As Manifestações Divinas

A Umbanda organizou as “manifestações divinas” em setes elementos principais, ou sete linhas, designados a sete Orixás Básicos que se manifestam em nível de terreiro, ou seja, de incorporação, sendo eles:

  • Ogum;
  • Yemanjá;
  • Oxóssi;
  • Xangô;
  • Iansã;
  • Oxum;
  • Omulú/Obaluaê;
  • Nanã.

 

Importante ressaltar que na Umbanda não incorporamos o Orixá, mas sim os seus enviados, falangeiros ou representantes, que são espíritos evoluídos que trabalham na manipulação ou no nível vibracional de cada uma dessas forças da natureza.

Podemos perceber também, a manifestação dos Orixás no ser humano através de seu caráter e atitudes, onde Yemanjá corresponde a nossa necessidade familiar e de amor fraternal; Ogum corresponde a nossa necessidade de energia, defesa, determinação e tenacidade; Xangô corresponde a nossa necessidade de discernimento, justiça, estudo, raciocínio concreto e metódico; Iansã corresponde a nossa necessidade de mudança, deslocamentos, transformações materiais, avanços tecnológicos e intelectivos; Oxóssi corresponde a nossa necessidade de saúde, nutrição, expansão, energia vital, equilíbrio fisiológico; Oxum corresponde a nossa necessidade de equilíbrio emocional, concórdia, amor, complacência e reprodução; e Omulú corresponde a nossa necessidade de compreensão de carma, de regeneração, de evolução, transformações e transmutações cármicas.

Não incluímos Oxalá na relação de Orixás Básicos por considerá-lo acima dos demais Orixás e por também considerá-lo a conjugação de todos os demais Orixás, energia primária e original emanada de Olorum, Deus, o criador de todas as Coisas. Portanto Oxalá não é Orixá Básico, conseqüentemente não é regente de Ori (coroa) de médium nenhum na Umbanda, todos somos Filhos de Oxalá. Além do mais estamos falando em manifestações em nível de terreiro e na Umbanda ninguém incorpora Oxalá. Alguns se referem a Ele como Orixá Maior.
Há uma grande discussão em debate são as divergências quanto aos dias da semana de culto de cada Orixá, vemos essa diversidade em muitos terreiros. Para entrarmos nessa discussão teremos que lembrar que existem certas “verdades universais” que permeiam a humanidade desde seu surgimento na Terra. O homem sempre reconheceu uma força superior a ele que controla, mantêm e sustenta o mundo a sua volta. Esta força foi desmembrada em vários “deuses” pela manifestação sentida através da natureza, já que o homem sempre teve uma relação com a natureza, seus fenômenos e riquezas. Logo as forças da natureza cultuadas, de uma forma geral, não se modificam apenas se adaptam conforme a visão, cultura e evolução de cada povo.

Os Yorubás/Nagôs, nação que teve maior influência nos Cultos Afro-brasileiros, eram um povo da floresta, pouco se interessaram pelos astros, que ocuparam posição importante nos sistemas religiosos de povos que viviam em lugares abertos e altos. Para os Yorubás, as florestas e os rios eram mais importantes que a lua ou as estrelas. Sua semana de quatro dias não tem relação com as fases da lua, que em muitos povos originou a semana de sete dias. Vejamos então a Semana Yorubá/Nagô:

1º dia: Ojó Awo – é o dia da consulta a Ifá.
2º dia: Ojó Ogún – é o dia das conquistas e lutas.
3º dia: Ojó Jàkúta – é o dia da justiça.
4º dia: Ojó Obàtálá – é o dia de reverência a Oxalá.

Na maioria dos terreiros de Umbanda segue-se um modelo que foi adaptado pelos Negros Africanos, já que seu calendário era diferente do nosso, e apesar de algumas mudanças pela influencia de outras Nações, ficou um modelo meio que padrão que teve uma tendência há modificar um pouco mais com o surgimento das sete linhas de Umbanda, conforme a fundamentação e as raízes de cada Terreiro.
Por exemplo: Iansã sofre mudança, se a casa entender que ela faz parte da linha de Xangô seu dia será quarta-feira e se for da linha das Yabás no sábado; se for à linha das Almas, mas difícil de ser associada, será segunda-feira. Outros colocam Yemanjá no domingo por associá-la ao lar, as crianças e a família. Na Kimbanda, que também segue as tradições Angolanas, instituiu-se o dia de Exu, Pomba-gira e Ciganos na sexta-feira. Ficando então os Orixás e as linhas de trabalho distribuídos da seguinte forma:

Segunda Feira – Omulu, Iansã, Almas, Pretos Velhos e Exus
Terça feira – Ogum
Quarta Feira – Xangô, Iansã, Baianos e Boiadeiros
Quinta feira – Oxóssi e Caboclos
Sexta feira – Oxalá, Exús, Pomba-giras e Ciganos
Sábado – Oxum, Iansã e Yemanjá
Domingo – Ibeji (Erês/Crianças), Yemanjá e Oxalá

Com um estudo mais aprofundado, observamos que muitos como a cultura greco-romana, os povos do Egito, da Babilônia e Mesopotâmia, assim como os Maias, Astecas e Incas na América, observavam esses astros errantes e também cultuavam Deus em suas manifestações através das forças da natureza e associavam esse potencial a esses astros, os nomeando pelos nomes dos seus “deuses”. A Astrologia e a Ciência vieram mais tarde fundamentar esses cultos, nos mostrando as influências dos astros na natureza, onde podemos citar como um exemplo a influência da Lua nas marés, provando assim que o Universo se interage num tudo.
Seguindo essa linha de raciocínio e admitindo que uma dessas “verdades universais” é que Deus é único e que se apresenta diferentemente para cada povo de acordo com sua cultura, seu grau de evolução e entendimento, podemos observar que as características, arquétipos de cada Orixá e das várias divindades de outras culturas são muito parecidas se diferenciando apenas nos nomes e nas formas de culto.
Os gregos criaram um período de sete dias para seus sete planetas/deuses, período que hoje conhecemos como semana. Observamos que hoje em muitas línguas, esses dias são nomeados com os nomes dos planetas onde o primeiro dia é dedicado ao Sol, o segundo a Lua, depois Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus, e o sétimo a Saturno, e assim de acordo com sua característica e dia vejamos no quadro abaixo como ficaria o dia de cada Orixá:

Planeta        Planeta Grego             Orixá                   Dia da Semana

Sol                               Apolo                               Oxalá                                   Domingo
Lua (Diana)          Artêmis                         Yemanjá                            Segunda
Marte                        Ares                                 Ogum                                   Terça
Mercúrio                Hermes                         Xangô                                  Quarta
Mercúrio                Hermes                         Iansã                                    Quarta
Júpiter                     Zeus                                Oxóssi                                  Quinta
Vênus                       Afrodite                        Oxum                                   Sexta
Saturno                   Crônus                          Omulú                                 Sábado

Sabemos que esse tema é polêmico, mas essa polêmica se faz necessária, nossa intenção aqui é estimular o debate sobre o assunto.

 

Quem ainda não consegue entender a riqueza das diversidades das tradições e raízes de cada povo e as influencias das várias nações africanas nos diversos cultos vigentes no Brasil, jamais conseguirá entender a Umbanda com clareza, pois para eles, os Orixás, ou como carinhosamente os chamamos, nossos guias e mentores, pouco-lhes importam como os denominamos e em qual dia vamos reverenciá-los.
Oremos e pedimos a Oxalá que permita a cada mediador dentro do ritual da Umbanda, procurar se elevar moralmente e buscando expandir seus conhecimentos, sempre fortalecendo o elo de comunicação com seu mentor espiritual, manifestado e personificado na forma de um Orixá, se integrando cada vez mais com ele, podendo assim, através dele, irradiar a luz e a força de Deus, transmitindo suas energias reparadoras e mensagens de amor através da caridade.
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