Zé Pelintra

zé

Zé Pelintra Existem várias formas de incorporação de Zé Pelintra, tendo cada um sua história de vida. Ou seja, o Zé Pelintra que conhecer, dificilmente o verá novamente incorporado em outro médium. 

Podemos citar três formas comuns de incorporação de seu Zé Pelintra: a do mestre Juremeiro, a do baiano ou das almas e a do malandro.  Preto José Pelintra, como é conhecido no Catimbó ou Jurema, é uma forma de caboclo que trabalha na linha dos índios brasileiros com ervas e rezas para cura e salvaguardar seus fiéis. Profundo conhecedor dos segredos da Jurema, dizem que viveu boa parte de sua vida ao lado de índios brasileiros e absorveu seus conhecimentos. É muito conhecido no norte e nordeste brasileiro, tem grande influência nas matas e profundo respeito pelos santos católicos por ter sido batizado e seguido a Igreja Católica Apostólica Romana, especialmente Santa Bárbara. 

Zé Pelintra da Bahia ou Zé Pelintra das almas vem de uma linhagem de antigos sacerdotes do Candomblé, poderoso em desmanchar feitiços e mazelas de seus adeptos, capaz de desafiar qualquer sacerdote sem se preocupar com os poderes de seu inimigo, é muito louvado em São Paulo e na Bahia, em sua “esquerda” torna-se seu patrono Ogum adquirindo seus poderes e ira deixando seus fiéis em grande temor pela capacidade e poder que adquire, tem como padrinho Santo Antônio e madrinha Nossa Senhora de Santana. 

Zé Pelintra malandro é muito conhecido e louvado no sudeste e sul do Brasil trata-se de uma linhagem que andou entre a malandragem do Rio de Janeiro e São Paulo criado em portos e cabarés nas décadas passadas, envolvendo-se em brigas, amizades e mulheres sendo conhecido e respeitado por seus poderes em livrar seus adeptos e fiéis de perseguições e traições tem grande influência em magias dos mares pela sua amizade e respeito pelas entidades dos mares tendo como padrinho São Jorge e Nossa Senhora dos Navegantes. Portanto é uma das únicas entidades que incorpora em qualquer culto afro-brasileiro seja na forma de um caboclo, baiano, Exu ou malandro. Bastante considerado, especialmente entre os umbandistas, como o espírito patrono dos bares, locais de jogo e sarjetas, embora não alinhado com entidades de cunho negativo, é uma espécie de transcrição arquetípica do “malandro”. No seu modo de vestir, diverge-se as três formas o típico Zé Pelintra é representado trajando terno completo na cor branca, sapatos de cromo, gravata grená ou vermelha e chapéu panamá de fita vermelha ou preta. Sua roupa se assemelha aos “zoot suit”, usada nos EUA por negros e latinos nas década de 1930 e 1940, bem como na Jurema de camisa comprida branca ou quadriculada com mangas dobradas e calça branca dobrada nas pernas, sem sapatos e com um lenço no pescoço nas cores vermelha ou outras, traz na mão sua bengala e seu cachimbo.

Na linhagem dos baianos ou das almas seu Zé Pelintra utiliza roupas de algodão comumente usadas entre os escravos e chapéu de palha diferenciando-se apenas por seu lenço vermelho ou cachecol vermelho e uma fita vermelha em seu chapéu, bem como porta sua bengala tipica. Contam que nasceu no povoado de Bodocó, sertão pernambucano, próximo a cidadezinha de Exu. Fugindo da terrível seca que assolava a cidade a família de José dos Anjos rumou para Recife em busca de uma melhor vida, mas o menino aos 3 anos perdeu a mãe. Cresceu, então, no meio da malandragem, dormindo no cais do porto e sendo menino de recados de prostitutas. Sua estatura alta e forte granjeou o respeito dos circunstantes. Sua morte seria um mistério.Aos 41 anos foi encontrado morto sem nenhum vestígio de ferimento.

Uma outra versão do mito alude a José Gomes da Silva, nascido no interior de Pernambuco, um negro forte e ágil, grande jogador e bebedor, mulherengo e brigão. Manejava uma faca como ninguém, e enfrentá-lo numa briga era o mesmo que assinar o atestado de óbito. Os policiais já sabiam do perigo que ele representava. Dificilmente encaravam-no sozinhos, sempre em grupo e mesmo assim não tinham a certeza de não saírem bastante prejudicados das pendengas em que se envolviam. Não era mal de coração, muito pelo contrário, era bom, principalmente com as mulheres, as quais tratava como rainhas.

Zé Pelintra é invocado quando seus seguidores precisam de ajuda com questões domésticas, de negócios ou financeiras e é reputado como um obreiro da caridade e da feitura de obras boas. A Umbanda é um culto legitimamente Brasileiro com seus próprios rituais e estrutura, enquanto o Catimbó é uma forma regional de sincretismo entre elementos tanto brasileiros, europeus, indígenas, portanto, animista, católico e naturalista. Na Umbanda, Zé Pelintra é um guia pertencente à linha do Povo da Malandragem, na Umbanda seu Orixá patrono é Ogum. Já no Catimbó, é considerado um “mestre juremeiro”.

Na Umbanda, Zé Pelintra é creditado como pertencente à linha das almas, cujos seres humanos desencarnados auxiliam no benefício da humanidade como forma de expiação de uma vida anterior de extrema dissipação material. Majoritariamente os seguidores de Zé Pelintra concentram-se nos ambientes urbanos de Rio de Janeiro e São Paulo, mas eles também podem ser encontrados no Nordeste do Brasil, entre os “catimbozeiros”, e nas áreas rurais de praticamente todo o país. Zé Pelintra, tanto na Umbanda como no Catimbó, é tido como protetor dos pobres e uma entidade de importância entre as classes menos favorecidas em geral, tendo ganhado o apelido de “Advogado dos Pobres”, pela patronagem espiritual e material que exerce. Um exemplo real chama-se Lala. É comum achá-lo em festas e exposições, sempre rindo. E é claro, sem fazer rir.suco detox

Zé Pilintra (Samir Castro)

MALANDRO

Sou de Alagoas

Sou da Bahia

Sou do Rio de Janeiro

Sou Zé Baiano

Sou Zé da Lapa

Sou Zé do Morro

Sou Zé da Encruzilhada

Sou Zé Malandro

Sou Zé

Sou a astucia do novo

Sou a sabedoria do velho

Sou Exú

Sou Preto-Velho

Sou Criança

Sou o Caboclo

Sou o Baiano

Sou a Direita

Sou a Esquerda

Sou o equilíbrio

Do Bem Do Mal

Da Vida Da Morte

Sou o Caminho

Sou as Escolhas

Sou aquele que te acode nos momentos de aflição

Sou aquele que te orienta quando mais precisa

Sou a mão que ajuda os fracos e acalenta os fortes

Sou a mão que castiga o errado e ajuda o certo

Eu sou Zé Pilintra

Zé Pilintra das Almas, da Estrada, do Cruzeiro, do Cemitério, da Encruzilhada, da Calunga, da Lapa, da Bahia e de tantos outros lugares.

Sou simplesmente

Zé Pilintra e sempre estarei ao seu lado

No momento que mais precisar

 

Autor Samir Castroauto estima

 

Seja papagaio solto, não fale. Aja!

zé e o papagaio

zé e o papagaiozé e o papagaio

O Encontro de Zé Pelintra com Lampião

 

 

 

 

 

 

zé pilintra e lampião Um dia desses, passeando por Aruanda, escutei um conto muito interessante. Uma história sobre o encontro de Zé Pelintra com Lampião… Dizem que tudo começou quando Zé Pelintra, malandro descolado na vida, tentou aproximar – se de Maria Bonita, pois a achava uma mulher muito atraente e forte, como ele gostava.

 

Virgulino, ou melhor, Lampião, não gostou nada da história e veio tirar satisfação com o Zé:

_ Então você é o tal do Zé Pelintra? Olha aqui cabra, devia te encher de bala, mas não adianta…Tamo tudo morto já! Mas escuta bem, se tu mexer com a Maria Bonita de novo, vou dá um jeito de te mandar pro inferno…

_ Inferno? Hahahaha, eu entro e saiu de lá toda hora, num vai ser novidade nenhuma pra mim!_ respondeu o malandro _ Além do mais, eu nem sabia que a gracinha da “Maria” tinha um “esposo”! Então é por isso que ela vive a me esnobar!

 

_ Gracinha? Olha aqui cabra safado, tu dobre a língua pra falar dela, se não tu vai conhecer quem é Lampião! _ disse Virgulino puxando a peixeira, já que não era e nunca seria, um homem de muita paciência.

_ Que isso homem, tá me ameaçando? Você acha que aqui tem bobo?_ e Zé Pelintra estralou os dedos, surgindo toda uma falange de espíritos amigos do malandro, afinal ele conhecia a fama de Lampião e sabia que a parada era dura.

 

Mas Lampião que também tinha formado toda uma falange, ou bando, como ele gostava de chamar, assoviou como nos tempos de sertão e toda um “bando” de cangaceiros chegaram para participar da briga. A coisa parecia já não ter jeito, quando um espírito simples, com um chapéu na cabeça, uma camisa branca, cabelos enrolados, chegou dizendo:

_ Oooooooxxxxxx! Mas o que que é isso aqui? Compadre Lampião põe essa peixeira na bainha! Oxente Zé, tu não mexeu com Maria Bonita de novo, foi? Mas eu num tinha te avisado, ooooxx, recolhe essa navalha, vamo conversar camaradas…

_ Nada de conversa, esse cabra mexeu com a minha honra, agora vai ter! _ Disse Lampião enfurecido!

_ To te esperando olho de vidro! _ respondeu Zé Pelintra.

 

_ Pera aí! Pela amizade que vocês dois tem por mim, “Severino da Bahia”, vamo baixar as armas e vamo conversar, agora! Severino era um antigo babalorixá da Bahia, que conhecia os dois e tinha muita afeição por ambos. Os dois por consideração a ele, afinal a coisa que mais prezavam entre os homens era a amizade e lealdade, baixaram as armas.

 

Então Severino disse:

 

_ Olha aqui Zé, esse é o Virgulino Ferreira da Silva, o compadre Lampião, conhecido também como o “Rei do Cangaço”. Ele foi o líder de um movimento, quando encarnado, chamado Banditismo ou Cangaço, correndo todo o sertão nordestino com sua revolta e luta por melhores condições de vida, distribuição de terras, fim da fome e do coronelismo, etc. Mas sabe como é, cometeu muitos abusos, acabou no fim desvirtuando e gerando muita violência…

 

_ É, isso é verdade. Com certeza a minha luta era justa, mas os meios pelo qual lutei não foram, nem de longe, os melhores. Tem gente que diz que Lampião era justiceiro, bem…Posso dizer que num fui tão justo assim_ disse Lampião assumindo um triste semblante.

_  Eu sei como é isso. Também fui um homem que lutou contra toda exploração e sofrimento que o pobre favelado sofria no Rio de Janeiro. Nasci no Sertão do Alagoas, mas os melhores e piores momentos da minha vida foram no Rio de Janeiro mesmo. Eu personificava a malandragem da época. Malandragem era um jeito esperto, “esguio”, “ligeiro”, de driblar os problemas da vida, a fome, a miséria, as tristezas, etc. Mas também cometi muitos excessos, fui por muitas vezes demais violento e, apesar de morrer e terem me transformado em herói, sei que não fui lá nem metade do que o povo diz_ dessa vez era Zé Pelintra quem perdia seu tradicional sorriso de canto de boca e dava vazão a sua angústia pessoal…

_ Ooxx, tão vendo só, vocês tem muitas semelhanças, são heróis para o povo encarnado, mas, aqui, pesando os vossos atos, sabem que não foram tão bons assim. Todos têm senso de justiça e lealdade muito grande, mas acabaram por trilhar um caminho de dor e sangue que nunca levou e nunca levará a nada.

_ É verdade, bem, acho que você não é tão ruim quanto eu pensava Zé. Todo mundo pode baixar as armas, de hoje em diante nós cangaceiros vamo respeitar Zé Pelintra, afinal, lutou e morreu pelos mesmos ideias e com a mesma angústia no coração que nós!

 

_ O mesmo digo eu! Aonde Lampião precisar Zé Pelintra vai estar junto, pois eu posso ser malandro, mas não sou traíra e nem falso. Gostei de você, e quem é meu amigo eu acompanho até na morte.

_ Oooooxxxxx! Hahahaha, mas até que enfim! Tamo começando a nos entender. Além do mais, é bom vocês dois estarem aqui, juntos com vossas falanges, porque eu queria conversar a respeito de uma coisa! Sabe o que é…

E Severino falou, falou e falou… Explicando que uma nova religião estava sendo fundada na Terra, por um tal de Caboclo das Sete Encruzilhadas, uma religião que ampararia todos os excluídos, os pobres, miseráveis e onde todo e qualquer espírito poderia se manifestar para a caridade. Explicou que o culto aos amados Pais e Mães Orixás que ele praticava quando estava encarnado iria se renovar, e eles estavam amparando e regendo todo o processo de formação da nova religião, a Umbanda…

_ …é isso! Estamos precisando de pessoas com força de vontade, coragem, garra para trabalhar nas muitas linhas de Umbanda que serão formadas para prestar a caridade. E como eu fui convidado a participar, resolvi convidar vocês também! Que acham?

_ Olha, eu já tenho uma experiência disso lá no culto a Jurema Sagrada, o Catimbó! Tô dentro, pode contar comigo! Eu, Zé Pelintra, vou estar presente nessa nova religião chamada Umbanda, afinal, se ela num tem preconceito em acolher um “negô” pobre, malandro e ignorante como eu, então nela e por ela eu vou trabalhar. E que os Orixás nos protejam!

 

_ Bem, eu num sô homem de negar batalha não! Também vou tá junto de vocês, eu e todo o meu bando. Na força de “Padinho” Cícero e de todos os Orixás, que eu nem conheço quem são, mas já gosto deles assim mesmo… E o que era pra transformar – se em uma batalha sangrenta acabou virando uma reunião de amigos.

Nascia ali uma linha de Umbanda, apadrinhada pelo baiano “Severino da Bahia”, pelo malandro mestre da Jurema “Zé Pelintra” e pelo temido cangaceiro “Lampião”. Junto deles vinham diversas falange. Com o malandro Zé Pelintra vinham os outros malandros lendários do Rio de Janeiro com seus nomes simbólicos: “Zé Navalha”, “Sete Facadas”, “Zé da Madrugada”, “7 Navalhadas”, “Zé da Lapa”, “Nego da Lapa”, entre muitos e muitos outros.

 

Junto com Lampião vinha a força do cangaço nordestino: Corisco, Maria Bonita, Jacinto, Raimundo, Cabeleira, Zé do Sertão, Sinhô Pereira, Xumbinho, Sabino, etc. Severino trazia toda uma linha de mestres baianos e baianas: Zé do Coco, Zé da Lua, Simão do Bonfim, João do Coqueiro, Maria das Graças, Maria das Candeias, Maria Conga, vixi num acaba mais…

Em homenagem ao irmão Severino, o intermediador que evitou a guerra entre Zé Pelintra e Lampião, a linha foi batizada como “Linha dos Baianos”, pois tanto Severino como seus principais amigos e colaboradores eram “Baianos”.

E uma grande festa começou ao som do tambor, do pandeiro e da viola, pois nascia ali a linha mais alegre, mais divertida e “humana” da Umbanda. Uma linha que iria acolher a qualquer um que quisesse lutar contra os abusos, contra a pobreza, a injustiça, as diferenças sociais, uma linha que teria na amizade e no companheirismo sua marca registrada. Uma linha de guerreiros, que um dia excederam – se na força, mas que hoje lutavam com as mesmas armas, agora guiados pela bandeira branca de Oxalá.

E, de repente, no meio da festa, raios, trovões e uma enorme tempestade começaram a cair. Era Iansã que abençoava todo aquele povo sofrido e batalhador, igualzinho ao povo brasileiro. A Deusa dos raios e dos ventos acolhia em seus braços todas aqueles espíritos, guerreiros como ela, que lutavam por mais igualdade e amor no nosso dia – dia.

E assim acaba a história que eu ouvi, diretamente de um preto – velho, um dia desses em Aruanda. Dizem que Zé Pelintra continua tendo uma queda por “Maria Bonita”, mas deixou isso de lado devido ao respeito que tem pelo irmão Lampião. Falam, ainda, que no momento ele “namora” uma Pombagira, que conheceu quando começou a trabalhar dentro das linhas de Umbanda. Por isso é que ele “baixa”, às vezes, disfarçado de Exu…

“Oxente eu sou baiano, oxente baiano eu sou Oxente eu sou baiano, baiano trabalhador Venho junto de Corisco, Maria Bonita e Lampião Trabalhar com Zé Pelintra Pra ajudar os meus irmãos…!”

Vander Augustofranquias baratas

Seu Zé do Catimbó

http://www.youtube.com/watch?v=EXvV0WXcERY

Seu Zé do Catimbó

Sou o mestre Zé Pelintra

Sou Doutor do Catimbó

Mulher tenho mais de trinta

Mas minha alma vaga só.

Pra agradar me dá cachaça

Dá cigarro pra eu fumar

Eu te livro da desgraça

Firma um ponto pra eu sambar.

Levei chumbo de espingarda

Navalhada de outro Zé

Muita paulada de guarda

Mas o que mata é a mulher.

A polícia eu despacho

Navalha foi de raspão

O chumbo acertou o braço

E a mulher o coração.

Venho lá de Aruanda

Sou boêmio, sou malandro

Se aqui houver demanda

Meu chapéu eu vou tirando

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Malandros, Salve a Malandragem!

MALANDROOs malandros têm como principal característica de identificação, a malandragem, o amor pela noite, pela música, pelo jogo, pela boemia e uma atração pelas mulheres. Isso quer dizer que em vários lugares de culturas e características regionais completamente diferentes, sempre haverá um malandro. O malandro de Pernambuco, dança côco, xaxado, passa a noite inteira no forró; no Rio de Janeiro ele vive na Lapa, gosta de samba e passa suas noites na gafieira. Atitudes regionais bem diferentes, mas que marcam exatamente a figura do malandro.

No Rio de Janeiro aproximou-se do arquétipo do antigo malandro da Lapa, contado em histórias, músicas e peças de teatro. Alguns quando se manifestam se vestem a caráter. Terno e gravata brancos. Mas a maioria, gosta mesmo é de roupas leves, camisas de seda, e justificam o gosto lembrando que: “a seda, a navalha não corta”. Navalha esta que levavam no bolso, e quando brigavam, jogavam capoeira (rabos-de-arraia, pernadas), às vezes arrancavam os sapatos e prendiam a navalha entre os dedos do pé, visando atingir o inimigo. Bebem de tudo, da Cachaça ao Whisky, fumam na maioria das vezes cigarros, mas utilizam também o charuto.

São cordiais, alegres, dançam a maior parte do tempo quando se apresentam, usam chapéus ao estilo Panamá. Podem se envolver com qualquer tipo de assunto e têm capacidade espiritual bastante elevada para resolvê-los, podem curar, desamarrar, desmanchar, como podem proteger e abrir caminhos. Têm sempre grandes amigos entre os que os vão visitar em suas sessões ou festas. Existem também as manifestações femininas da malandragem.

Manifesta-se como características semelhantes aos malandros, dança, samba, bebe e fuma da mesma maneira. Apesar do aspecto, demonstram sempre muita feminilidade, são vaidosas, gostam de presentes bonitos, de flores principalmente vermelhas e vestem-se sempre muito bem. Ainda que tratado muitas vezes como Exu, os Malandros não são Exus. Essa idéia existe porque quando não desenvolvimento de pessoas são homenageados em festas ou sessões particulares, manifestam-se tranqüilamente nas sessões de Exu e parecem um deles.

Os Malandros são espíritos em evolução, que após um determinado tempo podem (caso o desejem) se tornarem Exus. Mas, desde o início trabalham dentro da linha dos Exus. Pode-se notar o apelo popular e a simplicidade das palavras e dos termos com os quais são compostos os pontos e cantigas dessas entidades. Assim é o malandro, simples, amigo, leal, verdadeiro. Se você pensa que pode enganá-lo, ele o desmascara sem a menor cerimônia na frente de todos. Apesar da figura do malandro, do jogador, do arruaceiro, detesta que façam mal ou enganem aos mais fracos. Salve a Malandragem!

Na Umbanda o malandro vem na linha dos Exus, com sua tradicional vestimenta: Calça Branca, sapato branco(ou branco e vermelho), seu terno branco, sua gravata vermelha, seu chapéu branco com uma fita vermelha ou chapéu de palha e finalmente sua bengala. Gosta muito de ser agradado com presentes, festas, ter sua roupa completa, é muito vaidoso, tem duas características marcantes: Uma é de ser muito brincalhão, gosta muito de dançar, gosta muito da presença de mulheres, gosta de elogiá-las ,etc… Outra é ficar mais sério, parado num canto assim como sua imagem, gosta de observar o movimento ao seu redor mas sem perder suas características.

Às vezes muda um pouco, pede uma outra roupa, um terno preto, calças e sapatos também pretos, gravata vermelha e às vezes até cartola. Em alguns terreiros ele usa até uma capa preta. E outra característica dele é continuar com a mesma roupa da direita, com um sapato de cor diferente, fuma cigarros, cigarilhas ou até charutos, bebe batidas, pinga de coquinho, marafo, conhaque e uísque, rabo-de-galo; é sempre muito brincalhão, extrovertido.

Seu ponto de força é na subida de morros, esquinas, encruzilhadas e até em cemitérios, pois eles trabalham muito com as almas… Salve a Malandragem!

Estudo Sobre Zé Pelintra

MALANDRO

SENHOR ZÉ PELINTRA – UM HUMILDE FALANGEIRO DA LUZ

Falar de Zé Pelintra é dizer de aproximação e recuo, acertos e esquivas, transgressão e perigos.
É render-se a eloqüência do não-dito, viajar pelas margens dos espaços suburbanos, encarar
desafios. Curvar-se a regras implícitas, renunciar aos esclarecimentos, até mesmo desistir de
apresentar estas notas de acordo com as normas acadêmicas. É deixar-se guiar pelos volteios
do objeto da pesquisa para, com ele, aprender a ginga, a brincadeira, a duplicidade.
(Monique Augras).
Um dia, conversando com o nosso amigo Marcos, este nos pediu que fizéssemos uma matéria versando sobre o “enigmático e incompreendido” Guia Espiritual Zé Pelintra. Na hora respondemos: putz – que fria hahahaha! Falar sobre o senhor Zé Pelintra pode alegrar uns e desagradar outros. Mas, fazer o que? Vamos nessa. Aqui, vamos colocar as versões existentes sobre o senhor Zé Pelintra, para que cada um possa refletir, analisar e aceitar aquela que tiver razão e bom senso, e não somente aquela que o seu “achismo” acha correta. Quando se trata de fenômeno espiritual, temos que utilizar a razão, para que não caiamos no ridículo de expor nossas tendências inferiores, a pecha de manifestação mediúnica verdadeira. Mas, vamos lá:

Primeiramente vamos elucidar o que seria essa tal “corrente de malandro” que esta se espalhando na Umbanda, advinda do Rio de Janeiro, onde está inserido o Senhor Zé Pelintra. Serão apresentadas algumas versões, a fim de que o leitor possa avaliá-las e de uma vez por todas, entender quem é e o trabalho magnífico efetuado por essa entidade espiritual maravilhosa.

 

Malandro – 1ª versão:

Para entendermos a confusão reinante dentro da Umbanda, sobre as várias manifestações mediúnicas estereotipadas de “malandro”, tendo como “malandro mór” o Senhor Zé Pelintra, temos primeiramente que entender o que seria arquétipo (grego arché, antigo – é o primeiro modelo de alguma coisa)no inconsciente coletivo.

Carl G. Jung sugeriu que pode existir um inconsciente coletivo. Os mitos seriam como sonhos de uma sociedade inteira: o desejo coletivo de uma sociedade que nasceu do inconsciente coletivo. Os mesmos tipos de personagens parecem ocorrer nos sonhos tanto na escala pessoal quanto na coletiva. Esses personagens são arquétipos humanos. Os arquétipos são impressionantemente constantes através dos tempos nas mais variadas culturas, nos sonhos e nas personalidades dos indivíduos, assim como nos mitos do mundo inteiro. Dominar esses arquétipos dá um grande poder ao roteirista, são ferramentas úteis, como um baú cheio de truques.

De posse do entendimento sobre o que seria o inconsciente coletivo, vamos entender o porquê do surgimento arraigado no Rio de Janeiro, da manifestação do Senhor José Pelintra como um “exemplo” de malandro ou malandragem.
Essa figura de malandragem como meio de subsistência, surgiu no Rio de Janeiro e para entendermos vamos ver o que nos diz Zeca Ligiero:

O malandro não pode ser dissociado da cultura carioca. Ao lado dos Orixás ioruba que chegaram ao panteão da macumba carioca trazidos pelos baianos, expressão de paisagem essencial, a rigor, sem representação antropomórfica, se ajuntam personagens históricos, sínteses de percursos coletivos, emblemáticos, personas com contornos humanos, roupas e adereços, como os Exus, Quilombolas quimbandeiros, revoltados e renegados contra o sistema e contra a passividade dos seus, provocadores e vingativos. Ou então: os malandros.

O terno branco do malandro. A dignidade do negro subestimado e subalterno. A elegância de valores da tradição africana adaptada a dúbia modernidade do bas-fond carioca. Estigmatizados ou quase herói, o malandro transgressor e individualista tanto reflete quanto funda um caminho coletivo, tornado santo pros seus e pros outros mito e referência. O malandro – de sapato, terno e chapéu – não se veste como branco, é o negro que mostra sua própria elegância, pois o malandro, tornado santo, não é apenas o que engana e o que se apropria do que é do outro para seu proveito e projeto pessoal, mas o que quer redefinir as regras de um jogo que lhe são injustificadamente desfavoráveis.

Se o malandro das encruzilhadas afro-ameríndias “não conseguiu estabelecer-se socialmente e impor a qualquer grupo uma ordem peculiar”, seu arquétipo e arsenal mítico certamente perduram no inconsciente do povo brasileiro, tanto em sua pulsão perversa – o oportunista, o predador – quanto em suas outras potencialidades, com sua postura de jogador e suas disposições e atributos de lutador refinado, de artista da vida, de animador cultural, de arrimo na crise e, assim, de protolíder comunitário.

Assim, poderemos agora entender, o porquê da ênfase e da aceitação de espíritos “malandros”, que no imaginário do povo, seriam nada mais nada menos que heróis populares, que com suas gingas e expedientes, conseguem transpassar os limites da sociedade cripto-escravocrática pondo-os frente a toda uma sociedade em processo de identificação, a quem dotariam de uma identidade paradoxal. A camada social mais carente busca novas referencias e novos mestres, justamente no momento quando se faz possibilidade de uma nova ordem social que atende ao clamor das ruas para além das evidentes limitações da “democracia brasileira”, e ressalta a evidente inspiração que traz o caminho do Zé Pilintra.

Conclusão: O inconsciente coletivo “malandro” está para a camada popular, como o herói, como aquele que vence as adversidades do dia-a-dia mesmo tendo qualquer tipo de adversidade própria de quem nada tem na vida. O “espírito de malandro” reflete arquetipicamente àquele que leva a vida numa boa.

 

Mas, temos que entender que isso é tão somente um arquétipo coletivo manifestado na psique humana, e é refletido nas manifestações mediúnicas a título de animismo misturado com uma efetiva e verdadeira incorporação mediúnica. Nesse momento, a psique do médium se põe na frente da manifestação mediúnica, havendo uma simbiose onde o que se reflete é tão somente um “teatro” muitas vezes necessário, pois tanto o médium como a assistência somente vai dar credito àquela manifestação, se conseguir visualizar o estereótipo, “fantasiado”, a fim de dar crédito, pois esta visualizando o que ali se manifesta.

Precisamos entender que segundo a psicologia analítica, ocorrem as manifestações “teatralizadas” nas incorporações na Umbanda. Somente vamos atentar para o fato de que essas “teatralizações” fazem parte das manifestações mediúnicas na Umbanda, obedecendo a um imperativo espiritual, pois junta-se o animismo com a realidade espiritual, fazendo com que os trabalhos mediúnicos umbandistas sejam acessíveis a todas as camadas sociais, bem como aceitas naturalmente, pois fazem parte do mental coletivo brasileiro.

Com o tempo, a figura do malandro tornou-se símbolo marcante da cultura carioca, que o tem como um meio de sobreviver num meio racista e difícil vivência.

 

Malandro – 2ª versão:

 

Vamos entender a questão da malandragem, pois esta acontecendo um fato que merece a nossa atenção: Alguns médiuns e mesmo sacerdotes umbandistas, estão “criando” uma linha de ação na Umbanda, denominada “corrente de malandros”. Mas, o que seria essa corrente? Espíritos de malandros????

 

Malandro:

1. Indivíduo dado a abusar da confiança dos outros, ou que não trabalha e vive de expedientes: velhaco, patife.
2. Indivíduo preguiçoso, madraço, mandrião.
3. Gatuno, ladrão.
4. Individuo esperto, vivo, astuto, matreiro.
5. Que é malandro. (Novo Dicionário Aurélio – 1ª edição – 9ª impressão – Editora Nova Fronteira).

 

Pela própria definição do dicionário, o malandro é sinônimo de um individuo que não presta; que não se confia; que rouba; que vive à custa dos outros; abusado, etc. Como podemos aceitar uma corrente espiritual formada por indivíduos assim? Como podemos entrar num Templo Religioso, dedicado à caridade, orações, orientações precisas calcadas no Evangelho Redentor, ou seja, reformar a vida dos que freqüentam esse Templo, aconselhando-se com um espírito de malandro? Analisem bem, e vejam a gravidade de certos médiuns incautos “inventarem” uma corrente espiritual povoada de espíritos embusteiros, ou mesmo abrirem a sua mediunidade para a manifestação de quiumbas que se aproveitam da ignorância espiritual e material de alguns médiuns para assim, poderem desqualificar uma corrente religiosa como a Umbanda. A coisa é grave.

Um espírito de luz com certeza, para nos dar um exemplo de vida, nos contaria suas peripécias negativas quando encarnados, mas tão somente para nos alertar do que não devemos fazer na vida. Jamais esse espírito de luz se compraz com alegria, sempre nos dizendo que foi mulherengo; que brigava e dava porrada pra todo lado; que chegou até a matar algum desafeto (e ainda por cima dizendo isso com satisfação, como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo); que era alcoólatra; que vivia de enrolar os outros; que vivia na jogatina; que era feiticeiro e ai por fora. Se fosse um espírito de luz, sentiria vergonha de ter praticado tais atos. Se fosse um espírito de luz, faria de tudo para nos demover de tais atos. Se fosse um espírito de luz, nos convenceria a viver a vida calcada no Evangelho Redentor.

Agora, o que observamos, são espíritos levianos, beberrões, que só querem brincar, e não se preocupam com a nossa libertação interior, jamais nos incitando á reforma íntima.
Imaginem só, vocês médiuns, trabalhando num terreiro onde estão esses tais espíritos de “malandros” com toda sua gama de disparates, e ainda por cima levam seus filhos para participarem dessas giras. Vejam que coisa linda seus filhos estão aprendendo em sua religião:
Que ingerir bebidas alcoólicas abundantemente é normal, pois aprenderam vendo um “espírito” que eles respeitam como guia espiritual, fazendo isso. Com certeza quanto começaram a ingerir bebidas alcoólicas vão achar super normal, pois a espiritualidade também o faz..
 
Que fumar é normal, pois também observam os tais “espíritos” fumando desesperadamente.
Que falar palavrões é bonito, pois esses tais “espíritos” falam abundantemente e todos à volta acham lindo e até dão risadas.
Observam os tais “espíritos” se portarem de maneira indecorosa e com certeza vão repetir tais atos no seu cotidiano.
 
Isso é Espiritualidade Maior? Isso é educação? Isso é um Guia Espiritual? Isso é Umbanda???

MAS AFINAL. QUEM É O SENHOR ZÉ PILINTRA?

 

Antes de mais nada, vamos entender uma coisa. Todo Guia Espiritual militante na religião de Umbanda, com certeza teve vida física na Terra. Assim, com certeza, também teve entreveios como todos nós temos, vivenciando uma vida cheia de ilusões, acertos e desacertos. Pode ser que um espírito quando encarando vivenciou uma vida cheia de engodos e erros, mas, com certeza, para depois da morte poder vir até nós, através da mediunidade redentora, teve erros que somente afetaram sua integridade física, moral e espiritual, mas não feriu mortalmente o espírito imortal de ninguém. Se algum ser vivente, viver uma vida de erros gravíssimos, com certeza, não poderia estar entre nós como um Guia Espiritual, antes de, através de anos a fio, se regenerar, para depois poder iniciar uma escalada evolutiva, a fim de se fazer presente na mediunidade, como um Guia a aconselhar, abençoar e ensinar preceitos espirituais superiores.

Por isso vamos encontrar varias entidades espirituais na Umbanda, relatando seus erros e acertos, quando encarnados, mas, não vamos generalizar. Com certeza, esses erros, como já dissemos anteriormente, foram erros que somente atingiram quem o realizou, ou seja, sem maiores danos, atendendo o que nos diz a máxima: ‘Fazei ao próximo, o que quereis que voz façam”
Vamos dar as várias versões sobre o senhor Zé Pilintra, que ainda, infelizmente é muito pouco compreendido em nosso meio.

Zé Pelintra – 1ª versão:

 

Observamos no decorrer dos anos, a manifestação desta Entidade de Luz, de maneira que nos leva a muitas duvidas. Ora vemos médiuns “incorporados” com o Exu Zé Pilintra; ora observamos manifestações de entidades dizendo ser o Sr Zé Pilintra, mas nos relatando ser um boêmio que nasceu no nordeste e migrou para o Rio de Janeiro, vivendo no meio de prostitutas e malandros, em jogatinas, bebericando seus aperitivos descontraidamente e morreu assassinado. Em outros ainda, diz ser um “digno” representante dos malandros do Brasil. Meu Deus. Será?

 

Para dirimir tais “equívocos”, fomos pesquisar sobre a origem desta Entidade de Luz, tão maravilhosa, e chegamos a tais revelações:
 
O Sr Zé Pilintra nasceu na cidade de Alhandra, município de Alagoas, divisa de Pernambuco. Alhandra é um dos berços do Catimbó, culto originado da fusão do Catolicismo, Bruxaria Européia e Pajelança.

Em conversações telefônicas com o delegado de polícia e também com alguns Catombizeiros residentes em Alhandra, colhemos que o Sr Zé Pilintra nasceu, viveu e morreu no Nordeste, e nunca se mudou para o sudeste. Viveu uma vida digna e prestativa para a comunidade, com seus conhecimentos no Catimbó.

 

Era procurado por muita gente de todas as regiões e morreu com 114 anos, encontrando-se enterrado em um sítio no município de Alhandra.
 
Vejam que foi uma alma caridosa, não era alcoólatra (podia até bebericar como todos nós fazemos) e nem vivia no meio de malandragem. Era um ser humano comum.
 
O que alguns médiuns incautos fizeram com a manifestação mediúnica de uma Entidade tão iluminada? Será que não abriram seu corpo mediúnico para a manifestação de quiumbas se fazendo passar pelo senhor Zé Pilintra? Ou será que são médiuns exteriorizando suas mentes conturbadas (arquétipo), utilizando o nome e a pretensa incorporação de uma entidade espiritual, para bebericar, jogar conversa fora, promover namoricos, numa alusão à malandragem existente em seus íntimos, pois dentro de um Templo religioso terão a “compreensão e a autorização” para agirem desta forma, não tendo medo de serem criticados.

Agora, uma coisa é certa: Muitos médiuns ao longo do tempo observaram a “incorporação” da entidade conhecida por Zé Pilintra em vários médiuns, e essas incorporações se davam (por vários motivos) de maneira estranha, e esses médiuns gravaram em seus inconscientes àquela maneira estereotipada de apresentação e quando estavam mediunizados por uma entidade apresentando-se por Zé Pilintra, este também se apresenta da forma arquétipica armazenada em seus inconscientes, portando-se de maneira errônea, não condizendo com a realidade espiritual, ferindo a fenomenologia mediúnica disciplinada. Isso é fato. Os médiuns deveriam se educar mediunicamente, deixando suas mentes de lado, para que as entidades espirituais apresentem-se com suas maneiras particulares de serem.

 

Também tivemos informações da existência no Rio de Janeiro, de um individuo chamado Zé Filintra, que era morador e freqüentador da malandragem nos morros cariocas, malandro, namorador, jogador, boêmio respeitado em sua época. Agora, se existiu mesmo imaginem só: Com a migração em massa de nordestinos para a então capital do Brasil (Guanabara), entre todos, também vieram uma grande quantidade de Catimbozeiros que trouxeram o culto ao senhor Zé Pilintra. De Zé Pilintra para Zé Filintra foi um pulo. Misturou-se tudo no imaginário arquetípico brasileiro, chegando até os dias atuais como vemos nas manifestações em terreiros.

 

Zé Pelintra – 2ª versão:

 

De acordo com Zeca Ligiero:
De acordo com as nossas pesquisas, Zé Pelintra tornou-se famoso primeiramente no Nordeste, fosse como freqüentador assíduo fosse já como uma das entidades dos Catimbós de Pernambuco, Paraíba, Alagoas ou Bahia. Conta-se que, ainda muito jovem, era um caboclo violento e que brigava por qualquer coisa, mesmo sem ter razão. No Nordeste, teria também adquirido a fama de “erveiro”, um sábio curandeiro capaz de descobrir e receitar chás medicinais, bem como de arrefecer com o emprego de folhas poderosas e da benzedura com tabaco, os males provocados por feitiçaria.
A questão do seu aparecimento no Rio de Janeiro não foi nunca esclarecida de forma convincente. Teria o Zé, a pessoa física, que, segundo algumas fontes, atendia pelos nomes José dos Anjos e José Gomes, realmente migrado para esse estado na década de 1920?
Alguns autores afirmam categoricamente que não, e juram que ele foi enterrado no famoso cemitério dos catimbozeiros em Pernambuco. Outros, porém, respaldados pelo relato de muitos pontos cantados em uso nos terreiros de Umbanda atualmente, evocam passagens de sua saga, ainda em vida, elas ruas do Rio de Janeiro boêmio do começo do século XX.
Nenhuma prova concreta sustenta essas versões, que nem por isso deixam de ser verdadeiras, já que professadas por muitos, compondo uma historia múltipla de um mito.
 
O fato é que a figura mística de Zé Pilintra, gerada a principio nos Catimbós do Nordeste, adquire imensa popularidade no Rio de Janeiro.
 
O mais antigo registro de Zé Pilintra no Catimbó foi feito pela expedição MPF no Catimbó de Mestre Lourentino da Silva, em Itabaiana, no Estado da Paraíba, no dia 5 de maio de 1938.
Mas o tempo passou e, segundo relatos de seus devotos, seu Zé Pilintra tornou-se um famoso malandro da zona boêmia do Rio de Janeiro nas primeiras três décadas do século XX, período de desenvolvimento urbano e industrial que transformou profundamente a vida das populações afro-descendentes.
 
A diáspora afro-baiana, acompanhando o fluxo migratório em direção ao Rio, expandiu-se a partir da Gamboa e da zona portuária da cidade. As primeiras favelas proliferaram, empurrando para os morros os migrantes dos antigos cortiços derrubados para a Reforma Passos. As primeiras escolas de samba foram criadas, transformando o carnaval carioca em uma festa afro-brasileira.
 
Nesse contexto, Zé poderia ser qualquer habitante do morro, como os numerosos sertanejos que vieram para a capital de República em busca de melhores oportunidades. Como muitos deles, teria conseguido criar a fama, por sua coragem e ousadia, obtendo ampla aceitação na pequena África do Rio, bem como nos bairros do Estácio e da Lapa, ou mesmo na então aristocrática comunidade de Santa Teresa, onde teria tido final trágico.
 
Contam alguns que seu Zé era um grande jogador, amante da vida noturna, amigo das prostitutas, exímio capoeirista, sambista de rara inspiração, um verdadeiro bamba.
 

Em relação à morte de Zé Pilintra, os autores discordam sobre a autoria do crime. Teria ele sido assassinado por uma mulher, antigo desafeto, ou por outro malandro igualmente perigoso? Em ambos os casos, afirma-se, ele fora atacado pelas costas, uma vez que, pela frente, o homem era mesmo imbatível.

 

Zé Pelintra – 3ª versão:

 

 
Segundo Pai José da Bahia
Zé Pilintra Valentão
Qualquer um que se aventure a traçar a trajetória de um mito, certamente descobrirá que em torno dele existe um sem números de histórias, muitas delas inverossímeis, entretanto, impossíveis de refutação. O mito sempre se confunde com a realidade e, deste modo, ninguém pode contrariar a fé dos crentes, sob pena de alienar-se do mundo vibrante e mágico que envolve as crenças populares.
 
Sobre o Zé Pilintra, existem várias histórias contadas de boca em boca, tão cheias de ousadia e mistério quanto as de outros mitos nordestinos tais como o cangaceiro Lampião e sua parceira Maria Bonita; o bandido Cabeleira; o cangaceiro Corisco e tantos outros.
Todos que conhecem ou ouviram falar de Zé Pilintra concordam ao menos em um ponto: ele era um pernambucano “cabra-da-peste” que não levava desaforo pra casa, freqüentava os cabarés da cidade de Recife, defendia as prostitutas, gostava de música, fumava cigarros de boa qualidade e apreciava a bebida.
 
Contam que nasceu no povoado de Bodocó, sertão pernambucano próximo a cidadezinha que leva o nome de Exu, à qual segundo o próprio Zé Pilintra quando se manifestava numa mesa de catimbó, foi batizada com este nome em homenagem, já que sua família era daquela região antes mesmo de se tornar cidade.
Fugindo da terrível seca de meados do século passado, a família de José dos Santos rumou para a Capital Recife em busca de uma vida melhor, mas o destino lhe roubou a mãe, antes mesmo que o menino completasse 3 anos e, logo a seguir se pai morreu de tuberculose . José dos Anjos ficou órfão e teve que enfrentar o mundo juntamente com seus quatro irmão menores. Cresceu no meio da malandragem, dormindo no cais do porto e sendo menino de recados de prostitutas. Sua estatura alta e forte granjeou-lhe respeito no meio da malandragem. Não apartava nunca de uma peixeira de seis polegadas de aço puro que ganhara de um marinheiro inglês com o qual fizera amizade.
 
Conta-se que, certa vez, Zezinho, como também era conhecido, teve que enfrentar cinco policiais numa briga no cabaré da Jovelina, no bairro de Casa Amarela.
Um dos soldados recebeu um corte de peixeira no rosto que decepou-lhe o nariz e parte da boca. Doze tiros foram disparados contra Zezinho, mas nenhum deles o atingiu. Diziam que ele tinha o corpo fechado.
 

Naquele mesmo evento, Zezinho conseguiu desvencilhar-se dos soldados, ferindo-os gravemente, um dos quais veio a falecer dias depois. Antes que chegassem reforços, Zezinho já tinha fugido ileso, indo se esconder na casa do coronel Laranjeira, um poderoso usineiro pernambucano, protetor do rapazote. Contava ele, naquela ocasião com 19 anos de idade e por este fato passou a se chamar Zé Pilintra Valentão. Este apelido foi dado pelos próprios soldados da polícia pernambucana. Pelintra significa pilantra, malandro, janota etc.

Tempos depois de sair do esconderijo, Zezinho agora apelidado de Zé Pelintra Valentão, passou a fazer fama na cidade de Recife. Embora fosse querido por todos que o conheciam, não perdia uma briga e sempre saía vitorioso.
 
Gigolô inveterado, tinha mais de vinte amantes espalhadas pela cidade, das quais obtinha dinheiro para sua vida boêmia. Sempre vestido em impecáveis ternos de linho branco, camisas de cambraia adornadas por uma gravata de seda vermelha e um lenço branco na algibeira do paletó; na cabeça um chapéu panamá e os sapatos de duas cores compunham-lhe o tipo. Não raro poder-se-ia encontrá-lo sobraçando um violão pequenino, indo ou vindo das serestas, dos cabarés e botequins que freqüentava. Nunca lhe faltava dinheiro no bolso, nem amigos para mais um trago.
Aos domingos, todos podiam ver Zé Pelintra Valentão entrando na Igreja Nossa Senhora do Carmo, no centro de Recife, para fazer suas orações. Dizia-se também devoto de Santo Antônio, lá estava o Zé Pelintra Valentão, impecável com seu terno de casimira, pronto para a procissão pela Avenida Conde da Boa Vista.
 
A morte de Zé Pelintra Valentão ocorreu misteriosamente. Conta-se que aos 41 anos, ainda muito moço, Zé amanheceu morto, sem nenhum vestígio de ferimento externo. Soube-se, entretanto, que Zulmira, uma das suas amantes, tinha feito um “trabalho” para ele. Tinha um filho, que Zé Pelintra recusava registrar como dele. Zulmira tinha um ciúme doentio de Zé Pelintra, e por causa dela ele já estivera envolvido em muitas brigas e confusões. Ela queria Zé Pelintra só pra si. Assim, contam que lhe dera um prazo de sete semanas para que ele deixasse as outras amantes e fosse para a sua casa no bairro de Tamarineira. Zé Pelintra não foi e acabou sendo envenenado. Zulmira, depois da morte dele, sumiu de Recife e nunca mais se soube dela nem do filho.
 
Zé Pelintra – 4ª versão:
Quem foi Zé Pilintra
Falemos do grande Zé Pilintra…
Antes de começar a discorrer sobre o que se conhece desse malandro incorrigível, mulherengo, birrento, arruaceiro, mas de um coração enorme, é preciso que se entenda que toda entidade, tem uma história, uma cultura, pois foi tão humano quanto nos quando encarnada, após o desencarne e a conseqüente espiritualização, poderá ocorrer que sua manifestação venha a se dar em outros centros regionais, diferentes do que consta em sua biografia humana e assim quando manifestada, poderá demonstrar outras culturas, que não as de sua procedência humana. Isso quer dizer que a mesma entidade poderá manifestar-se diferentemente em lugares diferentes, sem que isso implique em mistificação. Tal fato acontece porque, pela necessidade do ingresso nas falanges espirituais, afim de prestar seu trabalho nesta nova roupagem, os espíritos, agora desencarnados, aproximam-se desta ou daquela falange, por simpatia ou determinação superior, mas guardam características bastante marcantes de suas existências materiais. Melhor entendendo:
 
Zé Pelintra, tem como característica principal, a malandragem, o amor pela noite. Tem uma grande atração pelas mulheres, principalmente pelas prostitutas, mulheres da noite, além de outras características que marcam a figura do malandro. Isso quer dizer que em vários lugares de culturas e características regionais completamente diferentes, sempre haverá um malandro. O malandro de Pernambuco, dança côco, xaxado, passa a noite inteira no forró; No Rio de Janeiro ele vive na Lapa, gosta de samba e passa suas noites na gafieira. Atitudes regionais bem diferentes, mas que marcam exatamente a figura do malandro. Isso bem explicado, vamos conhecer mais de perto esse grande camarada.
 
Conheçam essa maravilhosa entidade:

“SEU ZÉ”

 

José Gomes da Silva, nascido no interior de Pernambuco, era um negro forte e ágil, grande jogador e bebedor, mulherengo e brigão. Manejava uma faca como ninguém, e enfrentá-lo numa briga era o mesmo que assinar o atestado de óbito. Os policiais já sabiam do perigo que ele representava. Dificilmente encaravam-no sozinhos, sempre em grupo e mesmo assim não tinham a certeza de não saírem bastante prejudicados das pendengas em que se envolviam.
 
Não era mal de coração, muito pelo contrário, era bom, principalmente com as mulheres, as quais tratava como rainhas.

Sua vida era a noite, sua alegria as cartas, os dadinhos a bebida, a farra, as mulheres e por que não, as brigas. Jogava para ganhar, mas não gostava de enganar os incautos, estes sempre dispensava, mandava-os embora, mesmo que precisasse dar uns cascudos neles. Mas ao contrário, aos falsos espertos, os que se achavam mais capazes no manuseio das cartas e dos dados, a estes enganava o quanto podia e os considerava os verdadeiros otários. Incentivava-os ao jogo, perdendo de propósito quando as apostas ainda eram baixas e os limpando completamente ao final das partidas. Isso bebendo Aguardente, Cerveja, Vermouth, e outros alcoólicos que aparecessem.

Esta entidade andou pelo mundo, suas manifestações apresentam-se em todos os cantos da terra. A pouco teve-se notícia pelos diários, de uma médium que o incorporava nos Estados Unidos.
 
No Rio de Janeiro aproximou-se do arquétipo do antigo malandro da Lapa, contado em histórias, músicas e peças de teatro. Alguns quando se manifestam se vestem a caráter. Terno e gravata brancos. Mas a maioria, gosta mesmo é de roupas leves, camisas de seda, e justificam o gosto lembrando que a seda, a navalha não corta. Bebem de tudo, da Cachaça ao Whisky, fumam na maioria das vezes cigarros, mas utilizam também o charuto. São cordiais, alegres, dançam a maior parte do tempo quando se apresentam, usam chapéus ao estilo Panamá.
 
 
E existem muitas outras versões, tornando-se difícil um reconhecimento oficial sobre essa entidade espiritual.

Conclusões:

Veja bem o quanto se torna difícil ter uma certeza de quem realmente foi, onde viveu, como viveu e onde desencarnou o Senhor Zé Pilintra. Mas não vamos nos ater em histórias, muitas vezes contadas com romantismos, mas quase sempre enaltecendo a malandragem e os feitos desonestos e violentos.
 
 
Vamos analisar o que realmente seria um espírito de luz, sob a visão da ciência espiritual, a fim de conhecermos a atuação verdadeira de um Guia Espiritual, a fim de dirimirmos nossas dúvidas sobre a presença verdadeira do Senhor Zé Pelintra incorporado, e se é aceitável a presença de “espíritos de malandros” atuando dentro de uma casa de oração umbandista. Com isso teremos uma noção do que estamos incorporando e mesmo os espíritos que temos ao nosso lado. Lembre-se que semelhantes atraem semelhantes.
 
“Não creiais a todo espírito, mas primeiro provai se ele é vindo de Deus”Allan Kardec.
 
Trecho extraído do livro: AS HIERARQUIAS ESPIRITUAIS DE TRABALHO NA UMBANDA – FORMAS DE APRESENTAÇÃO E ATUAÇÃO DOS GUIAS ESPIRITUAIS
NA UMBANDA – no prelo

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