Marinheiros

A LINHA DOS MARINHEIROS

A Linha dos Marinheiros da Umbanda engloba espíritos que trabalham no auxílio a encarnados e desencarnados, a partir do seu magnetismo aquático e de seus conhecimentos sobre a manipulação do Mistério das Águas. Nela se apresentam espíritos que em últimas encarnações foram marinheiros de fato, navegadores, oficiais, pescadores, povos ribeirinhos, canoeiros, ex-piratas etc.
É o arquétipo do homem litorâneo, daquele que sobrevive do mar e dos rios. A Linha dos Marinheiros tem a Regência direta dos Orixás Iemanjá e Omolu. Iemanjá rege “a parte de cima” do mar e Omolu rege “a parte de baixo”. Iemanjá rege o mar (“calunga grande”) e dá sustentação e amparo aos espíritos que nele viveram de forma positiva, extraindo de suas águas recursos para alimentar vidas.  
Omolu rege a terra (“calunga pequena”) e sustenta o eterno vai-e-vem das águas. Mas também atrai para os seus domínios os espíritos que se utilizaram do mar de forma negativa, alimentando apenas seus instintos inferiores.
Esta Linha de Trabalho é também chamada de “Povos da Água” e está relacionada a outras Mães das Águas: Oxum (águas doces), Nanã (lagos e lagoas), Iansã (água da chuva), Oyá – Tempo (água do sereno). Mas sua principal Regente é Iemanjá.
Os Marinheiros trabalham ainda sob influência das Forças Naturais que enfrentam no mar, tais como: as calmarias (Mistério de Oxalá); os raios (Mistério de Xangô); os tufões (Mistério de Yansã); os ciclones (Mistério de Oyá-Tempo); os bancos de areia (Mistério de Omolu); os recifes de corais (Mistério de Obá); os sargaços (Mistério de Oxóssi); as correntes marinhas (Mistério de Ogum). 
Para lidar com essas energias, os Marinheiros precisam do conhecimento e da licença dos Orixás Regentes. 
Portanto, ser um Marinheiro de Umbanda requer “preparo”!…
Nos Terreiros, a chegada dos Marinheiros traz uma alegria contagiante. Abraçam a todos, brincam com um jeito maroto, gingando pra lá e pra cá, parecendo embriagados. Mas não estão embriagados, como se poderia pensar. É o seu magnetismo aquático que os faz ficar “balançando”. 
Cada elemento tem o seu magnetismo. E os espíritos que se manifestam naquela Irradiação têm magnetismo idêntico. O que faz o mar ondular é o magnetismo característico de Mãe Iemanjá  regente Divina dessas águas e da Linha dos Marinheiros. Logo, os Marinheiros têm esse magnetismo “ondulante”. 
Ao incorporar em seu médium, o Marinheiro “bambeia”, ele se movimenta como quem se equilibra no tombadilho de um navio ou de um barco em alto mar. Desta forma, ele libera energias em formas onduladas, é através dos seus “balanços” que lembram os movimentos de uma pessoa embriagada. (Se ficarmos algum tempo no mar, vamos entender melhor isso: ao voltar para terra firme, sentiremos estar “balançando”, “bambeando”, ainda sob o efeito do movimento ondulante do mar.) 
Os “balanços” dos Marinheiros liberam ondas de forte magnetismo aquático que desagregam acúmulos negativos de origem externa e interna, equilibram nosso emocional e mental e nos dão condições de gerar coisas positivas em nossas vidas. Vale lembrar que as águas simbolizam as nossas emoções e estão ligadas à origem da vida. 
Nas Giras de desenvolvimento o magnetismo dos Marinheiros é um potente equilibrador emocional do médium, colaborando de forma essencial no processo.
A Linha atua preferencialmente na diluição de cargas trevosas e em trabalhos voltados para a cura emocional do consulente, muitas vezes com a ajuda de seres Elementais da Água que são atraídos com tal propósito. O contato com esses seres realiza uma potente limpeza em nosso campo magnético, uma verdadeira “explosão” de energia equilibradora.
Os Marinheiros são Magos dos Mistérios Aquáticos. Atuam de forma única dentro da Umbanda, na manipulação de energias que nos libertam de bloqueios íntimos e nos dão equilíbrio emocional. Pode parecer pouco, mas hoje a própria ciência analisa e admite os efeitos dos distúrbios emocionais como geradores de várias enfermidades. De modo que a cura emocional é o primeiro grande passo para outras conquistas. 
Os Marujos lidam com os consulentes de forma simpática e extrovertida, “quebrando o gelo” e deixando o assistido muito à vontade, o que facilita a recepção dessas energias equilibradoras e curadoras.
Sua linguagem é bastante simbólica: 

●“o mar”― expressão que usam significando a nossa vida. Quando falam que “o mar tá bravo”, é porque o médium ou o consulente está com dificuldades na vida por não saber lidar com as emoções;

●“barco”― maneira pela qual nos designam (é o próprio médium, é o consulente); 

 

●“Capitão Maior/Capitão do Navio”― expressões para se referirem a Deus.
Além dos trabalhos de descarrego e quebra de magias negativas, dão consultas e passes. Costumam ir direto ao ponto, sem rodeios. Mas sabem como falar aos consulentes sem criar um clima desagradável ou de medo. 
São amigos, trazem uma mensagem de esperança e força. Sempre nos alertam para agir com fé e confiança e desbravar o desconhecido, seja do nosso interior ou do mundo que nos rodeia.  
Algumas vezes, ao incorporar, os Marinheiros precisam tomar alguma bebida alcoólica para não prejudicar o físico do médium. Como se explica isso?
Acontece que o nosso organismo queima ou consome energia; e o álcool produzido pelos amidos que ingerimos sustenta essa queima. 
No caso, sem ingerir a bebida, o magnetismo da Entidade absorverá muito do álcool do corpo do médium, prejudicando suas funções. Quando espíritos regidos por magnetismos densos (água, terra e fogo) incorporam, eles precisam ingerir alguma bebida alcoólica, para não consumir aquele álcool do corpo do médium. Caso contrário, irão paralisar o organismo do médium em algumas de suas funções.
O uso da bebida dá fluidez e volatilidade às vibrações desses espíritos, expande seus campos magnéticos e possibilita a estabilização e o equilíbrio nas incorporações. Como os Marinheiros vivem na irradiação aquática do mar, quando incorporam, parece-lhes que é o solo que está se movendo. Daí, com funções inversas, o álcool lhes dá estabilidade e equilíbrio para ficarem parados e darem atendimento às pessoas.
O álcool tira o equilíbrio de uma pessoa. Mas, assim como o veneno de cobra é o único antídoto contra picadas de cobras, com os Marinheiros a ingestão de bebida alcoólica lhes dá estabilidade. Porém, esse consumo precisará ser controlado e restrito a uma dose mínima!
Dentro de um trabalho espiritual, o excesso de bebida nunca se justifica. O Guia é um espírito que se preparou e obteve a permissão da Lei Divina para vir nos ajudar; é um mago que sabe como manipular os elementos e usa o mínimo necessário, pois não precisa de “quantidade”. Quando há excesso, isso se dá pela ignorância (despreparo), ou então pela vaidade do médium.

 

Nomes simbólicos: Martim Pescador, Marinheiro das Sete Praias, João das Sete Ondas, Capitão dos Mares, João da Praia, Zé do Mar, Zé Pescador, João da Marina, Zé da Maré, Antonio das Águas, Zé da Jangada, Seu Antenor, Seu Jangadeiro, João Canoeiro, Zé dos Remos, João do Rio etc.

 

  • Dia da semana:  A 2ª feira, dia associado à Lua e ao Orixá Iemanjá  Também a 6ª feira, regida por Netuno, planeta relacionado a Iemanjá.

 


  • Ponto de força: A beira-mar; beira dos rios.

  • Saudação: Salve a Marujada!

  • Cor: Azul claro e branco.

  • Elementos de trabalho: Pedras, conchas, búzios, estrelas do mar, caramujos, velas, fitas e linhas, areia, arroz, cebola branca. 
  • Ervas: Alfazema, erva-cidreira, anis estrelado, rosa branca, camomila, manjericão, erva de Santa Maria, mentruz, hibisco (flor), manjerona, mulungu (casca e raiz), noz moscada, margarida, sensitiva, arroz, erva de bicho, buchinha do norte, casca de alho, casca de cebola.
  • Fumos/defumação: Charuto; cigarrilha; fumos diversos feitos de ervas enroladas na palha.
  • Incenso: Rosas brancas, alfazema, anis estrelado.

 

  • Pedras: As pedras azuis. Exemplos: Água-Marinha, Topázio Azul, Calcedônia, Quartzo Azul. Também as pedras pretas, quando o trabalho é para uma limpeza pesada. Exemplos: Vassoura da Bruxa, Turmalina Preta. 
  • Bebidas: Suco de pera e de melão; água de coco; leite com mel; cerveja clara; conhaque com mel; rum; pinga com mel; vinho branco.

  • Frutas: Melancia, melão, pera  pêssego, laranjas, figo, maçãs, uvas verdes, carambola. Também as frutas de polpa branca em geral.

  • Flores: Cravo branco, palmas brancas, rosas brancas; as flores brancas em geral; hortênsia.

  • Oferenda ritual: Velas, pembas, fitas e linhas de cor branca e azul claro; cravos bran­cos; frutas variadas; bebidas: rum, aguardente ou cerveja branca.

Cozinha ritualística:

1-Moqueca mista: 5oo g de camarão, postas de peixe, sal, pimenta, 2 colheres (sopa) de suco de limão, 2 colheres (sopa) de dendê, 1 colher (sopa) de azeite de oliva, 2 cebolas raladas, 5 tomates sem pele picadinhos, 1 pimenta vermelha picada sem sementes, 1 pimentão amarelo picadinho,  cheiro-verde picado, meia xícara de leite de coco. Temperar o peixe e o camarão com sal e limão. Colocar o dendê numa panela, aquecer e refogar ligeiramente a cebola, o tomate, o pimentão e a pimenta, com o sal. Juntar o camarão e o peixe e levar ao fogo brando por uns 20 minutos. Adicionar o cheiro-verde e o leite de coco. Servir com arroz branco ou com acaçá.
2-Arroz branco com camarão. Refogar uma porção de camarão no azeite de oliva com cebola, alho, sal, tomate, pimentão amarelo picadinho e temperos frescos a gosto. Cozinhar o arroz e decorar com o camarão.
3-Abobrinhas recheadas com arroz- Cozinhar arroz branco com os temperos comuns. Quando começar a secar, abaixar bem o fogo, juntar um pouco de leite de coco, mexer e esperar terminar o cozimento. Em separado, lavar e cortar algumas abobrinhas, no sentido do comprimento, retirando parte da polpa (fazer um buraco para colocar o recheio). Polvilhar um pouco de sal nas abobrinhas e cozinhá-las em banho-maria, cuidando para que não amoleçam. Rechear as abobrinhas com o arroz e decorar com cheiro-verde e temperos a gosto. Regar com um fio de azeite de oliva. [A mesma receita pode ser feita com batatas grandes: tirar uma tampa; remover parte da polpa com uma colher, abrindo um buraco para o recheio. Cozinhar e depois rechear. Podem-se acrescentar camarões pequenos temperados com sal e limão e refogados em azeite, tanto no arroz quanto nas batatas.
4-Peixe na cerveja- Lavar alguns filés de pescada (ou outro peixe de água salgada), depois espremer sobre eles um pouco de suco de limão e tornar a lavar. Salgar os filés e colocá-los de molho por cerca de 1 hora numa mistura de cerveja branca, batatinha em rodelas finas, alho, cebola e tomate bem picadinhos. Em seguida, levar para cozinhar em fogo bem baixo, com cuidado, para não quebrar os filés. Podemos intercalar: camadas da batata em rodelas finas; molho; peixe. [Observação: Esse peixe também pode ser assado. Ou pode ser empanado em farinha de trigo e frito e neste caso refogamos a batata, a cebola, o alho e o tomate num pouco de azeite de oliva e colocamos essa mistura sobre o peixe já frito.
5-Frutas aquosas, tais como: melancia, melão, pera  pêssego, laranjas, figo, maçãs. Também as frutas de polpa branca em geral. Colocar num prato de papelão forrado com ervas (erva-doce fresca, capim cidrão etc.) ou então num “barco” feito com a casca da melancia ou do melão. Decorar com pétalas de flores brancas.
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Rituais de Santa Sara

Para garantir Prosperidade

 

 

Este ritual deve ser feito no dia 24/05.
Pegar uma cesta de vime e colocar uma fruta de cada.
Quanto maior a variedade melhor.
Juntar o trigo, pão sírio ou pão italiano e fazer um pedido à Santa Sara pela prosperidade.
Oferecer a cesta à Santa.
Deixá-la durante três dias em casa e depois, no terceiro dia, abandonar a cesta debaixo de uma árvore qualquer.

Novena para a graça da Fertilidade

 

Compre um lindo lenço, bem colorido ou florido, como usam as ciganas, amarre-o em volta da imagem ou gravura da Santa Sara, pedindo por um bebê.
Durante nove meses – que é o período de uma gestação – faça todos os dias a oração da Santa.
Segundo a lenda, a graça poderá ser concedida antes mesmo do fim da novena.
Quando o bebê nascer, o lenço passará a ficar amarrado no berço até a criança completar 1 ano.
Se for uma menina, costuma-se agradecer à Santa colocando o nome de Sara no bebê.
Se for menino, nomes como Tiago e Lázaro, discípulos de Cristo que também estavam na barca de Sara Kali, são indicados.
Mas também podem ser usados como segundo nome.

Para pedir uma Graça

Pegar uma imagem de Santa Sara Kali, uma taça de vinho tinto e uma taça com água.
Em uma noite de lua cheia você deve conversar com a Santa Sara:
“Santa Sara Kali, eu me prontifico a fazer um manto para Vós na cor azul clara, se me ajudares neste pedido”.
E peça o que desejar…
Quando o pedido se realizar, você faz um manto para ela.
Sempre que fizer um pedido e obtiver uma graça, agradeça oferecendo um mantoà Santa sara.
Esse ritual faz parte de seu culto e devoção.

Os ciganos relacionam as cores ao benefício de cada uma delas:

  • Branco – Paz de Espírito, Casamento, Agradecimento.

 

  • Azul – Proteção, Luz Espiritual, poder Intuitivo, Filhos.

 

  • Rosa – Amor, Compaixão, Maternidade.

 

  • Verde – Saúde, Agradecimento por bens adquiridos, Vitalidade.

 

  • Lilás – Carinho, Amor Correspondido.

 

  • Púrpura – Agradecimento por prestígio e vantagens profissionais.

 

  • Amarelo ou Dourado – louvores, Agradecimento por Vitórias.

 

  • Prateado – para atrair benefícios através dos anjos e santos.

Cigana Feiticeira…

E seu amor por um Ogum de Ronda…

Essa cigana nasceu no ano de 528, num dos vilarejos próximos de Anatólia, local hoje pertencente a Turquia. Na época, o território já havia passado para as mãos dos romanos e os cultos ancestrais eram realizados às escondidas. 
Durante o sexto século, houve muitas mudanças na região e a Anatólia passou a pertencer ao Império do Oriente, no comando da cidade de Constantinopla.
Quando nasceu, essa menina foi batizada com o nome de Yaesmed, que quer dizer: “A escolhida dos deuses”. Ela era bela, inteligente e sagaz e logo foi iniciada nos preceitos da Antiga Religião. Ela seria uma sacerdotisa do Templo dos Balcãs. Cresceu e aprendeu tudo o que a arte oculta poderia lhe ensinar. Mas, antes de entrar para a Ordem da Grande Deusa Ishtar, conheceu um soldado romano e ambos apaixonaram-se. O soldado Fulvio Cesare era filho de um dos comandantes reais do Grande Império.
Sacerdotisas jamais poderiam se casar. E soldados romanos eram proibidos de se unirem com moças de outras tribos. Os dois resolveram fugir para terras distantes, em um país chamado Índia, onde não havia a disputa religiosa. Porém, o destino lhes pregou uma peça e ambos foram pegos. Ela foi confinada no subsolo do templo em jejum absoluto, sem direito a pão ou água. Ele foi executado como traidor da pátria. Ambos morreram separados em nome do amor.
Após desencarnar, Yaesmed foi recolhida, estudou e tornou-se um espírito da Legião do Oriente, trabalhando em favor das mulheres que sofrem por amor. Fulvio Cesare, passou a trabalhar na Colônia Espiritual de São Jorge, auxiliando nos campos de batalha e nas guerras que ocorriam por toda a Europa. Ambos se encontravam às vezes no Plano Espiritual.
Hoje, eles trabalham como falangeiros do Reino de Aruanda. Ela é uma Cigana que atua na Falange do Oriente e que entende de magia, amor e cura. Ele é um falangeiro de São Jorge e que entende de lutas, de guerras e de amor.

Seu Zé Pretinho, menino de Zé…

Seu Zé Pretinho é um guia com uma forte ligação com seu Zé Pilintra, digamos que foi acolhido por Seu Zé Pilintra e na espiritualidade carrega um grande respeito por ele, gratidão e muito afeto. No princípio de suas manifestações na Umbanda, este guia era muito confundido com Seu Zé Pilintra, chamado de forma errônea por ‘’Zé Pilintra moço’’, isso ocorria muito, porque este guia se trajava igual ao Seu Zé Pilintra, é uma forma de gratidão e admiração da parte dele para com o guia no qual ele respeita muito, Zé Pretinho teve autorização pra isso, e como ao chegar aos terreiros já era imediatamente chamado de ‘’Zé Pilintra’’, assim foi deixando, sem se sentir incomodado, pelo contrário, sentia-se até mesmo honrado em ser referido pelo nome de um guia do qual o acolheu na espiritualidade. 

Embora se perceba todo este contato entre ambas as entidades espirituais, a personalidade e individualidade de cada um é bem diferente, principalmente na manifestação. Zé Pretinho não traz a essência da Jurema, dos antigos cultos de catimbó como traz seu Zé Pilintra, e em sua última encarnação, Zé Pretinho era moço, viveu em épocas diferentes, não teve a mesma juventude e nem o desfrute de viver mais tempo, desencarnou ainda rapaz, com seus vinte e poucos anos.

Toda essa essência do galanteador moço, o malandro nordestino que encanta com seu gingado e com o seu dançar são características de seu Zé Pretinho, modo de suas manifestações, trazendo aquele preceito da boa prosa, da ‘’brincadeira’’ ou da alegria pairando no ar, um guia que se manifesta com mais frequência, fala com todos e pra todos, conhecedor das quizilas, aquele bom malandro da noite entendedor dos mistérios, ele não é Exu e nem baiano, embora nascesse e vivesse nesta terra, Zé Pretinho é Zé Pretinho, gosta da encruzilhada e da alegria do povo da Bahia, Zé Pretinho é conhecido pela sua ousadia.  Foi assim que sua manifestação foi ficando conhecida em todos os cantos do Brasil, porém, levando a frente o nome de seu Zé Pilintra, pouco sendo chamado pelo seu próprio nome de Aruanda.

E assim, surgiram muitas confusões com a verdadeira imagem de seu Zé Pilintra, pessoas foram tomando conhecimento de boca em boca de quem era seu ‘’Zé Pilintra’’ pela essência que trazia seu Zé Pretinho, e infelizmente isso foi sendo acrescentado pelas mentes fantasiosas que transformaram todos esses fatos em inverdades e nas controvérsias mais profundas com a denominação de ‘’malandro’’ e ‘’Zé Pilintra’’, distorcendo tudo, desde a origem da palavra ‘’malandro’’ até outros elementos que envolvem diferentes guias espirituais.

A confusão que fizeram é até considerada compreensível, já que seu Zé Pretinho deixou ser chamado pelo nome de seu Zé Pilintra e se trajava igual ao mesmo (se traja ainda), mas um templo que se aprofunda um pouco mais nas origens das entidades espirituais, acaba descobrindo as incógnitas por trás das cortinas da espiritualidade, com isso fazendo por onde se livrar das confusões e obter muitas respostas.

Zé Pretinho tem este gosto do traje de seu Zé Pilintra e seu Zé Pilintra faz questão dele trajar-se como ele, como um pai que se orgulha do filho por ele admirá-lo e respeitá-lo tanto, mas em muitos locais, onde seu Zé Pretinho é tratado por seu nome, sua vestimenta segue a cor preta ao substituir à vermelha, sendo assim veste-se com o preto e o branco, para não deixar margens a futuras confusões ou controversas, embora, Zé Pretinho como havia dito, não dá importância para as controvérsias  justamente por ser um guia de luz e estar longe dos conceitos humanos.

Zé Pretinho é o menino de Zé Pilintra que o zela como um filho na Aruanda, um guia de confiança que Seu Zé Pilintra acolheu e o colocou em seu caminho para somar essências espirituais. 

‘’Menino cheiroso onde você mora?  

O seu Zé Pretinho vem, por Nossa Senhora!’’ melhor hospedagem

Carlos Pavão (Pai Carlos’Ogum)

Ogun Já

Uma das qualidades mais polêmicas de Ogum,  é Ogum Já, ou Ogum Ajá, Aquele que come cão. O próprio nome já diz um pouco sobre o porque da discussão. Algumas itans nos contam que ele seria filho de Iemanjá e Oxaguiã, desde cedo demonstrava temperamento forte e explosivo e na África é oferecido a esse orixá o cão como sacrifício, porém devemos entender que é o cão selvagem, que apesar de ser da família do nosso cão doméstico, não é a mesma coisa e não critico quem fique horrorizado com isso, afinal o “cãozinho” é o animal de estimação mais comum no Brasil, aliás em quase todos os países de origem européia. E cultura é cultura, não podemos discutir isso.
Existe dois pontos de vista sobre essa questão, muitos zeladores, dizem que não se deve iniciar ninguém nesse orixá, pois não temos material para fazê-lo, e que isso acarreta uma espécie de cobrança dessa energia, pois quando invocamos um determinado orixá, devemos ter ciência de como ele é cultuado originalmente, porém se pensarmos por esse ponto de vista, não iniciaríamos ninguém, pois como você inicia alguém de Iemanjá  sem a água do rio Ogum  Ou alguém de Xangô sem um otá de Oyó? É complicado quando falamos desse assunto, hoje temos como comprar produtos importados da África, mas e a trinta anos? Como eram feitas. Mas continuando falando sobre Ogum Já, sua cor é o azul e o verde, que representação o ferro e o mariwó. Seu espaço é caracterizado pelas estradas de terra estreitas e retas e tem relações estreitas com Oxaguiã Ajagunã.

Oríkì ÒGÚN

Ògún pèlé o !
Ogum, eu te saúdo !
Ògún alákáyé,
Ogum, senhor do universo,
Osìn ímolè.
Poder dos orixás.
Ògún alada méjì.
Ogum, dono de dois facões,
O fi òkan sán oko.
Usou um deles para preparar a horta
O fi òkan ye ona.
e o outro para abrir caminho.
Ojó Ògún ntòkè bò.
No dia em que Ogum vinha da montanha
Aso iná ló mu bora,
ao invés de roupa usou fogo para se cobrir.
Ewu ejè lówò.
E vestiu roupa de sangue.
Ògún edun olú irin.
Ogum, a divindade do ferro
Awònye òrìsà tií bura re sán wònyìnwònyìn.
Orixá poderoso, que se morde inúmeras vezes.
Ògún onire alagbara.
Ògún Onire, o poderoso.
A mu wodò,
O levamos para dentro do rio
Ògún si la omi Logboogba.
e ele, com seu facão, partiu as águas em duas partes iguais.
Ògún lo ni aja oun ni a pa aja fun.
Ogum é o dono dos cães e para ele sacrificamos.
Onílí ikú,
Ogum, senhor da morada da morte.
Olódèdè màríwò.
o interior de sua casa é enfeitado com màríwò.
Ògún olónà ola.
Ogum, senhor do caminho da prosperidade.
Ògún a gbeni ju oko riro lo,
Ogum, é mais proveitoso ao homem cultuá-lo do que sair para plantar
Ògún gbemi o.
Ogum, apoie-me
Bi o se gbe Akinoro.
do mesmo modo que apoiou Akinoro.

 

Dia do Orunkó (dia de dar o novo nome)

O Orunkó significa em Yorubá “nome”, sendo que no Brasil tem o mesmo sentido, porém ele é mais usado para descrever o nome do Orixá. Não podemos confundir com a dígina  que é usada na Nação Angola, que seria o novo nome do iniciado, na Nação ketu, não tem dígina, apenas o Orunkó do nosso Orixá. E esse tem uma enorme importância, o Iyawô só nasce a partir do dia do nome, onde o orixá pronúncia seu segredo em alto e bom som, porém o iniciado deve mantê-lo em sigilo, pois ele diz a essência de seu orixá, e de sua vida.

 

Quando uma pessoa se inicia no culto dos Orixás, passa por certos fundamentos (obrigações, e resguardo) que vai variar de nação e de casas de santo. após a feitura de seu orixá, a grande manifestação, com a participação de adeptos, e praticantes é o dia de dar o nome, o dia do Orunkó  ou seja: o nome pelo qual o noviço (a) será ser chamado (a).

 

A partir daí, na maioria das vezes isso não acontece principalmente nas casas de Ketu, poucos tem o conhecimento do novo nome que o Iyawô tem, seu nome é gritado bem alto, todos ouvem, mas não se liga no que está sendo declarado publicamente, passado o momento da festa somente a pessoa, a mãe ou pai de santo, mãe pequena, e uma ekede principal da casa ou uma egbome com cargo na casa é que sabem o nome desse orixá.

Em outras nações o iniciado (a) passará ser chamado pelo seu nome o nome que ele deu em publico, é lógico de que não vou entrar em discussão sobre a validade ou não desse ato, para quem não revela ou para quem revela o (s) nome (s) dado (s), pois existem prós e contras. Alguns nomes são comuns, outros nem tanto, alguns trazem mensagens que são verdadeiros mistérios que devem ser preservados, alguns significam situações que é bom que fique restritos somente a poucos e que sejam pessoas de confiança. Exemplos de nomes dados por iyawos: Iyatunde, (a mãe que retornou), Babatunde (o pai que retornou) Odé Akinkanju (Caçador bravo) e muitos outros.

Já vi duas ou três maneiras de “tirar o Orunkó , e isso vai de axé para axé. O sentido é o mesmo. Nosso Orunkó é eternizado em um axé, pois ele é citado em muitas obrigações, e quando temos casa aberta ele se torna ainda mais importante, pois tanto ele quanto o Orunkó de nossos antepassados são citados, como uma forma de demonstrar que os atos e ensinamentos que estão sendo passados têm fundamento, tem hierarquia, que não viemos do nada e também tem a função de agradecer aqueles que tanto se dedicaram para que hoje possamos desfrutar dessa religião tão mágica e especial.

O Iyawô  deve saber o que significa o seu Orunkó, e assim ele pode entender melhor seu próprio destino. Outra coisa que acontece são os “apelidos” que são usados dentro da casa de santo, por exemplo: Quem é de Ogun, chamamos de Ogunssy, quem é de Oxum, Oxunssy… Essa terminação, ssy, vem de “sì” – que significa “adorar” em yorubá, ou seja, quando chamamos alguém de Oxunssy, na verdade estamos chamando de Adorador de Oxum, iniciado a Oxum, ou seja, é uma forma carinhosa, não confunda com Orunkó.

Reino de Exú na Quimbanda (Kimbanda)

O culto da  Kimbanda tem sete reinos, sendo sua organização remanescente das organizações tribais em reinos na África Banto. Cada Reino é composto por nove povos de Exu, sendo que cada povo é comandado por um Exú-Chefe. Essas classificações são lugares e energias aonde pertence ou moram estes exús de Umbanda, mas também conhecido e cultuado no Candomblé. 
1) Reino das Encruzilhadas – Que sendo chefiado por Exu Rei das Sete Encruzilhadas e Pombo gira Rainha das Sete Encruzilhadas, governa todas as passagens dos Exús que ali trabalham. Sua função principal é abrir os caminhos para os outros Guias chegarem e também para os filhos e fregueses.
2) Reino dos Cruzeiros – Chefiado pelo Exu Rei dos Sete Cruzeiros e Pombo gira Rainha dos Sete Cruzeiros, governa todas as passagens dos Exús que trabalham nos cruzeiros (não confundir com encruzilhada). 
3) Reino das Matas – Chefiado pelo Exu Rei das Matas e Pombo gira Rainha das Matas. Governa todos os Exús que trabalham nas matas ou locais que tenham árvores a exceção do Cemitério, que pertence a outro reino. 
4) Reino da Kalunga Pequena (Cemitério) Governado pelo Exu Rei das Sete Calungas ou Kalungas e Pombo gira Rainha das Sete Kalungas. Esses Exús também são chamados pelo nome de Rei e Rainha dos Cemitérios. Geralmente quando se diz “calunga” nas giras de Kimbanda é para nomear ao cemitério. Trabalham neste reino todos os Exu que moram dentro dos cemitérios exclusivamente.
5) Reino das Almas – Chefiado por Exu Rei das Almas Omulu e Pombo gira Rainha das Almas. Eles também são conhecidos por Rei e Rainha da Lomba, porque governam todos os Exús que trabalham em locais altos. Porém, os Exús deste reino também trabalham em hospitais, morgues, etc. 
6) Reino da Lira – Os chefes deste reino são muito mais conhecidos por seus nomes sincréticos: Exu Lúcifer e Maria Padilha, sendo na verdade seus nomes kimbandeiros Exu Rei das Sete Liras e Rainha do Candomblé (ou Rainha das Marias). Seus apelidos kimbandeiros mostram justamente sua afinidade pela dança, a música e a arte (lira e candomblé). Dentro do reino da Lira, que também às vezes é chamado “reino do candomblé” não pelo culto africanista aos orixás, senão por ser essa palavra o sinônimo de dança e música ritual. Trabalham aqui todos os Exús que tem que ver com a arte, a música, poesia, boemia, artes ciganas, malandragem, etc. 
7) Reino da Praia – Governado por Exu Rei da Praia e Rainha da Praia. Dentro dele encontram-se todos os Exús que trabalham nas praias, perto d’agua o ainda dentro dela, podendo ser salgada ou doce.

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