MESTRA PAULINA UMAS DAS PRINCESAS DA JUREMA

 A MESTRA MUITO AFAMADA PELO SEU PODER, E GLORIA DENTRO DA JUREMA
 Mestra Paulina filha de ciganos, que sua família morreu no caminho antes de desembarcar no porto no bairro Jaraguá (O Porto de Jaraguá impulsionou o crescimento da Cidade que tornou-se Vila em 1815, e Capital da Província de Alagoas em 1839.)
 Aonde os primeiros grupos de ciganos veio tentar a sorte no novo continente, muitos não chega ao seu destino, doença fome, sede, frio dentro dos navios.
 
 A menina cigana foi vendida para uma Dona de Prostíbulo, que morava no Bairro Vergel, já que tentava a vida também no porto vendendo frutas e para ganhar mais um pouco, entre as arvores durante a coleta, pois queria a sua liberdade, Mais Paulina não perdeu o contato com a sua tribo cigana.
 Esta senhora costumava dizer-lhe que ela havia sido deixada ali por uma cigana que esteve de passagem pela cidade, não havendo nenhuma referência de seu pai.
 Talvez pelo fato desta menção, Paulina desde muito cedo se interessou pelo místico, pelo espiritual, aprendendo a colocar cartas e sendo depois, reconhecida como boa feiticeira, estando a sua história repleta de ligação com o povo cigano, apesar de que não haja nada que o prove, mais quem conhece Paulina vê que ela tem o seu mistérios místico cigano.
 Os nomes dos locais eram dados de acordo com as ações e pessoas que ali existiam, a Aldeia do Índio, por exemplo, surgiu com esse nome porque havia índios no local.
 Já a Grota do Cigano, (que passou a se chamar depois de Bairro do Jacinto) deve-se a existência de um grupo de ciganos que, vindo de São Luiz do Quitunde, (O povoado de São Luís do Quitunde foi originado de uma pequena aldeia indígena, descoberta em 1624 pelo holândes Albert Sourth.
 Os holandeses, quando estiveram em São Luís do Quitunde, ergueram um forte à margem do Rio Sauassuí (atual Rio Paripueira) e ainda um canal revestido de ladrilhos, para escoar a madeira.)
O Jacintinha, não passava de um imenso sítio com predominância da Mata Atlântica, e, em alguns trechos, pequenas casas de moradores. O nome é uma alusão ao rico proprietário Jacinto Athayde, descendente de portugueses, que construiu seu casarão no Poço (ainda hoje preservado) e a ladeira de pedra que dava acesso ao sítio.
Já na década de 50, atraídos pelas possibilidades de emprego na capital, foram aparecendo os primeiros modos do novo bairro, que surgia com o nome de Jacintinho. A madeira da mata acabou sendo usada para construção de casas.
A figura de paulina na terra de Maceió na época e ligada à bela moça do cais do Porto de Jaraguá com a cesta de frutas.
E como ainda era menina, se prostituiria por trocados e escondia de sua tutora Dona Zefa 6 dedos, mestra esquerdeira, que quando descobria que as suas menina escondia dinheiro, batia e maltratava, sendo a sua protegida era Jovina, e Jovina entregava por maldade as companheiras, e a sua protetora era paulina por isso que ganhou o título de protetora das mulheres.
Cansada do trato abusivo recebido pela “senhora” (Zefa 6 Dedos, também mestra do catimbó e dona do prostíbulo), Paulina foge (literalmente) para Recife, que neste então era o centro financeiro da região, achando que ali teria melhor vida, instalando-se, como não podia ser diferente no Cais do Apolo / Rua da Guia, centro de prostituição, neste então, em pleno apogeu dado enorme fluxo de entrada e saída de barcos, pela condição da cidade nesta época de capital industrial e econômica da região.
 Paulina antes de fugir para Recife ganhou muito dinheiro no cais e nas boates, e a primeira caravana de retirantes para recife La foi ela no meio de homens que ia se alistar na marinha para e a procura de novos rumos, tal como o Zé da Proa, que se tornou mais tarde boêmio pelas ruas.
Paulina com o dinheiro escondido comprou a sua casa de função e nos fundos a sua magia e na grota dos ciganos os índios remanescente a jurememou.
 
Lembremos das Mestras Paulina e Jovina, inimigas desde as “bandas de Maceió”, Onde uma mestra esta a outra não vem e se chegar e só demanda.
Paulina, apesar da maturidade que transmite em seus diálogos, talvez adquirido por sua larguíssima trajetória dentro da Jurema, morreu bastante jovem.
 
 “Paulina morreu ainda bastante jovem, vitimada por uma série de peixeiradas (facadas) que lhes foram dadas pela mulher de um dos muitos amantes que teve, enquanto estava em um dos “locais de diversão” de mesmo Cais do Apolo.”
 A Presença da Mestra Paulina nas salas de jurema, e de uma mulher conselheira, que sabe a hora de se levantar e cantar e encantar os que ali foi para pedir os seus bons conselhos e ajuda, mestra paulina e uma mestre de amor, e de causas impossíveis, e uma boa mestra e uma grande madrinha para com os seus discípulos luta por eles sempre. 
E consagrada uma Princesa dentro da Jurema sagrada Princesa do Cruzeiro de Luz.
 Cruzeiro mestre Divino,  No trono estais sentadas, Eu to chamando eu to Paulina da Rede rasgada.
(Mestre Juremeiro Neto)

Catimbó

CATIMBÓ É DE BASE RELIGIOSA CATÓLICA E NÃO AFRO-BRASILEIRO:

 

Catimbó é um conjunto de práticas religiosas brasileiras, oriundas de raiz indígena e com diversos elementos do catolicismo, dependendo do lugar onde é praticado, influências africanas também notáveis. O Catimbó baseia-se no culto em torno da planta Jurema.
Muitos praticantes minimizam a origem indígena e a influência africana devido ao preconceito que essas culturas sofrem por parte de algumas mentalidades; por esse motivo, tais praticantes sustentam que o Carimbó é somente calcado no cristianismo, o que é uma mentira em absoluto. A influência afro-ameríndia é notada em qualquer reunião de Catimbó no país.
Não há dúvida que o Catimbó é xamanista com muita práticas de pajelança, mas é baseado em Mestres, apesar de os Caboclos também participarem. O Catimbó não é muito diferente ou melhor que outros cultos, e não se pode dizer que suas entidades sejam de nível superior, pelo contrário são semelhantes.
O Catimbó é uma prática ritualista mágica com base na religião católica de onde busca os seus santos, óleos, água benta e outros objetos litúrgicos. É também uma prática espirita que trabalha com a incorporação de espíritos de ex-vivos (eguns ou egunguns) chamados Mestres e é através deles que se trabalha principalmente para cura, mas também para a solução de alguns problemas materiais (como a Umbanda) e amorosos, mas, é importante destacar que a prática da cura é a principal finalidade.
Não se encontra no Catimbó, nas suas práticas e liturgias os elementos das nações africanas de forma que classificar o Catimbós como uma seita afro-brasileira é um erro. Mestres não se subordinam a Orixá e fora o aspecto de que certamente ele é, também, praticado por Negros não existe outra relação direta com a religião africana.
Para aqueles que consideram o Catimbó afro-brasileiro eu apenas pergunto: Onde estão os elementos Afro-brasileiro?
De fato a mitologia e teogonia do Candomblé é rica e complexa, a do Catimbó é pobre e incipiente, seja porque a antiga mitologia indígena perdeu-se na desintegração das tribos primitivas, na passagem da cultura local para a cultura dos brancos, que estavam dispostos a aceitar os ritos, porém não os dogmas pagãos, na sua fidelidade ao catolicismo – seja porque o Catimbó foi, mais, concebido como magia do que como religião propriamente dita, devido sobretudo aos elementos perigosos e temíveis e às perseguições primeiro da igreja e depois da polícia.
Além dos dogmas da religião católica o Catimbó incorpora componentes europeus como o uso do caldeirão e rituais de magia muito próximos das praticas Wiccas. Tanto dos europeus como dos brasileiros o uso de ervas e raízes é básico e fundamental nos rituais. Cada Mestre se especializa em determinada erva ou raiz.
Não existe Catimbó sem santo católico, sem terço, sem água benta, sem reza, sem fumaça de cachimbo e sem bebida, que pode nem sempre ser a Jurema (como eu disse Catimbó não é o Santo Daime).
 
Catimbó ou Catimbó-Jurema é um conjunto específico de atividades mágico-religiosas, originárias da Região Nordeste do Brasil. Conhecido desde meados do século XVII, o catimbó resulta da fusão entre as práticas de magia provenientes da Europa e rituais indígenas de pajelança, que foram agregados ao contexto das crenças do catolicismo. Conforme a região de culto, influências africanas podem ser notadas, de forma limitada, entretanto.
 
 
Etimologia
A origem do termo catimbó é controversa, embora a maior parte dos pesquisadores afirme que deriva da língua tupi antiga, onde caa significa floresta e timbó refere-se a uma espécie de torpor que se assemelha à morte. Desta forma, catimbó seria a floresta que conduz ao torpor, numa clara referência ao estado de transe ocasionado pela ingestão do vinho da jurema, em sua diversidade de ervas. Um grupo menor de antropólogos, porém, afirma que o vocábulo originou-se da junção entre cat, fogo, e imbó, árvore, neste mesmo idioma. Assim, fogo na árvore ou árvore que queima relataria a sensação de queimor momentâneo que o consumo da Jurema ocasiona. Em diversos estados do nordeste brasileiro, onde os rituais de catimbó são frequentemente associados à prática de magia negra, a palavra ganha um significado pejorativo, podendo englobar qualquer atividade mágica realizada no intuito de prejudicar outrem.
 
 
Terminologia
O termo catimbozeiro é usado para designar os adeptos do catimbó, embora, ofensivamente, também possa referir-se a qualquer praticante de magia negra, Candomblé ouQuimbanda. O vocábulo Juremeiro, também pode, embora erroneamente, referir-se aos praticantes de catimbó; entretanto, em linhas gerais, o tratamento é destinado ao indivíduo que, além do culto a Jurema, é devoto dos orixás do panteão africanos, integrando, assim, a nação Xambá. Ademais, diversos credos distintos fazem uso dos efeitos psicóticos da Jurema, embora nenhum deles possa, de fato, ser considerados Catimbó.

 

Catimbó

Mais

Mestre Pereira

Mestre Pereira Tem como fundamento o pau pereira. Este mestre é a evolução do antigo Antonio Tirano, dito mestre sem linha. Ele é uma mostra viva que o Catimbó existe para recuperar estas almas que perdem o seu caminho na passagem pela terra fria. Antonio Tirano é personagem passado de uma história terrível na qual ele em momento de desespero de falta de esperança, mesmo que momentânea, ele matou sua família de mulher e 2 filhos e depois se matou.  Na hora de sua passagem foi resgatado por mestre do Catimbó que trouxe-o para o Catimbó mesmo ele não tendo sido Catimbozeiro em vida. Na sua forma de Pereira, é um mestre em evolução. Vinha muito sério e ainda meio encrenqueiro, com pouco “pavio”, mas vinha com uma vontade enorme de ajudar as pessoas, curá-las e fazer o bem. Era uma criatura muito faladora que gostava de “filosofar” sobre a vida e passar lição nos outros que estavam cometendo erro. Trabalhava com a casca do Pau pereira.

Mestre Carlos

ImagemMestre Carlos Rei dos mestres, conhecidíssimo em qualquer sessão de Catimbó. Era um rapaz que gostava de beber e jogar “farrista”, andava no meio de “mulheres perdidas e gente livre”, Filho do Inácio de Oliveira, conhecido feiticeiro. O pai tinha desgosto e não o queria iniciar na feitiçaria. Contam, então, que Mestre Carlos “aprendeu sem se ensinar”, quando de uma bebedeira caiu num tronco de Jurema e morreu após 3 dias. Essa bebedeira seria o resultado de práticas rituais do Catimbó exercidas solitariamente e sem  iniciação. Um dia o pai saiu de casa e Carlos, com 13 anos apenas, penetrou no “estado”, tirou objetos imprescindíveis de invocação e saiu com eles. Foi num mato de juremeiras e iluminado por uma presciência maravilhosa conseguiu abrir uma sessão sozinho e invocar um mestre. Logo como em geral sucede, quando o mestre se desmaterializou outra vez caiu desacordado. O pai chegou em casa, Carlinhos nada de voltar. No dia seguinte a inquietação principiou. Andaram campeando o menino por toda a parte e no outro dia seguinte, Inácio de Oliveira, desesperado, reuniu gente e fez uma sessão. Quando caiu em transe, que mestre entrara no corpo dele? Nada menos que Mestre Carlos o mestre menino. Mestre Carlos é caracterizado como um entidade alegre, que gosta de brincar e rir durante as sessões; gosta de bebida, bebe jurema e cachaça. Especialista em casamentos e descobridor de segredos, estando sempre pronto para o bem e o mal.  Considerado pelos juremeiros como um mestre curador. Quando incorporado o médium transforma a fisionomia, fica meio estrábico, os lábios ficam em forma de bico; fala muito conversa com os presentes, gesticula, brinca, ri, receita garrafadas e dá passes.imobiliarias de campinas

Catimbó

Catimbó, magia, mistério, ocultismo. Como é difícil falar sobre o catimbó. Esta mistura, às vezes, confundem os adeptos, os simpatizantes, os seguidores do culto.
Dizem os mais entendidos que o catimbó não possui em seus cultos uma hierarquia, porém, tenho consciência de que ela existe e é muito precisa para os trabalhos espirituais da Jurema. Exemplo: um mestre não passa a frente do outro e, nas mesas, tem um dirigente que é um dos grandes mestres, escolhido pela vidência na mesa.
Como nos terreiros de umbanda tem velhos, caboclos, espíritos de cura, boiadeiros que chefiam, casam e batizam seus seguidores, no catimbó é a mesma coisa: temos uma família, uma cidade e um Estado.
O catimbó veio da era medieval, onde bruxos e bruxas, grandes mágicos e até mulatos, carregadores de sinhazinhas, mascates, caboclos matreiros, negros fugitivos, enfim, todas as classes, principalmente os mais carentes, que tinham que fugir para exercer sua fé, que era proibido na época. Entre mamelucos e cafuzos, negros e índios, europeus de todos os lados, fugiam para a mata, para fazer o Catimbó.
Cat-fogo – timbó-mato; aí está formada a palavra Catimbó, fogo na mata.
Atravessando todo o Brasil, o Catimbó vem se propagando de Norte a Sul. Ele se alinha com a encantaria e entre os senhores mestres da Jurema. É um culto que vem ganhando espaço em todos os segmentos espirituais. Os nossos irmãos do Norte e Nordeste vivem na esperança de poder voltar, um dia, às suas raízes e tradições.
A inclusão de santos católicos no Catimbó foi semelhante ao que aconteceu com os orixás no candomblé, com a única diferença que os Mestres adoram esses santos.
Com a chegada dos primeiros colonos portugueses ao Brasil, houve a mistura com os índios e negros africanos originando, a partir daí, a miscigenação. Aconteceu, também, a aproximação com a magia negra, muito praticada na época.
O Catimbó sofreu influências desde o Amazonas até os Estados da Região Nordeste, misturando toré, pajelança, linha dos ciganos, sensitivos, adivinhos, médicos curadores, também chamados médicos do espaço. Tudo isto é encantaria.
Sendo secular o Catimbó vem se misturando com a Umbanda e trazendo diversas ramificações. Hoje, neste campo, o Mestre Zé Pilintra, com toda sua formação, é introduzido nos terreiros de vários segmentos.
Existem pontos comuns com a Umbanda, porque todo Mestre, que desce para trabalhar, vem falando ou louvando Deus e Jesus Cristo – “E quem pode mais que Deus?” – é sua bandeira de fé.
A cultura do Catimbó, apesar de mítica e secular, já tem suas raízes firmadas nos dias de hoje. O Mestre, o sacerdote, o mentor espiritual é, ao mesmo tempo, rezador, curador, conselheiro e até mesmo Pai ou Mãe na orientação dos seus seguidores. Realizam batizados, casamentos, rituais fúnebres, missas e ladainhas.
Zé Pilintra é considerado o príncipe da Jurema e hoje muitos terreiros trabalham com outras falanges: Zé dos Anjos, Zé do Ponto, Zé Arruda, Zé da Canoa, Zé da Escada, Zé da Rua da Guia, Zé Pereira, Zé do Vale, Zé Enganador, Zé de Aruanda, Zé da Jurema.
Essas chefias vão se ampliando e temos encontrado, enfim, outros falangeiros que estão cheios de ginga e malandragem e trazem para os Estados do Leste e Sul do Brasil, Zé da Lapa, Zé da Mangueira, Zé de Santa Tereza, etc.
É bom que se diga que Zé Pilintra nunca foi ladrão, bandido ou arruaceiro, etc. Ele é e foi um bom malandro. Homem viril, jogador de cartas, que aparecia em sua época e o seu carteado corria mundo.
Existe uma grande falange de Zés no Recife, Paraíba, Alagoas, Ceará, Amazonas, nas taperas, se banhando nos igarapés e rios. São idolatrados tanto por meninas, moças e até damas da sociedade.
Qualquer magia praticada para o bem pode ser usada para grandes finalidades. Objetivamente, o catimbó é a evolução dos guias e dos mestres através do bem e da cura. Se o mal é feito, isso pode ocorrer pela desinformação do médium ou pela necessidade da justiça a quem pede.
O catimbó tem uma base religiosa vinda de várias regiões, é uma prática magística, ritualística, onde entram santos católicos, água benta, outros objetos litúrgicos, trabalhando com incorporações vindas através da necessidade do consulente, principalmente na linha de cura. Problemas materiais e amorosos são as principais finalidades e a sua parte litúrgica têm muitas vezes a ver com os santos católicos.
Para se fazer o mal às pessoas, não é preciso estar no Catimbó. Aliás, o mal não precisa de religião para ser feito.
Os mestres trabalham livremente, porém nunca deixa de ter no seu grupo ou na sua cidade a organização da mesa. Aqueles que tomam parte na mesa da Jurema são os que formam a cúpula, a chefia do trabalho espiritual. Com incorporações, vidências, etc. Exemplificando: se a mesa do Catimbó for dirigida por Zé Pilintra, ele é o primeiro a descer e é o último a subir.
O Catimbó é uma religião do povo, não existe Catimbó sem terços, rezas, água-benta, santos católicos, fumaça do cachimbo, vinho da Jurema ou cânticos fazendo rimas e, tocando seu maracá, os mestres são entidades muito alegres, naturais e espontâneas. Na incorporação dos senhores mestres não existem teatro, não são entidades grotescas, não são exus, são bastante diferentes de outros segmentos.
Não existem mestres do bem ou do mal, porém, eles podem trabalhar na direita ou na esquerda.
Já presenciei, há alguns anos, um Catimbó de mesa de chão, onde o Mestre Zé Pilintra abria a reunião de cura e limpeza de egum.
Fazia a chamada dos mensageiros dos mestres e, depois do trabalho e das mesinhas, onde os consulentes tinham o privilégio de saírem do toque com uma aparência de grande felicidade e a esperança de dias melhores. Seu Zé transmitia uma irradiação cheia de compreensão e pedia para que os mestres na terra, solicitassem aos seus médiuns que abrissem seus corações e que fizessem com que a fé de cada médium, incorporado, fosse imbatível.
Conclusão: daquela força formou-se uma egrégora e daí abriu-se uma luz.
Este fato aconteceu na casa de um babalorixá já falecido (Professor José Ribeiro), em Jacarepaguá, onde o Catimbó era considerado o melhor da cidade do Rio de Janeiro. Predominava, ali, a necessidade do povo. Seu Zé descia, chamava Maria do Acae e, em seguida, o Mestre Carlos.
Os consulentes ficavam todos esperando, sentados nos enormes bancos do salão, uma esteira em forma de cruz, com médiuns, todos de branco, fazendo a corrente. De um lado, Maria do Acae e do outro lado, Mestre Carlos, já bem velhinho e que era o mediador, para tirar os problemas dos consulentes enquanto, na ponta da mesa (esteira de chão), havia outro médium trabalhando como mensageiro de Iansã, que cremava na panela todos os problemas dos consulentes, previamente escritos pelos próprios.
Já de madrugada, não havia mais tempo para toque: era tarde, a madrugada já começava trazendo o amanhecer. No dia seguinte, todos tinham seus empregos. Isto era uma sessão de Catimbó e seu Zé Pilintra subia, cantando e recitando loas e versos:
– Salve seu Zé Pilintra, Mestre Carlos e Maria do Acae!
Em outra casa, em Jaboatão-Recife (Pe), onde os guias desciam e não dançavam: primeiro trabalhavam e faziam seus Catimbós e depois, então, iniciava o toque. Era de enlouquecer a demora e os mestres diziam:
– Primeira a devoção, vamos trabalhar, desmanchar macumba, feitiço, catimbó e azar.
Depois de todos os consulentes atendidos, os maracás começavam a tocar e, aí então, vinha a grande dança do Catimbó, na magnífica e contagiante pisada dos senhores mestres.
É preciso ter cuidado para que as sessões não pareçam uma festa pagã: Jurema tem fundamento e a sorte é Deus quem dá. Vamos respeitar e louvar o Mestre na sua cidade real – afirmava Mestre Pilão.
Existem muitos tipos de mestres e variadas incorporações na linha da Jurema. Todos são responsáveis por suas atividades.
A lei da mata é a mesma para todos. Em cada casa é plantado um pé de Jurema e aí, nasce uma cidade encantada, que recebe o nome de um mestre, escolhido pelos donos da casa.
Esta é uma característica de independência de cada mestre. Sua força e seriedade fazem com que estes mesmos mestres sejam temidos e respeitados não existindo, aí, nenhum critério de comparação com o panteon africano.
Dentro do catimbó trabalha-se com muita luz e sendo a Jurema uma linha indígena, temos exemplos de alguns grandes mestres, como o famosíssimo Pai Joaquim, um velho da Índia e que vem na chefia das sessões de Umbanda ou linhas cruzadas, como a linha da Jurema, fazendo lavagem de cabeça.
Rei Heron, que é doutrinador e curador católico, apaziguador, é um grande chefe de mesa; Mestre Tupã, que é um espírito de grande força astral, chefe de um grande reino e faz parte das cidades santas, é conciliador.
Mestre Caboclo Urubatan, é morador das cidades encantadas dos rios verdes, é guia para os perdidos e fechador de corpos. Não faz feitiços, nem magias, mandingas ou catimbó, só trabalha para doutrinar falangeiros e seguidores.
Mestra Laurinda, parteira, curandeira e rezadeira.
Mestre Carlos, o Rei do Catimbó, que passou três dias e três noites, dormindo no tronco do juremá e, quando se levantou, estava pronto para trabalhar.
Mestra Maria Luziária, vaidosa, conselheira, defensora das mulheres, apaziguadora dos homens, por vezes mandingueira, brejeira e casamenteira. Dizem que é uma entidade muito bonita.
Conta a história que Maria Luziária foi a primeira esposa de Zé Pilintra e só trabalha para o amor e para fazer o bem. Compositora, suas músicas são suaves e apresentam um enredo de muito bom gosto.
Mestra Iracema, rainha da cidade encantada de Panema, vem beirando o mar, se preocupa muito com crianças e pessoas idosas e é uma cabocla de pena.
Enquanto Eu viver sobre a Terra,
Enquanto Eu viver sobre o mar.
Salve! A Cabocla Iracema.
Salve! A Sereia do Mar.
Eh! Eh! Eh! Eh! (Bis)
Mané Maior é outra entidade de ação, como príncipe Canindé, caboclinho, corredor da mata virgem, aquele que traz as folhas, juntamente com os tapuias e canindés, para fazer a linha da fumaça e do mel de abelhas. Quando baixa no terreiro, louva sempre Jesus Cristo, Padrinho Cícero Romão, São Severino do Ramo, Santa Teresa, Nossa Senhora da Lapa, a Virgem da Conceição e outros.
Os catimbozeiros não perdem causas e os senhores mestres são impulsivos, otimistas e bastante generosos. O círculo que fazem no astral sobre o seu consulente é que tem valor e nas suas invocações estão sempre procurando um canal de luz, onde possam entrar e resolver os problemas dos consulentes.

Orixás e entidades da Umbanda e do Candomblé.

O conhecimento da religião dos Orixás, mostrando lendas, curiosidades e mistérios da nossa religião.

Umbanda de Caboclos, Boiadeiros, Pretos Velhos, Marinheiros e todo o seu mistério

O conhecimento da religião dos Orixás, mostrando lendas, curiosidades e mistérios da nossa religião.

Ciganos, suas origens e seus mistérios.

O conhecimento da religião dos Orixás, mostrando lendas, curiosidades e mistérios da nossa religião.

Mestre Zé Pilintra

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Rainha Maria Padilha, Exús e Pombo Giras

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Lendas, Mistérios e Curiosidades da Religião Afro

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