A Lua


Para o Povo Cigano, a Lua Cheia é o maior elo de ligação com o “sagrado”, quando são realizados mensalmente os grandes festivais de consagração, imantação e reverenciação à grande “madrinha”.
As celebrações da Lua Cheia acontecem todos os meses em torno das fogueiras acesas, do vinho e das comidas, com danças e orações. Também para os Ciganos tudo é vida, é “maktub” (está escrito nas estrelas), por isso são atentos observadores do céu e verdadeiros adoradores dos astros e dos sidéreos. Os ciganos praticam a Astrologia da Mãe Terra respeitando e festejando seus ciclos naturais através dos quais desenvolvem poderes verdadeiramente mágicos.
Para os Ciganos no plano mental a lua representa nosso inconsciente e as nossas emoções. Cada uma destas fases influencia nossa sensibilidade, nossa disposição e, portanto nossas atividades. As fases da lua são muito importantes na magia cigana, como em qualquer outra magia, portanto devemos respeitar as forças da natureza.
· Lua Nova – é o momento da germinação, na busca de novos caminhos. Ficamos mais introspectivos e indecisos. Não é um bom momento para tomarmos decisões. É a época de deixarmos amadurecer nossos propósitos e ideais.
· Lua Crescente – nossas idéias e emoções tornam-se pouco a pouco, mais claras. Ficamos mais objetivos. É o momento de colocarmos em prática o que planejamos. Tornamo-nos mais sociáveis.
· Lua Cheia – simboliza a plenitude. Ficamos mais receptivos. Nosso inconsciente aflora mais facilmente. Tudo que planejamos chega ao seu nível máximo de potencialidade.

· Lua Minguante – este é o período de avaliação daquilo que foi feito. É o momento de terminar tudo que foi iniciado nos ciclos anteriores. Ficamos extremamente sensíveis.

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Adoxu

Adoxu: O Que é, e Sua Importância Na Iniciação
Na Iniciação (de santo) Òsù (adoxé, Adoxu) é um amalgamado de substâncias secretas, algumas in-natura, outras secas, algumas torradas mas tudo isto reduzidos a pó, este conhecido como iye. Ele serve de veículo para transmitir o axé do Orixá a ser consagrado no futuro iniciado dentro do Candomblé de Nação (culto ao Orixá).
O òsù será formado pelos elementos constitutivos e carrega não somente o àse mas a individualização de cada Orixá, sendo assim há uma expressiva diferença entre os òsù, cada qual leva suas substâncias distintas e específicas, ou seja, um diferente do outro. É a preparação mística de uma base apta a receber o Òrìsà, quando ele manifestar-se no iniciado. Para que possa veicular o àse pretendido, deve ser consagrado ritualisticamente em um odo (almofariz/pilão) devidamente preparado para este tipo de cerimônia.
O almofariz, onde os remédios e elementos sagrados são triturados é considerado um objeto sagrado feito apenas com determinados tipos de madeira. Simboliza as duas forças fundamentais: o almofariz representa o pólo feminino, enquanto o pilão representa o pólo masculino. O que se obtém destes dois é o terceiro elemento “O elemento criado, o elemento procriado”. O ritual para o preparo do òsù, onde são recitados a cerimônia adúrà (rezas) são de competência única e exclusiva dos Babalorixás e  Ialorixás.
Em determinado estágio da iniciação, transfere-se esta massa do almofariz e a fixa em formato cônico, sobre o crânio raspado do noviço, mais especificamente em um pequeno corte ritualístico denominado de gbéré, por intermédio de um ciclo ritual que culmina quando esta profere algumas palavras, afim de consagrar o òsù. Estas palavras são conhecidas como ofò. Uma vez sacralizado corretamente e por quem de direito, o òsù fortalece o àse do Orixá consagrado no iniciado e este passa ser chamado de Adòsù. A denominação Adosu (Adoxu) , resulta na forma contraída das palavras: A – dá – òsù, o que poderíamos interpretar como: “Aquele que carrega o òsù” ou “O Portador do òsù”.
O Adósù é um símbolo de submissão ao grande Aláàfin (o soberano da cidade de Òyó). Os seus seguidores, portam este tufo de cabelo, que situa-se no alto da cabeça para que todos possam visualizar, o mesmo ocorre com os iniciados que carregam este símbolo para que sejam reconhecidos como os seguidores e submissos de Sàngó em território Yorùbá, sabe-se que é um dos símbolos mais importantes e sagrados para os iniciados desta divindade, origem Yorùbá.
A galinha de Angola, chamada Etun ou Konkém; ela é o maior símbolo de individualização e representa a própria iniciação. A Etun é adoxu (adosú), ou seja, é feita nos mistérios do Orisá. 

O Adoxu, é um dos maiores fundamentos do Candomblé. Adoxar somente uma vez, neste ato momento do Orunkó (nome do Orisá masculino) ou Morunkó (nome do Orisá feminino) o Orisá só pronuncia este nome no barracão somente uma única vez. Sem Adoxu não há Orixá.

Deus segundo Baruch Spinoza

Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: – ” Acredito no Deus de Spinoza que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa em premiar ou castigar os homens”.
O DEUS DE SPINOZA
Estas palavras são de Baruch Spinoza, filósofo holandês que viveu em pleno séc. XVII. Este texto foi chamado de “Deus segundo Spinoza” ou “Deus Falando com você”.
“Para de ficar rezando e batendo no peito. O que eu quero que faças é que saias pelo mundo, desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Para de ir a estes templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nas praias. Aí é onde eu vivo e expresso o meu amor por ti.
Para de me culpar pela tua vida miserável; eu nunca te disse que eras um pecador.
Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar dos teus amigos, nos olhos de teu filhinho… não me encontrarás em nenhum livro…
Para de tanto ter medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem me incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te castigar por seres como és, se sou Eu quem te fez? 
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos os meus filhos que não se comportam bem pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita o teu próximo e não faças aos outros o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida; que teu estado de alerta seja o teu guia. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Para de crer em mim . . . crer é supor, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho de
mar.
Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo. Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. Não me procures fora! Não me acharás.
Procura-me dentro… aí é que estou, dentro de ti.”

Perfumes Ciganos

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  • PERFUME DE VIOLETAS

Para quem quer impulsionar projetos em fase de planejamento, desenvolver dinamismo, ambição
e disposição.

  • PERFUME DE VERBENA

Para pessoas tradicionais, amorosas, determinadas e que querem idéias para desenvolver formas de artes mais ousadas.

  • PERFUMES CÍTRICOS

Para pessoas que atravessam fases difíceis e não querem se deixar abater, ou que precisam de descanso e entusiasmo com a própria vida.

  • PERFUME DE ACÁCIA

Para pessoas sensíveis ao extremo, que precisam não dar tanto valor ao que lhe falam. Melhora o astral e ajuda a decidir o melhor em uma situação duvidosa.

  • PERFUME DE SÂNDALO

Para aumentar o magnetismo e não passar despercebido(a). Para cultivar amizades e conseguir seus ideais. Favorece o poder de liderança.

  • PERFUME DE FRUTAS

Para pessoas que são críticas demais e que por vezes acabam se machucando por isso, ou para pessoas reservadas que querem se entregar para a emoção.

  • PERFUME DE ALMÍSCAR

Para pessoas que tem dons artísticos múltiplos, mas não sabem qual caminho tomar. Romantismo e emoções duradouras são favorecidas.

PERFUME DE CEDRO
Para pessoas joviais, esportivas e que amam a diversão de um bom bate papo. Faz com que a pessoa seja menos radical em suas opiniões, e que seja ainda mais querida.

  • PERFUME DE ABSINTO

Para pessoas profundas, que intensamente e por vezes sofrem por isso, para deixar de pensar que tudo é um mistério e descontrair-se mais.

  • PERFUME DE JASMIM

Para pessoas sérias, persistentes e sofisticadas. Para quem é tímido e prudente, e não deixa as emoções virem à tona.

  • PERFUME DE LAVANDA

Para quem é prático e original demais, adora novidades e se apaixona por tudo o que faz. Essa fragrância traz equilíbrio e calma.

  • PERFUME DE FLOR DE LARANJEIRA

Para pessoas sonhadoras, intuitivas e tímidas.

Voduns no Jeje (Mitologia Ewe e Fon)

Os voduns do Jeje Mahi seguem uma divisão por famílias ou panteões, cujos principais são:

 

Panteão da Serpente (Dan): Neste panteão agrupam-se todos os “Voduns Serpentes”, estão ligados diretamente ao movimento, a vida, a renovação e a adivinhação. Alguns voduns Dan: Gbesén, Dangbala, Áidò Wèdò, Frekwen ou Kwenkwen, Dan Ikó, Dan Xwevé, Dan Akasú, Dan Jikún ou Ojikún, Azannadô ou Zoonodô (que está ligado também a Hevioso), Aziri ou Azli.
Panteão do Trovão (Hevioso): Neta família agrupam-se os Voduns Kavionos, ligados ao fogo, à justiça, e ao raio, e também os voduns do oceano (Tòvodum) que mantêm estreitas ligações com os Voduns Kavionos. O Panteão é liderado pelo vodum Sogbo. Os Voduns Kavionos: Sògbò, Gbadé, Akarumbé, Adeen, Kposu, Averekete, Lissá, Agbé Tayó (vodun do aceano), Djó e Agbé Hunnòn (avejidá), Loko.
Panteão da Terra (Sakpata): Neste panteão se agrupam os voduns da terra, das riquezas e das doenças, ligados a vida e a morte. Azansu é o lider do Panteão. Alguns voduns do Panteão: Azansú (Sakpata), Ewá, Parará ou Pararalibu, Avimadje, Agué, Ayizan, Nanã, Agbé Gèlèdè e Abè Afefè (Avejidá). Kposu está ligado a Sakpata, embora seja de Hevioso.
Nagô-Vodum: Esses voduns são na verdade orixás, pois são de origem nagô. Os principais são: Gú (Ogum), Odé, Oyá, Oxun, e Yemanjá. No Bogun, pode-se encontrar o culto a Logun Edé.
Guardiões: Responsáveis pela defesa e fiscalização da casa, como Sòhòkwe, Legba e mesmo Ogun. Legbá por suas diversas funções está ligado aos diversos panteões.
Muitas famílias menores foram absorvidas pelas maiores, assim podemos notar que Avejidá foi dividida entre Sakpata e Hevioso.

Aziri Togbosi, Azli Togbosi ou Aziri Tobôssi (onde Tògbosì: Tò – água; gbo – grande quantidade; sì – esposa, senhora) é a maior e mais importante mãe das águas do Jeje Mahi, é uma divindade ligada às águas profundas, sejam elas doces ou salgadas, e tem estreitas ligações com a mãe nagô Yemanjá. Veste branco e adorna o pescoço com pérolas, considerada como a mãe de muitos Voduns.

 

Naê Aziri, Aziri Tolá ou Azli é uma mãe das águas correspondente a Òsún, ligada às águas doces e considerada uma mãe velha. Seguindo a variação podemos encontrar diferentes variações do nome como Aziri Kaia ou Togbosi Kaia (nome como Aziri Tobôssi é conhecida no Jeje Savalu), mas lembramo-nos que no Jeje não existem qualidades de Voduns, assim sendo, cada nome designa apenas um vodun ou é variação de um mesmo nome. Assim Aziri Tobôssi e Aziri Tolá são as correspondentes, respectivamente, de Yemanjá e Osun. Ainda quanto a Aziri Tobossi, ela pode ser tanto de água doce como salgada dependendo do seu Hún in (nome particular do Vodun).

 

Gu é a denominação fon do vodun senhor da guerra, da metalurgia, da cirurgia e das escarificações, que tem origem de culto do orixá yorubá Ogun. O culto de Gu foi introduzido no atual sul do Benin no final do século XVII por ferreiros e cirurgiões iorubás, e se tornou bastante popular, sendo cultuado nos templos e conventos de praticamente todos os demais voduns, além de ter os seus próprios. O emblema principal de Gu é o gubassá, que é uma adaga metálica adornada com desenhos místicos, utilizada em diversos rituais, incluindo o culto de Fá, para abrir caminho para o mundo dos espíritos. O gubassá é também conhecido e utilizado no vodu haitiano. Em segundo plano fica o gudaglô, menor que o gubassá e que Gu utiliza para defender seus filhos dos inimigos. Na iconografia fon, o vodun Gu é representado portando estes dois sabres, o gubassá na mão direita e o gudaglô na mão esquerda. Gu é o Vodum do ferro e da guerra, que dá ao homem a sua tecnologia. Ele não aceita a cumplicidade com o mal, por isso é capaz de destruir todos os culpados por atos infames e criminosos. Esta personalidade de Gu é expressa pelos Fons como “da Gu do”(Gu castiga, Gu mata). A ferramenta divina em forma de espada. É a divindade do ferro, da guerra e das cirurgias. Representa uma das principais forças de auxilio ao homem – ele é a própria força. Não é o ferro em si, mas sua propriedade de cortar.
Ewá é um vodum feminino da família de Sakpata. Filha de Aido Wedo e Dambala, irmã de Boçalabê nasceu para ser o símbolo da pureza e da beleza dos deuses. Do nascimento a fase adulta Yewa viveu na família de Dan onde representava a faixa branca do arco-íris onde também mora Ojiku. Recebeu de Aido Wedo o poder da vidência, da riqueza, e todos os corais que existiam no mar que ela pegava com seu arpão. A beleza física de Ewá encantava a todos que olhassem em seus olhos, mas essa nunca se encantava com ninguém pois era o símbolo da virgindade e da pureza. Muitos homens se apaixonaram por ela e todos foram punidos pelos deuses pois sabiam que era proibido amar a grande Virgem. Ojiku ou Dan Jikun é um Vodum Dan que sempre é muito confundido com Yewa, assim como Boçalabê que é sua irmã. Ojiku é considerado a Cobra branca e Boçalabê é uma Vodum das água doces, muito confundida com Oxum. Para muitos Ewá é também representada pela figura de uma serpente.
Sakpatá. De dupla etnia viveu com os Nagôs (Yorubá) onde é conhecido como Sapanná, e recebe os títulos de Obaluaiye ou Omolu. Azansú foi o responsável por trazer algumas divindades Yorubás para a Tradição Mahi. É o vodun Rei da Terra (Ayinon) senhor das doenças, da vida e da morte, é o chefe da familia Sakpata. Azansu significa “homem da esteira” onde “azan=esteira” e “su=homem”, mas pode significar também “homem de palha”. Seu domínio sobre o mundo dos mortos é íntegro, sendo ele o senhor do desencarne. É o deus da humildade, regendo todos os desprovidos de riqueza porém ricos de espírito. Seu poder é muito presente na sociedade e dentro do candomblé muitos são seus mistérios e mitos. Para os mais antigos, pronunciar seu nome sem tocar o chão é um sinal de desrespeito, podendo causar a fúria dessa divindade. Dentro das casas de Jeje, os vòdúns da família Sakpata são responsáveis pela doutrina e por toda a organização do ásé. São eles que normalmente cobram o neófito caso aja de forma incoerente as regras. Sua mãe é Nanã Buruku, que o abandonou logo após o nascimento, tendo sido encontrado e criado por Yemanjá. Azansu está ligado a Ewá, sua companheira. É irmão de Bessém e Loko, e também de Agué. Ayinon significa “dono da terra” e é o nome pelo qual este vodum é reverenciado.
Dans são os símbolos da continuidade. Simbolizam também a força vital, o movimento, tudo o que é prolongado. Sustenta a Terra e impede que se desintegre ou saia de órbita. Vivem no arco-íris. Nos arcos-íris da lua e do sol também encontramos Voduns Dan. Dan serve de protetor e auxiliar a outros voduns, em especial a Hevioso. No Brasil encontramos cerca de 40 Voduns Dans, na África encontramos muito mais que isso. Essa família é muito grande. O Dangbê é a serpente sagrada que representa o espírito de Vodum Dan. Dan é um Vodum muito exigente em seus preceitos, muito orgulhoso e teimoso. Quando tratado corretamente, dá tudo aos seus filhos e a casa de santo, mas se tratado de maneira errada ou se for esquecido castiga severamente. Vodum Dan é muito fiel a casa e a mãe/pai de santo que o fez. Dan tanto pode ser um Vodum masculino quanto pode ser um Vodum feminino, porém para tratá-lo, fazê-lo ou assentá-lo temos que cuidar sempre do casal. Como dizem os antigos “cobra não anda sozinha, seu parceiro está sempre por perto”. Ao se iniciar um filho de Dan, preceitos são feitos para que esse Vodum venha sempre em forma humana e nunca em forma de serpente, pois entendemos que na forma humana ele é menos perigoso e entende melhor os homens, podendo assim atender suas necessidades e supri-las. Na forma de serpente torna-se muito perigoso. De modo geral os filhos de Dan são muito chegados a doenças, principalmente de olhos. São pessoas vaidosas, ambiciosas, “perigosas”, espertas e inteligentes. São muito dedicados ao santo e dificilmente saem da casa onde foram feitos. Vestem branco em sua grande maioria. Alguns usam cor verde bem clarinho, prateado, ou tecido liso com o arco-íris estampado. Seus fios de conta variam de acordo com cada Vodum, não existe um modelo padrão. A cor representativa da maioria dos Dans é o verde e o amarelo. Sua louvação principal é: Aho bo boy = “Salve o rei cobra” ( Hho = rei, bo boy = Dans, serpentes, cobras). Os símbolos de Dan são: o arco-íris, a serpente pithon, o traken ou draka, patokwe, o dahun, a takara. E o assôm. Seu principal atinsá dentro de uma casa de Santo é denominado Dan-gbi, que é onde o arco-íris se encontra com a terra (“panela lendária do tesouro!”). Dan usa muitos brajás feitos de búzios. As aigri (escrementos de Dan) são importantíssimas em seus assentamentos e atinsás. No Brasil as Voduncis iniciadas para Dan recebem o cargo ilustre de Megitó (Nação Jeje-mahi).
Dambala e Aido Wedo (Dàngbála e Áidòwèdó) – Para alguns é uma unica divindade andrógina (Dambala é macho, Aido Wedo é femea, imagem de Dambala refletida na água formando o arco-iris), sendo Dambala representado pela serpente e Aido Wedo pelo arco-íris, são muito importantes no Vodu Haitiano. Dambala e Aido Wedo foram quem auxiliou Nanã Buruku na tarefa de criar o mundo (mito do povo Fon): segundo a narração Dambala levava Nanã nas costas enquanto ela criava a terra, a flora, os minerais e os animais, depois ele deu uma volta ao redor da Terra fazendo ela girar.
Bessém (Gbèsén) – Rei das tradições Maxi no Brasil, vodun da fecundidade e da vida, seu assento (assen) é o Dangbe, moticulo de barro com uma panela de barro em cima ornamento com cacos de louça de cor branca. Vodun adorado pelos Maxí como seu Ako vodun (Vodun Principal). Representado pela Piton sagrada. OUTROS:
  • -Frekwen: Feminina, guardiã do arco-íris em volta do sol. Também conhecida como Frekenda. Representada pelas cobras venenosas. Vodun feminino da família DAN, seria se não a parte feminina de Bessén mais ligada as águas, gosta de receber suas oferendas nas nascentes de água nos altos de montanhas, seu encanto é a serpente albina de cor branca e amarela, os antigos dizem que ela é a própria serpente albina, trate-se de um vodun muito encantado, domina o arco-íris em torno do sol, tem forte ligação com Yewá e Azansú, suas cores são o amarelo rajado de verde e vermelho ou as sete cores do arco-íris em missangas transparentes, gosta muito de brajás.
  • -Bosalabe: Toquem feminina, irmã gêmea de Bosuko e irmã de Yewá. Muito alegre e faceira vive nas águas doces. É conhecida também como Vodum Bossá.
  • -Bosuko: Masculino, toquem e gêmeo de Bossá.
  • -Ojiku ou Dan Jikun: Junto com Yewá, vive na parte branca do arco-íris e no arco-íris da lua. É quem trás as chuvas e é uma das esposas de Bessém.
  • -Dan-Ko ou Dan Ikó: Ligada e confundida com Oxalá.

 

Kavionos (Badé, Acrolombé, Adeen, Averekete)

 

Badé – Vodun jovem, guerreiro e brigão. Habita os vulcões e é um vodum ligado ao fogo, assim como Sògbò. suas cores variam entre vermelho, branco, amarelo e azul. Também está ligado ao céu e à chuva.
Adeen – É ela quem faz escurecer os céus e envia os relâmpagos que fulminam. Sua saudação é: – Ahunevi anabahanlan! (não mate as pessoas). Só se manifesta quando o céu está escurecido. Adeen carrega um raio e suas cores representativas são o vermelho e branco além do rosa, roxo e azul. Está ligada as divindades da guerra e do vento, assim como a Oyá. Governa os rêlampagos.
Acrolombé – Ataca os inimigos ou castiga o homem enviando granizo, e faz os rios transbordarem. É ele quem controla a temperatura do mundo. Quando está calmo e satisfeito, ajuda o homem dando-lhe bons movimentos financeiros. Racha as testas de suas vítimas.
Averekete – É um vodum da ligação entre os voduns kavionos e os voduns aquáticos, filho de Sogbo com Naé Agbé (em outros mitos filho de Sogbo com Naeté).

Categorias Hevioso

Sogbò, considerado o rei coroado da Nação Jeje no Brasil, é o chefe do Panteão de Hevioso. Vodum justiceiro que governa os vulcões e o fogo. Sògbò é quem trás os demais voduns do trovão e é o pai de muitos deles. Suas cores são o vermelho e o branco. O dia da semana é a quarta-feira, dia em que se reverenciam os voduns kavionos. Seu símbolo é o sokpe, um machado simples de uma lâmina. Na Africa Sògbò também refere-se a um vodum feminino. muitos filhos de Sògbò se dizem filhos de Sángò, e também no Benin há sacerdotes que consideram que Sògbò é mesmo Xangô. É conhecido pelos mahis com a denominação de Sògbò Adan, ou seja: Corajoso Sògbò, diferenciando-o. Quando Sógbó dança com seu sokpè, imita os raios caindo sobre a terra, em ligeiras quebradas na dança. O que é exemplificado por esta toada muito conhecida nos candomblés de Jeje Mahi no Brasil:
“Sógbó Adan tá nu sá gba owè,
A cabeça do corajoso Sógbó vai até a coxa na quebra da dança,
Sógbó Adan tá nu sá gba o.
A cabeça do corajoso Sógbó vai até a coxa, na quebra.
Avlekete ou Averekete é um vodun ligado à pesca e a caça, erroneamente comparado ao orixá Logun Edé e a um outro vodun chamado Ajaunsi. Estas divindades são bem diferentes uma da outra, sendo sincretizados, talvez, pela característica de ambos serem ligados a caça e a pesca, mas a cosmogonia deles é bem diferente. Logun Edé é um orixá de Ijexá filho de Oxun e Odé, ligado a caça e a pesca, um dos mais belos Orixás, pois assim também a beleza é uma característica de seus pais. Suas cores são o azul turquesa e o amarelo ouro e tem como símbolos a balança, o ofá, o abebè e o cavalo marinho. Averekete nasceu da união do vodun Sogbo com Naeté (em outros mitos com Naé Agbé), tornando-se então um elo entre os voduns do céu (jí-voduns) e os voduns do oceano (tó-voduns). Desempenha a função de mensageiro entre estes voduns. É visto como um vodun jovem, com idade semelhante a de um adolescente. Vive na beira do mar e tem como símbolos o machado simples, o anzol e o punhal. Suas cores são o azul, o vermelho e o branco. Na Casa das Minas é usado o termo tóquen ( tóqüen ) ou toqueno (toqüeno) para designar Averekete e outros voduns jovens tidos como adolescentes. No Jeje Mahi, Averekete pertence a família dos Voduns Kavionos (ou Hevioso), visto como o filho mais jovem de Sogbo.
Ajaunsi é um vodun masculino, pertencente ao panteão da terra e extremamente coligado ao universo das Naés (mães d’água). É um exímio caçador e pescador, e vive na beira dos rios acompanhando as Naés. Rege os animais que vivem tanto na terra quanto na água, tais como répteis, anfíbios e alguns pássaros. Divindade da juventude e da alegria, representa a inocência e a pureza, protegendo as pessoas durante a fase jovem. Responsável por todo o aprendizado das crianças, desde fala até mesmo o andar. Suas cores variam entre o azul, o verde e o amarelo.

Nagô-Vodun Oyá e Aveji Da

Oyá, também conhecida como Iansã pelos candomblés de Ketu, é uma guerreira por vocação, sabe ir à luta e defender o que é seu, a batalha do dia-a-dia é a sua felicidade. Ela sabe conquistar, seja no fervor das guerras, seja na arte do amor. Mostra o seu amor e a sua alegria contagiantes na mesma proporção que exterioriza a sua raiva, o seu ódio. Dessa forma, passou a identificar-se muito mais com todas as atividades relacionadas com o homem, que são desenvolvidas fora do lar; portanto não aprecia os afazeres domésticos, rejeitando o papel feminino tradicional. Oyá é a mulher que acorda de manhã, beija os filhos e sai em busca do sustento. Um Vodun Nagô para o Jeje Mahi, senhora da ventania e da tempestade. Oyá está ligada a outras mulheres guerreiras, voduns conhecidas como Aveji Da, ligadas aos ventos, furacões e aos Akututus (Eguns).
Aveji Da – São voduns femininos da família Hevioso ou Sakpata, cada uma com sua responsabilidade e regência. As Aveji Da da família Hevioso são divindades relacionadas aos fenômenos da natureza tais como chuvas, tempestades, tufões e furacões. São guerreiras ou caçadoras, cujo poder é imenso e temperamento forte. São quentes e irriquietas, estando ligadas as alturas, nuvens e astros. Estão juntas com os Kavionos, julgando a humanidade e castigando quando se faz necessário. Tem certa importância sobre o processo financeiro da sociedade, dividindo com Sogbo o domínio do elemento fogo. Estão sempre dispostas a guerrear pelas casas onde são cultuadas, sendo de extrema importância na batalha contra queimações e inimigos ocultos ou assumidos.
A principal Aveji Da do panteão do trovão é Vodun Djó, divindade responsável por fertilizar e esfriar a terra através da chuva. Segundo os ítàns, vodun Djó teria o poder de se transformar em animal, assim como Oyá. Veste vermelho e usa adornos cobreados. As Aveji Da do panteão da Sakpata seriam coligadas ao domínio dos mortos, possuindo todas ligações com os ancestrais, sejam masculinos ou femininos. Elas ficam juntos com os Sakpatás, ajudando a cuidar dos enfermos e dando auxilio no desencarne. Tem como principal função sondar o funcionamento das Casas e quando veem algo de errado cobrar, muito das vezes fechando-os.
A principal Avejidá da família Sakpata é Agbé Gèlèdè, senhora dos mortos e do culto aos Akututos (ègún). Agbé Gèlèdè teria o poder e a importância de Oyá Igbale dos cultos iorubás, sendo invocada em síhúns, ègbós e limpezas nas quais seja necessária sua presença. Representa o desencarne e a aceitação do espírito para com sua morte, sendo responsável pelo envio dos espíritos desencarnados para o òrún. As Aveji Da são extremamente poderosas e independente da família com a qual é associada, possui grande importância para os kwês e adeptos do culto. Representam a liberdade, a batalha cotidiana e a força de vontade. Podemos citar ainda Agbé Afefé ligada a alegria e a felicidade, também aos mortos, seu símbolo são as flores as quais ofertamos a nossos entes queridos, que representam toda felicidade que passaram em suas vidas. Agbé Huno, a Aveji Da guerreira e da tempestade.

CategoriasVoduns Guardiões

 

Légbà é um vòdún muito importante dentro do culto jeje, sendo responsável pela comunicação entre deuses e humanos e vice-versa. Entre os fons do Benin (antigo Daomé) Légbà equivale a Exu dos Yorubas. Ele é representado por um montículo de terra em forma de homem acocorado, ornado com um falo ereto. Esse falo ereto nada mais é do que a afirmação de seu caráter truculento, atrevido e sem-vergonha e de seu desejo de chocar o decoro. Légbà é o caçula de Mawu e Lissá, que diferente dos demais Vòdúns do panteão Fòn, não possui um domínio fixo, ele está em todo lugar e em tudo, divindade do imprevisível, do inatribuível ele esta além do bem e do mal concebidos pela sociedade. Nele, o bem e o mal se entrelaçam. Na organização do Panteão Vòdún cada Vòdún tem um domínio Fixo herdado pelos criadores Mawu e Lissá, já Légbà não possui um domínio fixo, mas mesmo assim não perde sua importância no panteão, pois o que poderia parecer que o Vòdún Légbà é desprovido de um domínio, o torna o vòdún da mobilidade, sendo o único que tem acesso a todos os domínios, pois é o mensageiro da palavra de Máwú- Lísá, interlocutor entre os Vòdúns e o criador e interlocutor entre os vòdúns e os Homens, fazendo dele o personagem intermediário por excelência. Légbà tem o papel de guardião do patrimônio divino, que lhe foi atribuído por Máwú-Lísá, patrimônio esse que são os domínios que cada um dos vòdúns herdou de Mawu, portanto Légbà não herdou nenhum desses domínios mas sim a guarda de todos os domínios para que haja a mobilidade e não seja um universo de caráter imutável, portanto mesmo sendo Fá o vòdún da adivinhação, tudo depende de Légbà e o destino se torna manipulável através dele, nada poderá acontecer sem a intervenção do mesmo, de intérprete e mensageiro nenhuma comunicação entre os homens e Vòdúns e Vòdúns e Mawu pode acontecer sem a sua intermediação, ele da a mobilidade ao todo, nele esta a ordem e a desordem das coisas é o deus coletivo. Devido a esse seu poder quase que absoluto sobre a vida e a morte, sucesso e fracasso, riqueza e miséria, Légbà é o mais temido e respeitado do Panteão Fòn e o mais importante para o povo Fòn. Dizem que quando Mawu e Lissá enviaram seus filhos a Terra todos vieram, com excessão de Légbà que ficou acocorado aos pés de sua mãe. Com o passar do tempo todos esqueceram a língua de Mawu, menos Légbà que permaneceu junto a ela. Por isso somente ele pode levar nossa mensagem até ela.
Na África, os légbásì (nome dado aos iniciados para Légbà) vestem-se com uma saia de ráfia tingida de roxo e usam a tiracolo inúmeros colares de búzios. Debaixo da sua saia traz, disfarçado, um volumoso falo de madeira que levantam, de vez em quando, com mímicas eróticas. Além disso, têm na mão uma espécie de espanta-moscas, roxo, semelhante a um espanador, no qual está escondido um bastão em forma de falo, que eles agitam, de maneira engraçada, na cara das pessoas presentes, particularmente sob o nariz dos turistas, pois os légbásì não deixam de observar seus sentimentos ambivalentes diante dessas exibições.
Os mais velhos dizem que é perigoso dizer o nome desse vòdún em vão. Normalmente, seu nome para ser dito é necessário tocar no solo em respeito ao seu poder. Seu principal ritual é chamado de Légbà lé lé que se compara ao ritual de ípádè dos yorubás porém, com muitos outros fundamentos e atos que os diferem. É cultuado após Áyízàn, que em alguns mitos é tido como sua esposa ou até mesmo, sua forma fêmea, possuindo muito em comum com essa divindade, principalmente no que se diz respeito aos oráculos. Seu dia da semana é a segunda-feira, sua cor o vermelho rajado de preto, seu elemento o fogo e também a terra e sua saudação Áhò gbò gbòy Légbà!
Àyízàn, cujo nome significa “A esteira da terra” é um vòdún feminino dos mais importantes na cosmologia fòn . Ela é considerada a dona dos mercados e dos espaços públicos, onde as pessoas se encontram e interagem. Para alguns, ela é a primeira divindade a ser saudada. A ela também é atribuído o dom da palavra e da comunicação e desta forma está ligada à Légbà, a quem muitas vezes é associada como mãe ou esposa. Sua representação é um montículo de terra colocado no meio das praças de mercado coberto de muitas rodilhas de dèzàn (palmas ainda verdes e desfiadas de dendezeiro), onde os comerciantes fazem oferendas. Àyízàn também é cultuada nos Hùnkpàmè, onde é responsável pelos neófitos em processo de educação e aprendizado. O culto de Àyízàn é de origem hwedá e é forte sobretudo na região de Uidá, no Benin. No Vodoo haitiano o Loa àyízàn (também chamado de Gran Àyízàn) é considerado a senhora da pureza ritual e a Mambo, ou sumo-sacerdotisa iniciadora (como a íyálòrísá no candomblé) arquetípica, sendo homenageada em primeiro lugar nas cerimônias. Nas iniciações do vodou, a presença de Áyízàn é marcada pela rodilha de palma desfiada de dendezeiro(dèzàn), que os neófitos usam ao sobre a cabeça ao ingressarem na reclusão iniciática. No Vodou, e especialmente no Haiti, Àyízàn (ou Ayizan Velekete) é a loa do mercado e do comércio. Ela é uma raiz loa, associada com ritos de iniciação Vodoun (chamado kanzo).Ela é sincretizada com a Santa Clara Católica, ela não bebe nenhum álcool, e é a esposa de Papa Lòkò .
Dentro do convento é representada no período de reclusão do vòdúnsì através do Águídázàn, espécie de assentamento que deve ser alimentado com tudo o que o Vòdúnsì comer. É cultuada antes de Légbà, sendo para os Fòn a senhora dos oráculos juntamente com o mesmo, assim como Èsú, respondendo por Fá ( vòdún coligado a Òrúnmíllá). Possui grande relações com os ancestrais (ègúngún e íyámí) e com suas sociedades e assim nos ritos de Jeje Mahi é a responsável pela parte de louvação aos ancestrais da casa. Em sua homenagem os vòdúnsì’s dançam de joelhos na zàn (esteira). Considerada a patrona dos grandes mercados. É costume em todo Benin, quando nasce uma criança, levar a mesma ao mercado e lá fazer os mlenmlen (òríkís) e oferendas à Áyízàn, pois acreditam que esse ritual dará muito boa sorte à vida da criança. Esse procedimento também se dá aos casais de noivos. Os familiares das duas partes ser reúnem e vão juntos com os noivos ao mercado. Nos dois casos, tanto a criança quanto os noivos trazem para casa um pouco de terra e a coloca no solo de suas casas para que a fartura e a prosperidade façam sempre parte de suas vidas. Vòdún Áyízàn tem uma grande família e cada um dos membros reina em uma parte da terra, inclusive o mundo ctônico (subterrâneo) e abissal (subterrâneo aquático). Sua saudação é Áhò gbò gbòy Àyízàn!
Ayizan no Jeje Mahi – Nas casas de Jeje Mahi, encontra-se assentada no portão casa, nos pés de uma palmeira de ráfia, Vodun Ayizan, que para esta modalidade é um vodun feminino ligada aos ancestrais e a terra, bem assim como a morte.

Vodun Sòhòkwè, nem Ogun, nem Exu

Sòhòkè (lê-se Soroquê) é um vòdun filho de Máwú e Lissá, cujo elemento principal é o fogo. Muitas são as dúvidas relacionadas a esse vodun. Devido a mistura de cultos, já explicada em outros tópicos, Sòhòkè passou a ser aglutinado na cultura yorubá, passando a ser confundido com um dos caminhos de Ògún. Segundo o mito yorubá, Ògún Sòhòkè (lê-se Xoroquê) é o Ògún que desceu as montanhas, sendo o senhor das trilhas e do fogo líquido onde, Xòrò deriva do termo yorubá Sòròrò ou Xòròrò que significa descer ou escorrer e, òkè significa montanha). Segundo os mais velhos é um Ògún muito arredio, sendo muito coligado ao seu irmão Èsú e tendo todas oferendas e fundamentações com o mesmo. Dizem ainda que essa “qualidade” de Ògún tem muito fundamento com ègún, sendo ele responsável por todos aqueles que desencarnam em acidentes na estrada ou linha férrea. Em outras casas, Sòròkè deixou de ser uma qualidade de Ògún e passou a ser um Èsú , com as mesmas características do Ògún Sòròkè porém, sendo fundamentado como qualidade de Èsú e passando a ser cultuado como o mesmo. Mas para os jeje, Sòhòkè não é nem Èsú nem Ògún e, sim um vòdún independente, com culto próprio e de características próprias que acabou por ser fundido a cultura desses dois òrísás por ter coisas em comum. Isso ocorreu também com outras divindades como Agbé, Aboto, Azansu, Sogbo, Intoto e outros mais que acabaram aglutinados a cultura de outras deidades africanas, talvez por falta de estudos ou fundamentos. Sòhòkè é o guardião das casas de jeje, onde Sòhò(lê-se sorrô) significa guardião e kwè(lê-se Qüê) significa casa. Seu assentamento é fixado ao chão, cravado na terra, ao lado do assentamento do vodun Légbà, vodun Ayizan e do vodun Gú (Ogun). Sòhòkè não é iniciado na cabeça de nenhum adepto pois o mesmo não incorpora. É iniciado apenas na cabeça de ogans e ekedis e possui a função de manter a ordem dentro das casas de jeje, punindo e cobrando quem as desrespeita. Sòhòkè é o caminho formado pela lava após ser expelida do vulcão, possuindo muito fundamento com Badé, Sògbò e outros voduns que moram nos vulcões e que estão ligados ao fogo e também com Oyá. Sua cor é o Azul escuro e o vermelho, seu dia da semana a segunda-feira e sua saudação Aho bo boy Sòhòkè! Geralmente quando aparece um filho rodante com arquétipo de Sòhòkè geralmente é iniciado para Ogun.
VODUN KPÓSÚ – POSSÚ – Este Deus, pode até ser cultuado em outras nações, vai da fé e do coração de cada um! mas! Só pode ser feito na nação Jêje por ser um vodun, seu nome significa Homem Pantera, é um vodun muito sério e complicado de ser cultuado, porém lindo, tem ligações tanto com a terra e com a família Dan e Sakpatá, como com o fogo e o ar e a família de Hevioso, tambem tem ligação com o vodun Loko e Vodun Azanadô, Possú é o vodun patriarca do Axé Pó Zerren “Kpó Zehen” pois o ex escravo que fundou o primeiro axé foi batizado pelos portugueses com o nome de Manoel Ventura que era iniciado deste vodun. Possú aprecia a cor negra, gosta de usar o Laguidibá e o Brajá como colares, carrega em suas mãos a serpente negra, que é a mais venenosa de todas as Dans, suas cores são o preto rajado de branco ou ainda o terracota rajado de verde e amarelo ou preto, usa garras e máscara lembrando uma pantera que é seu animal… Ahoboboi Kpò! Arrungelô Possú!!!
VODUN LOKO – Trata-se de um vodun muito importante na nação Jêje, é muito sério, repepresenta tambem o orixá Irôko dos Ketús e o nkise Ktenbo dos Angola, sua árvore é de tão grande importância quanto a árvore do vodun Azanadô, Loko tem forte ligação com Azansú, Agué, Besén, Possú e Sogbô, tambem ligação com todos os orixás funfun e com os ancestres, Loko é o verdadeiro dono do Rungebe, suas missangas são de cor laranja rajado de preto, abóbora rajado de preto, em alguns axés são o verde musgo rajado de marrom ou ainda o branco com cinza grafite, usa o laguidbá e dois brajás cruzados no peito…
VODUN AZANADÔ – “A árvore sagrada da nação Jêje”… Trata-se de um vodun muito importante para os Jêjes, o dono do Gboitá, Obará de Jêje, só recebe frutas, doces e comidas secas, nada de ejé, até pelo fato dele não ser feito no Ori de ninguém, esse vodun tem grande ligação Azansú, Agué, Besén, Loko e Possú, alguns antigos dizem que ele é um Besén, dizem que é um Azansú, outros ja dizem que ele é um vodun único e destinto, em sua volta a seus pés mora Adangbé, a serpente sagrada que morde a própria calda representando o ciclo da vida, é feito um grande preparo para o plantio desta árvore dentro do Kwê, só poderá ser plantada por um vodun da família DAN como Besén, Frekwen, Yewá e etc… Em uma parte do ato da confecção do verdadeiro Rungebe tambem passa por Azanadô, este vodun Gosta de Brajás e laguidbás. Sua festa é realizada no dia 06 de Janeiro ou juntamente com o Olubajé, suas cores são o verde rajado de amarelo…
Azaka ou Zaká, é um vodun masculino, raro e antigo, guardião dos juramentos e segredos, pertence a familia de Sakpatá rei de Savalú. Considerado o Vodun da agricultura. Vive nas partes mais escuras das florestas de Savalú, aceita suas oferendas em grutas mais escondidas, pois gosta de silêncio, usa lança e cabaça, caçador de extrema habilidade e conhecimento das florestas.
Vodun Otolú (vodun da caça ) – Otolu é um dos Voduns ligados ao campo do ensino, da cultura, da arte. Nas antigas tribos africanas, cabia ao caçador, que era quem penetrava o mundo “de fora”, a mata, trazer tanto a caça quanto as folhas medicinais. Além, eram os caçadores que localizavam os locais para onde a tribo poderia futuramente mudar-se, ou fazer uma roça. Otolu representa a busca pelo conhecimento puro: a ciência, a filosofia. Enquanto cabe a Gu a transformação deste conhecimento em técnica. Apesar de ser possível fazer preces e oferendas a Otolu para os mais diversas facetas da vida, pelas características de expansão e fartura desse Vodun, os fiéis costumam solicitar o seu auxílio para solucionar problemas no trabalho e desemprego. Há uma grande semelhança com o Oxossi dos Yorubas.
Vodun Agassu – Herói mítico fundador da linhagem dos kpòvĭ (filhos do leopardo). Teria sido gerado pela princesa Alìgbonon, filha do rei da cidade Adjá de Tadô ou Sadô, às margens do Rio Mono, no atual Togo, depois de um encontro com um leopardo. Seu nome significa “bastardo”. Malgrado esse apelido aparentemente injurioso, seus descendentes fundaram os reinos de Aladá, Porto Novo e Abomei no atual Benin, constituindo-se nas bases institucionais fundamentais dos fon. Agassu é cultuado como vodun nas três cidades governadas por seus descendentes, mas seu culto mais importante esta é Abomei onde seu sumo-sacerdote, o Agassunon, possui o papel de chefe de cultos dentro na cidade. Seu emblema é o leopardo, cuja pele faz parte das insígnias tanto de rei como do Agassunon, e seus iniciados são chamados de Hogbonutó (nativos de Hogbonu [Porto Novo]) pois atribui-se a esta cidade o local do aparecimento culto de Agassu como vodun. Ele é, ao mesmo tempo um atinmé-vodun e um hunvé, ou seja, um vodun “vermelho”, os e admiradores de “Hùndevalú” título dado aos grandes ancestrais Caçadores-Guerreiros da antiga dinastia de Savalú. Suas cores são o azul claro, branco, preto e vermelho. Sua saudação é BISALO (bi-saló), cuja resposta é “Lo (ló)”. Suas ervas são as mesmas de Sakpata, Azaká também desempenha um grande papel na verdadeira iniciação de um Vodunsi Jêje pelo fato de todo o processo de iniciação ser consagrado a ele através de preceitos e juramentos de feitura, tem ligação com Intôto e a mãe das 09 Dans.
VODUN AZANSU – Este grande vodun é um dos mais importantes para os Jêje, as histórias contam que ele teria sido o 1º Rei da Nação, mas renunciou ao poder e a “coroa” por votos de humildade entregando o reinado a seu irmão Bessen, mas ainda sim ele é um dos Reis da nação, trata-se também de um vodun muito perigoso e exigente, os historiadores revelam que o primeiro terreiro da nação Jêje no Brasil tinha Azansu como patrono, fato comprovado por um registro na prefeitura de Salvador de uma ferrovia construída sobre algumas residências e no qual relatava a demolição de terreiro de candomblé no qual tinha até o nome não identificado mas que possuía a palavra Azansu entre meios, não se tem maiores informações de quando e quem fundou ou a que cidadão(a) presidia o terreiro, nosso Rei gosta muito de laguibás e brajás, tem ligação com todos os demais voduns, suas cores são o branco e preto ou branco, preto e vermelho ou branco, preto e amarelo, suas derivações… Azönwani, Sakpatá, Parará, Lepon, Azönce, Intôto, Avimaje.
VODUN AGUÉ – Vodun Agé ou Agüé como é mais conhecido, tem grande importância não só na nossa nação bem como nas outras, pois ele é o senhor de todas as folhagens e florestas, dono do Ewe Eje, pois sem as folhas não há axé, não ha nação, não há nada, carrega cabaças onde guarda suas porções de encantamentos e segredos de axé, o que o torna também um grande feiticeiro, conhecido no Ketú como Ossain, e no Angola como Katendê, Vodun Agué tem forte ligação com Azansu, Loko e Azanadô, como todos os voduns gosta de Brajás e Laguidibás, suas cores são o verde rajado de branco, verde puro, verde, branco e vermelho ou verde e vermelho.

Averekete nasceu da união do vodun Sogbo com Naeté (em outros mitos com Naé Agbé), tornando-se então um elo entre os voduns do céu (jí-voduns) e os voduns do oceano (tó-voduns). Desempenha a função de mensageiro entre estes voduns. É visto como um vodun jovem, com idade semelhante a de um adolescente. Vive na beira do mar e tem como símbolos o machado simples, o anzol e o punhal. Suas cores são o azul, o vermelho e o branco. Na Casa das Minas é usado o termo tóquen ( tóqüen ) ou toqueno (toqüeno) para designar Averekete e outros voduns jovens tidos como adolescentes. No Jeje Mahi, Averekete pertence a família dos Voduns Kavionos (ou Hevioso), visto como o filho mais jovem de Sogbo.

Vodun Nanã Buruku ou Buku é considerada a mais antiga das divindades. Muito cultuada na África em regiões como: Daça Zumê, Abomey, Dumê, Cheti, Bodé, Lubá, Banté, Djabalá, Pesi e muitas outras regiões. Para os fons e ewes, a palavra Nanã ou Nàná é empregada para se chamar de mãe as mulheres idosas e respeitáveis, ou seja, a palavra Nanã significa: “Respeitável Senhora”.
Nanã está associada à terra, à água e à lama. Os pântanos e as águas lodosas são o seu domínio. É a mais antiga das divindades, pois representa a memória ancestral. Mãe de Loko ou Irokô, Omolu e Oxumarê ou Bessém na dinastia Fon, Nanã está ligada ao mistério da vida e da morte. É a senhora da sabedoria, mais velha que o ferro. Daí, não usar lâminas em seu culto. 

VODUM LISSÁ – Vodum Lissá,também chamado de vodum olissasá,oulissá segbo-lissa ou até de agbé-lissa-mawu é um vodum que veste a cor branco (por isso é chamado de vodum funfun)e esse precioso vodum alimenta-se sempre de animais femininos por sua forte ligação com a Yá Mín ássòróngà (mãe dos passáros da noite) e babá egungun (Pai ancestral) esses dois grandes mantos representas a ancestralidade no culto aos voduns, lembrando-se de que vodum olissasá não é o orixa Oxalá da nação alaketu porem é muito comparado com o mesmo, esse vodum chamado olissasá não aceita em hipótese alguma atim preto, epô apupa e limão. Tem como prato litúrgico predileto o ebô (milho branco cozido temperado com azeite e mel), ilés funfuns (pombos brancos) e bodys funfuns feminino (cabras bracas) o ibin que é seu animal predileto que nunca pode faltar em suas oferendas de obrigações e em seus orôs e as frutas doces e claro,Gostando também de todos os objetos de cor clara e tendo a cor branca como preferencia. Esse vodum tem fortes ligações com o Vodum Heviosso Badé Zoro (ou Vodum Badé como é mais conhecido). Possui ligação extrema com a vida (agbé) e ligação com morte (ikú) também. Dizem que olissasá veste o branco prá esconder o preto,por causa desse fato dele ser a vida,a pureza e a bondade sempre mais que pelo simples fato dele ter ligação com a morte (ikú)ele se torna um Vodum com ambiguidade nas forças por reger o lado agbé e o lado ikú ao mesmo tempo. Esse vodum exige de todos os seus filhos iniciados que fique em reclusão (resguardo) usando branco totalmente por um período de um ano após seus vinte e oitos dias de reclusão pra iniciação ao culto e mesmo depois desse tempo concluído as pessoas nunca podem deixar de usar o branca as sextas feiras que é o dia votivo desse vodum.
Na mitologia grega, Lissa era o daimon que personificava a ira frenética, a fúria (sobretudo na guerra) e a loucura produzida pela raiva. Fisicamente, os filhos de Vodum olissasá tendem a apresentar um porte majestoso ou no mínimo digno, principalmente na maneira de andar e não na constituição física. Às vezes, porém, essa maneira de caminhar e postura dá lugar a alguém com tendência a ficar curvado como se o peso de toda uma longa vida caísse sobre os seus ombros, mesmo tratando-se de alguém muito jovem.

Aziza é um vodún anão das florestas da África Ocidental, que confere grande força e poder com a capacidade de curar os homens através de seu excepcional conhecimento das ervas.) Vodun Aziza é representado por São Benedito. Dia consagrado: quinta-feira, Comida: Weli sivo amanjé – bata doce cozida, amassada e temperada no dendê, com lascas de coco. Cores: Verde, vermelho e amarelo que simbolizam a esperança e o vigor e atraem conquistas e prosperidade. Características do Orixá: Aziza é criativo e prudente. Foi quem ensinou Legba, o segredo das ervas. Usa o ponuhan (2 lanças tipo arpão). Aziza é o Atinsa beto (homem árvore). Seu número é o 7 (criatividade). Sua evocação: “Man Iezum!” (Boas folhas, estou aqui!).

Inkíses (Principais Nkísi de Angola)

Os principais Inkísis são:

Aluvaiá, Bombo Njila, Pambu Njila: intermediários entre os homens e os Jinkísis. (Exú Orixá). Aluvaiá, Bombojira, Vangira (feminino), Pambu Njila. É o Nkisi responsável pela comunicação entre as divindades e os homens. Está nas ruas, é a este Nkisi que pertencem as “bu dibidika jinjila” (encruzilhadas). Suas cores são preto, vermelho, sua saudação: Kiuá Luvaiá Ngananzila Kiuá (Viva Aluvaiá, Senhor dos Caminhos).

Nkosi: Senhor dos caminhos, das estradas de terra.

 

Mukumbe, Biolê, Buré: Qualidades ou caminhos desse Nkísi. É o Nkisi da guerra, das estradas. É a ele que se fazem oferendas com o fim de obter abertura de caminhos. Sua cor é o azul escuro, sua saudação: Luna Kubanga Mueto – Nkosi ê (Aquele que briga por nós – Nkosi ê).Nguzu: Engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra.

 

Kabila: O caçador pastor, o que cuida dos rebanhos da floresta.

 

Mutalambô, Lembaranguangê: Caçador, vive em florestas e montanhas, deus de comida abundante. Nkisi caçador, habita as florestas ou montanhas. É o responsável pela fartura, pela abundância de alimentos. Suas cores: verde para Mutalambô e Burungunzo.
Gongobira: Caçador jovem e pescador. É um jovem caçador que obtém, seu sustento ora através da caça, ora através da pesca. Suas características são as mesmas das dos caçadores (Kabila, Mutambô, Lambaranguange) unidas as características dos Minkisi da água doce ( Kisimbe, Ndanda Lunda ). Suas cores: verde cristal, azul cristal e amarelo ouro, sua saudação: Mutoni Kamona Gongobira – Muanza ê (Pescador Menino Gongobira – Rio ê).

Mutakalambô: Tem o domínio das partes mais profundas e densas das florestas, onde o sol não alcança o solo, por não penetrar pelas copas das árvores.

 

Katendê: O senhor das jinsabas (folhas), conhece os segredos das ervas medicinais. Nkisi dono dos segredos das ” kisabas” ( folhas, ervas ). Sua cor é o verde ou verde e branco, sua saudação: Kisaba kiasambuká – Katendê (Folha Sagrada – Katendê)

 

Nzazi, Loango: São o próprio raio. Nkisi responsável pela distribuição da Justiça entre os homens. Suas cores são: vermelho e branco ou marrom e branco sua saudação: A Ku Menekene Usoba Nzaji – Nzaze (Salve o Rei dos Raios – Grande Raio).
Kavungo, Kafungê, Kingongo, Kaviungo: Deus de saúde e morte. É o Nkisi responsável pela saúde, estando intimamente ligado a morte. Usa preto, vermelho, branco e marrom, sua saudação: Tateto Mateba Sakula Oiza – Dixibe (O Pai da Ráfia Está Chegando – Silêncio).

Nsumbu: Senhor da terra, também chamado de Ntoto pelo povo de Kongo.

 

Hongolo ou Angorô, Angoroméa: Auxilia a comunicação entre os seres humanos e as divindades. Assim como Aluvaiá, auxiliam na comunicação entre as divindades e os homens. São representados por uma cobra, sendo o primeiro ( Angorô ) masculino e o segundo ( Angoroméa ) feminino, sua saudação: Nganá Kalabasa – Angorô Le (Senhor do Arco Íris – Angorô Hoje).
Kitembo: Rei de Angola, senhor do tempo e as estações, o dono da Bandeira de Angola e Congo,  que podemos ver em qualquer casa de Candomblé, perto do assentamento de Kitembo, um grande mastro com uma bandeira branca no topo. É o responsável pelo tempo de forma geral, e especificamente, pelas mudanças climáticas (como chuva, sol, vento etc), portanto, atribuído a ele, o domínio sobre as estações do ano.  Suas cores: branco, rajado de verde e vermelho, sua saudação: Nzara Kitembo – Kitembo Io (Gloria Kitembo – Kitembo do Tempo). Ainda, é considerado o Pai da Maianga, que é o banho usado pelos seguidores e iniciados da Nação de Angola, tendo sua maior vibração justamente ao ar livre, ou seja, no tempo. É exatamente ali, no tempo, que este banho feito de ervas e outros elementares vai consagrar através de tempo este iniciado. Tempo está associado à escala do crescimento, por isso sua ferramenta é uma escada com uma lança voltada para cima, em referência ao próprio tempo. Este Nkisi está ligado ao frio, ao calor, a seca, as tempestades, ao ambiente pesado e ao ambiente agradável.
Conta uma lenda da Nação de Angola, que Tempo era um homem muito agitado que fazia e resolvia muitas coisas ao mesmo tempo. Entretanto, este homem vivia reclamando e cobrando de Nzambi que o dia era muito pequeno para fazer e resolver tudo que quisesse. Um dia, Nzambi lhe disse: “Eu errei em sua criação, pois você é muito apressado.” Ele então respondeu a Nzambi: “Não tenho culpa se o dia é pequeno e as horas miúdas, não dando tempo para realizar tudo que planejo”. A partir desse momento, Nzambi então determinou que esse homem passasse a controlar o tempo. Tendo domínio sobre os elementares e movimentos da natureza. Assim nasceu o Nkisi Kitembo.

Kaiangu: Tem o domínio sobre o fogo.

Matamba, Bamburussenda, Nunvurucemavula, Bamburucema, Gurucemavula: Trata-se de um Nkisi feminino, é guerreira e está intimamente ligada a morte, por conseguir dominar os mortos ( “Nvumbe” ). Suas cores são o vermelho e o marrom avermelhado, sua saudação: Nenguá Mavanju – Kiuá Matamba (Senhora dos Ventos – Viva Matamba)

Kisimbi, SambaNkisi Ndanda Lunda: A grande Mãe, deusa de lagos e rios. Kisimbi, Ndanda Lunda. Nkisi feminino, representa a fertilidade, é a grande mãe. Seu domínio é sobre as águas doces. Sua cor é o amarelo ouro, sua saudação: Mametu Maza Mazenza – Kisimbi ê (Oh, Mãe da Água Doce – Kisimbi ê); Ndanda Lunda: Senhora da fertilidade e da lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi.

 

 

Kaitumba, Mikaiá, Kokueto: Deusa dos oceanos. Também um Nkisi feminino, tem domínio sobre as águas salgadas ( “Kalunga Grande” , o mar ). Sua cor: branco cristal, sua saudação: Kiuá Kokueto – Mametu Ria Amaze Kiuá (Viva Kokueto, Mãe das águas -Viva).

Nzambi, Nzambiapongo: Não se trata de um Nkisi, mas sim do Deus Supremo, o grande criador, o ser que criou a si mesmo e depois criou o mundo, conhecido por este nome entre os povos Bantu.

 

Nzumbarandá, Zumbarandá: A mais velha das Nkísi. É um Nkisi feminino, representa o início, vez que, é a mais velha das mães. Também tem relação estrita com a morte. Sua cor: azul e branco, sua saudação: Mametu Ixi Onoká – Zumbarandá (Mãe da Terra Molhada – Zumbarandá)

Nwunji, Wunje: Senhora da Justiça, representa a felicidade de juventude e toma conta dos filhos recolhidos. É o mais novo dos Inkísi. Representa a mocidade, a alegria da juventude. Durante o toque para este Nkisi, a dança se transforma numa grande brincadeira, sua saudação: Wunje Pafundi – Wunje ê (Wunje Feliz – Bem Vindo).

 

Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Nkassuté Lembá, Gangaiobanda: Ligados criação do mundo. Nkisi da criação, ora apresenta-se como jovem guerreiro, ora como velho curvado. Está ligado a criação do mundo. Quando jovem tem como cores o branco e prata, quando de idade avançada, apenas o branco, sua saudação: Kalaepi Sakula Lemba Dilê – Pembele (Quietos, Ai Vem o Senhor da Paz – Eu te Saudo).

Vela Vermelha na Magia Cigana

Uma das cores de velas mais usadas na magia cigana é a vermelha, isto porque a grande maioria das entidades espirituais manipula a energia que falta ao indivíduo que requer um encantamento, mesmo sem este saber a verdadeira raiz de seu problema.
O vermelho é salutarmente indicado para quem precisa de intensidade, dinamismo, energia e iniciativa para agir em determinadas circunstâncias. Como é a cor do vigor sexual, da paixão e da sensualidade, esta nuance potencializa tais práticas, ativando o magnetismo pessoal e, consequentemente a auto-estima. Ajuda na aproximação com outra pessoa, auxilia os encontros efêmeros, mas não é apropriada para velar o amor.
A vela pigmentada de vermelho anula a moleza, a apatia e a introspecção. Está muito ligada à matéria, ao físico. E por ser uma cor quente e forte, deve ser usada com moderação, sob o risco de emanar hostilidade, causando comportamentos adversos ao desejado. Este tom irradia autoridade, ou seja, faz com que uma pessoa exerça poder sobre outra, sendo assim, em qualquer relação a dois, pode causar desequilíbrio. Também é uma cor de proteção contra diversos feitiços, a exemplo da inveja e do mal-olhado. Quando usada pelos malfazejos exploram a vingança, a aversão e a ira por meio deste matiz.
Acender uma vela vermelha é ligar-se a manifestação de uma força atuante, ao movimento, ao comportamento viril e ao combate em vários níveis!

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