São Lázaro -17 de Dezembro – Salve Omulú

Lázaro de Betânia é um personagem bíblico descrito no Evangelho segundo João como um amigo que Jesus teria ressuscitado, irmão de Marta e de Maria. Seu nome provavelmente do grego corresponde ao hebraico Eleazar (אלעזר), e significa literalmente “Deus ajudou”.
De acordo com tradição católica, o Lázaro ressuscitado teria se dirigido a Provença depois da morte de Jesus em companhia de suas irmãs e de outras pessoas. Ele também teria sido o primeiro bispo de Marselha. Na Idade Média tornou-se o padroeiro dos leprosos pela associação errada feita com seu homônimo, Lázaro (mendigo e leproso), narrado na parábola mencionada por Lucas – Parábola do Lázaro e do Rico. 
 
Segundo os Evangelhos, Lázaro teve a sorte de ser o protagonista de um dos milagres mais impressionantes de Jesus Cristo, depois de estar morto por quatro dias. Lázaro adoeceu gravemente e duas de suas irmãs Marta e Maria enviaram com urgência um mensageiro ao encontro de Jesus com a seguinte mensagem: “Aquele a quem Você ama, está doente”. Ou seja, estamos seguros de que virá, e se vier, livrará-se da morte. Aos seus discípulos, Jesus diz que Lázaro dorme [o que indica que ele talvez não estivesse realmente morto, mas participando de algum tipo de Iniciação], e seria acordado. Foi apenas no quarto dia após a sua morte, que chega a Betânia.
 
As duas irmãs saem ao encontro de Jesus em meio de lágrimas lhe dizendo: “Oh, Senhor se tivesse estado aqui não haveria morrido nosso irmão”. Jesus responde: “Eu sou a ressurreição e a Vida. Os que acreditam em Mim, não morrerão para sempre”. Jesus, ao vê-las chorar se comoveu e também chorou. Os judeus que estavam ali em grande número, exclamaram: “Olhem quanto o amava!” Jesus disse: Lázaro, eu te mando, saia! E Lázaro se levantou. Depois de quatro dias morto, foi ressuscitado milagrosamente e visto pela multidão que contemplou o facto.

Rosário de Cura

Pai Omulú, Pai Obaluaiê. Derramai sobre nós neste instante tuas bênçãos, para que nós possamos sobrepujar as doenças que estão em nosso corpo. Confiamos em ti e na tua força. Pai Omulú, Pai Obaluaiê , nosso médico. Tende piedade de nós. Dá-nos o poder da cura. Assim nos poderemos novamente caminhar e cuidar da nossa vida material e espiritual, pois de posse da tua luz e da tua energia, iremos nos curar. Confiamos na tua misericórdia.
 

Rezar 1 Pai Nosso

Nós vos suplicamos Pai Omulú, Pai Obaluaiê. Cura-nos desta enfermidade que acaba conosco e atinge nossa família. Lavai-nos e purificai-nos de todo o mal que assola nosso corpo e nosso espírito.

Rezar 7 Ave Maria

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio agora e sempre, por todos os séculos dos séculos, que assim seja.
O meu Jesus, perdoai os nossos pecados, livrai-nos de toda maldade, levai as almas todas para o Céu, e socorrei principalmente, as que mais precisarem da tua misericórdia.
 
A Omulú recorrem todos que sofrem de moléstias tidas como incuráveis, o que lhe vale a fama de médico dos miseráveis.
 
Orixá ligado às linhas de Oxalá e Africana, Omulú e seus seguidores encaminham as almas dos recém falecidos ao mundo espiritual e deles absorve os fluídos e miasmas que exalam de um cadáver. Daí a sua ligação com os cemitérios, aonde se condensam as vibrações desse gênero, bem como, nos cruzeiros em geral, tais como os encontrados nas estradas, nos cemitérios e nas igrejas. Desta forma Omulú é um Orixá que protege e é também uma das portas de conhecimento que se abre para desmanchar magias maléficas.
É necessário muito conhecimento e muita segurança para trabalhar em sua linha vibratória. Quando evocado nos terreiros, a evocação é sempre feita pelos guias, como os Caboclos e os Pretos Velhos, sendo que muitos Pretos Velhos trabalham na vibração de Omulú.

Suas cores são o branco e o preto, o branco simboliza o sentido da pureza espiritual dedicado a Oxalá e nas contas negras está representada a ausência da vida. Omulú não deve ser encarado como algo assustador, porque ele não é. Omulú e seus enviados são atuantes nos cemitérios e impedem o mau uso das energias e fluídos lá depositados, através dos cadáveres sepultados, dispersando na atmosfera esses fluídos e energias que poderiam ser usados por espíritos malignos em seus hediondos trabalhos de baixa magia. 

 

Na África ele é o protetor contra a peste, contra a varíola e outras doenças contagiosas.

Nas obrigações a Omulú são normalmente usadas velas brancas ou brancas e pretas (metade de cada cor e evite usar essa vela a menos que saiba como manipular velas. Se não sabe, use somente a cor branca), cravos brancos ou outra flor branca masculina, água pura ou vinho branco doce e repetimos: Orixás não bebem. No Candomblé, são usadas em descarregos de pessoas doentes, a pipoca preparada em azeite de dendê (sem sal). Na Umbanda é raro esse tipo de descarrego, porém, ocorre em alguns templos.
 
Omulú é evocado nos templos para descarga e cura de doenças de pessoas tidas como desenganadas ou terminais ou ainda, para cura de doenças causadas por feitiços, que não podem ser curadas pela medicina do homem. A evocação deve ser sempre feita pelos Guias, nunca o invoque sem autorização ou sem saber o que está fazendo ou pedindo. Devido a sua ligação com os cemitérios e com os mortos, a evocação de espíritos inferiores pode ocorrer conjuntamente, o que é perigosíssimo.
 

Cor …………………. Branco e preto
Domínios ………….. Cemitérios
Atuação …………… Contra doenças e feitiços
Saudação …………. Atotô, meu senhor
Elemento …………. Terra

OS FILHOS DE OMULU

 Os filhos de Omulu são insatisfeitos, nada está completamente bom para eles. Enxergam primeiro sempre o lado ruim. São de uma teimosia sem limites. Com a resposta sempre na ponta da língua, não levam desaforo para casa. São muito discretos, sem grandes ambições e muitos dados ao trabalho. Às vezes são pessoas doces. Têm forte tendência a doenças de pele, rosto e pernas. Gostam de tudo certo, no lugar, de ordem e, principalmente, de maneira planejada.
 
 
São pessoas de estatura pequena ou média e de pouca beleza exterior. Os filhos de Omulu são tensos, sábios e tristes. Costumam ser consultados para decisões importantes e, não raro, vivem solitários. Ocupam importantes cargos públicos e burocráticos, mas sentem que o bom humor não é seu forte.
 
 
Os filhos de Omulu têm o dom de curar, revelando-se grandes médicos e dedicando a vida à caridade, mas devem ter o cuidado especial com a saúde, visto que são propensos a sofrer com doenças de pele e problemas nas pernas e colunas. São sempre inclinados a socorrerem os fracos e os doentes. Gostam de lugares noturnos e de viver isoladamente. De um modo geral são de caráter doentio. São vias de regra da casa, de sonhos enfadonhos, são sinceros e não recuam nas decisões que tomam. Geralmente de algum defeito físico, tem algum sinal aparente.
 
 
Os filhos de Omulu são pessoas sérias, muito misteriosas e um tanto discretas. Costumam ter poucos amigos, porém conhecem muita gente pelos relacionamentos profissionais que estabelece ao longo de suas vidas. Muitos consideram que os filhos de Omulu aparentam ter mais idade do que verdadeiramente possui, isso porque, além de serem pessoas bastante caseiras, são tímidas e introspectivas. Vivem em seu mundo. Tudo o que traz algo de oculto e místico atrai os filhos de Omulu. Gostam de estudar coisas misteriosas, meditação, banhos de cheiro, enfim, tudo o que mexa com as forças do universo, faz parte de sua vida. São admirados pelo seu grande poder de decisão. Diante de um problema não se deixam abalar. Analisam tudo muito bem e mesmo quando todos dizem que não vai dar, eles encontram a solução.
 
 
Os regidos por Omulu levam suas vidas amorosas com discrição. Não gostam de pular de galho em galho. Geralmente namoram pouco tempo e se casam. Não acreditam em alma gêmea, e sim em companheirismo e cumplicidade. Para eles, ter uma pessoa disposta a viver tudo ao seu lado com respeito e tolerância vale mais do que viver uma louca paixão. Isso não quer dizer que não sejam românticos, mas preferem se dedicar carinhosamente para a pessoa escolhida a fantasiar alguém e uma relação que talvez nunca vá se concretizar. Não gastam seus tempos preocupados com traição ou ciúme. Confia em quem ama e ponto final. Se por algum motivo forem traídos, darão uma chance para explicações, mas dificilmente perdoarão o fato. Por mais felizes que estejam com seu relacionamento, existem momentos em que sentem profunda tristeza e precisam ficar sós. Isso passa a impressão à pessoa amada de que não está feliz ao seu lado, porém essa crise vem porque se envolvem com os problemas do mundo e não podendo ajudar acabam sofrendo.
 
 
É no trabalho que se realizam por completo. Gostam de estar fazendo algo, de planejar novos caminhos, de criar novas soluções, por isso devem trabalhar na área de administração, engenharia, economia e política, fazem os filhos de Omulu se destacar. São ambiciosos e tudo o que fazem é pensando no dinheiro que poderá ganhar, no conforto que desejam ter. Não costumam confiar muito em colegas de trabalho, por isso mantém uma relação fria e distante com eles. Quando tem posição de comando, essa situação se intensifica e os filhos de Omulu podem trabalhar quase isolados. Apesar disso, quando trabalham em equipe, surpreendem pela facilidade com que passam seus conhecimentos e pelo verdadeiro desejo de ajudar. 
 
 
 
Não são egoístas e confiam demais em seu talento.
Os filhos de Omulu, apesar de parecerem pessoas distantes, seguras de si e uns tanto insensíveis, guardam uma tempestade de sentimentos que, muitas vezes, não conseguem colocar para fora. Reprimem-se tanto que podem acabar sofrendo por depressão. Precisam buscar meios de liberar essa tensão e esportes como artes marciais são umas boas. Fazer teatro também pode ajudar, pois fará com que trabalhem todos os tipos de sentimentos. Os sentimentos fortes de amor e solidariedade podem se transformar em energia de cura através de suas mãos. Não devem ter medo de soltar seus sentimentos num trabalho assim e verão sua luz brilhar.

Kukuana

 A nação de Angola, assim como todas as outras, possui e comemora as datas festivas com entusiasmo e muita alegria, trazendo em público suas tradições. Nessa postagem, quero ressaltar uma comemoração muito pouco conhecida dos iniciantes e alguns adeptos do Candomblé, a Kukuana. 

A Kukuana é uma festa de Angola (Olubajé – Iorubá / Zandró – Jeje) realizada no mês de agosto em homenagem ao Nkisi Kavungo. É um ritual com 7 dias de duração (se for dia 16, começa no dia 10). Como Kavungo responde com 7 búzios abertos e 9 ficam fechados, para se quebrar a kisila do 9 faz-se um balaio com comidas de Kiala, não podendo faltar 9 acarajés para Kaiangu. Na véspera da festa todos os filhos de Kavungo devem copar para o seu santo um bicho de pena. Nenhum filho de santo da casa poderá faltar as rezas. Dentre todas as rezas, a principal é a Fakoti (principal de Kavungo). Todos os filhos de santo não poderão se sentar à Roda sem que tenham tomado seu jawá e assendido sua vela em volta do balaio de deburu.

Não é obrigatório se fazer festa para o povo. Pode-se optar por um ritual interno sempre acompanhado da ngudia de todos os nkisi. Se houver festa é necessários e fazer entre 10 e 16 comidas de santo para serem servidas aos convidados (essas devem ser temperadas). 

 

Comidas servidas:

 

Padê; feijão fradinho; feijão preto; batata doce; batata baroa; inhame; espiga de milho; canjica; acaçá doce ou salgado; camarão; acarajé; peixe de escama;  carne de porco; ovos cozidos; amendoim torrado; aberém, deburu; frutas e outras comidas, fazem parte desse banquete.

As comidas são trazidas e servidas pelos filhos de santo em folha de mamona branca. As sobras das pessoas bem como dos alguidares não são jogadas fora. São sagradas, levadas pelo nkisi e ficam na casa.

É um ritual lindo mas muito complexo. Aqueles que não tem o total conhecimento do ritual não deve fazê-lo.

Esse ritual acontece, geralmente no mês de agosto, assim como o Olubajé, mas possui suas peculiaridades, a começar pelas conotações: Olubajé homenageia Omulu/Obaluaiê e sua família, com danças, rezas e comidas, para livrar seus seguidores das doenças, rezas e comidas para livrar seus seguidores das doenças, mazelas e pestes.

A kukuana é a festa da terra, da fartura, da prosperidade à mesa, pois sua tradução, quer dizer, mesa farta.

Existem, ainda, alguns barracões de Angola, regidos por antigas tradições, que durante esse mês, fazem peregrinações, procissões, juntam alimentos para doar aos pobres e levam comida para os cachorros (banquete).

O deburu é lançado pelo zelador nos participantes e nas instalações do barracão, para purificar e para fazer a limpeza ritual do ambiente e das pessoas.

Um grande cesto é colocado para que se deposite as folhas de mamona em foram servidas as comidas, a fim de serem despachadas ao final da festa.
Após o banquete, os Nkisis já aparamentados, voltam ao salão, a fim de celebrar a grande festa, com suas danças e assim cumprimentando e abençoando todos os convidados.

Como no Olubajé, a kukuana é uma comemoração muito bonita, infelizmente muito pouco praticada por seus seguidores. Geralmente, na maioria dos barracões de Angola, se fazem uma cerimônia interna. Aproveito para incentivar a todos os zeladores de nossa querida Angola a externar nossa alegria de poder agradecer à terra, tudo de bom e de fartura que ela nos dá.

Jagum

Jagun Orixá Agbará Esé Egi Iroko

Segundo as lendas e itans, conta-se que Jagun, era Guerreiro dos Exércitos de Obatalá e que foi enviado às Terras de Omolú para lutar pela paz em nome de Oxalá. Por isso, ele é cultuado em algumas nações como “Qualidade de Omolú”, por ter passado vários anos em terras de Omolú.  Trata-se de um Orixá Funfun, pois o culto a Jagun nasceu no Ekiti Efon, por esse motivo Jagun é cultuado no Axé Efon como um Orixá separado de Omolú. Antes dele ter ido para as terras de Omolú já existia seu culto no Ekiti, onde era sua terra natal. Assim também conta seus itans que Jagun teve passagem não só nas terras de Omolú, mas também nas terras de Ifé (Terra de Ogun) e Elegibô (Terra de Osayan). Pela ordem do meridilogun, Jagun responde no Odú Ejionilê (oitavo Odu) Odú regido por Oxaguiã, Odú no qual também respondem outros Guerreiros Brancos como Ogunjá e Oxaguiã Ajagunãn. Pela ordem de chegada dos odus, o culto a Jagun nasceu no Odu Okaran.
 
Os filhos de Jagun, tem aparência jovem, são autoritários, arrogantes, guerreiros, justiceiros, briguentos e agitados, fortes na adversidade, costumam fazer tudo à sua maneira, ouvem conselhos dos outros, mas costumam seguir sua própria vontade…São pessoas trabalhadoras, gostam de tudo rápido, exigem asseio, limpeza; são pessoas impulsivas; pessoas de espírito livre; enjoam de tudo facilmente; são dados a paixões violentas e passageiras, são curiosos, adoram viajar. Possuem grande proteção espiritual, boas amizades e, quase sempre, caminhos abertos. Possuem comportamento delicado, são honestas, dedicadas e atenciosas. Vivem com grandes esperanças, estão sempre apaixonadas, são sonhadoras, sofrem e se desdobram para ajudar e defender os amigos. Quando são repudiados ou sofrem algum tipo de traição podem se tornar extremamente vingativas e amargas. Apesar de serem guerreiras e obstinadas, as pessoas de Jagun, às vezes se isolam preferindo ambientes calmos e tranquilos. A personalidade dos filhos de Jagun é um misto de características de Ogun, Omolú e Oxaguiã.
 
Jagun, é uma palavra Yorubá, e significa: Guerreiro, Soldado.
 
Jagun é um Orixá ambicioso, luta para conquistar posição alta sem ver de que maneira…Apesar de ser Orixá Funfun (branco), é considerado e cultuado como Santo de Guerra, “santo quente”, carrega uma lança prateada na mão e um facão ao adaga e muitas das vezes dependendo do caminho de Jagun ele usa até um ofá nas mãos,pois conta se um itan que Oxalá o nomeia como o guerreiro de todas as armas veste-se somente de branco. Usa contas brancas rajadas de preto e dependendo da qualidade, intercalada com contas brancas, gosta também de contas feitas de búzios e marfin. Jágun é Orixá jovem, quase chega ser um menino adolescente de Obatalá .. Ligado a Obatalá (Rei no pano branco ), tem caminhos com Ogunjá, Oxaguiã – Ajagunãn, e Ayrá. Tem caminhos também com Yemanjá e quase todas as Yabás, pois elas acalmam sua fúria. Quem traz Jagun ao barracão é Oxaguiã. Ele é considerado o “protetor” e “guardião” de Oxalufã. Carrega consigo o Odú Ejionilê. Por ser considerado Orixá Funfun (branco) não leva azeite de dendê, e sim azeite doce , banha de ori, adin e as vezes mel e de preferencia a banha de Ori, suas comidas são todas brancas, aceita pipocas feitas na areia, bolas de inhame cozido, bolas de arroz, acaçá, obi funfun (claro), come também do Ebô (canjica) de Oxalá, assim como seus bichos também devem ser todos brancos, por ser ligado ao rei do pano branco (Obatalá ).
 
Jagun dança com outros Orixás, acompanha na dança; Ogun e principalmente Oxaguiã e Oxalufã. A dança de Jagun é extremamente guerreira, começa com movimentos lentos, dança empunhando sua lança e adaga, seu momento de “êxtase” é quando salta e se sacode todo empunhando a lança de um lado para outro, tamanha é sua fúria guerreira nessa hora. Segundo as lendas, a lança prateada de Jagun, durante as batalhas e guerras, além de ser usada para proteção contra os males e feitiçarias e abrir os caminhos, deixava seus inimigos cegos após serem feridos por ela. Jagun, assim como Ogun, é um grande caçador, e por sinal foi ele quem ensinou seu irmão Oxóssi a caçar. Ele não deixa também de ser um guerreiro, assim é Jagun, um grande guerreiro mas também um grande caçador. E algumas de suas cantigas relatam isso.
Conta o itan de Ogi-Ogbé/Okaran que existiam três irmãos: Já, Jágun e Ajagunãn. 
 
Eram três Guerreiros que pertenciam aos exércitos de Obatalá, lutavam e venciam todas as guerras e batalhas em nome de Oxalá e eram os Guardiões deste Orixá. Eram chamados de Guerreiros Brancos, por se vestirem somente com trajes brancos em homenagem a Obatalá. Eram considerados invencíveis, por sua bravura e coragem, nunca perderam uma batalha sequer. Sempre muito unidos, nunca se separavam. Mas um belo dia, os três irmãos guerreiros, foram guerrear contra a cidade de Oxum. Oxun com a grande sabedoria dos poderes de Iyami, foi avisada que seu reino seria atacado. Oxun ficou desesperada e foi até Ifá para saber o que faria. Orumila mandou ela fazer um ebó,  sacrificar oito Igbis à Oxalá e com o casco fizesse um pó e soprasse nas terras de Osogbo. Assim Oxun fez, quando os guerreiros chegaram para invadirem as terras, eles ficaram tontos e se perderam um do outro. Aí que Jagun foi para as terras de Omolú, Já para as terras de Ifé Ogun, e Ajagunã para as terras de Oxagyan. Mas mesmo assim, os três irmãos sempre estão juntos, respondem um pelo outro, eles continuam a ser Guerreiros Brancos, ou seja, são considerados Orixás Funfun, e sempre ligados a Obatalá, seus caminhos se cruzam…os três irmãos Guerreiros continuam nas batalhas, sempre guerreando pela Páz. 
 
Deram essa característica guerreira aos seus filhos. É por isso que o culto a Jagun foi assimilado ao de Omolú, sendo que depois disso conta o Itan que ele viveu alguns anos nas terras de Omolú e que lá encontrou uma linda mulher que também não era das terras, mas estava lá por outros motivos, e se apaixonou por ela, tiveram filhos e se amam até hoje, e essa linda mulher era Yewá . Lá, ele se juntou com o Orixá Osayn e passou a ser um grande curandeiro, e em tempos de guerra ele cuidava dos guerreiros feridos com as porções e ervas mágicas que Ossaim o ensinou. Jagun teve uma trajetória muito grande e bonita nas terras de Omolú, mas depois de anos retornou as terras do Ekiti-Efon, onde Oxun era rainha e Osagyan grande guerreiro e protetor do palácio e cidade de Oxun. Conta-se também que Jagun foi às terras de Osogbo, para destruir a cidade e buscar Oxun, pois Oxun tinha sua cidade onde era rainha Ekiti Efon, entao por ordem de Olooke ele fui buscá-la. Depois disso tudo ter acontecido, Jagun viveu anos nas terras de Omolu, Oxagyan trouxe Oxun de volta para Ekiti-Efon, por isso muitos acabaram se equivocando ao falar que foi Oxagyan quem deu as terras de Ekiti para Oxum, mas nao foi isso que aconteceu, ele apenas trouxe Oxun de volta a terra onde ela nasceu e era dona junto com Olooke seu pai. Orixá Olooke vendo o prejuízo que Jagun teve e o tempo que ficou em outras terras, por causa de seu pedido de buscar Oxum, intitulou Jagun Olu  (Guerreiro senhor ), para retribuir o tempo que Jagun ficou afastado de sua terra que tanto amava (Ekiti ). Orixá Jagun foi muito confundido com o culto à Omolu e Obaluaye, e foi por esse motivo que muitos de seus fundamentos se perderam, mas graças a Olorum, está sendo resgatado todos os preceitos e orôs..Jagun possui caminhos próprios, como Jagun Odé, Arawe, Agaba e outros….Jagun é um lindo Orixá de grande valor  e na verdade seu culto é separado de Obaluaye….
 

Aqui vamos relacionar alguns caminhos de Jagun …

Jagun Arawê, ligado a Ossayn e Oxaguian
 
Jagun Igbonan, ligado a Ayrá,Oya e Obá
 
Jagun Algbá, ligado a Exú, Oxaguian, Oxalufan e Oxun Yeye Ayalá
 
Jagun Odé, ligado a Odé Inlé, Ogun Jáe todos os caçadores
 
Jagun Agbá funfun, ligado a Oxalufan, Iyemanjá e Oxun
 
Jagun Seji Onan ou Ajoji, ligado a Exu e Ogun
 
Suas folhas: Akoko, algodão, saião, fortuna. folha de obi, folhas de iroko , folhas oguegue e todos folhas de Oxalá…

Olubajé

O Olubajé é a festa anual em homenagem a Obaluaiê , onde as comidas são servidas na folha  de mamona . Rememorando umitan  (mito) onde todos os Orixás  para se acertarem com Obaluaiê, por motivos de ter sido chacoteado numa festividade feita por Xangô  por sua maneira de dançar.
Nessa festividade, todos os Orixás participam, com exceção de Xangô e principalmente Osanyin , Oxumarê , Nanã  e Yewá , que são de sua família. Oyá  tem papel importante por ser ela que ajuda no ritual de limpeza e trazer para o barracão  de festas a esteira , sobre a qual serão colocadas as comidas.
Olubajé é ritual especifico para o orixá  Obaluaiê , indispensável nos terreiros  de candomblé , no sentido de prolongar a vida  e trazer saúde  a todos os filhos e participantes do axé . No encerramento deste rito é oferecido no mínimo nove iguarias da culinária afro-brasileira chamada de comida ritual pertinente a vários Orixás, simbolizando a Vida , sobre uma folha chamada “Ewe Ilará ” conhecida popularmente como mamona, “altamente venenosa” simbolizando a Morte  (iku) .

Diz uma lenda que Xangô, um Rei muito vaidoso, deu uma grande festa em seu palácio e convidou todos os Orixás, menos Obaluaiê, pois as suas características de pobre e de doente assustavam o rei do trovão. No meio do grande cerimonial todos os outros Orixás começaram a notar a falta do Orixá Rei da Terra e começaram a indagar o porquê da sua ausência, até que um deles descobriu de que ele não havia sido convidado.
Todos se revoltaram e abandonaram a festa indo a casa de Obaluaiê pedir desculpas, Obaluaiê  recusava-se a perdoar aquela ofensa até que chegou a um acordo; daria uma vez por ano uma festa em que todos os Orixás seriam reverenciados e este ofereceria comida a todos desde que Xangô comesse aos seus pés e ele aos pés de Xangô.
Nascia assim a cerimônia do Olubajé. Porém, existem diversas outras lendas que narram outros motivos sobre o porquê de Xangô e Ogum não se manifestarem no Olubajé.

“O Olubajé é muito mais uma obrigação do que uma festa” – 

Usando essa frase, podemos entender melhor o que é o Olubajé que quer dizer : Olú : Aquele Que; Ba : Aceita; Je : Comer. Ou seja: Aquele que come. E ele tem origem em uma lenda que conta, que um dia houve uma festa no Orun e todos os orixás foram convidados, todos dançaram, porém quando Omolu foi dançar, todos o ridicularizaram pois dançava apontado suas feridas e de maneira desengonçada, e vendo todos rirem dele, no final de sua dança, apontou para todos os orixás e sobre eles jogou uma praga e conforme os dias foram passando, todos ficaram doentes, a terra se tornou improdutiva, foi quando  os omo-orixás pediram para que os Orixás intercedesse junto a Omolu para que tudo voltasse ao normal e então os eles decidiram fazer um grande banquete em homenagem a Omolu, foi então que vendo-se agradado, retirou a praga e disse que a partir daquele momento, todos os anos deveria ser feito o Olubajé em sua homenagem e além disso que servisse como um ebó para todos os omo-orixás.
Esse é um ritual realmente muito importante, além do que é feito em sala, existe todo um preparo que antecede a festa, além de toda a culinária.


O Sabejé

O sabejé é o ato onde Oyá sai com o balaio de pipocas, e as pessoas vão colocando dinheiro em troca de um punhado de pipoca. Porém o sabejé é muito mais do que isso, ele significa a submissão e o sacrifício em nome do orixá, e nos dias de hoje muitas pessoas não sabem que antigamente os filhos de santo no mês de Agosto, saiam realmente as ruas para pedir dinheiro  para poder fazer o olubajé.

Os pratos do Olubajé

No Olubajé são servidas todas as comidas de santo, menos as de Xangô e são elas:

– Feijão Preto Cozido


– Axoxó


– A pipoca, a banana da terra frita, além da farofa de Omolu onde vão os seus axés.


– O feijão fradinho, feijão preto e milho de galinha cozidos com ovo cozido por cima.


– Mostarda refogada.


– Omolokun


– O feijão fradinho, feijão preto e milho de galinha cozidos com ovo cozido por cima.


– Acaráobá


– Acarajé


– Ebô


– Eboyá


– Acaçá 


– Aruá

Servidos na folha de mamona (Ewèlará: folha do mundo). Em seguida. Todos os presentes na cerimónia devem comer um pouco de cada uma das comidas, utilizando apenas as mãos para comer, e é também obrigatório que todos dancem ao som das músicas e cantigas que vão sendo entoadas em louvor do Orixá.

Obaluaiê


OBALUAIÊ

ABSTINÊNCIA
 
Obaluaiê era muito mulherengo e não obedecia a nenhum mandamento que fosse. Numa data importante, Orunmilá advertiu-o que se abstivesse de sexo, o que ele não cumpriu. Naquele mesmo dia possuiu uma de suas mulheres. Na manhã seguinte despertou com o corpo coberto de chagas.

Suas mulheres pediram a Orunmilá que intercedesse junto a Olodumarê, mas este não perdoou Obaluaiê, que morreu em seguida.
Orunmilá usando o mel de Oxum, despejou-o por sobre todo o palácio de Olodumarê.
Este, deliciado, perguntou a Orunmilá quem havia despejado em sua casa tal iguaria.
Orunmilá disse-lhe que havia sido uma mulher. Todas as divindades femininas foram chamadas, mas faltava Oxum, que confirmou ao chegar que era seu aquele mel. Olodumare pediu-lhe mais, ao que Oxum lhe fez uma proposta.
Oxum daria a ele todo o mel que quisesse, desde que ressuscitasse Obaluaiê.
Olodumarê aceitou a condição de Oxum, e Obaluaiê saiu da terra vivo e são.

AS DUAS MÃES DE OBALUAIÊ

Filho de Oxalá e Nanã, nasceu com chagas, uma doença de pele que fedia e causava medo aos outros, sua mãe Nanã morria de medo da varíola, que já havia matado muita gente no mundo. Por esse motivo Nanã, o abandonou na beira do mar. Ao sair em seu passeio pelas areias que cercavam o seu reino, Iemanjá encontrou um cesto contendo uma criança. Reconhecendo-a como sendo filho de Nanã, pegou-a em seus braços e a criou como seu filho em seus seios lacrimosos.
 
O tempo foi passando e a criança cresceu e tornou um grande guerreiro, feiticeiro e caçador. Se cobria com palha da costa, não para esconder as chagas com a qual nasceu, e sim porque seu corpo brilhava como a luz do sol. Um dia Iemanjá chamou Nanã e apresentou-a a seu filho Xapanã, dizendo: Xapanã, meu filho receba Nanã sua mãe de sangue. Nanã, este é Xapanã nosso filho. E assim Nanã foi perdoada por Omulu e este passou a conviver com suas duas mães.

A VIDA ENSINA

Quando Omolu era um menino de uns doze anos, saiu de casa e foi para o mundo para fazer a vida. De cidade em cidade, de vila em vila, ele ia oferecendo seus serviços, procurando emprego. Mas Omolu não conseguia nada. Ninguém lhe dava o que fazer, ninguém o empregava, e ele teve que pedir esmola.

Tinha um cachorro que o acompanhava. Omolu e seu cachorro retiraram-se no mato e foram viver com as cobras. Omolu comia o que a mata dava: frutas, folhas e raízes. Mas os espinhos da floresta feriam o menino. As picadas de mosquitos cobriam-lhe o corpo.Omolu ficou coberto de chagas.
Só o cachorro confortava Omolu, lambendo-lhe as feridas. Um dia, quando dormia, Omolu escutou uma voz:
-Estás pronto. Levanta e vai cuidar do povo.
Omolu viu que todas as feridas estavam cicatrizadas. Não tinha dores nem febre. Omolujuntou as cabacinhas, os atos, onde guardava água e remédios que aprendera a usar com a floresta, agradeceu a Olorum e partiu.
Naquele tempo uma peste infestava a Terra. Por todo lado estava morrendo gente, todas as aldeias enterravam seus mortos. Os pais de Omolu foram ao babalaô e ele disse queOmolu estava vivo e que ele traria a cura para a peste.
Todo lugar aonde chegava, a fama precedia Omolu. Todos esperavam-no com festa, pois ele curava. Os que antes lhe negaram até mesmo água de beber agora imploravam por sua cura. Ele curava a todos, afastava a peste. Então dizia que se protegessem, levando na mão uma folha de dracena, o peregum, e pintando a cabeça com efum, ossum e uági, os pós branco, vermelho e azul usados nos rituais e encantamentos. Curava os doentes e com o xaxará varria a peste para fora da casa, para que a praga não pegasse outras pessoas da família. Limpava as casas e aldeias com a mágica vassoura de fibras de coqueiro, seu instrumento de cura, seu símbolo, seu cetro, o xaxará.
Quando chegou em casa, Omolu curou os pais e todos estavam felizes. Todos cantavam e louvavam o curandeiro e todos o chamaram de Obaluaiê, todos davam vivas ao Senhor da Terra, Obaluaiê.

BELA CAÇADORA

Euá era uma caçadora de grande beleza, que cegava com veneno quem se atrevesse a olhar para ela.

Euá casou-se com Omulu, que logo demonstrou ser marido ciumento.
Um dia, envenenado pelo ciúme doentio.
Omulú desconfiou da fidelidade da mulher e a prendeu num formigueiro.
As formigas picaram Euá quase até a morte e ela ficou deformada e feia. Para esconder sua deformação, sua feiúra, Omulú então a cobriu com palha-da-costa vermelha.
Assim todos se lembrariam ainda como Euá tinha sido uma caçadora de grande beleza.

CABAÇAS

Conta umas das lendas de Iansã, a primeira esposa de Xangô, teria ido, a seu mandato, a um reino vizinho buscar 3 cabaças que estava com Obaluaiê. Foi dito a ela que não abrisse estas cabaças, as quais ela deveria trazer de volta a Xangô. Iansã foi e lá e Obaluaiê recomendou mais uma vez que não deixasse as cabaças caírem e quebrarem e, se isto acontecesse, que ela não olhasse e fosse embora.

Iansã ia muito apressada e não aguentava mais segurar o segredo. Um pouco mais à frente quebrou a primeira cabaça, desrespeitando a vontade de Obaluaiê.

Saíram de dentro da cabaça os ventos que a levou para o céus. Quando terminaram os ventos, Iansã voltou e quebrou a segunda cabaça. Da segunda cabaça saíram os Eguns. Ela se assustou e gritou: Reiiii! Na vez da terceira cabaça Xangô chegou e pegou para si, que era a cabaça do fogo, dos raios.

CALMANTE

Xapanã, originário de Tapa, leva seus guerreiros para uma expedição aos quatro cantos da terra. Uma pessoa ferida por suas flechas ficava cega, surda ou manca,Obaluaê-Xapanã chega ao território de Mahi no norte de Daomé, matando e dizimando todos os seus inimigos e começa a destruir tudo o que encontra a sua frente.

Os Mahis foram consultar um Babalaô e o mesmo ensinou-os como fazer para acalmar Xapanã. O Babalaô diz que estes deveriam trata-lo com pipocas, que isso iria tranqüilizá-lo, e foi o que aconteceu.
Xapanã tornou-se dócil.
Xapanã contente com as atenções recebidas mandou construir um palácio onde foi viver e não mais voltou ao país Empê.

CIDADE ESTRANHA
Oxum conheceu o príncipe Odé, cuja a delicadeza e a finura a cativaram, acabaram se casando.
O casamento foi muito festejado, mas assim que começaram a vida íntima, Oxum começou a compreender mais profundamente os pensamentos do esposo. Ele queria construir uma cidade destinada a abrigar odadis e alakuatás (homossexuais masculinos e femininos). Já erguida a cidade, nasceu Logum, uma criança hermafrodita.
Horrorizada Oxum abandonou a cidade dos odadis.
O jovem ficou ali e foi o primeiro a ajudar Orunmilá.
Enquanto isso Oxum faz uma viagem em busca de Iemanjá, irmã de sua mãe.

Oxum ofereceu-se a sua irmã e aos sacerdotes Iorubás a ir buscar Ogum que estava recluso na mata desde a que perdera a disputa com Xangô por causa da Oiá.

Retornando ao palácio de Iemanjá, depois da festa de boas vindas a Ogum, Oxum conheceu Obaluaiê, homem já de certa idade mas de aspecto majestoso e viril.
Oxum e Obaluaiê casaram-se e partiram para a terra de jejes onde Obaluaiê era rei.

CLAUSURA
 

Euá, filha de Obatalá e Nanã, vivia em seu castelo como se estivesse numa clausura.
O amor de Obatalá por ela era muito estranho.

A fama da beleza e da castidade da princesa chegou a todas as partes, inclusive ao reino de Xangô.
Mulherengo como era, Xangô planejou como iria seduzir Euá.
Empregou-se como jardineiro no palácio de Obatalá.
Um dia Euá apareceu na janela e admirou-se de Xangô. Nunca havia visto um homem como aquele.
Não se tem notícia de como Euá se entregou a Xangô, no entanto, arrependida de seu ato, pediu ao pai que lhe enviasse a um lugar onde nenhum homem lhe enxergasse.
Obatalá deu-lhe o reino dos mortos.

Desde então é Euá quem, no cemitério, entrega a Oiá os cadáveres que Obaluaiê conduz para que Orixá-Okô os coma.
CONSAGRAÇÃO
Omolú se dedicou a conhecer as ervas e assim poder curar as doenças de seu povo, se tornando o grande curandeiro dos enfermos acometidos por doenças da pele e por doenças que causam a grande febre do corpo e consomem com suas feridas os homens.
Se sentindo seguro e como era muito aventureiro resolve caminhar pela terra e conhecer seu povo.
Após uma longa jornada buscou a sombra de uma palmeira frondosa para descansar e adormeceu.
Foi acordando com uma voz que queria saber o porquê de estar ali dormindo e se necessitava de algo.
A vós que o acordou era de um homem já maduro e este era seu pai Oxalá, que não sabia de sua existência e os dois trocaram informações, Omolú ofereceu água e vinho de palma para Oxalá, e Oxalá ficou muito satisfeito com essa gentileza e a conversa se estendeu de forma que Oxalá ficou sabendo dos conhecimentos de Omolú, com relação a cura das doenças da pele.
E, em baixo da palmeira, Oxalá consagrou Omolú, tornando-o assim Òbá Lú Aiyé,
O Rei do Mundo, ou O Rei da Terra.
DANÇARINA
Certa vez houve uma festa com todos os Orixás presentes.
Omulu-Obaluaê chegou vestindo seu capucho de palha. Ninguém o podia reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele.
Só Oiá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra.
Tanto girava Oiá na sua dança que provocava vento.
E o vento de Oiá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê.
Para surpresa geral, era um belo homem.
O povo o aclamou por sua beleza.
Obaluaê ficou mais do que contente com a festa, ficou grato e em recompensa, dividiu com ela o seu reino.
Fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos.
Rainha que é Oiá Igbalé, a condutora dos eguns.
Oiá então dançou e dançou de alegria para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dançava , agitava no ar o iruquerê, o espanta-mosca com que afasta os eguns para o outro mundo.
Rainha Oiá Igbalé, a condutora dos espíritos.
Rainha que foi sempre a grande paixão de Omulu.
DESCOBERTA
Há quem diga que Oiá foi namorada de Obaluaê e conseguiu que ele mostrasse o rosto sob as palhas.
Provocou um grande vento e o azê foi levantado.
Ficou surpresa por que o rosto de Obaluaê era belíssimo. Obaluaê gosta muito de Oiá e de sua espontaneidade desinteressada.
Ela é alegre, bonita, brejeira e generosa muitas vezes Oiá acompanha Euá em suas inúmeras viagens ao céu, rumo ao reino de Oxumarê, e em contrapartida Oiá é acompanhada pela Euá no transporte dos espíritos do aiê ao orun.
DISFARCE
Um dia em uma festa, onde Oiá a grande deusa dos ventos era homenageada, e todos se divertiam e dançavam, Omolú reparou em uma linda mulher que dançava graciosamente, fazendo movimentos sensuais e que ao vê-lo de longe, se encantou por ele e indo até ele o convidou a dançar. Omulu sem saber como reagir, tomou o caminho da mata, nesse momento Ogum seu irmão ao perceber o que estava acontecendo, correu mata à dentro e confeccionou um capuz com a palha encontrada na mata e fez Omolú colocá-lo.
Se sentido seguro por ter o rosto coberto Omolú se aproximou de Oiá que o havia convidado para dançar e dançou junto com ela e ao verem como ele dançava muito bem os presentes se aproximavam para saber quem era aquele jovem que se escondia atrás daquele capuz de palha (azé).
FUGA
Xapanã sabendo-se leproso e que, por isto causava nojo e medo a todos que dele se aproximavam, procurava sempre se esconder, dando muito trabalho a Iemanjá para encontrá-lo.
 
Iemanjá resolveu prender nas vestes de Xapanã, diversos chaurôs, que facilitava a sua localização.
Por isto que quando se toca adejá, se por ventura estejam criança ocupada e dançando fingem, ou melhor, simulam uma fuga.
 
IRRESISTÍVEL
Xangô se considerava o máximo.
Mulher nenhuma no mundo conseguia resistir aos seus encantos. Era o mais belo dos reis, rico e cheio de si.
 
A fama da beleza de Euá corria mundo, e Euá não era casada.
Xangô resolveu a todo custo, seduzir Eua, nem que tivesse de trabalhar de servo em seu palácio, e foi o que fez.
Euá portadora de vidência e de premonição, previu a chegada em seu reino, de um grande senhor real que viria disfarçado de servo.
Assim preparada, ficou imune ao charme do senhor do fogo qualquer mulher que olhasse Xangô nos olhos brilhantes de fogo, cairia apaixonada.
Euá prevenida não olhava nos olhos.
O tempo foi passando e nada, Xangô irritado tentou possuí-la a força, a moça apavorada, mas muito valente deu uma mordida na mão de Xangô e soltou-se fugindo do palácio, com o rei disfarçado em seu encalço.
Xangô, furioso e pondo fogo pela boca, estava cada vez mais perto, quando Euá avistou a porta do cemitério e entrou, o que fez com que o rei de Oió fugisse apavorado, mas a tempo de dizer-lhe que ainda a possuiria de qualquer forma.
Cansada de tantas perseguições, Euá resolveu ficar residindo no Ilê Iboji, onde sempre estaria a salvo de Xangô, estabelecendo um grande relacionamento com Ikú.
Casou-se com Omolú e tornou-se senhora dos cemitérios responsável pela transformação e distribuição de todos os elementos para a decomposição do cadáver.
 
MUITOS AMORES
 
Iansã percorreu vários reinos usando sua inteligência, astúcia e sedução para aprender de tudo e conhecer igualmente tudo.
 
Em Irê, terra de Ogum foi a grande paixão do Guerreiro. Aprendeu com ele o manuseio da espada e ganhou deste o direito de usá-la.
Depois partiu e foi para Oxogbo, terra de Oxaguiã. Com ele aprendeu o uso do Escudo para se defender de ataques inimigos e recebeu o direito de usá-lo.
Depois partiu e nas estradas deparou-se com Bará. Com ele aprendeu os mistérios do fogo e da magia. No reino de Odé, seduziu o deus da Caça, e aprendeu a caçar, a tirar a pele do búfalo e se transformar naquele animal com a ajuda da magia aprendida com Bará.
Seduziu Logunedé e com ele aprendeu a pescar.
Foi para o Reino de Obaluaê, pois queria descobrir seus mistérios e conhecer seu rosto. Lá chegando, insinuou-se. Mas muito desconfiado, Obaluaê perguntou o que Oia queria e ela respondeu: 

-queria ser sua amiga.
Então, fez sua dança dos ventos, que já havia seduzido vários reis. Contudo, sem emocionar ou sequer atrair a atenção de Obaluaê. Incapaz de seduzí-lo, Iansã procurou apenas aprender, fosse o que fosse. Assim dirigiu-se ao homem da palha:
-Aprendi muito com os outros Reis, mas só me falta aprender algo contigo.

-Quer mesmo aprender, Oia? Vou te ensinar a tratar dos Mortos.
Oiá venceu seu medo com sua ânsia de aprender e com ele descobriu como conviver com os Eguns e a controlá-los. Partiu então para o Reino de Xangô, pois lá acreditava que teria o mais vaidoso dos reis e aprenderia a viver ricamente. Mas ao chegar ao reino do rei do trovão, Iansã aprendeu mais do que isso, aprendeu a amar verdadeiramente e com uma paixão violenta, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e deu à ela seu coração. O fogo das paixões, o fogo da alegria e o que queima. Ela é o Orixá do Fogo.
 
OFERENDA
 
Xapanã era um guerreiro terrível que, seguido de suas tropas, percorria o céu e os quatro cantos do mundo. Ele massacrava sem piedade aqueles que se opunham à sua passagem. Seus inimigos saíam dos combates mutilados ou morriam de peste. Assim, chegou Xapanã em território Mahí, no Daomé. A terra dos Mahis abrangia as cidades deSavalú e Dassa Zumê. Quando souberam da chegada iminente de Xapanã, os habitantes desta região, apavorados, consultaram um adivinho. E assim ele falou: “Ah! O Grande Guerreiro chegou de Empê! Aquele que se tornará o senhor do país! Aquele que tornará esta terra rica e próspera, chegou! Se o povo não o aceitar, ele o destruirá! É necessário que supliquem a Xapanã que os poupe. Façam-lhe muitas oferendas; todas as que ele goste: inhame pilado, feijão, farinha de milho, azeite de dendê, picadinho de carne de bode e muita, muita pipoca! Será necessário também que todos se prosternem diante dele, que o respeitem e o sirvam. Logo que o povo o reconheça como pai, Xapanã não o combaterá, mas protegerá a todos!
 
 
 

Quando Xapanã chegou, conduziu seus ferozes guerreiros, os habitantes de Savalú eDassa Zumê reverenciaram-no, encostando suas testas no chão, e saudaram-no: “Totôhum! Totô hum! Atotô! Atotô!” “Respeito e Submissão!” Xapanã aceitou os presentes e as homenagens, dizendo: “Está bem! Eu os pouparei! Durante minhas viagens, desde Empê, minha terra natal, sempre encontrei desconfiança e hostilidade. Construam para mim um palácio. É aqui que viverei a partir de agora!” Xapanã instalou-se assim entre os Mahis. O país prosperou e enriqueceu e o Grande Guerreiro não voltou mais a Empê, no territórioTapá, também chamado Nupê.

RECOMPENSA

 

Houve uma festa e todos os Orixás estavam presentes. Menos Xapanã, que ficara do lado de fora.
Ogum pergunta por que o irmão não vem e Nanã responde que é por vergonha de suas feridas causadas pelas doenças.
Ogum resolve ajudá-lo e o leva até a floresta onde tece para ele uma roupa de palha que lhe cobre o corpo todo. O filá! Mas a ajuda não dá muito certo, pois muitos viram o que Ogum fizera e continuavam a ter nojo de dançar com o jovem Orixá, menos Iansã, altiva e corajosa, dança com ele e com eles o vento de Iansã que levanta a palha e para espanto de todos, revela um homem lindo, sem defeito algum.

Todos os Orixás presentes, ficam estupefatos com aquela beleza, principalmente Oxum, que se enche de inveja, mas agora é tarde, Xapana não quer mais dançar com ninguém.
Em recompensa pelo gesto de Iansã, Xapana dá a ela o poder de também reinar sobre os mortos. Mas daquele dia em diante, Xapana declarou que somente dançaria sozinho.

SOFRIMENTO

Odé grande caçador entrou na mata com seu filho, Logunedé, ensinando-lhe a arte de caçar e manejar o arco e a flecha.
Após inúmeras caçadas, Logunedé sentou-se embaixo de uma árvore para descansar.
Nessa árvore pousou um pássaro e Odé preparou sua arma e atirou.
Acertou em cheio pássaro e, também, uma colméia de abelhas. Elas foram cair justamente sobre a cabeça de Logunedé, que sem ter como se defender foi picado.
Odé vendo o desespero do filho correu a acudi-lo, sendo mordidas várias vezes.

 Conseguindo fugir, deitou seu filho em folhas frescas e, sem saber o que fazer pôs-se a chorar.Eis que o orixá Omolú vendo aquilo, parou e apiedou-se do estado de Logunedé, pois, a criança estava morrendo. Omolú tirou de sua capanga água de cana e gengibre, pilou e aplicou sobre os ferimentos, aliviando as dores. Após isto, fez o mesmo com Odé, curando-o completamente.
Odé então lhe disse: Senhor dos aflitos ponho o meu reino a seus pés e toda a minha caça que daqui por diante eu conseguir, comeremos juntos.
Omolú agradeceu e seguiu seu caminho.
Então Odé jurou que nunca mais comeria o mel, pois, o mel o faria lembrar todo o sofrimento seu e de seu filho.

VENTO

Conta umas das lendas de Iansã, a primeira esposa de Xangô, teria  ido, a seu mandato, a um reino vizinho buscar 3 cabaças que estava com Obaluaiê.

Foi dito a ela que não abrisse estas cabaças, as quais ela deveria trazer de volta a Xangô.
Iansã foi e lá Obaluaiê recomendou mais uma vez que não deixasse as cabaças caírem e quebrarem e, se isto acontecesse, que ela não olhasse e fosse embora.
Iansã ia muito apressada e não agüentava mais segurar o segredo. Um pouco mais à frente quebrou a primeira cabaça, desrespeitando a vontade de Obaluaiê.
Saíram de dentro da cabaça os ventos que a levou para os céus.
Quando terminaram os ventos, Iansã voltou e quebrou a segunda cabaça.
Da segunda cabaça saíram os Eguns. Ela se assustou e gritou: Reiiii!
Na vez da terceira cabaça Xangô chegou e pegou para si, que era a cabaça do fogo, dos raios.

VIAGEM PREMIADA

De volta de uma de suas viagens à África, Nanã Buruquê deu a luz a um menino,Obaluaê. Por causa do feitiço usado por Nanã para engravidar, Omolu nasceu todo deformado. Desgostosa com o aspecto do filho, Nanã abandonou-o na beira da praia, para que o mar o levasse. Um grande caranguejo encontrou o bebê e atacou-o com as pinças, tirando pedaços da sua carne.

Quando Omolu estava todo ferido e quase morrendo, Iemanjá saiu do mar e o encontrou. Penalizada, acomodou-o numa gruta e passou a cuidar dele, fazendo curativos com folhas de bananeira e alimentando-o com pipoca sem sal nem gordura até o bebê se recuperar. Então Iemanjá criou-o como se fosse seu filho.

Prece a Omulu


PRECE
Senhor Omolú!
Tu és dono do cemitério,
Tu que és sentinela do sono eterno,
Daqueles que foram seduzidos ao teu reino.
Tu que és guardião das almas,
que ainda não se libertou da matéria,
Ouve a minha súplica, atende ao apelo angustioso do teu filho.
Que se debate no maior dos sofrimentos.
Salve-me – Irmão Lázaro.
Aqui estou diante da tua imagem sofredora,
Erguendo a derradeira prece dos vencidos,
Conformado com o destino que o Pai Supremo determinou.
Para que eu suplicasse minha alma no maior dos sofrimentos.
Salve minha alma desse tormento que me alucina.
Tome meu corpo em teus braços.
Eleva-me para teu reino.
Se achares porém, que ainda não terminou minha missão neste planeta,
Encoraja-me com exemplo da tua humildade e da tua resignação.
Alivia meus sofrimentos, para que levante deste leito e volte a caminhar.
Eu te suplico, mestre!
Eu me ajoelho diante do poder imenso,
De que és portador.
Invoco a vibração do Omulú.
Atotô, meu pai.
Meu Senhor, ajude-me.

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