Pano da Costa

O que é e porque usar o Pano da Costa nas funções religiosas do Candomblé: Os primeiros Alakás, ou panos da costa, vieram nos corpos das escravas, que eram vendidas neles enroladas, para depois serem tecidos no Brasil, no século XVIII. O pano da costa saiu da Costa do Marfim, na África, como um complemento da vestimenta das mulheres negras, no Brasil foi introduzido no culto dos orixás e daí transbordou para outras áreas da cultura. 
Patrimônio cultural imaterial, herança afro descendente, o pano da costa é produzido em tear manual, e é formado por tiras de dois metros de comprimento, com largura entre 10 a 15 centímetros, que são depois costuradas. A sua produção local quase cessou, mas a partir da década de 80 passou a chamar a atenção de etnógrafos, e hoje vive uma nova fase.
As estampas, os bordados, os modos de prender o tecido ao corpo revelarão reflexos de um entendimento de mundo. Os teares, os fios, as tramas se fazendo captarão um conhecimento se atualizando. Geralmente retangular, o pano-da-costa é tradicionalmente branco ou bicolor (listrado ou em madras) podendo ser bordado ou com aplicações em rendas.
O nome pode ter derivado de sua origem (a Costa do Marfim, na África) ou do fato dele ser usado preferencialmente jogado sobre os ombros e costas.
As fantasias da ala de baianas das escolas de samba freqüentemente exibem panos-da-costa. Muitas vezes esses elementos são transfigurados para se adaptarem aos temas da roupa.
Presença e distintivo do posicionamento feminino nas comunidades religiosas afro-brasileira, o pano-da-costa, não é apenas um complemento da indumentária da mulher; é a marca do sentido religioso nas ações da mulher como iniciada ou dirigente dos terreiros. Observemos a profunda conotação sócio religiosa desse simples pedaço de tecido, que atua em tão diversificadas situações, desempenhando papéis dos mais significativos e necessários para a sobrevivência dos rituais africano.
O pano-da-costa identifica a mulher feita, mesmo que ela não esteja de roupa de santo completa. A situação do pano-da-costa é de maior importância, se colocarmos a presença da mulher como símbolo do poder sócio religioso e arquétipo dos valores mágicos da fertilidade, isso motivado pelas formas anatômicas características da mulher.
O sentido protetor do pano-da-costa é outro aspecto que merece atenção.
Os Yaos, ao terminarem o período de feitura começam a travar seus primeiros contatos com o mundo exterior protegidas pelo pano-da-costa branco, que representa o prolongamento do Alá de Oxalá, envolvendo praticamente todo o seu corpo no grande pano-da-costa, procura manter os valores religiosos de sua feitura quando em contato com os valores profanos encontrados extramuros dos terreiros.
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Nos sirruns/axexês, a mesma proteção do pano-da-costa, ateado como capa envolvente mágica, aparece guardando as mulheres das presenças de egum.
O pano-da-costa é de uso exclusivo da mulher nos cultos africanos, porque uma das principais funções do mesmo é proteger os órgãos reprodutores das mulheres, das Iyámis.  Nos rituais de sirrum/axexê as mulheres usam dois panos-da-costas branco: um protegendo seus ventres e outro sobre os ombros como uma capa que envolve todo o seu colo e seios.
A ilustração de Debret mostra diversas “baianas” numa rua do Rio de Janeiro do século XIX. Note a variedade de panos-da-costa. O pano-da-costa deve ter no minimo 60 cm de largura para que possa proteger os órgãos que necessitam de proteção. As famosas mães de santo não usam o pano- da -costa na cintura nunca.
No Rio de Janeiro convencionou- se que o pano-da-costa deve ser usado de acordo com a idade de santo, isto é, só usa preso acima dos seios aquelas que ainda são yaos. Esta errado, pano-da-costa é para ser usado dessa forma mesmo independente da idade de feitura, quando muito, pode-se enrolar até abaixo dos seios. De alguns anos para cá os homem aderiram o pano-da-costa, mas nenhum deles até agora explicou o porque de usa-lo e nem podem explicar pois o mesmo é de uso exclusivamente feminino.
Observem que as santas mulheres usam o pano-da-costa, os santos homens usam o pano-da costa amarrados no ombro lembrando um Alaká (esse sim pertence ao homem) ou amarrado para trás, ou simplesmente ficam com o peito nu adornados pelas conta e brajás.

Contexto cultural:

“O pano-da-costa branco pertence a Oxalufã e Oxaguiã, o vermelho e branco, a Xangô, etc. 
“Existem panos de Oxalá, de Ogum, Oxumarê e Ewá, que têm nas cores do arco íris os seus símbolos, e os panos de Iemanjá, Obaluaiê e Nanã, etc.
“O traje de baiana é uma rica e complexa montagem de panos. Várias Anáguas engomadas, com rendas entremeios e de ponta; saia, geralmente com cinco metros de roda, tecidos diversos, com fitas, rendas entre demais detalhes na barra. Camizu, geralmente rebordada na altura do busto, bata por cima e em tecido mais fino, pano-da-costa de diferentes usos – pano-de-alaká, africano, tecido de tear manual, outros panos industrializados, retangulares, visualmente próximos das peças da África. ‘Estar de saia’ ou ‘usar saia’ pode referir-se ao elaboradíssimo conjunto que monta a roupa típica da baiana”.

“Nos candomblés, as roupas de baianas ganham sentido cerimonial e sua elaboração costuma manter aspectos tradicionais”. (…) “Ainda em âmbito religioso, a baiana é base para as roupas dos orixás, voduns e inquices, acrescidas de detalhes peculiares em cores, matérias e formatos, a que se somam as ferramentas, símbolos funcionais dos deuses”.

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