O Trabalho com espíritos ciganos

Trabalho com Espíritos Ciganos

As oferendas e os feitiços relacionados aos espíritos ciganos misturam o estilo da magia européia com alguns elementos da magia de origem africana.
Assim, predominam as oferendas e simpatias colocadas em lugares exteriores, os banhos aromáticos, os ingredientes nacionais (frutas, pimentas, cereais, feijões e especiarias de uso comum) os potes de barro, mas também são usadas poções, velas, defumações, cristais, moedas, pregos, etc… de origem européia.
Segundo alguns autores, o trabalho com os espíritos pode ser resumido em algumas práticas básicas.

1) Aproximação: O espírito não é assentado, como os orixás e os exus, ele não pode ser obrigado a fazer nada, pois é um conselheiro, um guia superior. Ele se aproxima da pessoa e incorpora espontaneamente, ou dá intuições sem incorporar.

2) Oferendas: As oferendas para os espíritos ciganos incluem frutas, flores, pão, bebidas (vinho ou água), adornos (coloridos e brilhantes), velas, defumadores. Os espíritos ciganos nunca recebem sacrifício de animais. O melhor dia para entregar oferendas para os espíritos ciganos é o domingo, ao meio-dia, seu local preferido é junto a uma árvore na mata ou em um jardim.

3) Trabalho: O trabalho básico dos espíritos ciganos é a adivinhação. A técnica mais comum é a cartomancia, mas podem ser usadas a bola de cristal, a leitura de mãos e outras técnicas menos comuns (geralmente próprias de um determinado espírito). A partir do que seja visto na adivinhação, o espírito cigano pode realizar feitiços para corrigir o problema encontrado.

4) Cores: Os espíritos ciganos gostam de cores vivas e brilhantes. No ritual com espíritos ciganos, nunca é usada a cor preta: nem em roupas, nem em velas, fitas ou outro material qualquer.

5) Altar: Quem trabalha com um espírito cigano, é devoto de um deles ou deseja sua proteção, pode armar em casa um pequeno espaço devocional: sobre um móvel, ou mesmo sobre uma prateleira, é colocada uma boneca cigana, imagem ou mesmo um quadro com a cigana(o) de sua devoção que deve ser consagrado através de um ritual especial. A pessoa coloca junto à imagem suas oferendas (velas, água, cristais, pote da prosperidade etc…) e, quando quer fazer um pedido ou feitiço, coloca aí o material do encantamento, antes de despachá-lo. Os ciganos costumam ter, nesse altar, as imagens dos santos de sua devoção, entre os quais é obrigatória Santa Sara.

Alguns Espíritos Ciganos

As pessoas que trabalham com espíritos ciganos sabem descrever em detalhes as características de muitos deles.A lista a seguir é um resumo de informações encontradas em livros, se alguém encontrar alguma diferença entre esses dados e sua experiência pessoal, leve em conta que essas variações podem ocorrer quando se trata da manifestação de entidades do mundo espiritual.

Note também que esta lista nem de longe esgota o total de espíritos ciganos, conhecidos por seus devotos.

CARMENCITA – cabelos e olhos pretos; Cor: coral; Perfume: patchuli; Objetos: moedas, lua; Poder de magia: amor, união.



ESMERALDA – cabelos louros, olhos verdes; Cor: verde-claro; Perfume: sândalo; Objetos: tiara com moedas, pedras verdes, signo – salomão; Poder de magia: dinheiro.



IAGO – jovem, moreno; Cor: violeta; Perfume: violeta; Objetos: moedas, cristal lilás; Poder de magia: Cura.



MADALENA – cabelos e olhos pretos; Cor: multicor, predominando cor-de-rosa; Perfume: alfazema; Objetos: moedas presas na roupa, pulseira com talismã; Poder de magia: amor, união.



PABLO – cabelos e olhos pretos; Cor: vermelho; Perfume: Floral; Objetos: cordão com moeda, chapéu preto; Poder de magia: negócios.



PALOMA – cabelos e olhos pretos; Cor: multicor, predominando amarelo; Perfume: verbena; Objetos: punhal, cristal vermelho; Poder de magia: proteção.



RAMUR – cabelos e olhos pretos; Cor: vermelho; Perfume: floral; Objetos: ferradura, ferro; Poder de magia: proteção, segurança.



SALAMANDRA – ruiva; Cor: vermelho; Perfume: flores do campo; Objeto: fogueira; Poder de magia:limpeza, cortar feitiço.



SANDRO – cabelos e olhos pretos; Cor: verde; Perfume: benjoin; Objeto: punhal, moedas; Poder de magia: prosperidade.



SULAMITA – cabelos e olhos pretos; Cor: azul e amarelo; Perfume: Verbena; Objetos: cristal, folhas de árvores frutíferas; Poder de magia: união, proteção.



WLADIMIR – usa cavanhaque, jovem; Cor: azul-claro; Perfume: âmbar; Objetos: lenço no cabelo, argola na orelha, cordão com signo-salomão e sol; Poder de magia: união.



ZAÍRA – cabelos e olhos pretos, casada; Cor: azul-claro; Perfume: Acácia; Objetos: jóias prateadas; Poder de magia: amor.

Pombo Giras – As Guardiãs

Pombos Giras

As Guardiãs

Além de serem entidades que se manifestam nos cultos de matriz africana, as pombos giras são personagens bastante populares. Tanto as pombos giras quanto os exus representam nossos bons companheiros, velhos “compadres e comadres” sempre prontos a nos ajudar. Também são conhecidas como vencedoras de demandas, das guerras, mulheres cheias de méritos que em seus pontos cantados sempre levam um tom sensual.

Existem várias pombos giras, assim como existem vários exus, segundo o lugar de onde vêm, onde trabalham e a que família ou falange pertencem, pois cada uma representa uma aspecto distinto da potência geradora dessa entidade.
As imagens que representam as pombos giras mostram suas muitas faces e trejeitos: há as que trazem os seios à mostra, vestindo pequenas saias; outras exibem roupas mais luxuosas, longos vestidos e muitos colares; algumas guardam uma aparência quase cigana, prontas para dançar. Podem ser claras, morenas ou negras, mas seus cabelos são sempre longos e bem arrumados.
Seu culto se iniciou com o cruzamento das tradições africanas e europeias: o nome vem to termo “bombogira”, usado para denominar os exus no cultos de Angola, de tradição Banto.
Na Umbanda, a pomba-gira faz parte de um grupo de entidades que trabalham “à esquerda”, neutralizando o aspecto negativo e positivo e promovendo o equilíbrio. São eles, exus e pombas-giras, os responsáveis pela guarda e limpeza espiritual dos terreiros, a quem recorremos quando necessitamos daquela ajuda mais material.
A pombo gira é a geradora do desejo, fundamental em nossas vidas, e pode ser ativada tanto para ajudar como para diminuir em determinada pessoa, de acordo com a necessidade que for demonstrada.
Exus e pombas-giras nunca trabalham sozinhos, pois o aspecto masculino do Exú é positivo, e o feminino da pomba-gira é negativo, portanto, um complementa e neutraliza o outro. Por isso se costuma dizer que todo Exú tem sua mulher e toda pombo-gira tem o seu marido, para que, juntos, suas forças se fundam gerando perfeito equilíbrio.
Cada pombo gira, assim como os exus, tem suas características próprias, seus pontos cantados e riscados: cada uma cuida de um determinado tipo de tarefa. Geralmente as pombas-giras costumam proteger as mulheres que as procuram: sempre vêm para trabalhar contra aqueles que são seus inimigos e inimigos de seus devotos.
A pomba-gira é uma entidade que está bem próxima a nós, encarnados; possuiu uma vida no passado que lhes permitiu das áreas mais difíceis para as pessoas comuns: a vida emocional, o amor e a felicidade. Elas têm acesso às dimensões mais próximas do mundo da Natureza: os instintos, as aspirações e os desejos. O mais importante é compreendermos que são espíritos em busca de evolução, por isso, trabalham SEMPRE PRATICANDO O BEM, pois só assim poderão subir os degraus da ascensão espiritual.
Os grupos dos nossos amigos guardiões que mais se destacam nos terreiros, a falange do “Povo da Rua”, como carinhosamente são chamados esses espíritos amigos que sempre estão a postos para o caso de um pedido de ajuda, geralmente se divide em exus e pombas-giras das encruzilhadas, do cemitério e da natureza. É comum o uso de preto e vermelho para os exus e pombos giras.
A morada das pombas-giras está nas encruzilhadas em forma de T, cemitérios e os ambientes naturais. Costumam trabalhar com a parte etérea das bebidas alcoólicas como aguardente, rum, Whisky, licores e champanhe.
Algumas ervas mais utilizadas:
amendoeira, anis estrelado, azevinho, beladona, brinco-de-princesa, cana-de-açúcar, canela, comigo-ninguém-pode , etc.

Catimbó

Catimbó, magia, mistério, ocultismo. Como é difícil falar sobre o catimbó. Esta mistura, às vezes, confundem os adeptos, os simpatizantes, os seguidores do culto.
Dizem os mais entendidos que o catimbó não possui em seus cultos uma hierarquia, porém, tenho consciência de que ela existe e é muito precisa para os trabalhos espirituais da Jurema. Exemplo: um mestre não passa a frente do outro e, nas mesas, tem um dirigente que é um dos grandes mestres, escolhido pela vidência na mesa.
Como nos terreiros de umbanda tem velhos, caboclos, espíritos de cura, boiadeiros que chefiam, casam e batizam seus seguidores, no catimbó é a mesma coisa: temos uma família, uma cidade e um Estado.
O catimbó veio da era medieval, onde bruxos e bruxas, grandes mágicos e até mulatos, carregadores de sinhazinhas, mascates, caboclos matreiros, negros fugitivos, enfim, todas as classes, principalmente os mais carentes, que tinham que fugir para exercer sua fé, que era proibido na época. Entre mamelucos e cafuzos, negros e índios, europeus de todos os lados, fugiam para a mata, para fazer o Catimbó.
Cat-fogo – timbó-mato; aí está formada a palavra Catimbó, fogo na mata.
Atravessando todo o Brasil, o Catimbó vem se propagando de Norte a Sul. Ele se alinha com a encantaria e entre os senhores mestres da Jurema. É um culto que vem ganhando espaço em todos os segmentos espirituais. Os nossos irmãos do Norte e Nordeste vivem na esperança de poder voltar, um dia, às suas raízes e tradições.
A inclusão de santos católicos no Catimbó foi semelhante ao que aconteceu com os orixás no candomblé, com a única diferença que os Mestres adoram esses santos.
Com a chegada dos primeiros colonos portugueses ao Brasil, houve a mistura com os índios e negros africanos originando, a partir daí, a miscigenação. Aconteceu, também, a aproximação com a magia negra, muito praticada na época.
O Catimbó sofreu influências desde o Amazonas até os Estados da Região Nordeste, misturando toré, pajelança, linha dos ciganos, sensitivos, adivinhos, médicos curadores, também chamados médicos do espaço. Tudo isto é encantaria.
Sendo secular o Catimbó vem se misturando com a Umbanda e trazendo diversas ramificações. Hoje, neste campo, o Mestre Zé Pilintra, com toda sua formação, é introduzido nos terreiros de vários segmentos.
Existem pontos comuns com a Umbanda, porque todo Mestre, que desce para trabalhar, vem falando ou louvando Deus e Jesus Cristo – “E quem pode mais que Deus?” – é sua bandeira de fé.
A cultura do Catimbó, apesar de mítica e secular, já tem suas raízes firmadas nos dias de hoje. O Mestre, o sacerdote, o mentor espiritual é, ao mesmo tempo, rezador, curador, conselheiro e até mesmo Pai ou Mãe na orientação dos seus seguidores. Realizam batizados, casamentos, rituais fúnebres, missas e ladainhas.
Zé Pilintra é considerado o príncipe da Jurema e hoje muitos terreiros trabalham com outras falanges: Zé dos Anjos, Zé do Ponto, Zé Arruda, Zé da Canoa, Zé da Escada, Zé da Rua da Guia, Zé Pereira, Zé do Vale, Zé Enganador, Zé de Aruanda, Zé da Jurema.
Essas chefias vão se ampliando e temos encontrado, enfim, outros falangeiros que estão cheios de ginga e malandragem e trazem para os Estados do Leste e Sul do Brasil, Zé da Lapa, Zé da Mangueira, Zé de Santa Tereza, etc.
É bom que se diga que Zé Pilintra nunca foi ladrão, bandido ou arruaceiro, etc. Ele é e foi um bom malandro. Homem viril, jogador de cartas, que aparecia em sua época e o seu carteado corria mundo.
Existe uma grande falange de Zés no Recife, Paraíba, Alagoas, Ceará, Amazonas, nas taperas, se banhando nos igarapés e rios. São idolatrados tanto por meninas, moças e até damas da sociedade.
Qualquer magia praticada para o bem pode ser usada para grandes finalidades. Objetivamente, o catimbó é a evolução dos guias e dos mestres através do bem e da cura. Se o mal é feito, isso pode ocorrer pela desinformação do médium ou pela necessidade da justiça a quem pede.
O catimbó tem uma base religiosa vinda de várias regiões, é uma prática magística, ritualística, onde entram santos católicos, água benta, outros objetos litúrgicos, trabalhando com incorporações vindas através da necessidade do consulente, principalmente na linha de cura. Problemas materiais e amorosos são as principais finalidades e a sua parte litúrgica têm muitas vezes a ver com os santos católicos.
Para se fazer o mal às pessoas, não é preciso estar no Catimbó. Aliás, o mal não precisa de religião para ser feito.
Os mestres trabalham livremente, porém nunca deixa de ter no seu grupo ou na sua cidade a organização da mesa. Aqueles que tomam parte na mesa da Jurema são os que formam a cúpula, a chefia do trabalho espiritual. Com incorporações, vidências, etc. Exemplificando: se a mesa do Catimbó for dirigida por Zé Pilintra, ele é o primeiro a descer e é o último a subir.
O Catimbó é uma religião do povo, não existe Catimbó sem terços, rezas, água-benta, santos católicos, fumaça do cachimbo, vinho da Jurema ou cânticos fazendo rimas e, tocando seu maracá, os mestres são entidades muito alegres, naturais e espontâneas. Na incorporação dos senhores mestres não existem teatro, não são entidades grotescas, não são exus, são bastante diferentes de outros segmentos.
Não existem mestres do bem ou do mal, porém, eles podem trabalhar na direita ou na esquerda.
Já presenciei, há alguns anos, um Catimbó de mesa de chão, onde o Mestre Zé Pilintra abria a reunião de cura e limpeza de egum.
Fazia a chamada dos mensageiros dos mestres e, depois do trabalho e das mesinhas, onde os consulentes tinham o privilégio de saírem do toque com uma aparência de grande felicidade e a esperança de dias melhores. Seu Zé transmitia uma irradiação cheia de compreensão e pedia para que os mestres na terra, solicitassem aos seus médiuns que abrissem seus corações e que fizessem com que a fé de cada médium, incorporado, fosse imbatível.
Conclusão: daquela força formou-se uma egrégora e daí abriu-se uma luz.
Este fato aconteceu na casa de um babalorixá já falecido (Professor José Ribeiro), em Jacarepaguá, onde o Catimbó era considerado o melhor da cidade do Rio de Janeiro. Predominava, ali, a necessidade do povo. Seu Zé descia, chamava Maria do Acae e, em seguida, o Mestre Carlos.
Os consulentes ficavam todos esperando, sentados nos enormes bancos do salão, uma esteira em forma de cruz, com médiuns, todos de branco, fazendo a corrente. De um lado, Maria do Acae e do outro lado, Mestre Carlos, já bem velhinho e que era o mediador, para tirar os problemas dos consulentes enquanto, na ponta da mesa (esteira de chão), havia outro médium trabalhando como mensageiro de Iansã, que cremava na panela todos os problemas dos consulentes, previamente escritos pelos próprios.
Já de madrugada, não havia mais tempo para toque: era tarde, a madrugada já começava trazendo o amanhecer. No dia seguinte, todos tinham seus empregos. Isto era uma sessão de Catimbó e seu Zé Pilintra subia, cantando e recitando loas e versos:
– Salve seu Zé Pilintra, Mestre Carlos e Maria do Acae!
Em outra casa, em Jaboatão-Recife (Pe), onde os guias desciam e não dançavam: primeiro trabalhavam e faziam seus Catimbós e depois, então, iniciava o toque. Era de enlouquecer a demora e os mestres diziam:
– Primeira a devoção, vamos trabalhar, desmanchar macumba, feitiço, catimbó e azar.
Depois de todos os consulentes atendidos, os maracás começavam a tocar e, aí então, vinha a grande dança do Catimbó, na magnífica e contagiante pisada dos senhores mestres.
É preciso ter cuidado para que as sessões não pareçam uma festa pagã: Jurema tem fundamento e a sorte é Deus quem dá. Vamos respeitar e louvar o Mestre na sua cidade real – afirmava Mestre Pilão.
Existem muitos tipos de mestres e variadas incorporações na linha da Jurema. Todos são responsáveis por suas atividades.
A lei da mata é a mesma para todos. Em cada casa é plantado um pé de Jurema e aí, nasce uma cidade encantada, que recebe o nome de um mestre, escolhido pelos donos da casa.
Esta é uma característica de independência de cada mestre. Sua força e seriedade fazem com que estes mesmos mestres sejam temidos e respeitados não existindo, aí, nenhum critério de comparação com o panteon africano.
Dentro do catimbó trabalha-se com muita luz e sendo a Jurema uma linha indígena, temos exemplos de alguns grandes mestres, como o famosíssimo Pai Joaquim, um velho da Índia e que vem na chefia das sessões de Umbanda ou linhas cruzadas, como a linha da Jurema, fazendo lavagem de cabeça.
Rei Heron, que é doutrinador e curador católico, apaziguador, é um grande chefe de mesa; Mestre Tupã, que é um espírito de grande força astral, chefe de um grande reino e faz parte das cidades santas, é conciliador.
Mestre Caboclo Urubatan, é morador das cidades encantadas dos rios verdes, é guia para os perdidos e fechador de corpos. Não faz feitiços, nem magias, mandingas ou catimbó, só trabalha para doutrinar falangeiros e seguidores.
Mestra Laurinda, parteira, curandeira e rezadeira.
Mestre Carlos, o Rei do Catimbó, que passou três dias e três noites, dormindo no tronco do juremá e, quando se levantou, estava pronto para trabalhar.
Mestra Maria Luziária, vaidosa, conselheira, defensora das mulheres, apaziguadora dos homens, por vezes mandingueira, brejeira e casamenteira. Dizem que é uma entidade muito bonita.
Conta a história que Maria Luziária foi a primeira esposa de Zé Pilintra e só trabalha para o amor e para fazer o bem. Compositora, suas músicas são suaves e apresentam um enredo de muito bom gosto.
Mestra Iracema, rainha da cidade encantada de Panema, vem beirando o mar, se preocupa muito com crianças e pessoas idosas e é uma cabocla de pena.
Enquanto Eu viver sobre a Terra,
Enquanto Eu viver sobre o mar.
Salve! A Cabocla Iracema.
Salve! A Sereia do Mar.
Eh! Eh! Eh! Eh! (Bis)
Mané Maior é outra entidade de ação, como príncipe Canindé, caboclinho, corredor da mata virgem, aquele que traz as folhas, juntamente com os tapuias e canindés, para fazer a linha da fumaça e do mel de abelhas. Quando baixa no terreiro, louva sempre Jesus Cristo, Padrinho Cícero Romão, São Severino do Ramo, Santa Teresa, Nossa Senhora da Lapa, a Virgem da Conceição e outros.
Os catimbozeiros não perdem causas e os senhores mestres são impulsivos, otimistas e bastante generosos. O círculo que fazem no astral sobre o seu consulente é que tem valor e nas suas invocações estão sempre procurando um canal de luz, onde possam entrar e resolver os problemas dos consulentes.

Olubajé

O Olubajé é a festa anual em homenagem a Obaluaiê , onde as comidas são servidas na folha  de mamona . Rememorando umitan  (mito) onde todos os Orixás  para se acertarem com Obaluaiê, por motivos de ter sido chacoteado numa festividade feita por Xangô  por sua maneira de dançar.
Nessa festividade, todos os Orixás participam, com exceção de Xangô e principalmente Osanyin , Oxumarê , Nanã  e Yewá , que são de sua família. Oyá  tem papel importante por ser ela que ajuda no ritual de limpeza e trazer para o barracão  de festas a esteira , sobre a qual serão colocadas as comidas.
Olubajé é ritual especifico para o orixá  Obaluaiê , indispensável nos terreiros  de candomblé , no sentido de prolongar a vida  e trazer saúde  a todos os filhos e participantes do axé . No encerramento deste rito é oferecido no mínimo nove iguarias da culinária afro-brasileira chamada de comida ritual pertinente a vários Orixás, simbolizando a Vida , sobre uma folha chamada “Ewe Ilará ” conhecida popularmente como mamona, “altamente venenosa” simbolizando a Morte  (iku) .

Diz uma lenda que Xangô, um Rei muito vaidoso, deu uma grande festa em seu palácio e convidou todos os Orixás, menos Obaluaiê, pois as suas características de pobre e de doente assustavam o rei do trovão. No meio do grande cerimonial todos os outros Orixás começaram a notar a falta do Orixá Rei da Terra e começaram a indagar o porquê da sua ausência, até que um deles descobriu de que ele não havia sido convidado.
Todos se revoltaram e abandonaram a festa indo a casa de Obaluaiê pedir desculpas, Obaluaiê  recusava-se a perdoar aquela ofensa até que chegou a um acordo; daria uma vez por ano uma festa em que todos os Orixás seriam reverenciados e este ofereceria comida a todos desde que Xangô comesse aos seus pés e ele aos pés de Xangô.
Nascia assim a cerimônia do Olubajé. Porém, existem diversas outras lendas que narram outros motivos sobre o porquê de Xangô e Ogum não se manifestarem no Olubajé.

“O Olubajé é muito mais uma obrigação do que uma festa” – 

Usando essa frase, podemos entender melhor o que é o Olubajé que quer dizer : Olú : Aquele Que; Ba : Aceita; Je : Comer. Ou seja: Aquele que come. E ele tem origem em uma lenda que conta, que um dia houve uma festa no Orun e todos os orixás foram convidados, todos dançaram, porém quando Omolu foi dançar, todos o ridicularizaram pois dançava apontado suas feridas e de maneira desengonçada, e vendo todos rirem dele, no final de sua dança, apontou para todos os orixás e sobre eles jogou uma praga e conforme os dias foram passando, todos ficaram doentes, a terra se tornou improdutiva, foi quando  os omo-orixás pediram para que os Orixás intercedesse junto a Omolu para que tudo voltasse ao normal e então os eles decidiram fazer um grande banquete em homenagem a Omolu, foi então que vendo-se agradado, retirou a praga e disse que a partir daquele momento, todos os anos deveria ser feito o Olubajé em sua homenagem e além disso que servisse como um ebó para todos os omo-orixás.
Esse é um ritual realmente muito importante, além do que é feito em sala, existe todo um preparo que antecede a festa, além de toda a culinária.


O Sabejé

O sabejé é o ato onde Oyá sai com o balaio de pipocas, e as pessoas vão colocando dinheiro em troca de um punhado de pipoca. Porém o sabejé é muito mais do que isso, ele significa a submissão e o sacrifício em nome do orixá, e nos dias de hoje muitas pessoas não sabem que antigamente os filhos de santo no mês de Agosto, saiam realmente as ruas para pedir dinheiro  para poder fazer o olubajé.

Os pratos do Olubajé

No Olubajé são servidas todas as comidas de santo, menos as de Xangô e são elas:

– Feijão Preto Cozido


– Axoxó


– A pipoca, a banana da terra frita, além da farofa de Omolu onde vão os seus axés.


– O feijão fradinho, feijão preto e milho de galinha cozidos com ovo cozido por cima.


– Mostarda refogada.


– Omolokun


– O feijão fradinho, feijão preto e milho de galinha cozidos com ovo cozido por cima.


– Acaráobá


– Acarajé


– Ebô


– Eboyá


– Acaçá 


– Aruá

Servidos na folha de mamona (Ewèlará: folha do mundo). Em seguida. Todos os presentes na cerimónia devem comer um pouco de cada uma das comidas, utilizando apenas as mãos para comer, e é também obrigatório que todos dancem ao som das músicas e cantigas que vão sendo entoadas em louvor do Orixá.

Obaluaiê


OBALUAIÊ

ABSTINÊNCIA
 
Obaluaiê era muito mulherengo e não obedecia a nenhum mandamento que fosse. Numa data importante, Orunmilá advertiu-o que se abstivesse de sexo, o que ele não cumpriu. Naquele mesmo dia possuiu uma de suas mulheres. Na manhã seguinte despertou com o corpo coberto de chagas.

Suas mulheres pediram a Orunmilá que intercedesse junto a Olodumarê, mas este não perdoou Obaluaiê, que morreu em seguida.
Orunmilá usando o mel de Oxum, despejou-o por sobre todo o palácio de Olodumarê.
Este, deliciado, perguntou a Orunmilá quem havia despejado em sua casa tal iguaria.
Orunmilá disse-lhe que havia sido uma mulher. Todas as divindades femininas foram chamadas, mas faltava Oxum, que confirmou ao chegar que era seu aquele mel. Olodumare pediu-lhe mais, ao que Oxum lhe fez uma proposta.
Oxum daria a ele todo o mel que quisesse, desde que ressuscitasse Obaluaiê.
Olodumarê aceitou a condição de Oxum, e Obaluaiê saiu da terra vivo e são.

AS DUAS MÃES DE OBALUAIÊ

Filho de Oxalá e Nanã, nasceu com chagas, uma doença de pele que fedia e causava medo aos outros, sua mãe Nanã morria de medo da varíola, que já havia matado muita gente no mundo. Por esse motivo Nanã, o abandonou na beira do mar. Ao sair em seu passeio pelas areias que cercavam o seu reino, Iemanjá encontrou um cesto contendo uma criança. Reconhecendo-a como sendo filho de Nanã, pegou-a em seus braços e a criou como seu filho em seus seios lacrimosos.
 
O tempo foi passando e a criança cresceu e tornou um grande guerreiro, feiticeiro e caçador. Se cobria com palha da costa, não para esconder as chagas com a qual nasceu, e sim porque seu corpo brilhava como a luz do sol. Um dia Iemanjá chamou Nanã e apresentou-a a seu filho Xapanã, dizendo: Xapanã, meu filho receba Nanã sua mãe de sangue. Nanã, este é Xapanã nosso filho. E assim Nanã foi perdoada por Omulu e este passou a conviver com suas duas mães.

A VIDA ENSINA

Quando Omolu era um menino de uns doze anos, saiu de casa e foi para o mundo para fazer a vida. De cidade em cidade, de vila em vila, ele ia oferecendo seus serviços, procurando emprego. Mas Omolu não conseguia nada. Ninguém lhe dava o que fazer, ninguém o empregava, e ele teve que pedir esmola.

Tinha um cachorro que o acompanhava. Omolu e seu cachorro retiraram-se no mato e foram viver com as cobras. Omolu comia o que a mata dava: frutas, folhas e raízes. Mas os espinhos da floresta feriam o menino. As picadas de mosquitos cobriam-lhe o corpo.Omolu ficou coberto de chagas.
Só o cachorro confortava Omolu, lambendo-lhe as feridas. Um dia, quando dormia, Omolu escutou uma voz:
-Estás pronto. Levanta e vai cuidar do povo.
Omolu viu que todas as feridas estavam cicatrizadas. Não tinha dores nem febre. Omolujuntou as cabacinhas, os atos, onde guardava água e remédios que aprendera a usar com a floresta, agradeceu a Olorum e partiu.
Naquele tempo uma peste infestava a Terra. Por todo lado estava morrendo gente, todas as aldeias enterravam seus mortos. Os pais de Omolu foram ao babalaô e ele disse queOmolu estava vivo e que ele traria a cura para a peste.
Todo lugar aonde chegava, a fama precedia Omolu. Todos esperavam-no com festa, pois ele curava. Os que antes lhe negaram até mesmo água de beber agora imploravam por sua cura. Ele curava a todos, afastava a peste. Então dizia que se protegessem, levando na mão uma folha de dracena, o peregum, e pintando a cabeça com efum, ossum e uági, os pós branco, vermelho e azul usados nos rituais e encantamentos. Curava os doentes e com o xaxará varria a peste para fora da casa, para que a praga não pegasse outras pessoas da família. Limpava as casas e aldeias com a mágica vassoura de fibras de coqueiro, seu instrumento de cura, seu símbolo, seu cetro, o xaxará.
Quando chegou em casa, Omolu curou os pais e todos estavam felizes. Todos cantavam e louvavam o curandeiro e todos o chamaram de Obaluaiê, todos davam vivas ao Senhor da Terra, Obaluaiê.

BELA CAÇADORA

Euá era uma caçadora de grande beleza, que cegava com veneno quem se atrevesse a olhar para ela.

Euá casou-se com Omulu, que logo demonstrou ser marido ciumento.
Um dia, envenenado pelo ciúme doentio.
Omulú desconfiou da fidelidade da mulher e a prendeu num formigueiro.
As formigas picaram Euá quase até a morte e ela ficou deformada e feia. Para esconder sua deformação, sua feiúra, Omulú então a cobriu com palha-da-costa vermelha.
Assim todos se lembrariam ainda como Euá tinha sido uma caçadora de grande beleza.

CABAÇAS

Conta umas das lendas de Iansã, a primeira esposa de Xangô, teria ido, a seu mandato, a um reino vizinho buscar 3 cabaças que estava com Obaluaiê. Foi dito a ela que não abrisse estas cabaças, as quais ela deveria trazer de volta a Xangô. Iansã foi e lá e Obaluaiê recomendou mais uma vez que não deixasse as cabaças caírem e quebrarem e, se isto acontecesse, que ela não olhasse e fosse embora.

Iansã ia muito apressada e não aguentava mais segurar o segredo. Um pouco mais à frente quebrou a primeira cabaça, desrespeitando a vontade de Obaluaiê.

Saíram de dentro da cabaça os ventos que a levou para o céus. Quando terminaram os ventos, Iansã voltou e quebrou a segunda cabaça. Da segunda cabaça saíram os Eguns. Ela se assustou e gritou: Reiiii! Na vez da terceira cabaça Xangô chegou e pegou para si, que era a cabaça do fogo, dos raios.

CALMANTE

Xapanã, originário de Tapa, leva seus guerreiros para uma expedição aos quatro cantos da terra. Uma pessoa ferida por suas flechas ficava cega, surda ou manca,Obaluaê-Xapanã chega ao território de Mahi no norte de Daomé, matando e dizimando todos os seus inimigos e começa a destruir tudo o que encontra a sua frente.

Os Mahis foram consultar um Babalaô e o mesmo ensinou-os como fazer para acalmar Xapanã. O Babalaô diz que estes deveriam trata-lo com pipocas, que isso iria tranqüilizá-lo, e foi o que aconteceu.
Xapanã tornou-se dócil.
Xapanã contente com as atenções recebidas mandou construir um palácio onde foi viver e não mais voltou ao país Empê.

CIDADE ESTRANHA
Oxum conheceu o príncipe Odé, cuja a delicadeza e a finura a cativaram, acabaram se casando.
O casamento foi muito festejado, mas assim que começaram a vida íntima, Oxum começou a compreender mais profundamente os pensamentos do esposo. Ele queria construir uma cidade destinada a abrigar odadis e alakuatás (homossexuais masculinos e femininos). Já erguida a cidade, nasceu Logum, uma criança hermafrodita.
Horrorizada Oxum abandonou a cidade dos odadis.
O jovem ficou ali e foi o primeiro a ajudar Orunmilá.
Enquanto isso Oxum faz uma viagem em busca de Iemanjá, irmã de sua mãe.

Oxum ofereceu-se a sua irmã e aos sacerdotes Iorubás a ir buscar Ogum que estava recluso na mata desde a que perdera a disputa com Xangô por causa da Oiá.

Retornando ao palácio de Iemanjá, depois da festa de boas vindas a Ogum, Oxum conheceu Obaluaiê, homem já de certa idade mas de aspecto majestoso e viril.
Oxum e Obaluaiê casaram-se e partiram para a terra de jejes onde Obaluaiê era rei.

CLAUSURA
 

Euá, filha de Obatalá e Nanã, vivia em seu castelo como se estivesse numa clausura.
O amor de Obatalá por ela era muito estranho.

A fama da beleza e da castidade da princesa chegou a todas as partes, inclusive ao reino de Xangô.
Mulherengo como era, Xangô planejou como iria seduzir Euá.
Empregou-se como jardineiro no palácio de Obatalá.
Um dia Euá apareceu na janela e admirou-se de Xangô. Nunca havia visto um homem como aquele.
Não se tem notícia de como Euá se entregou a Xangô, no entanto, arrependida de seu ato, pediu ao pai que lhe enviasse a um lugar onde nenhum homem lhe enxergasse.
Obatalá deu-lhe o reino dos mortos.

Desde então é Euá quem, no cemitério, entrega a Oiá os cadáveres que Obaluaiê conduz para que Orixá-Okô os coma.
CONSAGRAÇÃO
Omolú se dedicou a conhecer as ervas e assim poder curar as doenças de seu povo, se tornando o grande curandeiro dos enfermos acometidos por doenças da pele e por doenças que causam a grande febre do corpo e consomem com suas feridas os homens.
Se sentindo seguro e como era muito aventureiro resolve caminhar pela terra e conhecer seu povo.
Após uma longa jornada buscou a sombra de uma palmeira frondosa para descansar e adormeceu.
Foi acordando com uma voz que queria saber o porquê de estar ali dormindo e se necessitava de algo.
A vós que o acordou era de um homem já maduro e este era seu pai Oxalá, que não sabia de sua existência e os dois trocaram informações, Omolú ofereceu água e vinho de palma para Oxalá, e Oxalá ficou muito satisfeito com essa gentileza e a conversa se estendeu de forma que Oxalá ficou sabendo dos conhecimentos de Omolú, com relação a cura das doenças da pele.
E, em baixo da palmeira, Oxalá consagrou Omolú, tornando-o assim Òbá Lú Aiyé,
O Rei do Mundo, ou O Rei da Terra.
DANÇARINA
Certa vez houve uma festa com todos os Orixás presentes.
Omulu-Obaluaê chegou vestindo seu capucho de palha. Ninguém o podia reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele.
Só Oiá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra.
Tanto girava Oiá na sua dança que provocava vento.
E o vento de Oiá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê.
Para surpresa geral, era um belo homem.
O povo o aclamou por sua beleza.
Obaluaê ficou mais do que contente com a festa, ficou grato e em recompensa, dividiu com ela o seu reino.
Fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos.
Rainha que é Oiá Igbalé, a condutora dos eguns.
Oiá então dançou e dançou de alegria para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dançava , agitava no ar o iruquerê, o espanta-mosca com que afasta os eguns para o outro mundo.
Rainha Oiá Igbalé, a condutora dos espíritos.
Rainha que foi sempre a grande paixão de Omulu.
DESCOBERTA
Há quem diga que Oiá foi namorada de Obaluaê e conseguiu que ele mostrasse o rosto sob as palhas.
Provocou um grande vento e o azê foi levantado.
Ficou surpresa por que o rosto de Obaluaê era belíssimo. Obaluaê gosta muito de Oiá e de sua espontaneidade desinteressada.
Ela é alegre, bonita, brejeira e generosa muitas vezes Oiá acompanha Euá em suas inúmeras viagens ao céu, rumo ao reino de Oxumarê, e em contrapartida Oiá é acompanhada pela Euá no transporte dos espíritos do aiê ao orun.
DISFARCE
Um dia em uma festa, onde Oiá a grande deusa dos ventos era homenageada, e todos se divertiam e dançavam, Omolú reparou em uma linda mulher que dançava graciosamente, fazendo movimentos sensuais e que ao vê-lo de longe, se encantou por ele e indo até ele o convidou a dançar. Omulu sem saber como reagir, tomou o caminho da mata, nesse momento Ogum seu irmão ao perceber o que estava acontecendo, correu mata à dentro e confeccionou um capuz com a palha encontrada na mata e fez Omolú colocá-lo.
Se sentido seguro por ter o rosto coberto Omolú se aproximou de Oiá que o havia convidado para dançar e dançou junto com ela e ao verem como ele dançava muito bem os presentes se aproximavam para saber quem era aquele jovem que se escondia atrás daquele capuz de palha (azé).
FUGA
Xapanã sabendo-se leproso e que, por isto causava nojo e medo a todos que dele se aproximavam, procurava sempre se esconder, dando muito trabalho a Iemanjá para encontrá-lo.
 
Iemanjá resolveu prender nas vestes de Xapanã, diversos chaurôs, que facilitava a sua localização.
Por isto que quando se toca adejá, se por ventura estejam criança ocupada e dançando fingem, ou melhor, simulam uma fuga.
 
IRRESISTÍVEL
Xangô se considerava o máximo.
Mulher nenhuma no mundo conseguia resistir aos seus encantos. Era o mais belo dos reis, rico e cheio de si.
 
A fama da beleza de Euá corria mundo, e Euá não era casada.
Xangô resolveu a todo custo, seduzir Eua, nem que tivesse de trabalhar de servo em seu palácio, e foi o que fez.
Euá portadora de vidência e de premonição, previu a chegada em seu reino, de um grande senhor real que viria disfarçado de servo.
Assim preparada, ficou imune ao charme do senhor do fogo qualquer mulher que olhasse Xangô nos olhos brilhantes de fogo, cairia apaixonada.
Euá prevenida não olhava nos olhos.
O tempo foi passando e nada, Xangô irritado tentou possuí-la a força, a moça apavorada, mas muito valente deu uma mordida na mão de Xangô e soltou-se fugindo do palácio, com o rei disfarçado em seu encalço.
Xangô, furioso e pondo fogo pela boca, estava cada vez mais perto, quando Euá avistou a porta do cemitério e entrou, o que fez com que o rei de Oió fugisse apavorado, mas a tempo de dizer-lhe que ainda a possuiria de qualquer forma.
Cansada de tantas perseguições, Euá resolveu ficar residindo no Ilê Iboji, onde sempre estaria a salvo de Xangô, estabelecendo um grande relacionamento com Ikú.
Casou-se com Omolú e tornou-se senhora dos cemitérios responsável pela transformação e distribuição de todos os elementos para a decomposição do cadáver.
 
MUITOS AMORES
 
Iansã percorreu vários reinos usando sua inteligência, astúcia e sedução para aprender de tudo e conhecer igualmente tudo.
 
Em Irê, terra de Ogum foi a grande paixão do Guerreiro. Aprendeu com ele o manuseio da espada e ganhou deste o direito de usá-la.
Depois partiu e foi para Oxogbo, terra de Oxaguiã. Com ele aprendeu o uso do Escudo para se defender de ataques inimigos e recebeu o direito de usá-lo.
Depois partiu e nas estradas deparou-se com Bará. Com ele aprendeu os mistérios do fogo e da magia. No reino de Odé, seduziu o deus da Caça, e aprendeu a caçar, a tirar a pele do búfalo e se transformar naquele animal com a ajuda da magia aprendida com Bará.
Seduziu Logunedé e com ele aprendeu a pescar.
Foi para o Reino de Obaluaê, pois queria descobrir seus mistérios e conhecer seu rosto. Lá chegando, insinuou-se. Mas muito desconfiado, Obaluaê perguntou o que Oia queria e ela respondeu: 

-queria ser sua amiga.
Então, fez sua dança dos ventos, que já havia seduzido vários reis. Contudo, sem emocionar ou sequer atrair a atenção de Obaluaê. Incapaz de seduzí-lo, Iansã procurou apenas aprender, fosse o que fosse. Assim dirigiu-se ao homem da palha:
-Aprendi muito com os outros Reis, mas só me falta aprender algo contigo.

-Quer mesmo aprender, Oia? Vou te ensinar a tratar dos Mortos.
Oiá venceu seu medo com sua ânsia de aprender e com ele descobriu como conviver com os Eguns e a controlá-los. Partiu então para o Reino de Xangô, pois lá acreditava que teria o mais vaidoso dos reis e aprenderia a viver ricamente. Mas ao chegar ao reino do rei do trovão, Iansã aprendeu mais do que isso, aprendeu a amar verdadeiramente e com uma paixão violenta, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e deu à ela seu coração. O fogo das paixões, o fogo da alegria e o que queima. Ela é o Orixá do Fogo.
 
OFERENDA
 
Xapanã era um guerreiro terrível que, seguido de suas tropas, percorria o céu e os quatro cantos do mundo. Ele massacrava sem piedade aqueles que se opunham à sua passagem. Seus inimigos saíam dos combates mutilados ou morriam de peste. Assim, chegou Xapanã em território Mahí, no Daomé. A terra dos Mahis abrangia as cidades deSavalú e Dassa Zumê. Quando souberam da chegada iminente de Xapanã, os habitantes desta região, apavorados, consultaram um adivinho. E assim ele falou: “Ah! O Grande Guerreiro chegou de Empê! Aquele que se tornará o senhor do país! Aquele que tornará esta terra rica e próspera, chegou! Se o povo não o aceitar, ele o destruirá! É necessário que supliquem a Xapanã que os poupe. Façam-lhe muitas oferendas; todas as que ele goste: inhame pilado, feijão, farinha de milho, azeite de dendê, picadinho de carne de bode e muita, muita pipoca! Será necessário também que todos se prosternem diante dele, que o respeitem e o sirvam. Logo que o povo o reconheça como pai, Xapanã não o combaterá, mas protegerá a todos!
 
 
 

Quando Xapanã chegou, conduziu seus ferozes guerreiros, os habitantes de Savalú eDassa Zumê reverenciaram-no, encostando suas testas no chão, e saudaram-no: “Totôhum! Totô hum! Atotô! Atotô!” “Respeito e Submissão!” Xapanã aceitou os presentes e as homenagens, dizendo: “Está bem! Eu os pouparei! Durante minhas viagens, desde Empê, minha terra natal, sempre encontrei desconfiança e hostilidade. Construam para mim um palácio. É aqui que viverei a partir de agora!” Xapanã instalou-se assim entre os Mahis. O país prosperou e enriqueceu e o Grande Guerreiro não voltou mais a Empê, no territórioTapá, também chamado Nupê.

RECOMPENSA

 

Houve uma festa e todos os Orixás estavam presentes. Menos Xapanã, que ficara do lado de fora.
Ogum pergunta por que o irmão não vem e Nanã responde que é por vergonha de suas feridas causadas pelas doenças.
Ogum resolve ajudá-lo e o leva até a floresta onde tece para ele uma roupa de palha que lhe cobre o corpo todo. O filá! Mas a ajuda não dá muito certo, pois muitos viram o que Ogum fizera e continuavam a ter nojo de dançar com o jovem Orixá, menos Iansã, altiva e corajosa, dança com ele e com eles o vento de Iansã que levanta a palha e para espanto de todos, revela um homem lindo, sem defeito algum.

Todos os Orixás presentes, ficam estupefatos com aquela beleza, principalmente Oxum, que se enche de inveja, mas agora é tarde, Xapana não quer mais dançar com ninguém.
Em recompensa pelo gesto de Iansã, Xapana dá a ela o poder de também reinar sobre os mortos. Mas daquele dia em diante, Xapana declarou que somente dançaria sozinho.

SOFRIMENTO

Odé grande caçador entrou na mata com seu filho, Logunedé, ensinando-lhe a arte de caçar e manejar o arco e a flecha.
Após inúmeras caçadas, Logunedé sentou-se embaixo de uma árvore para descansar.
Nessa árvore pousou um pássaro e Odé preparou sua arma e atirou.
Acertou em cheio pássaro e, também, uma colméia de abelhas. Elas foram cair justamente sobre a cabeça de Logunedé, que sem ter como se defender foi picado.
Odé vendo o desespero do filho correu a acudi-lo, sendo mordidas várias vezes.

 Conseguindo fugir, deitou seu filho em folhas frescas e, sem saber o que fazer pôs-se a chorar.Eis que o orixá Omolú vendo aquilo, parou e apiedou-se do estado de Logunedé, pois, a criança estava morrendo. Omolú tirou de sua capanga água de cana e gengibre, pilou e aplicou sobre os ferimentos, aliviando as dores. Após isto, fez o mesmo com Odé, curando-o completamente.
Odé então lhe disse: Senhor dos aflitos ponho o meu reino a seus pés e toda a minha caça que daqui por diante eu conseguir, comeremos juntos.
Omolú agradeceu e seguiu seu caminho.
Então Odé jurou que nunca mais comeria o mel, pois, o mel o faria lembrar todo o sofrimento seu e de seu filho.

VENTO

Conta umas das lendas de Iansã, a primeira esposa de Xangô, teria  ido, a seu mandato, a um reino vizinho buscar 3 cabaças que estava com Obaluaiê.

Foi dito a ela que não abrisse estas cabaças, as quais ela deveria trazer de volta a Xangô.
Iansã foi e lá Obaluaiê recomendou mais uma vez que não deixasse as cabaças caírem e quebrarem e, se isto acontecesse, que ela não olhasse e fosse embora.
Iansã ia muito apressada e não agüentava mais segurar o segredo. Um pouco mais à frente quebrou a primeira cabaça, desrespeitando a vontade de Obaluaiê.
Saíram de dentro da cabaça os ventos que a levou para os céus.
Quando terminaram os ventos, Iansã voltou e quebrou a segunda cabaça.
Da segunda cabaça saíram os Eguns. Ela se assustou e gritou: Reiiii!
Na vez da terceira cabaça Xangô chegou e pegou para si, que era a cabaça do fogo, dos raios.

VIAGEM PREMIADA

De volta de uma de suas viagens à África, Nanã Buruquê deu a luz a um menino,Obaluaê. Por causa do feitiço usado por Nanã para engravidar, Omolu nasceu todo deformado. Desgostosa com o aspecto do filho, Nanã abandonou-o na beira da praia, para que o mar o levasse. Um grande caranguejo encontrou o bebê e atacou-o com as pinças, tirando pedaços da sua carne.

Quando Omolu estava todo ferido e quase morrendo, Iemanjá saiu do mar e o encontrou. Penalizada, acomodou-o numa gruta e passou a cuidar dele, fazendo curativos com folhas de bananeira e alimentando-o com pipoca sem sal nem gordura até o bebê se recuperar. Então Iemanjá criou-o como se fosse seu filho.

Prece a Omulu


PRECE
Senhor Omolú!
Tu és dono do cemitério,
Tu que és sentinela do sono eterno,
Daqueles que foram seduzidos ao teu reino.
Tu que és guardião das almas,
que ainda não se libertou da matéria,
Ouve a minha súplica, atende ao apelo angustioso do teu filho.
Que se debate no maior dos sofrimentos.
Salve-me – Irmão Lázaro.
Aqui estou diante da tua imagem sofredora,
Erguendo a derradeira prece dos vencidos,
Conformado com o destino que o Pai Supremo determinou.
Para que eu suplicasse minha alma no maior dos sofrimentos.
Salve minha alma desse tormento que me alucina.
Tome meu corpo em teus braços.
Eleva-me para teu reino.
Se achares porém, que ainda não terminou minha missão neste planeta,
Encoraja-me com exemplo da tua humildade e da tua resignação.
Alivia meus sofrimentos, para que levante deste leito e volte a caminhar.
Eu te suplico, mestre!
Eu me ajoelho diante do poder imenso,
De que és portador.
Invoco a vibração do Omulú.
Atotô, meu pai.
Meu Senhor, ajude-me.

Omolú

OMULU

É o responsável pela translação da morte para o orum. Orixá da terra, é através dele que a terra recebe os corpos mortos.
Omolú é considerado como anterior à época em que Oduduá chegou a Terra, ele existia antes da criação do fogo na Terra.
Omolú está ligado ao interior da terra ,ninù ilé e isso denota uma íntima relação com o fogo, já que esse elemento,  domina as camadas mais profundas do planeta.
Fogo ,o elemento transformador,que também pode ser   devastador tanto quanto as epidemias, as febres, as convulsões lançadas por Omolú.
Orixá cercado de mistérios, Omolú é um deus de origem incerta, pois em muitas regiões da África eram cultuados deuses com características e domínios muito próximos aos seus.

A relação de Omolú com a morte dá-se pelo fato de ele ser a terra, que proporciona os mecanismos indispensáveis para a manutenção da vida.
O homem nasce, cresce, desenvolve-se, torna-se forte diante do mundo, mas continua frágil diante de Omolú, que pode devorá-lo a qualquer momento, pois Omolú é a terra, que vai consumir o corpo do homem por ocasião da sua morte.
Omolú, o Rei da Terra, é filho de Nanã, mas foi criado por Iemanjá que o acolheu quando a mãe rejeitou-o por ser manco, feio e coberto de feridas.
É uma divindade da terra dura, sedenta e quente.
É às vezes chamado “o velho”, com todo o prestígio e poder que a idade representa no candomblé.
Está ligado ao Sol, propicia colheitas e ambivalentemente detém a doença e a cura.
Com seu sassará, cetro ritual de palha da Costa, ele expulsa a peste e o mal. Mas a doença pode ser também a marca dos eleitos, pelos quais Omolú quer ser servido. Quem teve varíola é frequentemente consagrado a Omolú.
Suas relações com os Orixás são marcadas pelas brigas com Xangô e Ogun e pelo abandono que os Orixás femininos legaram-lhe. Rejeitado primeiramente pela mãe, segue sendo abandonado por Oxum, por quem se apaixonou, que, juntamente com Iansã, troca-o por Xangô. Finalmente Obá, com quem se casou, foi roubada por Xangô.
É um Orixá solitário.
mitologia
Dono das lanças certeiras, quem era atingido tornava-se cego.
Quando se sentia desrespeitado mandava a peste.
Relaciona-se também com os espíritos contidos na terra. O colar que o simboliza é oladgiba, cujas contas são feitas da semente existente dentro da fruta do Igi-Opê ou Ogi-Opê, palmeiras pretas.
Usa também bradga, um colar grande de cauris
Seu poder está extraordinariamente ligado a morte. 
Ele lidera e detém o poder dos espíritos e dos ancestrais, os quais o seguem.  
Ele é a própria terra que recebe nossos corpos para que vire pó.
 Divide com Iansã a regência dos cemitérios, pois ele é o Orixá que vem como emissário de Oxalá ,princípio ativo da morte, para buscar o espírito desencarnado.
É Omulú que vai mostrar o caminho, servir de guia para aquela alma.
Senhor da Terra e das camadas de seu interior, para onde vamos todos nós. Daí a ligação que tem com os mortos, pois ele é quem vai cuidar do corpo sem vida, e guiar o espírito que deixou aquele corpo.
É por isso que   Omulú  gosta de coisas passadas, apodrecidas.
A participação de  Omulú nos rituais africanistas é imprescindível, é Ele o regente da feitiçaria e da magia.
Orixá responsável pelo processo de transformação de energias.  
Enquanto Obaluaiê se responsabiliza pela doença e a cura, Omulú se responsabiliza em castigar os malfeitores e descrentes, castigando os com as doenças, e em consequência, a morte se não for reverenciado.
Seu maior castigo é a presença de doenças  , como pôr exemplo a varíola, doença pela qual ele é mais conhecido.
A morte dá continuidade a existência espiritual.
Porém, ao sentir que não há mais necessidade que o espírito  continue a caminhar, Omulúassume seu papel, de através do corpo, devolver a terra a continuidade da evolução,  e entrega o espírito ao orúm.
O xaxará de Omulú, como se fosse uma vassoura, varre a morte, Não deve ser temido, porém respeitado.
ARQUÉTIPO
Os filhos de Omolú são pessoas extremamente pessimistas e teimosas que adoram exibir os seus sofrimentos, daqueles que procuram o caminho mais longo e difícil para atingir algum fim.
Deprimidos e depressivos, são capazes de desanimar o mais otimista dos seres.
Acham que nada pode dar certo, que nada está bom.
Às vezes, são doces, mas geralmente possuem manias de velho, como a rabugice.
Gostam da ordem, gostam que as coisas saiam da maneira que planejaram. Não são do tipo que levam desaforo para casa e se sentirem ofendidos respondem no ato. Pensam que só eles sofrem, que ninguém os compreende. Não possuem grandes ambições.
Podem apresentar doenças de pele, marcas no rosto, dores e outros problemas nas pernas. São pessoas sem muito brilho, sem muita beleza. São perversos e adoram irritar as pessoas.
São lentos, exigentes e reclamam de tudo.
São reprimidos, amargos e vingativos. É difícil relacionar-se com eles. Parece que os filhos de Omolú são pessoas que possuem muitos defeitos e poucas qualidades, mas eles têm várias, e uma qualidade pode compensar qualquer defeito: são extremamente prestáveis e trabalhadores. São amigos de verdade.
0 tipo psicológico dos filhos de Omulú é atarracado, fechado, desajeitado, rústico, desprovido de elegância ou de charme. Pode ser um doente marcado pela varíola ou por alguma doença de pele e à frequentemente hipocondríaco. Tem considerável força de resistência e capaz de prolongados esforços. Geralmente é um pessimista, com tendências auto-destrutivas que o prejudicam na vida. Amargo, melancólico, torna-se solitário. Mas quando tem seus objetivos determinados, é combativo e obstinado em alcançar suas metas. Quando desiludido, reprime suas ambições, adotando uma vida de humildade, de pobreza voluntária, de mortificação. E lento, porém perseverante.
Firme como uma rocha. Falta-lhe espontaneidade e capacidade de adaptação, e por isso não aceita mudanças. É vingativo, cruel e impiedoso quando ofendido ou humilhado. 

Essencialmente viril, por ser Orixá fundamentalmente masculino, falta-lhe um toque de sedução e sobra apenas um brutal solteirão.

Fenômeno semelhante parece ocorrer no caso de Nanã: quanto mais poderosa e mais acentuada é a feminilidade, mais perigosa ela se torna e, paradoxalmente, perde a sedução.
 ENTIDADE DE LIGAÇÃO
Exu Caveira Sergulath ], Exu ligação e organizador de OmÉ o responsável pela translação da morte para o orum. Orixá da terra, é através dele que a terra recebe os corpos mortos.
Omolú é considerado como anterior à época em que Oduduá chegou a Terra, ele existia antes da criação do fogo na Terra.
Omolú está ligado ao interior da terra ,ninù ilé e isso denota uma íntima relação com o fogo, já que esse elemento,  domina as camadas mais profundas do planeta.
Fogo ,o elemento transformador,que também pode ser   devastador tanto quanto as epidemias, as febres, as convulsões lançadas por Omolú.
Orixá cercado de mistérios, Omolú é um deus de origem incerta, pois em muitas regiões da África eram cultuados deuses com características e domínios muito próximos aos seus.ulú, tem em especial poder de ajudar a toda e qualquer espécie de especulação, ensinando-nos todas as artimanhas da guerra e do modo de vencermos os nossos inimigos. Provocar mortes.
É encarregado de vigiar os cemitérios e os lugares onde houver pessoas enterradas.
Sua força é de modo a incutir medo aos que o invocam e, de modo geral, o trabalho ou despacho a ser feito num cemitério tem de ter a participação do exu Caveira.

Orixás e entidades da Umbanda e do Candomblé.

O conhecimento da religião dos Orixás, mostrando lendas, curiosidades e mistérios da nossa religião.

Umbanda de Caboclos, Boiadeiros, Pretos Velhos, Marinheiros e todo o seu mistério

O conhecimento da religião dos Orixás, mostrando lendas, curiosidades e mistérios da nossa religião.

Ciganos, suas origens e seus mistérios.

O conhecimento da religião dos Orixás, mostrando lendas, curiosidades e mistérios da nossa religião.

Mestre Zé Pilintra

O conhecimento da religião dos Orixás, mostrando lendas, curiosidades e mistérios da nossa religião.

Rainha Maria Padilha, Exús e Pombo Giras

O conhecimento da religião dos Orixás, mostrando lendas, curiosidades e mistérios da nossa religião.

Lendas, Mistérios e Curiosidades da Religião Afro

O conhecimento da religião dos Orixás, mostrando lendas, curiosidades e mistérios da nossa religião.

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