OS FILHOS DE NANÃ

Os filhos de Nanã são pessoas cheias de dignidade e nobreza de coração. Chegam a incomodar muita gente que não entende como alguém pode ser tão gentil até com quem procura lhe fazer o mal. São assim porque são espiritualmente elevadas, apesar de serem um pouco autoritárias. Acreditam que, às vezes, apenas tendo pulso forte e forme é que podem fazer com que os problemas se resolvam sem maiores danos. A seriedade com que vêem a vida faz com que sejam introvertidas e demorem a fazer amizades. Porém na intimidade se mostram pessoas alegres e muito divertidas. Viver ao lado dessas pessoas é privilégio.  
 
As pessoas regidas por Nanã têm uma vida amorosa cheia de romantismo. São consideradas amantes inesquecíveis por saberem ser afetuosas e dedicadas mesmo quando o romance passa por uma crise. Sabem o que deve ser dito da melhor forma possível, o que facilita harmonizar qualquer relacionamento. Não desconfiam da pessoa amada e fazem questão que ela também guarde a mesma confiança em seus atos. Sua sinceridade, às vezes, é cortante, mais jamais tem a intenção de humilhar quem ama. São pessoas que buscam relações duradouras e possuem grande talento para comandar uma família, pois tem um senso de responsabilidade invejável. Quando a relação sai dos trilhos por qualquer motivo, procuram sempre o caminho mais justo para resolver as pendências e nunca deixam de olhar seu lado e de admitir onde é que pode estar errando.
 
 
No trabalho, como buscam sempre ter estabilidade na vida, não gostam de se arriscar em empregos onde possam ganhar muito dinheiro em pouco tempo, pois sabe que estará sempre arriscando seus talentos em situações onde as falsidades podem falar mais alto. Tudo o que faz é com grande paciência e mesmo que lhe digam que o barco está afundando não se desespera. Coloca suas idéias no lugar e traça a melhor estratégia para organizar tudo e deixar as coisas no eixo. Tem grande talento para medicina e psicologia, mas como se dá bem com as crianças pode se destacar como professor (a). Fazer fortuna não é seu sonho, mas gostam de luxo e conforto, precisam de uma profissão que lhes garanta bons rendimentos. Trabalham muito bem em equipe, mas sentem-se melhor trabalhando sozinhos.
 
 
Na saúde costumam sofrer de grande cansaço nos pés e de problemas estomacais. Precisa descansar mais o corpo e a mente para não se prejudicar no dia a dia. Apesar de serem calmos, possuem as mentes sempre ocupadas e vivem cercados por preocupações suas e dos outros. Fazer exercícios de relaxamento é indispensável para conquistar o tão desejado equilíbrio. Melhorar a alimentação com comidas mais leves, principalmente à noite, é fundamental. O autoritarismo, às vezes, cria situações que podem mexer com seu equilíbrio sem necessidade. A paciência ainda é o melhor caminho para as pessoas de Nanã crescerem em dignidade e nobreza, além de que a paciência é uma das grandes virtudes nos filhos de Nanã que realizam tudo devagar e a seu tempo, característica de quem tem consciência da eternidade.
 
 
Os filhos de Nanã são carinhosos até demais e gostam de saber de tudo da vida dos que os cercam, mesmo que estes não queiram contar. Não são muitos bem humorados, além de serem chegados a um dramalhão. Agem como se muito mais velhos fossem. O perdão é seu forte e costumam ser procurados para conselhos mais sérios. Gostam muito de crianças, de educa-las, assim como são grandes avós. Tem fortes tendências a desenvolver precocemente doenças típicas de idosos.
 
 
Normalmente são de estatura baixa e vivem por muito tempo. Os filhos de Nanã são pessoas extremamente calmas, são lentas nos cumprimentos de suas tarefas, julgando haver tempo para tudo, como se o dia fosse durar uma eternidade, e chegam a irritar. Agem com benevolência, dignidade e gentileza.
As pessoas de Nanã parecem ter a eternidade a sua frente para acabar os seus afazeres. São pessoas que no modo de agir até fisicamente aparentam mais idade. Podem apresentar precocemente problemas de idade como tendência a viver no passado, viver de recordações, apresentar infecções reumáticas e problemas nas articulações em geral. 
 
 
As pessoas de Nanã podem ser teimosas e ranzinzas, daquelas que guardam por longo tempo um rancor ou adiam uma decisão, porém agem com segurança e majestade. Suas reações bem equilibradas são a pertinência de suas decisões, as mantém sempre no caminho da sabedoria e da justiça. Embora se atribua a Nanã um caráter implacável, seus filhos têm grande capacidade de perdoar principalmente as pessoas que amam.
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Nanã Buruku

Nanã

 
Esta é uma figura muito controvertida do panteão africano. Ora perigosa e vingativa, ora praticamente desprovida de seus maiores poderes, relegada a um segundo plano amargo e sofrido, principalmente ressentido, Nanã possui não dois lados, como tantos Orixás, mas sim um Orixá dentro do outro, um conceito que foi sendo gradativamente substituído por outro, dando margem a muita confusão e contestação no jeito de se defini-la.
Nanã, é um Orixá feminino de origem daomeana, que foi incorporado há séculos pela mitologia ioruba, quando o povo nagô conquistou o povo do Daomé (atual República do Benin) , assimilando sua cultura e incorporando alguns Orixás dos dominados à sua mitologia já estabelecida.

 

Resumindo esse processo cultural, Oxalá (mito ioruba ou nagô) continua sendo o pai e quase todos os Orixás. Iemanjá (mito igualmente ioruba) é a mãe de seus filhos (nagô) e Nanã (mito jeje) assume a figura de mãe dos filhos daomeanos, nunca se questionando a paternidade de Oxalá sobre estes também, paternidade essa que não é original da criação das primeiras lendas do Daomé, onde Oxalá obviamente não existia. Os mitos daomeanos eram mais antigos que os nagôs (vinham de uma cultura ancestral que se mostra anterior à descoberta do fogo). Tentou-se, então, acertar essa cronologia com a colocação de Nanã e o nascimento de seus filhos, como fatos anteriores ao encontro de Oxalá e Iemanjá.”
Registram-se 31 qualidades desta Yami Nla (Grande Mãe), sendo as mais conhecidas: Nene Adjaosi, Sussure e Buruku.
 

Lendas

 
…Disputa entre NANÃ BURUKU e OGUM
Nanã Buruku é uma velhíssima divindade das águas, vinda de muito longe e há muito tempo. Ogum é um poderoso chefe guerreiro que anda, sempre, à frente dos outros Imalés. Eles vão, um dia, a uma reunião. É a reunião dos duzentos Imalés da direita e dos quatrocentos Imalés da esquerda. Eles discutem sobre seus poderes. Eles falam muito sobre Obatalá, aquele que criou os seres humanos. Eles falam sobre Orunmilá, o senhor do destino dos homens. Eles falam sobre Exú: “Ah! É um importante mensageiro!” Eles falam muita coisa a respeito de Ogum. Eles dizem: “É graças a seus instrumentos que nós podemos viver. Declaramos que é o mais importante entre nós!” 
 
Nanã Buruku contesta então: “Não digam isto. Que importância tem, então, os trabalhos que ele realiza?” Os demais orixás respondem: “É graças a seus instrumentos que trabalhamos pelo nosso alimento. É graças a seus instrumentos que cultivamos os campos. São eles que utilizamos para esquartejar.” Nanã conclui que não renderá homenagem a Ogum. “Por que não haverá um outro Imalé mais importante?” Ogum diz: “Ah! Ah! Considerando que todos os outros Imalés me rendem homenagem, me parece justo, Nanã, que você também o faça.”
 
Nanã responde que não reconhece sua superioridade. Ambos discutem assim por muito tempo. Ogum perguntando: “Você pretende que eu não seja indispensável?” Nanã garantindo que isto ela podia afirmar dez vezes. Ogum diz então: “Muito bem! Você vai saber que eu sou indispensável para todas as coisas.” Nanã, por sua vez, declara que, a partir daquele dia, ela não utilizará absolutamente nada fabricado por Ogum e poderá, ainda assim, tudo realizar. Ogum questiona: “Como você fará? Voce não sabe que sou o proprietário de todos os metais? Estanho, chumbo, ferro, cobre. Eu os possuo todos.” Os filhos de Nanã eram caçadores. Para matar um animal, eles passaram a se servir de um pedaço de pau, afiado em forma de faca, para o esquartejar. Os animais oferecidos a Nanã são mortos e decepados com instrumentos de madeira. Não pode ser utilizada a faca de metal para cortar sua carne, por causa da disputa que, desde aquele dia, opôs Ogum a Nanã.
 
… praga ao velho rei
Nanã era considerada como a grande justiceira. Qualquer problema que ocorria em seu reino, os habitantes a procuravam para ser a juíza das causas. No entanto, Nanã era conhecida como aquela que sempre castigava mais os homens, perdoando as mulheres.
Nanã possuía um jardim em seu palácio onde havia um quarto para o eguns, que eram comandados por ela. Se alguma mulher reclamava do marido, Nanã mandava prendê-lo chamando os eguns para assustá-lo, libertando o faltoso em seguida.
Oxalufã sabedor das atitudes da velha Nanã resolveu visitá-la. Chegou a seu palácio faminto e pediu a Nanã que lhe preparasse um suco com igbins. Oxalufã muito sabido fez Nanã beber dele, acalmando-a e a cada dia que passava ela gostava mais do velho rei.
Pouco a pouco Nanã foi cedendo aos pedidos do velho, até que um dia levou-o a seu jardim secreto, mostrando-lhe como controlava os eguns. Na ausência de Nanã, Oxalufã vestiu-se de mulher e foi ter com os eguns, chamando-os exatamente como Nanã fazia, ordenando-lhes que deveriam obedecer a partir dali somente ao homem que vivia na casa da rainha. Em seu retorno Nanã tomou conhecimento do fato ficando zangada com o velho rei. Foi então que rogou uma praga no velho rei que partir dali nunca mais usaria vestes masculinas. Por isso até hoje Oxalufã veste-se com saia cumprida e cobre o rosto como as deusas rainhas.
 
 

… nanã quer de volta

Dizem que quando Olorum encarregou Osalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o Òrìsà tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada. Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Osalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã. Osalá criou o homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos òrìsà povoou a Terra. Mas tem um dia que o homem tem que morrer. O seu corpo tem que voltar à terra, voltar à natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo mas quer de volta no final tudo o que é.

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