Histórias dos Malandros nos Morros

Zé no morro

Os barões da ralé

Waldir: a elegância em pessoa
Ele fez fama na Lapa, circulou pela Praça Onze e bateu ponto no Estácio. Brigou de navalha, andou de viés, carregou no trejeito. De terno branco de linho, chapéu de veludo e sapato couro de cobra, o malandro carioca atendia por nomes que impunham respeito – Madame Satã, Camisa Preta, Sete Coroas e João Cobra. Todos viraram sinônimo de bandidagem no Centro do Rio nos anos 10 e 20 do século passado. Com o surgimento das primeiras favelas, os malandros logo descobriram um novo território livre para impor suas leis.
Um dos primeiros jornalistas a subir os morros do Rio e escrever sobre seus personagens, Benjamim Costallat disse certa vez que “a Favela (atual Providência) era uma cidade dentro da cidade, onde a lei é a do mais forte e a do mais valente e a navalha liquida os casos”. Estava se referindo à Zé da Barra, nordestino bom de briga – e de lábia – que mandava e desmandava na Favela.
Aos poucos, no entanto, o termo foi sendo suavizado e virou sinônimo de manemolência, lábia e esperteza. Foi esse malandro sangue bom que fez a festa nos morros do Rio nos anos 50, 60 e 70 – a maioria deles ligada às escolas de samba.

Charme pelos becos

Os nomes variavam mas a fama de espertos e mulherengos era a mesma. Alguns viraram lenda e são quase heróis nas histórias contadas até hoje. Poucos ainda continuam na ativa arrastando charme e desfilando elegância pelos becos das favelas. Como Waldir Carolino, de 74 anos.
“Me considero um cidadão esperto, que sabe viver a vida”, resume seu Waldir, fundador e presidente do Bloco Unidos do Cantagalo de 1963 até 1983.
“Sempre fiz questão de andar na linha. Quando entrava na quadra o pessoal logo falava: ‘lá vem o presidente!’ Até hoje só compro sapato por encomenda e terno sob medida”, brinca seu Waldir, que – como diz o poeta Chico Buarque, “hoje tem mulher e filho e tralha e tal” – é sócio da própria esposa num quiosque de flores em Copacabana.
Dono de quiosque de flores em Copacabana, Waldir sempre fez questão de andar na linha

Sapato de couro de cobra

“Eu vivi de perto a época de ouro do Waldir no Cantagalo e ficava lá ouvindo ele contar as suas histórias. Esse aproveitou bem a vida. A gente brincava que ele era o último malandro”, conta Eidibal Neves, de 63 anos, amigo de infância e também fundador e compositor de sambas clássicos do bloco do Cantagalo.
No Salgueiro, berço do samba na Tijuca, Zona Norte carioca, os malandros faziam o tipo granfino. Filho de Casemiro Calça Larga, outra figura lendária dos morros do Rio, seu Jorge Casemiro, de 70 anos, não pensa duas vezes na hora de citar o ban-ban-ban da favela na década de 60.
“Jorge Louro, esse era o cara! Um negão forte, bonito, se vestia só de linho, chapéu de veludo e sapato couro de cobra. Dançava muito e tinha as cabrochas dele espalhadas pelo morro todo. Era malandrão mesmo, mas no bom sentido”, frisa seu Jorge. “E modéstia à parte eu também sempre andei na linha. Para ir no samba até hoje só se for de blusão de linho e calça branca. E comigo é tudo sob medida. Faço questão.”

                                            Lábia e jogo de cintura

Jorge Casimiro, filho de Calça Larga
Autor da tese de doutorado “Malandros, marginais e vagabundos”, o sociólogo Michel Misse estudou a evolução da palavra ‘malandro’ ao longo do século 20 e diz que a transformação mais radical aconteceu na década de 50.

“Foi quando o malandro deixou de ser bandido e virou o cara esperto, cheio de lábia e com jogo de cintura. Esse era o malandro estilizado que inspirou Walt Disney a criar o Zé Carioca. O Bando da Lua que tocava com a Carmem Miranda também só se vestia de chapéu e camisa listrada”, explica.

Mas bem antes o fenômeno da suavização do malandro já era detectado por Noel Rosa. Em entrevista à revista O Debate, em 1935, o compositor já havia dado uma pista sobre o paradeiro desse novo malandro do bem: “O morro do Castelo foi abaixo e a polícia ‘espantou’ os malandros inveterados e ‘escrachou as cabrochas’. Mas o malandro não desapareceu. Transformou-se, simplesmente, com a sua cabrocha, para tapear a polícia. Ele já está de gravata e chapéu de palha e ela usa meias de seda”.

Nos anos 60, o malandro sofre nova transformação e de novo desce para o asfalto. Michel Misse explica: “Todo mundo podia ser malandro, o comerciante, o político, o cara esperto na esquina. E aí surge o nome marginal para substituir o malandro”, diz. “Mas a grande novidade nos últimos anos foi o surgimento da palavra vagabundo nos anos 80, que é uma mistura de malandro com marginal”, diz.

Ai de quem não respeitasse

Desde os tempos de Brancura do Estácio que a malandragem na favela esteve próxima ao mundo do samba. No Morro da Babilônia, no Leme, Zona Sul carioca, quem reinava nas noites de baile dos anos 60 era um passista famoso conhecido apenas por Ieié.
“Só dava ele no baile do Lair e no Seu Justino. Esse era um cara da noite, super dançarino e vivia cercado de mulher. Quase sempre uma loira! Aquele era malandro. E figuraço”, conta João Carlos Filho, de 57 anos, o Joãozinho, do bloco Aventureiros do Leme.
Outra característica marcante do malandro da favela era o jeito de se vestir. Em entrevista ao Favela tem Memória meses antes de sua morte, aos 83 anos, Dona Maria falou sobre como era a malandragem no Morro do Cantagalo dos anos 50: “Os malandros do morro pareciam até doutor, só andavam na linha e eram extremamente educados com os moradores. Só a presença deles já era sinal de respeito. E ai de quem não respeitasse”.
Na Cidade de Deus, conjunto habitacional construído nos anos 60 na Zona Oeste do Rio, o malandro era um sujeito que não chamava a atenção. “O Caetano não era extrovertido, fazia mais o tipo misterioso. Ele foi diretor de bateria da escola de samba e era super querido. Mas também tinha seus inimigos”, lembra Vera Regina Barros.

                       Farra, mulher e bebida

Dicró: boemia e samba
Com a morte de Bezerra da Silva e Moreira da Silva, um dos poucos malandros que permanecem acima de qualquer suspeita – e ele faz questão de assumir isso – é o sambista Carlos Roberto Oliveira, de 58 anos, o Dicró, nascido e criado na Baixada Fluminense mas freqüentador assíduo da Praia de Ramos (Zona Norte) desde os anos 60. Fala aí Dicró:
“Malandro é o cara que está de bem com a vida, que leva tudo na gozação e que não rouba ninguém. Porque malandro na prisão vai aproveitar a vida como?”, brinca Dicró, que gravou em 1995, junto com Bezerra da Silva e Moreira da Silva, o disco “Os Três Malandros”, uma sátira à pompa dos tenores Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti. “Sempre fui boêmio e sambista. Até em velório a gente dá um jeito de se divertir”, brinca.

E para fechar esse papo de malandragem, nada como as palavras de Cartola, um bamba do samba de favela: “Malandro é quem gosta de briga, farra, mulher e bebida. Isso é natural. Ladrão, maconheiro ou jogador é bandido. Disso eu tenho vergonha”. E ponto final.

A Volta do Malandro (Chico Buarque)

Eis o malandro na praça outra vez
Caminhando na ponta dos pés
Como quem pisa nos corações
Que rolaram nos cabarés
Entre deusas e bofetões
Entre dados e coronéis
Entre parangolés e patrões
O malandro anda assim de viés
Deixa balançar a maré
E a poeira assentar no chão
Deixa a praça virar um salão
Que o malandro é o barão da ralé

Homenagem ao malandro (Chico Buarque)

Eu fui fazer um samba em homenagem
À nata da malandragem
Que conheço de outros carnavais
Eu fui à Lapa e perdi a viagem
Que aquela tal malandragem
Não existe mais
Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Malandro com aparato de malandro oficial
Malandro candidato a malandro federal
Malandro com retrato na coluna social
Malandro com contrato, com gravata e capital
Que nunca se dá mal
Mas o malandro pra valer
– não espalha
Aposentou a navalha
Tem mulher e filho e tralha e tal
Dizem as más línguas que ele até trabalha
Mora lá longe e chacoalha
Num trem da Central

Praça 11, Berço do Samba (Zé Ketti)

Favela do Camisa Preta
Do Sete Coroas
Cadê o teu samba, Favela?
Era criança na Praça Onze
Eu corria pra te ver desfilar
Favela, queremos teu samba
Teu samba era quente
Fazia meu povo vibrar
Até a lua, a lua cheia
Sorria, sorria
Milhões de estrelas brigavam
Por um lugar melhor
Queriam ver a Portela
Mangueira, Estácio de Sá
E a Favela com suas baianas tradicionais
Brilhava mais
Que a luz do antigo lampião a gás
Fragmentos de brilhantes
Como fogos de artifícios
Desprendiam lá do céu
E caíam como flores
Na cabeça das pastoras
E dos sambas de Noel
Correrias, empurrões
Gritarias e aplausos
E o sino da capela
Não parava de bater
Os malandros vinham ver
Meu samba estava certo, sim
Enquanto as cabrochas gingavam
No seu rebolado
No ritmo da batucada
De olho comprido, que nem bobinho
Eu terminava dormindo na calçada
De olho comprido, que nem bobinho
Eu acabava dormindo na calçada

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Malandros, Salve a Malandragem!

MALANDROOs malandros têm como principal característica de identificação, a malandragem, o amor pela noite, pela música, pelo jogo, pela boemia e uma atração pelas mulheres. Isso quer dizer que em vários lugares de culturas e características regionais completamente diferentes, sempre haverá um malandro. O malandro de Pernambuco, dança côco, xaxado, passa a noite inteira no forró; no Rio de Janeiro ele vive na Lapa, gosta de samba e passa suas noites na gafieira. Atitudes regionais bem diferentes, mas que marcam exatamente a figura do malandro.

No Rio de Janeiro aproximou-se do arquétipo do antigo malandro da Lapa, contado em histórias, músicas e peças de teatro. Alguns quando se manifestam se vestem a caráter. Terno e gravata brancos. Mas a maioria, gosta mesmo é de roupas leves, camisas de seda, e justificam o gosto lembrando que: “a seda, a navalha não corta”. Navalha esta que levavam no bolso, e quando brigavam, jogavam capoeira (rabos-de-arraia, pernadas), às vezes arrancavam os sapatos e prendiam a navalha entre os dedos do pé, visando atingir o inimigo. Bebem de tudo, da Cachaça ao Whisky, fumam na maioria das vezes cigarros, mas utilizam também o charuto.

São cordiais, alegres, dançam a maior parte do tempo quando se apresentam, usam chapéus ao estilo Panamá. Podem se envolver com qualquer tipo de assunto e têm capacidade espiritual bastante elevada para resolvê-los, podem curar, desamarrar, desmanchar, como podem proteger e abrir caminhos. Têm sempre grandes amigos entre os que os vão visitar em suas sessões ou festas. Existem também as manifestações femininas da malandragem.

Manifesta-se como características semelhantes aos malandros, dança, samba, bebe e fuma da mesma maneira. Apesar do aspecto, demonstram sempre muita feminilidade, são vaidosas, gostam de presentes bonitos, de flores principalmente vermelhas e vestem-se sempre muito bem. Ainda que tratado muitas vezes como Exu, os Malandros não são Exus. Essa idéia existe porque quando não desenvolvimento de pessoas são homenageados em festas ou sessões particulares, manifestam-se tranqüilamente nas sessões de Exu e parecem um deles.

Os Malandros são espíritos em evolução, que após um determinado tempo podem (caso o desejem) se tornarem Exus. Mas, desde o início trabalham dentro da linha dos Exus. Pode-se notar o apelo popular e a simplicidade das palavras e dos termos com os quais são compostos os pontos e cantigas dessas entidades. Assim é o malandro, simples, amigo, leal, verdadeiro. Se você pensa que pode enganá-lo, ele o desmascara sem a menor cerimônia na frente de todos. Apesar da figura do malandro, do jogador, do arruaceiro, detesta que façam mal ou enganem aos mais fracos. Salve a Malandragem!

Na Umbanda o malandro vem na linha dos Exus, com sua tradicional vestimenta: Calça Branca, sapato branco(ou branco e vermelho), seu terno branco, sua gravata vermelha, seu chapéu branco com uma fita vermelha ou chapéu de palha e finalmente sua bengala. Gosta muito de ser agradado com presentes, festas, ter sua roupa completa, é muito vaidoso, tem duas características marcantes: Uma é de ser muito brincalhão, gosta muito de dançar, gosta muito da presença de mulheres, gosta de elogiá-las ,etc… Outra é ficar mais sério, parado num canto assim como sua imagem, gosta de observar o movimento ao seu redor mas sem perder suas características.

Às vezes muda um pouco, pede uma outra roupa, um terno preto, calças e sapatos também pretos, gravata vermelha e às vezes até cartola. Em alguns terreiros ele usa até uma capa preta. E outra característica dele é continuar com a mesma roupa da direita, com um sapato de cor diferente, fuma cigarros, cigarilhas ou até charutos, bebe batidas, pinga de coquinho, marafo, conhaque e uísque, rabo-de-galo; é sempre muito brincalhão, extrovertido.

Seu ponto de força é na subida de morros, esquinas, encruzilhadas e até em cemitérios, pois eles trabalham muito com as almas… Salve a Malandragem!

Malandros

Os Malandros podem ser considerados entidades regionais, já que grande parte de suas manifestações se dá no Rio de Janeiro. 
Malandros são entidades de Umbanda cultuada nesse estado e cujo maior representante é Zé Pelintra.
 
Em geral, os Malandros quando lhes é dada essa possibilidade, vestem-se de branco, com o sapato e chapéu combinando, adornados com detalhes em vermelho e raramente preto.
Existem algumas exceções e essa regra como é o caso do Malandro Zé Pretinho, que veste terno preto e bengala, e por isso é facilmente confundido com Exu. 
Ha também muitos Malandros que encarnam a figura do sambista, com camisa listrada e chapéu panamá.
 
Ha também mulatas, figuras femininas dos malandros, e as “Marias” entidades de nome mais populares. Muitas delas com histórias divulgadas além da Umbanda, como no caso da Rosa Palmeirão, citada em alguns livros de Jorge Amado, que hoje são entidades da linha dos malandros. 
Outras entidades que hoje também são tidas como malandros são provenientes da jurema e do catimbó, onde são mestres e encantados. 
 
Texto retirado do livro “Esquerda na Umbanda”, de Janaina Azevedo Corral. 

Salve a Malandragem!

Malandro bom, trabalha em qualquer lugar,
Vem na Linha de Exú, porque sabe se comportar,
Também vem com a dos Baianos, Catimbó e Juremá,
Malandro bom, sabe se relacionar.
Não nasci para Umbanda, nasci para lhe ajudar, 
Se chamar por mim na igreja, te encontro no altar,
Se na roda de amigos, um vier a precisar,
Tenha fé que apareço, ajudo em qualquer lugar.
 
Já baixei em centro espírita, falando como doutor, 
Por que ali um certo dia, um amigo precisou,
Já baixei como poeta, repentista, trovador,
Sou malandro, sou esperto, só Deus é meu detentor.
 
Uns me chamam de Caboclo, de Baiano, Exú, Mestre e Doutor, 
Sou no mundo dos espíritos, mais um trabalhador,
Não escolho lado fixo, pois em movimento estou,
Não há certo ou errado, no aprendizado que dou.
Uso branco, uso vermelho e uso preto também, 
Sou malandro brasileiro, vivo a fazer o bem,
Eu trabalho pra meu Pai, não trabalho pra ninguém,
Faço uso do que posso e não excluo ninguém.
 
Salve a Malandragem!
 
Por José Roberto

Malandragem

Quando lhe chamam de malandro, logo pensamos de uma forma pejorativa, ou seja, naquele que engana, rouba, etc. A grande maioria direciona para o cenário ruim, mas quando falamos da linha de Malandros dentro da Umbanda não entendemos direito o que acontece, mas sentimos conforto, satisfação e segurança.

Vou expressar meu sentimento do que entendo por Malandragem, quando ocorre a manifestação desta linha e o sentido de seus trabalhos, estou amparado por meu irmão de luz, Seu Camisa Listrada, guia este que vem me acompanhando nos caminhos e sempre ensinando o que é VIVER. Fiz o seguinte questionamento:

“O que é ser Malandro?”

Aguardei a resposta por alguns instantes, até que…

“É majestade!…

Questionamento complexo, mas tentarei esclarecer a nossa essência e entenderá que ser Malandro é muito fácil.”

Ser Malandro ou viver a Malandragem nada mais é do que:

Respeitar a sua Vida e a dos outros.

Gingar conforme a música.

Ter a mesma flexibilidade de um bambu em dias de vendavais, onde enverga, mas não quebra.

Respeitar seus limites, onde cada passo dado deve ser bem analisado.

Ser o responsável pelos seus atos. 

Ter tudo e não ser dono de nada.

Valorizar tudo o que conquistar e ainda mais o que ganhar.

Saber dizer o SIM, NÃO, TALVEZ e principalmente QUEM SABE?

Não achar que sabe tudo, mas conhecer aquele que SABE.

Reconhecer seus verdadeiros amigos e principalmente os seus inimigos.

Enxergar um futuro promissor reconhecendo os fracassos do passado.

Saber RIR de verdade, com gosto e com vontade.

Aproveitar cada instante que a vida lhe dá.

Ter honestidade no olhar, sinceridade em suas palavras e amar com o coração.

Resumindo majestade ser Malandro nada mais é do que saber VIVER.

VIVER E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ!

Malandragem?!

Quando lhe chamam de malandro, logo pensamos de uma forma pejorativa, ou seja, naquele que engana, rouba, etc. A grande maioria direciona para o cenário ruim, mas quando falamos da linha de Malandros dentro da Umbanda não entendemos direito o que acontece, mas sentimos conforto, satisfação e segurança.

Vou expressar meu sentimento do que entendo por Malandragem, quando ocorre a manifestação desta linha e o sentido de seus trabalhos, estou amparado por meu irmão de LUZ, Seu Camisa Listrada, guia este que vem me acompanhando nos caminhos e sempre ensinando o que é VIVER. Fiz o seguinte questionamento:

“O que é ser Malandro?” Aguardei a resposta por alguns instantes, até que… “É majestade!… Questionamento complexo, mas tentarei esclarecer a nossa essência e entenderá que ser Malandro é muito fácil.” Ser Malandro ou viver a Malandragem nada mais é do que:

Respeitar a sua Vida e a dos outros.

Gingar conforme a música.

Ter a mesma flexibilidade de um bambu em dias de vendavais, onde enverga, mas não quebra.

Respeitar seus limites, onde cada passo dado deve ser bem analisado.

Ser o responsável pelos seus atos.

Ter tudo e não ser dono de nada.

Valorizar tudo o que conquistar e ainda mais o que ganhar.

Saber dizer o SIM, NÃO, TALVEZ e principalmente QUEM SABE?

Não achar que sabe tudo, mas conhecer aquele que SABE.

Reconhecer seus verdadeiros amigos e principalmente os seus inimigos.

Enxergar um futuro promissor reconhecendo os fracassos do passado.

Saber RIR de verdade, com gosto e com vontade.

Aproveitar cada instante que a vida lhe dá.

Ter honestidade no olhar, sinceridade em suas palavras e amar com o coração.

Resumindo majestade ser Malandro nada mais é do que saber VIVER. VIVER E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ! fiat uno

 

 

Mestre Zé Malandro e Maria Amalha (Maria Navalha)

O Mestre Zé Malandro, um mestre que nasceu, viveu e foi passado para a Jurema em Recife do Bairro da Encruzilha, tinha a sua amada Amalha a quem lhe sustentava Mestra Maria Amalha, e após a sua companhia passou a ser conhecida por Maria Navalhada, a quem andava com uma navalha e um punhal por baixo das saias, destinado a se defender ou mesmo para atacar os seus desafetos, muitas vezes por ciumes de seu amado Zé Malandro.

Segundo consta a história, Uma mulher com problemas na sua gestação foi aos pês do Mestre Zé Pelintra em Pernambuco e pediu que o seu sonho era ter um filho e se isso acontecer ele seria afilhado dele e o seu nome ia ser do filho quando a criança nasceu em Pernambuco, a mãe se mudou para o Rio de Janeiro, e essa criança é o Zé Pelintra da Lapa ou mesmo o Zé Malandro da Lapa, por causa dele que o Carioca recebe o titulo de malandro, boa vida, ele e o encantamento do Rio de Janeiro. Porem não é um Mestre de Jurema.

A Fundação da Umbanda e Quimbanda foi em 1908 pelo Médium Zélio de Moraes pela orientação de seu guia Caboclo da Sete Encruzilha.
Mais um motivo que nos prova se a Jurema Nasceu em 1532 na Pré História do Brasil o mestre viveu em sua maioria após 1700, mais teve e claro os mais antigos que essa data que são os mestres mais altos na jurema e que não desce mais e a sua ciência se perdeu.

A linha ferroviária foi inaugurada na vila do cabo, no dia 8 de fevereiro de 1858, , relata mais uma vez uma época que o mestre viveu sendo assim concluímos que se a Jurema nasceu com a colonização do Brasil em 1532 e a Umbanda e Quimbandas somente em 1908 então na Jurema não tem a presença de Exu e Pomba Gira (Pessoas de más índoles) de mais hoje temos algumas Jurema Traçadas com Quimbandas que louva a Exu na mesma sala de Jurema.

A própria evolução do homem faz unir certas culturas, depende da rama da jurema e dos princípios de cada um não e errado desde que se fala a verdade e ajuda as pessoas em nome de Deus.
O Reino do Jurema, ou Jurema de Caboclo ou Tupã, que foi o primeiro Reinado da Jurema Sagrada Catimbo, que os Pajés consagrava os seus discípulos índios, negros, europeus a quem lhe procurava abrigo e eles via a sua força espiritual, e esse médium que são chamados de Juremeiros saia das suas aldeia e aos poucos foi formandos novos Reinados que chegou ao número 12.

Quando se passa para jurema e louvado somente os Guardiões da Jurema, e encantados da Jurema Sagrada, jamais passa os dois na mesma sala, igualmente aos orixás.
Um Juremeiro geralmente tem o seu Padrinho Mestre de Jurema e um Babalorixá totalmente destintos.

Jurema é os Espíritos encantados, e os orixás são Divindades da Natureza, não teve corpos são Divindades dos elementos da Natureza é Africa.

Um mestre de Jurema em vida ele se ele foi consagrados por algum Juremeiro que se chama Padrinho Mestre, ou por algum índio ou o seu mestre o encantou no ato de sua passagem. Mais quando ele é um médium de Umbanda e passar e ter que voltar vem como Exu.

E na Jurema não tem Exu e sim guardiões tal como Morão do Mar, Canindé, Malunguinho etc…
Mais Maria Amalha ou Maria Navalhada não era a única mulher da vida do Zé Malandro, pelo o pseudônimo de Malandro já falava tudo que o cabra era, e Amalha se apaixonou e se prostituía para dar dinheiro para o seu amado.

Mas quem se atrevia atravessar em sua frente, para cortejar o Zé Malandro, ela deixava a sua marca com sua navalha, e Amalha ganhou o apelido e Navalha, Navalhada, Maria Navalhada.
Suas Cantiga mostra quem essa mestra esquerdeira era.

LÍRIO DA MESTRA


Eu Vou Beber Vou Farrear
Para A Polícia Me Levar
Eu Moro Em Casa Amarela
Lá Na Encruzilhada e a minha perdição,
E Quem Quiser Saber Meu Nome
Sou Eu Maria Navalha.

Aqui diz claramente, a mestra diz quem ela é da onde ela vem, Pois morava em Casa Amarela mais lá na Encruzilhada, era a sua perdição pois era la que morava o seu amor, Zé Malandro.

LÍRIO DA MESTRA

Eu A Procuro Mas Não Vejo
Cadê Maria Navalha?
Vai Pro Japão Jandaia
Mulher De Malandro Tem Nome
E Se Conhece Pela Saia
Nego Meu, Neguinho Meu,
Nego Meu, Neguinho Meu
Ele é Preto, é Maconheiro
É Vagabundo Mais É Meu.


 Aqui diz quem foi a sua perdição. Como tinha Amalha ou Navalhada, como tinhosa esparramada tinha a sua Irmã mais centrada e calma Amália.
Amália já e uma mestra que costa de chapéus, leques perfumes, joias, fala calmo e gosta de ajudar a quem a procura com situações amorosas, ao contrario de sua irmã que usa um turbante na cabeça e mais expansiva que foi a preocupação da Amália.

LÍRIO DA MESTRA

Oh ôôôôôô Anália
Cadê Maria Navalha
Ela É Moça Bonita
Que Se Veste Com Sete Saias.

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