoa uma pessoa antes de seu Orí”

Este oriki (verso sagrado) não deixa dúvida sobre a suprema importância desta divindade pessoal, inclusive, acima dos outros Orixás! Orí, porém, continua sendo um enigma no conhecimento popular do culto. Traduzindo da Língua Iorubana, Orí significa cabeça, entretanto quando se busca aprofundar algo mais, os devotos hesitam, titubeiam, emudecem… Se Orí é a mais importante de todas as divindades, porque este desconhecimento? Principalmente de uma divindade que reside justamente dentro de nós? Porque, de todos os Orixás, Orí é o mais misterioso? Para responder a esta questão temos de voltar às origens do nosso culto na África.

 

 Dele depende a nossa existência, nosso sucesso, fracasso, saúde, doença, riqueza, pobreza, plenitude, felicidade. Sem a aprovação de Orí nenhum Orixá pode fazer nada pelo seu devoto. Por isso, para nós, Orí é o Orixá mais importante! É o único que nos acompanha na viagem dos mares sem retorno, como descrito no Itan de Ògúndá Méjì.

 

Voltando às Origens

 

No princípio dos tempos da Criação, Oduduwa havia criado a Terra, Oxalá havia criado o homem, seus braços, pernas, seu corpo, Olórúm lhe insuflou o èmí (respiração divina), a vida. Mas Oxalá havia se esquecido da cabeça. Oxalá não fez a cabeça do homem… Então Olórúm pediu a Àjàlà, (o oleiro divino), para confeccioná-la. Àjàlà quando foi confeccionar Orí, pediu a ajuda de Odú, e assim todos os Odús ajudaram a Àjàlà a confeccionar Orí. E assim nasceu Orí. Orí é composto da matéria divina dos Odús, misturados em quantidade e organizados segundo a sabedoria de Àjàlà a pedido de Olórúm. Do material (òkè ìpònrí) que Àjàlà utiliza para confeccionar Orí, se constitui èwò (tabu) para quem possuir esse Orí. E assim se determina as interdições alimentares dos indivíduos, pois, comer do próprio material de que foi constituído, caracteriza ofensa séria à matriz da qual foi criado.
Todo o homem quando vai para o Aiyé, invariavelmente, deve passar na oficina de Àjàlà e escolher o seu Orí. Esta escolha se chama Kàdárà, oportunidade e circunstância, e ao fazê-la, está determinando sua natureza e destino. Este momento ocorre da seguinte forma: A alma se ajoelha (posição fetal) diante dos pés de Olórúm (O Criador) e então lhe faz um pedido – Àkùnlé yàn – pedido esse que estará relacionando ao seu desejo de crescimento moral e espiritual. Então Olórúm lhe fixa o destino – Àyàn mó Ipín – que Orí deverá seguir, em que geralmente atende aos desejos do próprio Olórúm e às necessidades das restituições que Orí deve cumprir. E então recebe – Àkùn légbà – as circunstâncias que possibilitarão os acontecimentos, geralmente ligado às questões de tempo/espaço, meio e todo o entorno necessário ao melhor cumprimento do destino. Neste momento a alma recebe os seus èwós (tabus), interdições alimentares, de vestuário, de ação, etc. Afirma compromisso com o seu ancestral e tutor espiritual (Orixá). Afirma compromisso com o Bàbá Egún (Pai espírito) responsável pelo ìpònrí ancestral terreno que formou o seu corpo material, e que zela pelo desenvolvimento da família a que Orí fará parte. Todos os contratos são firmados e/ou reafirmados diante de Olórúm e de Orúnmilá, e à medida que o são o destino se lhe vai fixando. Então Orí se dirige a Àkàsò (a fronteira entre Orúm-plano espiritual, e Aiyé-plano físico) e pede passagem à Oníbodè (o porteiro), que lhe interrogará, o que fará no Aiyé, Orí lhe contará e mais uma vez se fixará nele o seu destino.

ORÍ – A FISIOLOGIA DIVINA

 

Orí então descerá e ocupará o seu lugar no Orí do corpo criado, através da chamada “moleira”, abertura no crânio do bebê que irá se fechando conforme se desenvolve ao longo dos anos, onde se dá a “armadilha para Orí”, uma vez encerrado lá, Orí somente voltará a se libertar do corpo na última expiração, pela boca. A princípio Orí assentar-se-á no cérebro (Opolo) daquele corpo, onde comandará Orí Òde (cabeça externa).

 

ORÍ ÒDÉ

 

A cabeça externa caracteriza-se pela cabeça física (crânio, cérebro, sistema nervoso central, olhos, ouvidos, etc) e também pela personalidade e intelecto que resultará da interação daquele corpo com Orí Innú (cabeça interna), a cultura local onde se desenvolverá o indivíduo, e o aprendizado que receberá desde o seu nascimento. Ou seja, Orí Òde é, além da cabeça física, a nossa pessoa como nós a conhecemos e como os outros a conhecem. É o mecanismo criado por Orí Innú para lidar com o mundo exterior. Orí Òde é o nosso “eu exterior”.

ORÍ INNÚ

A cabeça interna, é a nossa personalidade divina, ou nosso “eu verdadeiro”, ou nosso “eu supremo ou superior”. Em resumo, nossa alma. Abaixo de Orí Innú reside Elénìnìí (o opositor de Orí), no cerebelo (ipakó), responsável pelo esquecimento de Orí de sua missão, aquele que o vem atrapalhar a realizar, cumprir sua missão para com Olórúm e a Criação, conforme descrito no Itan do Odú Irosún Méjì. Êste, constitui o último nó para a transcendência de Orí Innú, e o cumprimento de sua missão original. Ainda existe Ipín Jeun (o estômago), e Obo Ati Oko (os órgãos sexuais), que são os outros nós que Orí Innú deve superar: medo, desejo, ambição, vaidade, ciúme, ira, egoísmo, etc…

 

 

ORÍN INNÚ AINDA SE DIVIDE EM:

 

 

1- Orí Aperé – o caminho predestinado, fenômeno narrado acima. O destino do indivíduo vem escrito em sua cabeça. “sua cabeça, sua sentença!”
2- Aparí Innú – o caráter (Iwà), a personalidade divina. Que é a essência de Orí Innú, a alma, e sua missão original. É através do desenvolvimento de Ìwà Pèlé (caráter reto, honesto, puro, bom) que Orí chegará à sua transcendência última! Enfim, como descreve o Odú Ogbè-Ègùndá: “Ìwà nikàn l´ó sòro o”
“Caráter é tudo o que se precisa”.
Ìwà Pèlé (caráter reto) é o que conduzirá Orí Innú até o Òrun Rere (plano espiritual dos Orixás), em caráter definitivo.
Assim sabemos que nossa divindade pessoal é Orí Innú (cabeça interna-alma), responsável pelo nosso destino e felicidade. Que o nosso Orixá (orí-o primeiro) é o tutor espiritual de nosso Orí Innú, mas que só poderá ajudar-nos se Orí o permitir. Que em nosso Orí Innú reside o nosso Odú (destino) e somente através de Orí e Odú podemos transmutar o nosso destino, e assegurar o cumprimento da missão confiada por Olodumaré. Que devemos nos resguardar de Elénìnìí, o inimigo de nossa missão e alma, aquele que pode nos trazer sofrimentos. E que nossa verdadeira essência, que devemos buscar, reside em Orí Innú (cabeça interna-alma) e não em nosso Orí Òde (cabeça externa-personalidade) que é tão somente o veículo de Orí Innú aqui no Aiyé. E, o mais importante: a missão maior de Orí Innú, à qual cabe ao nosso Orixá ajudar-nos, é o desenvolvimento de Ìwà Pèlé (caráter reto, bom), nosso passaporte para o encontro definitivo com Olórun!!
Orí o!!
Ire o!

Uma pessoa sem cabeça, é uma pessoa sem direção. Devemos notar que a cabeça é em geral, a primeira a entrar neste mundo, e é o recipiente ou residência de todas as escolhas. Quem é este Ori?
Ori-Isesé (Cabeça – O Designante), também Ori-Ooro (Cabeça ao Amanhecer), Ori Akoko (A primeira cabeça) ou simplesmente Ori (Cabeça), é este o primeiro e mais importante Orixá no Orum, e por causa de seu lugar primordial, Ori-Isheshé tem jurisdição sobre Ori-Inú, que é a cabeça pessoal ou divindade possuída por cada e todas as pessoas e Orixás, porque também os Orixás têm seu Ori individual, ou Ori-Inú.
Na crença  Iorubá, Ori é a residência de cada escolha de realização na forma m que lutam para alcançar seu destino. Devido as circunstâncias de sua criação, todos os Orixás tem de prestar homenagem a Ori. Todas as cabeças feitas no culto ou devotos têm de tocar a terra com a testa como um ato de respeito ao primeiro Ori.
Na lenda do Orí e a escolha do destino, conta que Àjàlá fabrica muitas cabeças no ÒRUN e que cada ser humano que vive no ÒRUN – Céu e está para viajar para o Ayé – Terra, vai à casa de Àjàlá para escolher o seu Orí. E a vida do homem na terra vai depender crucialmente da escolha do Orí que ele fez. Pois, acredita–se que essa escolha já predestina o homem ao sucesso ou ao fracasso em sua vida no Ayé. Diz que Àjàlá é dado a tomar umas bebidas e ao ficar meio alto, ao fazer as cabeças Ele erra na composição da argamassa deixando-a fora do padrão necessário para ser moldada, muito arenosa ou excesso de liga. Também cozendo-as, às vezes muito, o que as torna muito rígidas e ressecadas ficando muito duras, queimadas e quebradiças. Ou cozendo-as pouco, deixando-as quebradiças e esfarelentas. Às vezes, as moldando tortas que quando cozidas ficam rotas. Ao escolher sua cabeça e seguir em direção ao àiyé, o ser humano atravessa vários ambientes como de calor excessivo de desertos: muito frio como das zonas gélidas da terra: zonas onde tem de atravessar tempestades com ventos e chuvas fortes. E se as cabeças não tiverem sido bem confeccionadas elas irão se danificar e ficarão em péssimo estado ao chegarem ao àiyé. Dependendo do estado em que cheguem, se a cabeça estiver boa àquela pessoa trabalhará, e tudo o que fizer será para si mesmo, podendo prosperar na vida, alcançando o sucesso e a fortuna. Se a cabeça estiver danificada, aquela pessoa trabalhará e tudo o que conseguir será para gastar com os reparos mo seu Orí.
Quando ele não foi muito danificado, os primeiro anos de vida dessa pessoa serão um pouco sacrificados, ela poderá passar por privações e dificuldades em virtude de não conseguir prosperar na vida, pois, tudo o que arrecadar irá para o conserto do seu Orí. Depois que ele terminar os reparos necessários, o que ele fizer será para si próprio, é então quando ele começa a prosperar em sua vida no àiyé.
Outras pessoas têm Orí tão danificados, que por mais que trabalhem na vida, jamais conseguirão consertar os danos do seu Orí. E tudo o que fizerem na vida será para gastar com seu Orí ruim. São aquelas pessoas que passam a vida toda vegetando, nunca conseguem fazer nem concluir as coisas, vivendo sempre na penúria e no aperto nunca possuindo nada de seu e não conseguindo serem felizes por mais que se esforcem, pois, tem um Orí ruim.
Mas, acredita-se que esses consertos podem ser feitos através de oferendas – Eborí – ebo Orí, que ajudarão a restaurar aquele Orí mais depressa, o que pode mudar um pouco essa predestinação. Não é porque a pessoa tem um bom Orí que ela poderá ficar sentada esperando tudo de bom na vida. Ela está predestinada ao sucesso em sua vida, mas, desde que trabalhe para isso. Seus caminhos estarão sempre abertos para alcançar seus objetivos, esforçando-se para isso.
Então é à nossa cabeça que devemos reverenciar não aquela tigela com alguns objetos que dizem, ser o Igbá Orí. Digo isso por que acredito assim. E algumas vezes, quando sou questionado por algumas pessoas que por “n” motivos, perguntam o quê fazer com seu “Igbá-Orí”. Outros, preocupadíssimos porque seus zeladores não querem entregar ou que pior ainda, despacharam seus Igbá-Orí.
Assim como, não é por ter escolhido um mau Orí que a pessoa tenha que viver na penúria a vida inteira. Ela poderá, através dos ebo reverter esse quadro, se não por completo, mas, em boa parte, pois ela estará resgatando parte da integridade do seu Orí. Mas, também, não será somente através dos ebo que isso será alcançado. Elas também haverão que se esforçar com muito mais força de vontade ainda para superarem suas barreiras. Podem não alcançar o sucesso total, mas, poderão ter uma vida mais amena com algumas realizações e alegrias.

A iniciação na Religião Iorubá significa o nascimento do Orí-inú dentro do culto aos Òrìsà. É uma maneira de demonstrar que a partir da iniciação aquela pessoa nasceu para a religião e para o sagrado com a confirmação do seu Orí-inú, que passará a ter representação física no àiyé. Aí, é que começa a história do Igbá Orí (literalmente, cabaça da cabeça, pois os assentamentos eram feitos em cabaças – igbá, daí o nome ter virado sinônimo de assentamento de Òrìsà) a Cabaça do Orí.
Costuma-se fazer assentamentos com as mais variadas coisas para representar o Orí de uma pessoa. Esta variedade de coisas deve-se a que o Orí seja o que individualiza o ser humano. Como no caso das impressões digitais, ninguém tem Orí igual ao de outra pessoa, cada Orí é único e exclusivo daquela pessoa. Então, faz-se o assentamento numa cabaça ou tigela, o mais comum entre nós, e esse assentamento é cultuado como Igbá – Orí, ou seja, a representação física do Orí-inú da pessoa. Tudo bem, este comportamento é usual e corrente. Mas, sem querer ser o único certo, longe de mim isso, Eu não concordo com esse tipo de Igbá Orí. Porque Eu penso que a melhor representação do nosso Orí-inú é o nosso Orí físico, ou seja, a nossa própria cabeça. A nossa cabeça física é a materialização da nossa cabeça interior, acho eu. Qual o melhor objeto para representar o nosso Orí-inú, que não a nossa própria cabeça? É dentro dela que se instala a outra do òrun, por isso, chamado Orí-inú (cabeça interior), mas interior onde? Da cabeça física que também acho, tem o formato do igbá (cabaça).
Quando fazemos um eborí nós estamos cultuando esta cabeça interior. E onde nós fazemos os preceitos? Diretamente em nossa cabeça, pois é ali que mora o nosso Orí-inú e o nosso Ori. Igbá Ori, segundo a Tradição de Orisa, não leva Okuta. igbá ori não deveria existir, pois não há lugar melhor para cultuar Ori Inu que sobre Ori Ode, porém ficou convencionado o uso dele.
Quanto ao Igba-Ori, quer dizer a bandeja onde guardamos o doublé, a representação material do Ori, este contém alguns itens de conhecimento restritos àqueles que tem o seu ori “assentado”. Posso, porém assegurar que dentre estes itens jamais encontrarás um Okuta (Ota).
ÀJÀLÁ ORÍ, ORÍ L’EWÀ, L’EWÀ, L’EWÀ.
ÀJÀLÁ ORÍ, ORÍ L’EWÀ, L’EWÀ, L’EWÀ.
OPÉ ÈNYIN EDÙMARÈ, WÁ ORÍ, E KÚ Ó.
OPÉ ÈNYIN EDÙMARÈ, WÁ ORÍ, E KÚ Ó.
E KÚ Ó ÒRUN, E KÚ Ó ÒSÙPÁ, E KÚ ÒJÒ, ÒJÒ BÒ ILÈ.
E KÚ Ó ÒRUN, E KÚ Ó ÒSÙPÁ, E KÚ ÒJÒ, ÒJÒ BÒ ILÈ.
IRÉ ORÍ Ó JÍ, Ó JÍ IRE ORÍ,
IRÉ ORÍ Ó JÍ, Ó JÍ IRE ORÍ.
Àjàlá que molda cabeças, deixe este Orì lindo, lindo, lindo.
Agradeço-te Deus, venha para esta Cabeça, eu te saúdo.
Eu saúdo o Sol, eu saúdo a Lua, eu saúdo a Chuva, Chuva que cai sobre a Terra.
Vc será uma Cabeça feliz, acorde feliz Orí.
ORI O ORI O
ORI MI O!
SE RERE FUN MI!
MEU ORI!
SE ALEGRE COMIGO!
Para termos ideia quanto a importância e precedência do ORI em relação aos demais ORISA, um Itan do ODU OTURA MEJI, ao contar a história de um ORI que se perdeu no caminho que o conduzia do ORUN para o AIYE, relata: “… OGUN chamou ORI e perguntou-lhe, “Você não sabe que você é o mais velho entre os ORISA? Que você é o líder dos ORISA?’…”. Sem receio podemos dizer, “ORI mi a ba bo ki a to bo ORISA”, ou seja, “Meu ORI, que tem que ser cultuado antes que o ORISA” e temos um oriki dedicado à ORI que nos fala que ” KO SI ORISA TI DA NIGBE LEYIN ORI ENI”, significando, “… Não existe um ORISA que apoie mais o homem do que o seu próprio ORI…”.
Quando encontramos uma pessoa que, apesar de enfrentar na vida uma série de dificuldades relacionadas a ações negativas ou maldade de outras pessoas, continua encontrando recursos internos, força interior extraordinária, que lhe permitam a sobrevivência e, inclusive, muitas vezes, mantém resultados adequados de realização na vida, podemos dizer, “ENIYAN KO FE KI ERU FI ASO, ORI ENI NI SO NI”, ou seja, “as pessoas não querem que você sobreviva, mas o seu ORI trabalha para você”, trazendo, essa expressão, um indicador muito importante de que um ORI resistente e forte é capaz de cuidar do homem e garantir-lhe a sobrevivência social e as relações com a vida, apesar das dificuldades que ele enfrente.

É importante dizer que é o ORI que nos individualiza e, por conseqüência, nos diferencia dos demais habitantes do mundo. Essa diferenciação é de natureza interna e nada no plano das aparências físicas nos permite qualquer referencial de identificação dessas diferenças.  Sinalizando essa condição, talvez uma das maiores lições que possamos receber com respeito a ORI possa ser extraída do Itan ODU OSA MEJI, que reproduzimos a seguir e que é a resposta que foi dada por IFÁ para Mobowu, esposa de OGUN, quando ela foi lhe consultar:

“ORI BURUKU KI I WU TUULU.
A KI I DA ESE ASIWEREE MO LOJU-ONA.
A KI I M’ ORI OLOYE LAWUJO.
A DIA FUN MOBOWU TI I SE OBINRIN OGUN.
ORI TI O JOBA LOLA, ENIKAN O MO KI TOKO-TAYA O MO PE’RAA WON NI WERE MO.
ORI TI O JOBA LOLA, ENIKAN O MO.”
TRADUÇÃO
“Uma pessoa de mau ORI não nasce com a cabeça diferente das outras.
Ninguém consegue distinguir os passos do louco na rua.
Uma pessoa que é líder não é diferente E também é difícil de ser reconhecida.
É o que foi dito à Mobowu, esposa de OGUN, que foi consultar IFÁ
Tanto esposo como esposa não deviam se maltratar tanto, Nem fisicamente, nem espiritualmente.
O motivo é que o ORI vai ser coroado E ninguém sabe como será o futuro da pessoa.”
Para os yorubá o ser humano é descrito como constituído dos seguintes elementos:
  • ARA, OJIJI, OKAN, EMI e ORI.
  • ARA é corpo físico, a casa ou templo dos demais componentes.
  • OJIJI é o “fantasma” humano, é a representação visível da essência espiritual.
  • OKAN é o coração físico, sede da inteligência, do pensamento e da ação.
  • EMI, está associado a respiração, é o sopro divino.
  • Quando um homem morre, diz-se que seu EMI partiu.

ORI é o ORISA pessoal, em toda a sua força e grandeza. ORI é o primeiro ORISA a ser louvado, representação particular da existência individualizada (a essência real do ser). É aquele que guia, acompanha e ajuda a pessoa desde antes do nascimento, durante toda vida e após a morte, referenciando sua caminhada e a assistindo no cumprimento de seu destino.

“ORI LO NDA ENI
ESI ONDAYE ORISA LO NPA ENI DA
O NPA ORISA DA
ORISA LO PA NIDA
BI ISU WON SUN
AYÉ MA PA TEMI DA
KI ORI MI MA SE ORI
KI ORI MI MA GBA ABODI”
TRADUÇÃO
“ORI é o criador de todas as coisas
ORI é que faz tudo acontecer, antes da vida começar
É ORISA que pode mudar o homem
Ninguém consegue mudar ORISA
ORISA que muda a vida do homem como inhame assado
AYÉ*, não mude o meu destino
Para que o meu ORI não deixe que as pessoas me desrespeitem
Que o meu ORI não me deixe ser desrespeitado por ninguém
Meu ORI, não aceite o mal.”

Oriki dedicado à ORI, mostrando o papel que ORI tem na vida de cada pessoa quanto as suas relações interpessoais, suas relações com as outras pessoas, e as suas condições de realização e progresso em todos os empreendimentos da vida, nos diz:

“ORI MI
MO KE PE O O
ORI MI
A PE JE
ORI MI
WA JE MI O
KI NDI OLOWO O
KI NDI OLOLA
KI NDI ENI A PE SIN
LAYE
O, ORI MI
LORI A JIKI
ORI MI LORI A JI YO MO LAYE”
TRADUÇÃO
Meu ORI
Eu grito chamando por você
Meu ORI,
Me responda
Meu ORI,
Venha me atender
Para que eu seja uma pessoa rica e próspera
Para que eu seja uma pessoa a quem todos respeitem
Oh, meu ORI!
A ser louvado pela manhã,
Que todos encontrem alegria comigo”

Um indivíduo pode vir para a terra com um destino maravilhoso, mas se ele ou ela vem com mau caráter (natureza), a probabilidade de desempenho (cumprimento, execução) desse destino é severamente comprometida.
O destino também pode ser afetado, então, pelo caráter da própria pessoa. Um bom destino deve ser sustentado por um bom caráter.
Este é como uma divindade: se bem cultuado concede sua proteção. Assim, o destino humano pode ser arruinado pela ação do homem.
IWA RE LAYE YII NI YOO DA O LEJO, ou seja, – “Seu caráter, na terra, proferirá sentença contra você”.
No ODU de OGBEOGUNDA, IFÁ diz:
“Um pilão realiza três funções
Ele tritura inhame
Ele tritura índigo
Ele é usado como uma tranca atrás da porta
Foi feito um jogo adivinhatório para Oriseku, Ori-Elemere e Afuwape
Quando eles foram escolher seus destinos nos domínios de IJALA – MOPIN
Foi solicitado para eles que realizassem rituais
Somente Afuwape realizou os rituais que foram solicitados.
Ele, em consequência, tornou-se muito afortunado.
Os outros lamentaram, disseram que se soubessem onde Afuwape escolheria seu ORI, eles teriam ido até lá para escolher os seus também.
Afuwape respondeu que, embora seus ORI fossem escolhidos no mesmo lugar, seus destinos é que diferiam.”
A questão que aí se apresenta é que somente Afuwape mostrou bom caráter. Respeitando sua crença e realizando seus sacrifícios, ele trouxe as bênçãos potenciais de seu destino para a efetiva realização. Seus amigos Oriseku e Ori-Elemere falharam em mostrar bom caráter pela recusa em realizar seus rituais e, por isso suas vidas sofreram as consequências.
O nome IPIN está igualmente associado à ORUNMILÁ, conhecido como ELERI-IPIN – o Senhor do Destino e que é aquele que esteve presente no momento da criação, conhecendo todos os ORI, assistindo o compromisso do homem com seu destino, os objetivos de cada um no momento de sua vinda para o AIYE, o programa particular de desenvolvimento de cada ser humano e sua instrumentalização para o cumprimento desse programa.
ORUNMILÁ conhece todos os destinos humanos e procura ajudar os homens a trilhar seus verdadeiros caminhos. Temos, assim, que um dos papeis mais importantes de IFÁ em relação ao homem, além de ser o intérprete da relação entre os ORISA e o homem, é o de ser o intermediário entre cada um e o seu ORI, entre cada homem e os desejos de seu ORI. Apenas como registro, é preciso entender que esse mesmo papel ORUNMILÁ tem na relação com os demais ORISA, sendo o intermediário entre cada um e o seu ORI. E ORUNMILÁ, Ele mesmo, consulta IFÁ!
Nos momentos de crise, a consulta ao oráculo de IFÁ permite acesso a instruções a respeito dos procedimentos desejáveis, sendo considerados bons procedimentos os que não entram em desacordo com os propósitos do ORI.
O ser que cumpre integralmente seu IPIN-ORI (destino do ORI), amadurece para a morte e, recebendo os ritos fúnebres adequados, alcança a condição de ancestral ao passar do AIYE para o ORUN.
Há a crença na existência de duas áreas ocupadas por espíritos dos mortos: ORUN RERE – o bom “céu”, habitado pelas divindades e ancestrais, e ORUN APAADI – o “céu” de muitas infelicidades, habitado pelos infelizes que sofreram má sorte e pelos maus, julgados pelo Ser Supremo, segundo o ser caráter. Estes últimos ficam condenados à solidão e ao esquecimento, sem direito a lembrança ou a aparecerem em sonhos e visões – morrem totalmente.
ORUN RERE, por outro lado, é prazeroso e sereno, vivendo os espíritos numa comunidade composta de parentes e amigos. Podem também permanecer junto aos familiares e intervir em suas atividades diárias, sendo-lhes permitido reencarnar em alguma criança nascida no âmbito familiar.
A respeito do ORI, resta ainda lembrar que trata-se de uma divindade pessoal, a mais interessada de todas no bem estar de seu devoto. Se o ORI de um homem não simpatiza com sua causa, aquilo que ele deseja não pode ser concedido nem por OLODUMARE, nem pelos ORISA. Da mesma forma se o caráter de um indivíduo é mau, sua escolha de destino pode não se realizar. Se nossa situação é realmente de um mau destino, e não é uma consequência de nosso caráter ou comportamento, então nosso ORI-APERE precisa ser apaziguado. Oferendas prescritas ou rituais devem ser realizados para nos trazer de volta a um alinhamento saudável.
Considera-se vital para todo homem recorrer a IFÁ, sistema divinatório de consulta a ORUNMILÁ, a intervalos regulares para tomar conhecimento do que agrada ou desagrada o próprio ORI. Enquanto intermediário entre a pessoa e as divindades (entre as quais o próprio ORI)
IFÁ não apenas informa sobre os desejos divinos, mas também conduz os sacrifícios ofertados às divindades para que estas possam cumprir seu papel: ajudar os ORI a conduzirem as pessoas à realização do próprio destino.
Se as coisas estão indo mal em sua vida, antes de apontar um dedo acusador para as bruxas, para feitiços ou para seus inimigos, examine sua natureza.
Se Você tem por hábito maltratar as pessoas ou não considerar seus sentimentos, não procure qualquer felicidade ou sorte em sua vida, não importando o quanto Você possa ser bem sucedido materialmente.
Se, por outro lado, Você ajuda os outros e dá felicidade a eles, sua vida será cheia, não só de riquezas, mas também de alegria e felicidade. No entanto, lembre-se, é decididamente muito mais fácil alterar seu destino do que sua natureza.
“Por toda parte onde ORI seja próspero, deixe-me estar incluído,
Por toda parte onde ORI seja fértil, deixe-me estar incluído,
Por toda parte onde ORI tenha todas as coisas boas da vida, deixe-me estar incluído.
ORI, coloque-me em boa situação na vida,
Que meus pés me conduzam para onde as coisas me sejam favoráveis.
Para onde IFÁ está me levando eu nunca sei
Jogaram para Assore no início de sua vida.
Se há qualquer condição melhor do que aquela em que estou no presente,
Que possa meu ORI não falhar em colocar-me nela.
Meu ORI me ajude! Meu ORI faça-me próspero!
*** ORI é o protetor do homem antes das divindades.”
“Mesmo se nosso òrìsà está bem, só ficará tudo melhor, se o nosso Ori estiver também”
Para termos idéia da importância e precedência do ORI em relação aos demais ORIXAS;
“OGUN chamou ORI e perguntou-lhe, “Você não sabe que você é o mais velho entre os ORIXÁS”? Que você é o líder dos ORIXÁS? “
Sem receio podemos dizer, “ORI mi a ba bo ki a to bo ORISA”, ou seja, “Meu ORI, que tem que ser cultuado antes que o ORIXÁ” e temos um oriki dedicado à ORI que nos fala que “ Ko si ORISA ti da nigbe leyin ORI eni”, significando, ” Não existe um ORIXÁ que apoie mais o homem do que o seu próprio ORI”.

Portanto um conselho: Para termos um Ori bom e próspero é fundamental cuidar sempre dos pensamentos, da saúde mental buscando harmonia, paz e positividade. Nossa mente é programável, e nosso Ori conduz nossa vida conforme a nossa consiência. Não adianta dizermos que somos filho de tal Orixá e que Orixá será o responsável por nossas condutas; Orixá é o caminho e energia pura, Ori é o o desejo, a sabedoria, o “EU”, a consciência e harmonia que fará conduzir com inteligência e força nossa vida em direção ao caminho mais voltado a nossa real existência. Por isso, de nada adianta ter Orixá e possuir um Ori em desarmonia pois a desarmonia da consciência fará com que conduza suas preces e energias a caminhos obscuros, distantes dos sonhos, cegos surdos às mensagens e sinais de nossos antepassados.

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Pano da Costa

O que é e porque usar o Pano da Costa nas funções religiosas do Candomblé: Os primeiros Alakás, ou panos da costa, vieram nos corpos das escravas, que eram vendidas neles enroladas, para depois serem tecidos no Brasil, no século XVIII. O pano da costa saiu da Costa do Marfim, na África, como um complemento da vestimenta das mulheres negras, no Brasil foi introduzido no culto dos orixás e daí transbordou para outras áreas da cultura. 
Patrimônio cultural imaterial, herança afro descendente, o pano da costa é produzido em tear manual, e é formado por tiras de dois metros de comprimento, com largura entre 10 a 15 centímetros, que são depois costuradas. A sua produção local quase cessou, mas a partir da década de 80 passou a chamar a atenção de etnógrafos, e hoje vive uma nova fase.
As estampas, os bordados, os modos de prender o tecido ao corpo revelarão reflexos de um entendimento de mundo. Os teares, os fios, as tramas se fazendo captarão um conhecimento se atualizando. Geralmente retangular, o pano-da-costa é tradicionalmente branco ou bicolor (listrado ou em madras) podendo ser bordado ou com aplicações em rendas.
O nome pode ter derivado de sua origem (a Costa do Marfim, na África) ou do fato dele ser usado preferencialmente jogado sobre os ombros e costas.
As fantasias da ala de baianas das escolas de samba freqüentemente exibem panos-da-costa. Muitas vezes esses elementos são transfigurados para se adaptarem aos temas da roupa.
Presença e distintivo do posicionamento feminino nas comunidades religiosas afro-brasileira, o pano-da-costa, não é apenas um complemento da indumentária da mulher; é a marca do sentido religioso nas ações da mulher como iniciada ou dirigente dos terreiros. Observemos a profunda conotação sócio religiosa desse simples pedaço de tecido, que atua em tão diversificadas situações, desempenhando papéis dos mais significativos e necessários para a sobrevivência dos rituais africano.
O pano-da-costa identifica a mulher feita, mesmo que ela não esteja de roupa de santo completa. A situação do pano-da-costa é de maior importância, se colocarmos a presença da mulher como símbolo do poder sócio religioso e arquétipo dos valores mágicos da fertilidade, isso motivado pelas formas anatômicas características da mulher.
O sentido protetor do pano-da-costa é outro aspecto que merece atenção.
Os Yaos, ao terminarem o período de feitura começam a travar seus primeiros contatos com o mundo exterior protegidas pelo pano-da-costa branco, que representa o prolongamento do Alá de Oxalá, envolvendo praticamente todo o seu corpo no grande pano-da-costa, procura manter os valores religiosos de sua feitura quando em contato com os valores profanos encontrados extramuros dos terreiros.
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Nos sirruns/axexês, a mesma proteção do pano-da-costa, ateado como capa envolvente mágica, aparece guardando as mulheres das presenças de egum.
O pano-da-costa é de uso exclusivo da mulher nos cultos africanos, porque uma das principais funções do mesmo é proteger os órgãos reprodutores das mulheres, das Iyámis.  Nos rituais de sirrum/axexê as mulheres usam dois panos-da-costas branco: um protegendo seus ventres e outro sobre os ombros como uma capa que envolve todo o seu colo e seios.
A ilustração de Debret mostra diversas “baianas” numa rua do Rio de Janeiro do século XIX. Note a variedade de panos-da-costa. O pano-da-costa deve ter no minimo 60 cm de largura para que possa proteger os órgãos que necessitam de proteção. As famosas mães de santo não usam o pano- da -costa na cintura nunca.
No Rio de Janeiro convencionou- se que o pano-da-costa deve ser usado de acordo com a idade de santo, isto é, só usa preso acima dos seios aquelas que ainda são yaos. Esta errado, pano-da-costa é para ser usado dessa forma mesmo independente da idade de feitura, quando muito, pode-se enrolar até abaixo dos seios. De alguns anos para cá os homem aderiram o pano-da-costa, mas nenhum deles até agora explicou o porque de usa-lo e nem podem explicar pois o mesmo é de uso exclusivamente feminino.
Observem que as santas mulheres usam o pano-da-costa, os santos homens usam o pano-da costa amarrados no ombro lembrando um Alaká (esse sim pertence ao homem) ou amarrado para trás, ou simplesmente ficam com o peito nu adornados pelas conta e brajás.

Contexto cultural:

“O pano-da-costa branco pertence a Oxalufã e Oxaguiã, o vermelho e branco, a Xangô, etc. 
“Existem panos de Oxalá, de Ogum, Oxumarê e Ewá, que têm nas cores do arco íris os seus símbolos, e os panos de Iemanjá, Obaluaiê e Nanã, etc.
“O traje de baiana é uma rica e complexa montagem de panos. Várias Anáguas engomadas, com rendas entremeios e de ponta; saia, geralmente com cinco metros de roda, tecidos diversos, com fitas, rendas entre demais detalhes na barra. Camizu, geralmente rebordada na altura do busto, bata por cima e em tecido mais fino, pano-da-costa de diferentes usos – pano-de-alaká, africano, tecido de tear manual, outros panos industrializados, retangulares, visualmente próximos das peças da África. ‘Estar de saia’ ou ‘usar saia’ pode referir-se ao elaboradíssimo conjunto que monta a roupa típica da baiana”.

“Nos candomblés, as roupas de baianas ganham sentido cerimonial e sua elaboração costuma manter aspectos tradicionais”. (…) “Ainda em âmbito religioso, a baiana é base para as roupas dos orixás, voduns e inquices, acrescidas de detalhes peculiares em cores, matérias e formatos, a que se somam as ferramentas, símbolos funcionais dos deuses”.

Máscaras Africanas

A arte africana é um conjunto de manifestações artísticas produzidas pelos povos da África negra ao longo da história.
O continente africano acolhe uma grande variedade de culturas, caracterizadas a cada uma delas por um idioma próprio, umas tradições e umas formas artísticas características. Ainda que a grande extensão do deserto do Saara atua como barreira divisória natural entre o norte da África e o resto do continente, há consideráveis evidências que confirmam toda uma série de influências entre ambas zonas através das rotas comerciais que atravessaram a África desde tempos remotos.

Em numerosas tribos indígenas da África, o arraigo da tradição artística autóctona tem permitido a manutenção de diversas manifestações estéticas até épocas relativamente recentes. De facto, é precisamente a partir de princípios do século XX quando esta arte começa a ser apreciado em Ocidente, primeiro pelos representantes da vanguardearia e depois por museus e público em general.

Materiais: A grande maioria das manifestações da arte africana tem como matéria básica a madeira. Nas tribos mais desenvolvidas utilizaram-se, ocasionalmente, materiais como o ferro (em objectos de uso quotidiano, como facas, azadas e machados) ou o bronze. O ouro foi empregado pelas culturas mais evoluídas, como as de Costa de Marfil, para jóias, pequenas máscaras ou colgantes.

Arte Religiosa

As civilizações africanas tem uma visão holística e simbólica da vida. Cada indivíduo é parte de um todo, ligados, todos em função do cosmos em uma eterna busca pela harmonia e de equilíbrio. Outro conceito fundamental na filosofia da existência africana é a importância do grupo, para que a comunidade viva, cada fiel deve participar seguindo o papel que lhe pertence em nível espiritual e terreno.

As únicas religiões que tem relação com a arte africana no Brasil, são o Candomblé, e o Culto aos Egungum efetivamente de origem africana. O Culto de Ifá em menor número no Brasil é o maior responsável pela divulgação da Iorubá Art em todo mundo, Estados Unidos, Cuba, Alemanha, França, Inglaterra, Espanha, são os países onde o maior número de peças podem ser encontradas, em museus e coleções particulares.

A arte primitiva africana não deixa ninguém indiferente, porque ela provoca no observador um largo espectro de emoções, além da serenidade, do maravilhamento, seguido de uma sensação indecifrável, de atração e de perplexidade. Está arte é a fonte da humanidade e permanece imutável através dos tempos apesar das vicissitudes por que tem passado o continente africano. Sua mensagem se inscreve na universalidade.

Cada máscara é um livro de magia aberto que fascina, que suscita a curiosidade, pois que nos convida a decifrar para descobrir de capítulo em capítulo a mensagem revelada. O escultor africano não tem o mesmo desejo que o escultor contemporâneo que sente necessidade de colocar sua assinatura na obra. Na África, a obra de arte não é propriedade de um escultor, mas é a expressão de uma etnia, de um povo e da divindade que utiliza a mão do artista para nela pousar sua essência espiritual num objeto profano.

 

Se o continente africano abriga uma grande variedade de cultura onde cada uma se caracteriza por sua linguagem, suas tradições e suas formas artísticas, a arte africana no seu conjunto, engloba e abraça por sua vez a história, a filosofia, a espiritualidade e os mitos. Ela traz consigo a alma de todo o continente. A arte africana não visa à representação, a imitação ou a figuração, mas a significação, o simbólico. Ela transgride a forma em proveito de seu conteúdo, de seu sentido ou o que ela exprime. A beleza desta arte vem de sua especificidade, uma estética do domínio do indizível, do domínio do re-sentimento, da sensação do choque que ela provoca.

A arte africana desperta primeiramente a função mais que a forma particularmente em certas etnias africanas. Com efeito, desperta a própria vida e suas manifestações, sobretudo por uma concepção mística e unificadora do mundo. Também, a beleza não é jamais almejada por ela mesma. Há uma preocupação fundamental de ligar o pensamento religioso e o objeto encarregado de exprimi-lo ou de servi-lo. Esses objetos são feitos por artistas que se colocam a serviço do culto dos ancestrais. Não se pode separar o valor plástico da obra de seu contexto social ou religioso. O papel último dessas obras é de mostrar nelas o invisível.

 

A máscara africana é vista, muitas vezes, pelos ocidentais, com olhares cheios de idéias preconcebidas e de julgamentos prévios. Ela não é um acessório de teatro nem um objeto de arte decorativa e menos ainda um acessório de feitiçaria. É, sobretudo um ser sagrado que utiliza-se do suporte material do homem, considerado então como um guardião, para aparecer e se exprimir. Ela não representa um ser: ela é um ser.

As máscaras Sagradas

Representam uma divindade, uma força vital. Elas detêm os poderes religiosos. Elas exercem uma ação propiciatória ao trazer forças vitais benéficas (gênios, deuses secundários) que são os intercessores entre os homens e um deus difuso no universo. Elas exprimem a majestade, a sabedoria, o mistério das forças sobrenaturais que as animam. Elas são encarregadas de mostrar o invisível aos olhos humanos. Elas afastam as forças vitais do mal, elas protegem os homens das forças maléficas. Elas intervêm nas cerimônias: ritos de passagem, purificação, sacrifícios, iniciações, conjurações…elas desempenham um papel essencial no restabelecimento da ordem social. Elas representam os ancestrais e Deus, elas são boas e justas. Elas punem aqueles que trazem a desordem e a insegurança. Elas funcionam com o juízes supremos. Elas detêm os poderes jurídicos. Elas julgam os litígios, os problemas de família, dos clãs, das tribos. Estas máscaras só saem em acontecimentos importantes ou são guardadas em recipientes privados e sagrados.

As máscaras Profanas

São representadas por uma multitude de máscaras que se produzem em momentos de festa e divertimentos. Sobre as máscaras de divertimentos diríamos que elas representam os ancestrais do clã da família, visando a atrair a alma do ancestral e capitalizar sua essência vital. Imortais, eles, os ancestrais são os depositários de um patrimônio cultural. São quem contam as histórias, são a memória do povo. Eles formam uma sociedade hierarquizada, a máscara sagrada é acompanhada por uma plêiade de outras máscaras. Há a máscara guerreira encarregada da conquista e da defesa do território. 
Ela acompanha a máscara sagrada porque se trata de fazer a justiça em caso de perda. Por ocasião das festas ela é encarregada de supervisionar o comportamento de cada um para detectar os maus elementos. Há a máscara griot, que é companhia fiel da máscara sagrada. O griot é um cantor solitário. Ele louva a máscara sagrada. É também um espião, pois ele escuta, observa, e conta o que viu para a máscara sagrada. Ele influencia a máscara sagrada a ser mais clemente. Ele é também o cantor e historiador genealogista. Ele pode também dançar e é animador de todas as festas. Ele é indispensável para participar de acontecimentos como funerais. É um virtuoso da dança, pleno de vitalidade. Seguidamente é acompanhado do mascarado cantor. 
É enfim, o mascarado mediador: ele está presente em todos os níveis da hierarquia. Deve ser iniciado na arte da dança, do canto, da guerra. Ele distrai todo mundo com suas galanterias e seus ditos engraçados. Ele vai de casa em casa pedir alimentos. O portador da máscara deve ser sempre iniciado, sua identidade é sempre desconhecida, sua personalidade se desfaz completamente, pois ele é somente o suporte humano para que a máscara se torne acessível aos homens. A máscara é um vetor essencial de reivindicação de uma identidade local, geralmente um benfeitor mítico da comunidade. Ele rege as coletividades, e completa uma função religiosa, política, econômica, histórica e terapêutica.

Função Religiosa

Porque assegura a mediação entre deus, os ancestrais e os homens. Aparece nos ritos de passagem. É a protetora contra os espíritos maléficos. Muitas categorias de máscaras lutam ativamente contra a feitiçaria que é o principal agente de todos os males, das doenças e sofrimentos possíveis. O espírito associado ao mascarado possui a faculdade de detectar feiticeiros e os caçar. Essa função é dupla, pois vem acompanhada de uma ação punitiva, da erradicação do mal. Após a intervenção mascarada, os culpados caem doentes e podem morrer se não repararem suas faltas através de compensações, normalmente em forma de sacrifícios importantes. Em certos casos, o portador da máscara já é escolhido por sua capacidade de dupla visão e assim pode descobrir os agentes do mal. O espírito da máscara é utilizado para determinar a punição adequada.

 

Função Política

 

Porque a máscara garante a hierarquia social. Instância suprema para o regulamento de todos os problemas que podem vir a acontecer na comunidade. Ela faz respeitar a ordem e a justiça e intervêm em todas as decisões vitais. Como a máscara fala, ninguém pode contradizê-la. Suas decisões são inapeláveis. Os homens de poder (reis, chefes e outros dignatários) tem necessidade de garantir seu domínio e de o consolidar, por isso a ajuda das forças sobrenaturais é sempre bem vinda e nesse quadro as aparições dos mascarados correspondem a intervenção impressionante que os dirigentes tanto prezam. Nada pode manter a população à distância dada à crença e o respeito que as populações tem pela máscara e o mascarado.

Função Social

Porque mantêm a harmonia da comunidade e assegura a perenidade do saber. Assegura os laços entre os ancestrais e os vivos e traz para a vila as bênçãos dos ancestrais. As máscaras assumem regularmente o papel de policiais locais e supervisionam, dão o alerta, julgam e punem os malfeitores. A vantagem dos mascarados é que ao aplicar as punições isso é feito dentro de um total anonimato para o mascarado. Também é necessário atentar para verificar possíveis abusos por parte do mascarado que deve sempre agir com total senso de justiça. Para isso, ele, o mascarado está sempre também sobre a vigilância dos dirigentes políticos.

Função Cultural e Educativa

Porque as máscaras são depositárias da cultura de uma etnia. Os homens se sucedem, os povos desaparecem, a sociedade evolui, mas a máscara permanece após sua criação até o término de suas muitas mutações. Ela é a memória que permanece e que conta a evolução do povo. As máscaras transmitem um saber, ensinamento de linhas de conduta, aconselha e influencia. Elas representam os modelos admiráveis a seguir e dos quais os homens devem se aproximar. Elas concentram a ética de uma sociedade, sublinham as coisas importantes dessa sociedade, a serem seguidas ou evitadas. Na sua utilização elas veiculam numerosas mensagens dirigidas a todos, ou ao contrário, a um público reservado.

Função de Iniciação

Porque os segredos ligados a sua existência fazem parte dos ensinamentos ministrados aos jovens iniciados. As sociedades secretas, na maioria masculinos, chamam os mascarados no decurso de seus rituais específicos. Alguns deles compreendem numerosos graus de acesso e são regidos por ciclos iniciáticos. Tornam-se assim possuidores de conhecimentos esotéricos que permitem a manipulação e o controle dos não iniciados.

Função Funerária

 

Porque a intervenção das máscaras tem sobretudo um papel purificador. A morte introduz uma forma de desequilíbrio na sociedade, e isso é como uma mancha que deve ser lavada. As máscaras procuram a alma do defunto para a conduzir ao reino dos espíritos a partir do qual ele poderá se transformar em força vital e beneficiar seus descendentes.
Estas obras satisfazem o senso estético, mas vão além do senso estético, pois fornecem a visão de infinito espiritual, a beleza ou o terror. A máscara pode ser eficaz no sentido positivo ou terrorífica, mas sempre sagrada. A forma estabelece não mais que um jogo de forças secretas, de energias vitais. O estudo estético dessas máscaras variadas revela um interesse pela abstração, pelo apuro das formas e pela sabedoria.
A tradição de portar máscaras remonta as noites dos tempos e nos encontramos traços delas nos afrescos do Saara (na Líbia) que remontam a 15.000 anos. As primeiras máscaras eram máscaras de animais levadas ao alto da cabeça, e os chifres dos bovinos eram elementos essenciais. Os dançarinos e as dançarinas se penteavam e se escondiam sob plantas vegetais, escondendo pernas, braços e o busto. O importante era se comunicar com as energias vitais e sagradas que regiam o mundo e assim assegurar a fecundidade e a continuidade .

As Máscaras Animais

Se diversificaram a partir do reconhecimento do papel que o animal exerce junto ao homem. O homem reconheceu em certa época longínqua a anterioridade do animal sobre o homem. Diferentes animais desempenham papéis nos mitos criadores e nos ritos de adivinhação. É um pouco mais tarde que a função da máscara se diversifica, como signo de diferenciação numa sociedade de iniciação, como proteção da tribo e serve aos guerreiros que se revestem duma vestimenta carregada de substâncias mágicas e o rosto recoberto de uma máscara, ou como cura das doenças. Os chifres animais e as máscaras meio-homem, meio animal subsistiram por longo tempo e tem como papel estabelecer uma relação com as forças irracionais que são aquelas sagradas. Os ornamentos nas máscaras são revestidos de significados múltiplos: de dialogar com os acontecimentos, de assegurar a proteção da família, de acompanhar os rituais de iniciação, de participar das festas da semeadura e da colheita, de livrá-los da morte, das guerras e das doenças.
Na maior parte do continente africano, a máscara permanece ainda em nossos dias uma das expressões privilegiadas que tem dado lugar a uma impressionante variedade de formas , de materiais e de estilos. Entretanto, é necessário não dissociar a máscara africana do restante da roupa, pois sem a roupa ela perde o sentido geral da mensagem. A máscara africana não pode ser considerada em apenas sua dimensão estética e artística, mas também a sua funcionalidade no seio da sociedade que a criou e que a utiliza num conjunto de artes sagradas que asseguram seu equilíbrio, objeto de eterna procura. Muitas vezes, separada de seu conjunto de vestimentas, de seus enfeites, de seu penteado, dissociada de seus acessórios de dança que a acompanham e que se constitui num de seus elementos, a máscara incontestavelmente perde sua significação mais profunda. 
A máscara é também maquiagem, pintura corporal, fibras, folhas, peles de animais, tecidos, penteados…todos elementos que constituem um conjunto onde ela se insere, onde cada parte tem também sua significação.
Os materiais de predileção da maioria das máscaras africanas é a madeira, apesar de existirem outras de outros materiais, como fibras vegetais, cabaças, couro, tecidos, às vezes contas, caramujos, metais, marfim, resina…a escolha desses materiais não é aleatória: eles são escolhidos e associados em função da sacralidade da máscara ou do simbolismo que ela exprime. O escultor criador de máscaras trabalha geralmente fora da vila; ele deve observar os interditos muito sérios, passar por vezes por purificações, porque ele deve ser isento de toda impureza para poder fazer seu trabalho bem. Segundo as regras. A máscara, ela mesma, a cada utilização é repintada por ser uma máscara policrômica, e a pintura é que torna a máscara “viva”. Durante os períodos cerimoniais as máscaras são conservadas, cuidadas, servidas e mesmo “alimentadas”.

Os principais locais das máscaras são na África ocidental e na África central. As formas variam de acordo com as áreas culturais e as etnias. Quanto aos usos e funções elas correspondem ao ciclo anual dos ritos agrários ( semeadura, colheita) e ao ciclo da vida. No ciclo da vida, dois acontecimentos são considerados essenciais: a iniciação e a morte.

 

Nas cerimônias de iniciação dos jovens, as máscaras participam em diferentes etapas. Somente os pertencentes aquela etnia podem presidir a circuncisão, intervir como mestres iniciadores, revelando aos profanos os conhecimentos necessários a sua formação técnica, moral e social. Nesta ocasião, a máscara é envergada pelos mestres da iniciação que então poderão passar aos jovens iniciados o segredo das máscaras. Materialização de seres sobrenaturais ou de ancestrais, símbolo do sagrado, as máscaras presidem geralmente o encerramento do período de luto.Elas intervêm também nos casos de calamidade ou ainda, em casos de litígio, como agentes de controle social. Em certas etnias, elas são o apanágio do poder do chefe.

Simbolismo de algumas cores das Máscaras Africanas

O BRANCO: é uma cor de passagem, a passagem da morte ao renascimento, a mutação de um ser. É igualmente a cor de Deus (ligado aos ancestrais) representam a luminosidade, a inocência, a pureza e a retidão. Essa cor é fabricada a partir do kaolin ou de cal esfarelado (outras vezes podem ser de casca de caracol, de casca de ovos, excrementos de lagartas ou de cobras sacralizada). Em certas vilas do norte do Nvari-Kwilu o kaolin significa luto, e só serve para decorar os túmulos.
O PRETO: é uma cor negativa, pois representa a morte, o anatemizado, o mal, a feitiçaria e o anti-social. É fabricado com o carvão de madeira. Na costa do Marfim, são feitos de folhas queimadas. Trata-se de um valor complementar entre os Igbos.
O VERMELHO: o símbolo é ambivalente, pois representa o sangue, o fogo, o sol (e o calor) mas também a reintegração de um ser marginal, a fecundidade e o poder. O vermelho mais escuro representa as forças agressivas e o sangue impuro. É fabricado com a ajuda de substâncias minerais, sacrificiais (em sua origem, uma noz de cola mastigada)
O AMARELO: é um valor complementar entre os Igbo. Essa cor representa a paz, a serenidade, a fortuna, a fertilidade, a eternidade, mas também o declínio, o anúncio da morte.
O AZUL: é uma cor negativa que representa a frieza, mais paradoxalmente a pureza, o sonho e repouso terrestre.
O VERDE: representa a crença, o nascimento, a virilidade.
O OCRE ESCURO: tem também um valor complementar entre os Igbo.

Os Odus e as Doenças

A definição de Odú é Destino, mas não se tem uma definição exata do que o Odú representa, mas apenas o conhecimento prático de que sem ele, nada pode ser feito, é como se fosse um paralelo do Orixá. Cada Odú tem um Significado distinto, sendo sua interpretação diferenciada, dependendo do modo de aprendizado do sacerdote.
1. Okaran – A Insubordinação
2. Ejí-Okô- A Dúvida
3. EtáOgunda – A Obstinação
4. Iorosun – A Calma
5. Oxé – O Brilho
6. Obará – A Riqueza
7. Odí – A Violência
8. Ejí-Onilé – A Intranquilidade
9. Ossá- A Alienação
10. Ofun – A Doença
11. Owanrin – A Pressa
12. Eleborizará – A Justiça
13. EjiOlogbon – A Meditação
14. IkáOrí – A Sabedoria
15.OgbéOgundá – O Discernimento
16. Alafia – A Paz

Odù Òkànràn Representa Bára-Exú: dermatose -furúnculos infecções dentárias – problemas na boca. Relaciona-se com língua – garganta – respiração – cordas focais, respiração ofegante

Odù Éjìòkò Representa Ibédji ou Vundje: inchaço – problemas de estômago – doenças sexualmente transmissíveis – Gastrite, estomatite, impotência sexual, inchaço, doença venérea. todas as doenças estomacais. Relaciona-se com pênis (podendo trazer impotência)
Odù Étàògúndá Representa Ogum ou Omulu: pulmões – sinusite – ossos – estômago – Gastrite, ulcera, azia, gastrite, pulmão (infecção), faringite, amidalite, sinusite, inflamações ósseas, escoriações (por acidente), fratura dos membros superiores e inferiores. Relaciona-se com pênis – membros superiores – estômago

Odù Ìrosùn Representa Iemanjá: anemia – eczemas – leucemia – dermatoses – fraturas de braço. Relaciona-se com artérias – circulação – vesícula – partes do intestino – costas – olhos

Odù Òxê Representa Oxum: o globo ocular – problemas de face – hemorragias ventre – dentes – glaucoma, catarata, astigmatismo, artrite, reumatismo, osteoporose, acidente(deixando marcas na face), problemas dentários, fluxo menstrual excessivo ou escasso, problemas no baixo ventre, problemas no parto, pode gerar mongolóide, gula (trazendo intoxicação).  Relaciona-se com ossos e cartilagens

Odù Òbàrà Representa Odé, Xangô e Logun: circulação sanguínea – problemas Urinários – depressão – enxaqueca – infecção urinária, parto, dores fortes, de cabeça, circulação sanguínea. depressão, testículos. Relaciona-se com aparelho urinário.
Odù Òdí Representa Omulu, Obaluaiê, Bara e algumas vezes, Ogum: doenças de pele e hemorroidas. Relaciona-se com pele e anus.

Odù Ejìoníle Representa Oxoguian: cólicas – hérnia de disco – deformações coluna – desequilíbrios. Relaciona-se com sistema respiratório – coluna – vasos sanguíneos.
Odù Òsá Representa Oyá e Iemanjá: paralisias – enxaqueca – estrabismo, alguns tipos de câncer. Relaciona-se com órgãos internos – fossas nasais – membros inferiores – genitais femininos.
Odù Òfún Representa Oxalufan: sudorese – artroses – esclerose – reumatismo
relaciona-se com pernas – joelhos – ventre – circulação sangüínea – inchaço nas pernas, pulmonares, sangue grosso, sudorese, esclerose, artrose, colesterol alto, diabetes.
Odù Òwónrín Representa Oyá: problemas Abdominais – leucemia – envenenamento (ingestão de comidas estragadas). Relaciona-se com mão – cólicas menstruais.
Odù Ejílàsegbora Representa Xangô:  problemas Renais – diabetes – hipertensão – cefaléia (devido quedas e ou pancadas) alcoolismo, dores de cabeça forte, problemas mentais, acidentes e pancadas na cabeça. Relaciona-se com rins e pâncreas.
Odù Ejíologbón Representa Nanã: artrite – artrose – dores coluna – doenças diversas – fibromialgia, dores generalizadas. Relaciona-se com juntas – cartilagens – unhas – cabelos, queda de cabelos.
Odù Ìká Representa Bessem, Ossaim e Ewá: possibilidade qualquer cirurgia – globo ocular – gravidez com perda – buco-faciais, glaucoma, catarata, gengiva, coluna, nevralgias. Relaciona-se com vértebras – movimento da coluna
Odù OgbèÒgúndá Representa Obá: olhos – tórax – estrabismo. Relaciona-se com pernas – olhos – lábios – ouvido -peito

Odù Ìrètè ou Alafia Representa todos os Orixás: qualquer doença – morte com sofrimento. Relaciona-se com o corpo todo.

Ebó

 

Será que todos sabem o que é um Ebó e suas inúmeras finalidades, e aí pergunto: para que serve o Ebó? É importantíssimo esse entendimento para quem estuda, pratica e vive o Orixá.
Respondemos inúmeras perguntas sobre qualidades de Orixás, fundamentos, lendas, feituras, borís, axés, procuramos desmistificar e dar coragem ao leitor de interagir e familiarizar-se com essa cultura, porém, sem ebó não teremos religião e essa pergunta ninguém fez: Preciso fazer ebó para tomar um Obí? Eborí? Iniciação? Como saber qual ebó devo fazer? Por que tenho que fazer ebó?
Em primeiro lugar precisamos acreditar no Ebó e na pessoa que prescreveu o Ebó e principalmente entende-lo, pelo menos ter um caminho de entendimento. Ter a prova concreta de ter feito o ebó ter melhorado, ou ter se livrado de um perigo, amenizado um situação de queda geral, de acidente, de perigo, de perda, de injustiça, de doença, de mal agouro, de egun, de demanda, de negatividade principalmente.
Existem ebós positivos e negativos, aqueles que se dão caminho e os que não se dão caminho, ebós de odú, ebós que são presenteados, ebós Exú, Ikú, egun, Ebós de carrego, ebós de Axexe, ebós de Osé, ebós abikú, ebós omim, ebós de prosperidade, ebós de lua, sol, chuva, ebós da madrugada, ebós e ebós e tantos ebós de limpeza e preparação até para abrir um jogo de búzios. O ebó não espera um dia ser feito, se foi prescrito tem que fazer o mais rápido ou não faça mais.
O ebó existe permanentemente dentro de um Ilê Axé, no momento que entramos na casa, saudamos a entrada com água para esfriar o caminho, isso é um Ebó.
O Ebó é místico, essa é minha visão, ele tem influencias de Exú e Orunmilá. Na própria confecção do ebó tem a energia de quem está fazendo, arrumando, tem a energia de quem vai passar, de quem vai levar.
O banho de ervas é um ebó de pai Ossãe e é de suma importãncia tomá-lo após um ebó, é o sangue verde das folhas, a essência viva da natureza.
Se faz ebó com apenas um ovo, se faz ebó com apenas uma pedra de ofun ralado, com uma pimenta da costa, se faz ebó com a fé nas coisas simples que é a grande sabedoria Yorubá.
Os iniciados no Orixá tomam ebó sempre e para sempre pois, manter-se limpo é estar em sintonia com seu Orixá, é concebe-lo numa suavidade preponderante em seu axé individual.
Ebó é um procedimento realizado por um sacerdote com finalidades diversas, como saúde, prosperidade, ânimo, força, abertura de caminhos para o amor, abertura de caminhos profissionais, fortalecimento e distribuíção do Axé à pessoa que necessita de uma limpeza espiritual e energética.
Transfere-se para os alimentos e elementos usados na confecção de um específico ebó, a energia maléfica que está na pessoa ou no local, com a ajuda de Exú e dos Orixás.
Não adianta só oferecer as comidas, o segredo está nas cantigas, e na receita, algumas podem ser conhecidas mas a maioria faz parte do segredo do Candomblé. Pode-se fazer ebó para abrir os caminhos para emprego, ebó de saúde, ebó de prosperidade, o que varia é a receita. Existem vários tipos de ebós, mas sempre será feito de acordo com o determinação do jogo de búzios merindilogun.
No jogo de búzios define-se qual orixá será oferecido o ebó, sendo que cada um leva seus ingredientes especiais tais como: a canjica de Oxalá, a batata doce de Oxumaré ou o inhame de Ogun. Há ainda aqueles ebós para afastar espíritos desencarnados que ainda atrapalham a vida de alguns chamado de ebó de Egun, e outros para curar traumas e ajudar no esquecimento e superação de experiências ruins, o ebó de “susto” é para prevenir problemas no futuro.
Não são em todos eles que ocorre a sangria de animais, pois há os chamados ebós brancos ou secos, nos quais não é permitido qualquer sacrifício e os animais utilizados, geralmente neste caso os frangos e galos, são soltos na natureza com vida.
Após o ritual do ebó as folhas sagradas são usadas de forma ordenadas nos banhos liturgicos, podendo ser necessário o uso de água sagrada. Existe uma rígida cartilha a ser seguida para que se tenha resultados, e o sacrifício seja aceito. As proibições denominado de ewo são revelados, por exemplo: a não ingestão de qualquer tipo de carne vermelha nem tão pouco frutas vermelhas ou ácidas (incluindo seus sucos), a abstinência principalmente de praticas sexuais como também beijos e abraços, fica proibido a ida a velorios, hospitais, cemitérios ou mesmo a passagem sob arames farpados ou escadas, a bebida alcoolica é um verdadeiro tabu.
O ritual é largamente praticado em diversas casas e centros religiosos de candomblé e obtém elogios pelos resultados obtidos por seus praticantes

O Sacrifício de animais nos Cultos Africanos

 

1º –  Fundamento da Ancestralidade:

Com certeza, o sacrifício de animais é herdado de forma hereditária dos fundamentos dos cultos praticados na África. Nos cultos aos Orixás, esta prática é desenvolvida, assim como nas inúmeras seitas e cultos africanos.
O que podemos tirar como sumo vital de tudo isto? O que é comum a todos? Os Orixás e a manifestação mediúnica. O resto se perde num emaranhado de ritos e doutrinas que muda de terreiro para terreiro e de Pai ou Mãe de Santo para Pai ou Mãe de Santo. O importante nisso tudo é que o trabalho dos Orixás estão sendo realizados. Dentro de um grande plano divino, os objetivos gerais que: são permitir a cada grau consciencial sua evolução e a difusão da assistência caritativa aos esperançosos que buscam os diversos terreiros, bem como a difusão do perdão, do bem do amor etc., estão claros com muitas restrições, caminhando. O que eu quero dizer, com estas colocações é que por tudo isso ninguém pode chegar com autoridade o suficiente para dizer: “Sacrifício de animais é algo primitivo e não possui mais razão de ser”.
Por isso, a ancestralidade deste rito é válida como fundamento. Se considerarmos do ponto de vista bíblico, o sacrifício de animais é algo que vem desde a história de Caim e Abel. Deus se agradou do sacrifício de Abel que imolou em oferenda os primogênitos de seu rebanho e recusou a oferta de Caim que tinha sido parte de sua colheita agrícola. Já antes do Dilúvio, os animais eram mortos a fim de prover roupa ao homem e para fins sacrificiais. (Gên 3:21; 4:4) Os animais são almas viventes que não são humanas. (Núm 31:28).
Dentro de uma ótica cristã – judaica, o sangue era o principal elemento catalisador de ofertas e oferendas a Deus. Havia apenas um uso do sangue aprovado por Deus, a saber, para sacrifícios. Ele mandou que os que estavam sob a Lei mosaica oferecessem sacrifícios de animais para expiar pecados. (Le 17:10, 11) Estava também em harmonia com a Sua vontade que Seu Filho, Jesus Cristo, oferecesse sua perfeita vida humana em sacrifício pelos pecados (He 10:5, 10).
A aplicação do sangue de Cristo, para salvar vidas, foi prefigurada de diversas maneiras nas Escrituras Hebraicas. Por ocasião da primeira Páscoa, no Egito, o sangue na parte superior das portas e nas ombreiras das casas israelitas protegeu o primogênito lá dentro de ser morto pela mão do anjo de Deus. (Êx 12:7, 22, 23; 1Co 5:7) O pacto da Lei, que tinha uma particularidade típica para a remoção dos pecados, foi validado pelo sangue de animais. (Êx 24:5–8) Os numerosos sacrifícios de sangue, especialmente os oferecidos no Dia da Expiação, eram para a típica expiação de pecados, apontando para a verdadeira remoção dos pecados por meio do sacrifício de Cristo (Le 16:11, 15-18).

O poder jurídico do sangue aos olhos de Deus, conforme aceito por ele para fins de expiação, foi ilustrado pelo derramamento de sangue à base, ou junto ao alicerce, do altar e de ser posto os chifres do animal imolado no altar. O arranjo de expiação tinha como base, ou alicerce, o sangue, e o poder (representado pelos chifres). (Le 9:9; He 9:22; 1Co 1:18).

Mas o sangue e o sacrifício de animais dentro do contexto bíblico, não era somente ligado a expiação dos pecados, mas também significava purificação. O lugar de moradia de Jeová ou qualquer lugar em que ele more de forma representativa é um lugar santificado ou santo, um santuário. O tabernáculo no ermo e os templos mais tarde construídos por Salomão e por Zorobabel (reconstruído e ampliado por Herodes, o Grande) eram chamados de “miq dásh” ou qó dhesh, lugares “postos à parte” ou “santos”. Situados no meio de um povo pecaminoso, estes lugares tinham de ser periodicamente purificados (em sentido típico ou pictórico) do aviltamento, por meio da aspersão de sangue de animais sacrificiais. (Le 16:16).

Nas festividades também, que sempre possuíam um caráter religioso, o sacrifício de animais era largamente utilizado. Como na Festividade dos Pães Não Fermentados ocorrida de 15 a 21 de abide (nisã) realizadas pelo Rei Ezequias, depois de ele ter limpado o templo. celebração que naquela ocasião, foi prolongada por mais sete dias. O relato diz que o próprio Ezequias contribui para o sacrifício de 1.000 novilhos e 7.000 ovelhas, e que os príncipes contribuíram com 1.000 novilhos e 10.000 ovelhas. (2Cr 30:21-24).

Na história bíblica as duas maiores alianças realizadas por Jeová uma com Abraão e a outra com Moisés foram firmadas através de sacrifícios de animais e sangue como elementos principais de confirmação. No caso de Abraão visto que Sara continuava estéril, parecia que Eliezer, o fiel mordomo doméstico, de Damasco, receberia a herança de Abraão. Todavia, Jeová de novo assegurou a Abraão que sua própria prole seria inumerável, como as estrelas do céu, e, assim, Abraão “depositou fé em Jeová; e este passou a imputar-lhe isso como justiça. (Gên 15:1-6; Ro 4:9, 10) Jeová concluiu então com Abraão um pacto formal, à base de sacrifícios de animais, e, ao mesmo tempo, revelou que a descendência seria afligida por um período de 400 anos, sendo até levada cativa em escravidão. (Gên 15:7-21).

O Pacto da Lei foi quando da transmissão da Tábuas, transmitida por meio de anjos, pela mão de um mediador, Moisés, e que entrou em vigor com o sacrifício de animais no Monte Sinai. (Gál 3:19; He 2:2; 9:16-20). Naquela oportunidade, Moisés aspergiu sobre o altar a metade dos sangue dos animais sacrificados, daí, leu o livro do pacto para o povo, que concordou em ser obediente. Depois disso, ele aspergiu o sangue sobre o livro e sobre o povo. (Êx 24:3-8).

E finalmente das dez pragas lançadas sobre o Egito duas envolveram o sangue e o sacrifício de animais. Uma foi a transformação de todas as águas em sangue e outra a, já relatada, da morte dos primogênitos. (Êx 7 a 13). O Antigo Testamento está, portanto permeado de sacrifícios de animais com derramamento de sangue. Sob a jurisdição cristã, a santidade do sangue foi enfatizada com vigor ainda maior no Novo Testamento, com a imolação do Cordeiro Divino Nosso Senhor Jesus Cristo que derramou o seu sangue para lavar os pecados da face da Terra. Até nos dias atuais o vinho simbolicamente significa o sangue de Jesus e é bebido e consagrado pelo Padre.

Partindo para as escolas iniciáticas dos grandes mistérios, vemos no berço da cerimônias de iniciação, o Egito, os famosos Mistérios de Ísis. Papus em seu livro “ABC do Ocultismo” revela toda a ritualística destes mistérios iniciáticos, com riqueza de detalhes. Na descrição do Templo existe o destaque para a OUSEKTH-KHA: A sala da elevação ou ofertório em que eram expostas as oferendas vegetais e animais feitas ao templo. Nessa sala, por meio da força vital dos animais sacrificados, os sacerdotes preparavam as aparições e as evocações das salas de mistério, localizadas no fundo do templo e construídas como grutas naturais. Nos sacrifícios de animais, considerados atualmente como primitivo e desnecessário estão séculos de ancestralidade e tradição.

2º Fundamento – Da Ética

A Ética está muito arraigada ao 5º Mandamento “Não Matarás”. Mas como vimos, ao receber as Tábuas da Lei, Jeová confirmou com Moisés um pacto a base de sacrifícios de animais, logo o sacrifício de animais não estava incluso no âmbito deste quinto mandamento. Percebe-se, que este sacrifício permitido esta ligado a práticas ritualísticas (ofertas, oferendas, purificação, pactos, alianças, expiação, misericórdia, etc.) e mesmo iniciáticas. (evocatória e invocatória). E por que o quinto mandamento não inclui a matança de animais como contrária a Lei de Deus ?

Um primeiro motivo é óbvio, a alimentação carnívora faz parte da nutrição do ser humano desde que o mundo é mundo. O segundo motivo, já largamente explicado nos argumentos é revisado agora dentro do contexto bíblico. O Nephesh, que anima o reino animal e por todo Gênese, quando esta palavra é citada, indica a Criação do Reino animal, sendo assim totalmente diferenciado de Neshamah o fôlego de Deus nas narinas de Adão.

Ora, muitos neste momento deve estar estranhando as minhas diversas comparações, citações bíblicas e digressões principalmente no tocante a Gênese, Moisés e o Pentateuco (os cinco livros atribuídos a Moisés). A questão é que Moisés como é sabido, era príncipe egípcio, iniciado nos Mistérios de Ísis por Jehtro, seu sogro e sumo-sacerdote da Escolas Iniciáticas.
Portanto, conhecia Moisés todos os segredos e mistérios Mágicos e Cabalísticos.

E como conhecedor destes mistérios, podia como o fez, transmitir para o povo judeu a verdade só que sobre uma capa velada. Velada ou não as verdades apreendidas por Moisés de fonte fidedigna pode não estar clara na Bíblia, ter sido alterada, adulterada, manipulada, suprimida e muito mais, mas estão ali. “Buscais a verdade e ela vos revelará a sua face”.

Logo, ao sacrificarmos animais, dentro de uma ritualística própria, organizada e dirigida a um determinado fim, não estamos matando um ser vivo com alma individualizada, um ser que possui um direcionamento kármico definido e que a morte através do sacrifício esteja brutalmente sendo interrompida. O segredo dessa história está em que na morte do ser humano não existe transformação da energia, já que somente o corpo material se desagrega, o espírito não.

No caso dos animais o seu Nephesh retorna ao seu lócus original, sendo absorvida pela Alma Grupo e devidamente transformado em experiência e outros atributos em benefício da mesma.
Matar um ser humano sim, fere gravemente as Leis de Deus, pois destrói ou interrompe todo um processo reencarnatório, arquitetado, planejado pelos responsáveis dos processos kármicos, além de impedir um espírito de continuar o seu processo evolutivo.

3º Fundamento – Da Magia

No sacrifício dos animais encontramos todas as Leis da Magia em ação. Antes de mais nada, a mente e a dinâmica de pensamento são os motores básicos do direcionamento magístico e este movimento provocado pela emissão do pensamento produz energia que pode ser positiva ou negativa conforme o direcionamento dado ao sacrifício. Estudemos a composição do ritual mágico do sacrifício de animais, vulgarmente chamado de matança para podemos compreender toda a sua amplitude.

Embora exista diferenças de ritual e direcionamento nos diversos cultos que praticam o sacrifício de animais, a mecânica não muda muito.
A utilização dos sacrifícios de animais são apenas relacionados aos Orixás e Exús e pelos os seguintes motivos: oferendas, obrigações com os mesmos, evocação e invocação.

Em todas as situações existem a presença do emissor (Pai de Santo ou Mãe de Santo), objetos físicos (alguidar, velas e demais elementos inerentes aos Orixás ou Exús, os seus axés) e a presença ou não do consulente, filho(a) de santo ou de pessoas que formam a corrente vibratória e ajudam no ritual.

Quizilas dos Orixás (Kizila ou Èèwò)

Quizila é tudo aquilo que provoca uma reação contrária ao axé, dá-se o nome de kizila ou èèwò, ou seja, são as energias contrárias a energia positiva do orixá. Estas energias negativas podem estar em alimentos, cores, situações, animais e até mesmo na própria natureza.
Como algumas kizilas ou èèwò dos orixás, tem-se:
  • Exu – água e mel em excesso
  • Ogum – quiabo
  • Oxóssi – mel de abelha
  • Iansã – abóbora
  • Oxalá – dendê, vinho da palma
A quizila é uma forma de reação negativa que atinge as pessoas, quer seja fisicamente, causando algum mal estar ou gerando algum transtorno na vida pessoal. Acontece quando comemos ou fazemos algo que não devemos; todos os orixás tem suas quizilas e seus filhos devem respeitá-las.
A quizila, em alguns casos, é como se fosse uma alergia natural, a qual se manifestará imediatamente. No entanto, a mais perigosa é aquela reação alérgica que não é imediata.
Os iniciados sabem o que devem respeitar, embora existam casos de desconhecimento decorrente de uma iniciação mal feita. As proibições mais comuns são determinadas comidas, temperos, folhas, bebidas, cores, etc.
Todo iniciado (feito no santo) convive com as quizilas (èèwó), que são certas proibições determinadas pelo orixá, “dono da cabeça” do filho ou filha-de-santo.

Quizilas de Iansã
Abóbora (Na verdade o que Iansã tem pela abóbora não é bem quizila, a quizila é para os filhos desta, Iansã tem pela abóbora GRATIDÃO.
Conforme uma determinada lenda, normalmente contada nos candomblés, Iansã quase foi morta por um carneiro que a traiu chamando inimigos de Oyá para que a matassem, e para fugir destes, Iansã precisou se esconder no meio de uma plantação de abóboras por toda uma noite disfarçada como tal, e por gratidão de ter escapado da morte jurou nunca mais comer abóbora, carneiro, lagartixa)

MAIS QUIZILAS:

Tudo aquilo que o nosso anjo da guarda rejeita, por qualquer motivo peculiar, que por vezes desconhecemos. Existem as quizilas da própria Nação e as de cada Orixá. As principais delas são:

  •  Não passar atrás de corda de animal
  • Não deixar passar com fogo nas nossas  costas
  • Não pagar nem receber dinheiro em jejum
  •  Não passar embaixo de escadas
  •  Não comer abóbora
  • Não comer peixe de pele (só comer peixe de escamas)
  •  Não comer caranguejos
  •  Não comer siri
  •  Não comer muçum ou arraia (quizila de Oxum)
  •  Não comer cajá
  •  Não comer carambola (pertence à Egum)
  •  Não comer fruta-do-conde ou sapoti
  •  Evitar abacaxi (quizila de Omolu)
  •  Evitar comer carne de porco (quizila de Omulu)
  •  Evitar manga-espada (quizila de Ogum)
  •  Evitar manga-rosa (quizila de Iansã)
  •  Evitar tangerina (quizila de Oxóssi)
  •  Não comer caça (quizila de Oxóssi)
  • Não comer carne nas segundas e sexta-feira
  •  Usar roupa branca nas segundas e sextas-feiras
  •  Evitar carne de pato (quizila de Iemanjá)
  • Evitar carne de ganso (quizila de Oxumarê)
  • Não comer carne de pombo ou galinha D’angola 
  •  Não ter em casa penas de pavão (tiram a sorte)
  •  Não varrer casa à noite
  •  Evitar coco (quizila de Oxóssi)
  •  Evitar melancia (quizila de Oxum)
  •  Evitar fubá de milho (quizila de Oxóssi)
  •  Não pregar botão em roupa no corpo
  •  Não usar roupas pretas ou vermelhas
  •  Evitar cemitérios
  •  Não comer a comida queimada do fundo das panelas
  •  Evitar aipim ou mandioca (pertencente à Egum)
  •  Não comer bertália
  • Não comer taioba (quizila de Nanã)
  •  Não comer pepino
  •  Não comer das folhas do jambo
  •  Não comer jaca
  •  Evitar ovos (quizila de Oxum)
  •  Não comer as pontas: cabeças, pés e asas de aves
  •  Não jurar pelo santo, nem pedir mal aos outros
  •  Nunca se fala cuscuzeiro nem cuscuz, para não revoltar Obaluaiê e Omulu fala-se agerê e bolo branco. 
  • Filho de Oxóssi não come milho vermelho, nem milho verde.
  •  Evitar comer uva itália (quizila de Ogum)
  •  Evitar mostarda (quizila de Nanã)
  • Oxalá tem quizila a todas as comidas preparadas no azeite de dendê, portanto os filhos de Oxalá não podem comer delas.
  • Não comer amoras e evitar passar embaixo do pé de amora (pertence a Babá Egum).

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