São Cosme e São Damião

Acta e Passio, nomes verdadeiros de Cosme e Damião, santos protetores dos médicos, enfermeiros e das crianças. Eram irmãos e cristãos. Diz-se que eram gêmeos, mas não se tem certeza desse fato. Nasceram na Arábia e viveram na Ásia Menor, Oriente. Desde muito jovens, ambos manifestaram um enorme talento para a medicina. Estudaram e diplomaram-se na Síria, exercendo a profissão de médicos com muita competência e dignidade. Conta à história que não aceitavam receber um centavo pelo serviço prestado. Os irmãos aproveitavam também para divulgar a fé cristã entre aqueles que se recuperavam das doenças. Inspirados pelo Espírito Santo usavam a fé aliada aos conhecimentos científicos. Com isso, seus tratamentos e curas a doentes, muitas vezes à beira da morte, eram vistos como verdadeiros milagres. A riqueza que mais os atraía era fazer de sua arte médica também o seu apostolado para a conversão dos pagos o que, a cada dia, conseguiam mais.

 

 

Isso despertou a ira do Imperador Diocleciano, perseguidor do povo cristão. Na Ásia Menor, o governador deu ordens imediatas para que os dois  médicos cristãos fossem presos, acusados de feitiçaria e de usarem meios diabólicos em suas curas. Foram forçados a negar sua fé. Mandou que fossem torturados por não aceitarem os deuses pagãos. Condenados à morte, resistiram milagrosamente a pedradas e flechadas. Foram então decapitados. Isso aconteceu no século IV, na Cidade de Ciro, vizinha a Antioquia, Síria. Com sua morte, os gêmeos se tornaram mártires e mais tarde santos, sendo nomeados pela Igreja Católica como São Cosme (que significa “o enfeitado”) e São Damião (“o popular”), num dia 27 de setembro, data em se comemora o seu dia.

 

 

Quando o Imperador Justiniano, por volta do ano 530 ficou gravemente enfermo, deu ordens para que transferissem os restos mortais dos dois irmos de Ciro para Constantinopla, e construíssem uma grandiosa igreja em honra de seus protetores. A fama dos dois correu rápida no Ocidente e o Papa Félix IV, entre 526 e 530, mandou que fosse construída uma basílica em homenagem aos dois irmãos. Os nomes de São Cosme e São Damião, entretanto, são pronunciados infinitas vezes todos os dias no mundo inteiro, porque, a partir do século VI, eles foram incluídos no cânone da missa, fechando o elenco dos mártires citados. Nas festas dedicadas a eles, é costume distribuir balas e doces para as crianças.

 

 

Na Bahia, principal região onde a cultura africana está mais presente, católicos e tantas outras vertentes religiosas comemoram o dia de São Cosme e Damião com uma comida típica originária da África e das religiões que cultuam os Orixás, o caruru. Quando se faz o “caruru de santo”, é de costume convidar “sete meninos” – sete crianças normalmente desconhecidas  e  convidadas na rua mesmo,  de última hora – que são servidos antes de todo mundo.

 

 

No sincronismo religioso Cosme e Damião são os Orixás Ibeji, filhos gêmeos de Xangô e Iansã, divindades protetoras do parto duplo, amigo das crianças e responsáveis por agilizar qualquer pedido em troca de doces – daí o costume de distribuir doces para crianças no dia 17 de setembro. Os sete meninos representam os gêmeos e seus cinco irmãos: Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi.

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