Oxóssi mata a grande Dan (Lenda)

Conta a lenda que certo dia, Oxóssi chegou em sua aldeia quase arriado pelo peso da capanga, das cabaças vazias, pelo cansaço de rastrear a caça rara.

 

Oxum sua mulher e mãe de seu filho olhou para ele e pensou “só caçou desgraça, pois a desgraça para Oxóssi foi prevista por Ifá que alertou Oxum”, porém quando ela contou a Oxóssi sobre essa previsão, ele disse que a desgraça era a fome.

 

A mulher sem leite, a criança sem carinho e que desgraça maior era o medo do homem. Quando Oxóssi se aproximou de Oxum ela notou que ele trazia algo na capanga. Sentiu medo e alegria. Havia caça na capanga do marido e aí imaginou se seria um bicho de pêlo, se seria um bicho de pena. Ansiosa perguntou a ele que respondeu: “-Trago a carne que rasteja na terra, trago a carne que rasteja na terra e na água, no mato, e no rio, o bicho que se enrosca em si mesmo”. Falando isso retirou da capanga, os pedaços de uma grande cobra.

 

O bicho revira a cabeça. Revirava a cabeça e os olhos, agitava a língua partida e cantava:

 

- “Não sou bicho de pena para Oxóssi matar”.

 

A cobra pretendia dizer com certeza que pertencia a Xangô e Oxóssi não poderia tê-la matado.

 

Oxum fugiu temendo a vingança de Xangô e foi consultar Ifá que disse:

 

 - “A justiça será feita, assim o corpo de Oxóssi irá desaparecer, apagando-se da memória da grande cobra. O ouê desaparecerá da vingança de Xangô e fazia parte da punição que Oxóssi saísse da memória do povo de Ketú”.

 

E ele ficou por sete anos esquecido.

 

No dia do Oruncó, o nome do Orixá de cada um, o povo de Ketú começou a chorar por não lembrar o nome de seu rei. Abaixaram-se os olhos e tentaram compreender porque nunca se lembravam dele. Então Ifá ensinou-lhes um Orô, reza que se faz para o sacrifício dos animais. Após o Orô o povo começou a se lembrar de Oxóssi.

 

Ifá disse que esse era o Orô de Oxóssi, o Orixá caçador. Orixá da caça. Corajoso rei de Ketú, rei da caça que nada temia e preservava a vida dos seus filhos e dos filhos dos filhos de seus filhos. Em síntese, desconsiderar as previsões de Ifá e matar a serpente sagrada, com certeza Odé morreu, mas graças a piedade de Ifá que ouviu o lamento de Oxum e de seu povo, encantou-se, renasceu na figura de Oxóssi, o guerreiro caçador, senhor das matas, destemido rei de Alaketú.

OS FILHOS DE OXUMARÊ

Os filhos de Oxumarê são pessoas graciosas de fala macia, consideradas ambiciosas, que fazem o possível para vencerem na vida. Possuem o dom da paciência e da perseverança. Não se deixam abater pelas contrariedades que a vida lhe traz, revertendo sempre a situação a seu favor. Suportam com altivez qualquer rejeição que venham a sofrer. São prudentes e astutos nos negócios, gostam de luxo e da companhia de pessoas influentes. Confiam mais nas suas vibrações que nos conselhos dos outros. 
 
 
Quando conseguem uma certa projeção social, podem se tornar orgulhosos e, às vezes, arrogantes, ao tentarem diminuir as pessoas que o cercam. Eles sempre se destacam em qualquer ambiente, exibindo toda a sua soberania, cientes do seu caráter altivo e guerreiro. Apesar disso os filhos de Oxumarê são muito bons de coração, apiedando-se do sofrimento alheio e não se negando a ajuda-los. Não suportam ser colocados de lado ou serem traídos de alguma forma. Nessas situações, reagem usando alguns subterfúgios, para que esses inimigos sintam sua presença forte e ameaçadora, o que geralmente conseguem. Num confronto pessoal, agem com muita calma e coragem, falando tudo o que tem vontade, deixando a pessoa sem reação. Não se deve, portanto provocar uma pessoa que seja deste Orixá, sem estar preparado para uma reação brusca e agressiva como o bote de uma serpente. 
 
 
As pessoas deste Orixá são muito comunicativas e extrovertidas, provocando inveja em muitas pessoas. Mesmo que estejam passando por momentos difíceis, estão sempre dispostos a enfrentar os problemas, ao invés de fugir deles. São muito dinâmicos, indo atrás de novidades em todos os sentidos. Desempenham muito bem tudo o que se propõem a fazer, demonstrando extrema segurança em suas ações. Emocionalmente, são instáveis e com tendência a solidão, mesmo que acompanhados, provocando nas pessoas todo tipo de sentimento, como amor, ódio, alegria, compaixão, admiração, etc. Suas características se aninham em seus filhos, como a clarividência (poder de ver coisas que não são visíveis a olho nu). 
 
 
Os filhos de Oxumarê têm a capacidade de renovação e mudança constante, tanto que são tidos como pessoas que podem romper com seu estilo de vida e ser capazes de abandonar tudo (emprego e amizades) para começar uma nova etapa da vida. Tem tendência também à bissexualidade, mas nem todos os filhos de Oxumarê aceitam isso com tranqüilidade. Outras qualidades são a inteligência, a curiosidade e a ironia. São muito agitados e precisam de movimentação. São pacientes e determinados, vão até o fim em tudo o que fazem.
 
 
Os filhos de Oxumarê, divididos, entre as famílias da Dan, Bessem e Angorô são dotados de incrível capacidade de adaptação a qualquer tipo de situação. São pessoas despachadas, astutas, inteligentes e bastante observadoras; estão em constante movimento e não se deixam prender por nada, a não ser aquilo que realmente os interessa. São pessoas estudiosas e difíceis de se entender, o seu círculo de amizades aparentemente é grande, no íntimo é bem pequeno e seleto. Eles escolhem bem. São pessoas dadas às pesquisas, aos estudos. São aqueles que aprendem mais depressa, face ao seu poder de entendimento das coisas; são atenciosos e sensatos. 
 
 
Conseguem com incrível facilidade desenvolver qualquer tipo de trabalho, principalmente aqueles voltados às pesquisas.  São realistas, são pessoas bem realistas e rápidas no seu raciocínio e são mais apaixonadas pelo seu próprio trabalho que quaisquer outras coisas, amantes esporádicos, pois aparentemente conseguem viver um longo tempo sem sexo, mas quando estão dispostos levam a sério.
 
 
Os lados positivos dos filhos de Dan simbolizados numa cobra, assim são também aqueles regidos por ele. O lado negativo dessas pessoas é o fato de quererem impor suas idéias e personalidade o que acaba provocando muitos atritos em família. São perigosos, traiçoeiros e altamente rancorosos, normalmente são bastante ciumentos e egoístas, e exigem muito dos outros. Se estiverem de bem com alguém, são amigos, mas se de alguma forma são contrariados tornam-se amargos e antipáticos, chegam mesmo a ser ríspidos e desagradáveis. Tem tendências suicidas. 
 
 
Apreciam e conhecem jóias, bons tecidos, automóveis, bebidas caras, bons restaurantes. Podem ser ótimos sacerdotes de qualquer religião, pois conseguem captar facilmente os sentimentos das pessoas.
Os que recebem a influência de Oxumarê são pessoas geniosas, de personalidade difícil de agradar. Não gostam muito de se mostrar, são cheios de mistérios em relação a sua vida particular. Mas fazem questão de demonstrar ao mundo o seu melhor, afinal, são ambiciosos e sabem onde desejam chegar. São prudentes em relação às pessoas e buscam ajudar o quanto podem, mas se sentirem que há falsidade no que lhe contam, caem fora sem dar maiores explicações. 
 
 
 
Costumam ser vítimas de intrigas, mas de uma maneira geral, sabem como lidar com isso. Sua vida amorosa é marcada por um grande mistério sempre. Algumas vezes parecem extremamente apaixonados por alguém, mas ao mesmo tempo, parece que essa pessoa é apenas uma amiga. Demora a revelar seus romances porque acredita que inveja e mau olhado são os grandes vilões que acabam com sua relação. Sabe como conquistar alguém, mas só se aproxima de pessoas interessantes e com condições financeiras boas. Não tem vergonha disso, pois acredita que só pode melhorar e crescer na vida com alguém maior que você. Até suas relações amorosas busca garantir o sucesso profissional. Namorar um regido de Oxumarê não é fácil, pois sua tendência para a infidelidade é grande. Todas às vezes que bate a insegurança ou o ciúme, acredita que não é amada (o) como deveria e acaba nos braços de outras pessoas sem arrependimentos.
 
 
 
No emprego, se destaca como poucos pelo seu dinamismo e sua grande inteligência. Também tem o dom de resolver problemas rápidos e de maneira simples. Dificilmente erra em suas análises, e quando erra, nunca é por inteiro. Tem muito talento para artes e pode se destacar ainda mais em profissões ligadas a artes, decoração, arquitetura e paisagismo. Trabalhar com o comércio também é sua área, mas precisa ser dona (o) do seu próprio negócio, pois possui talento para saber como tudo precisa ser arrumado e dirigido.
 
 
 
Na saúde, estão sempre tão ligados aos seus assuntos profissionais que se esquecem de cuidar da alimentação, o que geralmente faz com que sofram com anemias e doenças que aparecem devido a ela. Devem se alimentar de maneira mais disciplinada e com maior qualidade. Muito cuidado também com o estresse, pois ele costuma atacar seus órgãos reprodutores, trazendo problemas graves de infertilidade. Sair um pouco de casa sem desconfiar tanto das intenções das pessoas, com certeza fará muito bem para os filhos de Oxumarê.
 
 
Oxumarê tem seus filhos caracteristicamente que tende a renovação e a mudança. Periodicamente mudam tudo em sua vida de maneira radical. Mudam de casa, de amigos, de religião, de emprego, vivem rompendo com o passado, buscando novas alternativas para o futuro para cumprir o seu ciclo de vida mutável, incerto de substituição, inconstante. Normalmente são magros como as cobras, possuem olhos atentos, salientes, difíceis de encarar, mas não enxergam muito bem. São pessoas que se prendem a valores materiais e adoram ostentar suas riquezas. 
 
 
 
São orgulhosos e exibicionistas, mas também generosas e desprendidas. Quando se trata de ajudar alguém são os primeiros a chegar, extremamente ativas e ágeis estão sempre em movimento, estão sempre em ação, não podem parar. 
São pessoas pacientes, obstinadas na luta por seus objetivos e não medem sacrifício para alcançá-los.
A dualidade do Orixá também se manifesta em seus filhos, principalmente no que se refere às guinadas que dão em suas vidas, que chegam a ser de l80º, indo de um extremo a outro sem a menor dificuldade, mudam de repente da água para o vinho.

OXUMARÊ

Oxumarê  é o Arco Íris, sinal de bons tempos, de bonança. É o Orixá da riqueza, do dinheiro, chamando carinhosamente de “ o banqueiro dos Orixás”. É a cobra sagrada Dan. Orixá da prosperidade, da fartura, do lucro.

O homem, que vive atrás do dinheiro, que trabalha para ganhar seu sustento, não pode imaginas, às vezes, que tem esta força da Natureza diariamente ao seu lado. Oxumarê  esta presente praticamente em todos os momentos de nossa vida, pois tudo gira em torno do dinheiro.
 
Oxumarê está presente nas negociações, no pagamento de contas, no recebimento de um prêmio, na compra, nos negócios envolvendo gastos, lucros e despesas. Está presente nos bancos, nas financeiras, enfim, nos lugares onde se manuseia dinheiro.
 
Oxumarê é o perde/ganha do homem. É a felicidade de receber uma quantia e a tristeza de perder outra. É o elemento das grandes negociações, da aposta. Seu encanto está no tilintar das moedas.
 
É também o Orixá das prosperidades, da fartura, da abundância. É por isso que aqueles regidos por Oxumarê sempre estão bem e vida. Para eles o dinheiro não e problema. Gastam e ganham demais e estão sempre com os bolsos cheios.
 
Oxumarê é aquele que sabe fazer negócios. Quando se vai fechar um contrato, fazer uma compra, uma proposta, vender algo invocamos Oxumarê para nos orientar, pois ele é o Orixá que sabe negociar. É ele que sabe pechinchar, tratar, comprar e vender.
 
Oxumarê também é a beleza das cores. É o arco-íris, que vai colorir o céu, anunciando coisas boas. É o fenômeno  que vai gerar o colorido do céus. É a beleza da cor, a hipnose da cobra, a felicidade do lucro.
 

Mitologia

Irmão gêmeo de Ewá e tendo com irmãos mais velhos Ossaim e Obaluaê  - todos filhos de Nana – Oxumarê sempre foi frágil, franzino, mas dotado de grande inteligência  e capacidade.
Um dia, viu-se frente à frente com Olokun pai de Iemanjá, que perguntou-lhe como poderia achar pedras brilhantes, preciosas.
Oxumarê pensou, pensou e respondeu ao Senhor do oceano:
- Meu rei, se quer as pedras preciosas, é preciso que faça um investimento e me dê seis mil búzios (moeda corrente na África antiga).
Respondeu Olokun
- Eu lhe dou!
E Oxumarê  apontou  para a própria casa de Olokun, o mar, explicando-lhe que nas partes rasas poderia encontrar o que procura. As pedras, nos pontos mais rasos do mar, brilhavam com a luz do sol.
Olokun ficou tão feliz que, além do pagamento dos seis mil búzios, ainda deu a Oxumarê a capacidade de transformar-se em serpente e poder, com a ponta do rabo, tocar a terra e com a cabeça tocar o céu.
Com tal poder, Oxumarê transformou-se em serpente, esticou-se até a terá de Olorun, no céu e com os seus mil búzios falou ao Criador:
- Pai, cheguei até o Senhor. Tive que esticar-me demais, para pedir-lhe ajuda, para fazer de mim aquele que tem capacidade de dobrar tudo o que tem.
E Olorun dobrou o número de búzios – de seis para doze mil.
Daí para frente, Oxumarê passou a ser consultado sobre os grandes negócios  dos Orixás. Principalmente Xangô, que fez dele seu consultor, seus grande conselheiro, aumentando sua riqueza de deus do trovão, ao mesmo tempo em que a  do próprio Oxumarê.
E este poder de se transformar em serpente e ir até o céu, originou uma saudação em forma de Orikí, muito bonito, que diz:
- Oxumarê ego bejirin fonná diwó.
“O Arco-íris  que se desloca com a chuva e guarda o fogo no punho.”

 Dados

Dia: terça-feira;

Data: 24 de Agosto;

Metal: ouro e prata mesclado;

Cor: amarelo mesclado com verde ou amarelo pintado com preto;

Partes do corpo: espinha dorsal, sistema nervoso e sistema neurovegetativo.

Comida: ovos cozidos com azeite de dendê, farinha de milho e camarão seco;

Símbolos: duas serpentes de ferro

Arquétipo: desconfiados e traídos, observadores, pessoas que desejam ser ricas, pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem  sacrifícios para atingir seus objetivos. Com sucesso tornam-se facilmente orgulhosos e pomposos, gostam de demonstrar sua grandeza recente, mas estendem a mão em socorro quando alguém precisa.

Oxumarê

Em relação a Oxumarê, qualquer definição mais rígida é difícil e arriscada. Não se pode nem dizer que seja um Orixá masculino ou feminino, pois ele é as duas coisas ao mesmo tempo; metade do ano é macho, a outra metade é fêmea. Por isso mesmo a dualidade é o conceito básico associado a seus mitos e a seu arquétipo.
Essa dualidade onipresente faz com que Oxumarê carregue todos os opostos e todos os antônimos básicos dentro de si: bem e mal, dia e noite, macho e fêmea, doce e amargo, etc.
Nos seis meses em que é uma divindade masculina, é representado pelo arco-íris, sendo atribuído a Oxumarê o poder de regular as chuvas e as secas, já que, enquanto o arco-íris brilha, não pode chover. Ao mesmo tempo, a própria existência do arco-íris é a prova de que a água está sendo levada para os céus em forma de vapor, onde se aglutinará em forma de nuvem, passará por nova transformação química recuperando o estado líquido e voltará à terra sob essa forma, recomeçando tudo de novo: a evaporação da água, novas nuvens, novas chuvas, etc.
Nos seis meses subseqüentes, o Orixá assume forma feminina e se aproxima de todos os opostos do que representou no semestre anterior. É então, uma cobra, obrigado a se arrastar agilmente tanto na terra como na água, deixando as alturas para viver sempre junto ao chão, perdendo em transcendência e ganhando em materialismo. Sob essa forma, segundo alguns mitos, Oxumarê encarna sua figura mais negativa, provocando tudo que é mau e perigoso.
Não podemos nos esquecer de que tanto na África, como especialmente no Brasil, a população negra, foi continuamente assediada pela colonização branca. Uma das formas mais utilizadas por jesuítas para convencer os negros, era a repressão física, mas para alguns, não bastava o medo de apanhar. Eles queriam a crença verdadeira e, para isso, tentaram explicar e codificar a religião do Orixás segundo pontos de vista cristãos, adaptando divindades, introduzindo a noção de que os Orixás, seriam santos como os da Igreja Católica. Essa busca objetiva do sincretismo sem dúvida foi esbarrar em Oxumarê e na cobra – e não há animal mais peçonhento, perigoso e pecador do que ela na mitologia católica.
Por isso, não seria difícil para um jesuíta que acreditasse sinceramente nos símbolos de sua visão teológica. Reconhecer na cobra mais um sinal da presença dos símbolos católicos na religião do Orixás e nele reconhecer uma figura que só poderia trazer o mal.
Na verdade, o que se pode abstrair de contradições como as que apresenta Oxumarê é que este é o Orixá do movimento, da ação, da eterna transformação, do contínuo oscilar entre um caminho e outro que norteia a vida humana. É o Orixá da tese e da antítese. Por isso, seu domínio se estende a todos os movimentos regulares, que não podem parar, como a alternância entre chuva e bom tempo, dia e noite, positivo e negativo. Conta-se sobre ele que, como cobra, pode ser bastante agressivo e violento, o que o leva a morder a própria cauda. Isso gera um movimento moto-contínuo pois, enquanto não largar o próprio rabo, não parará de girar, sem controle. Esse movimento representa a rotação da Terra, seu translado em torno do Sol, sempre repetitivo- todos os movimentos dos planetas e astros do universo, regulados pela força da gravidade e por princípios que fazem esses processos parecerem imutáveis, eternos, ou pelo menos muito duradouros se comparados com o tempo de vida médio da criatura humana sobre a terra, não só em termos de espécie, mas principalmente em termos da existência de uma só pessoa. Se essa ação terminasse de repente, o universo como o entendemos deixaria de existir, sendo substituído imediatamente pelo caos. Esse mesmo conceito justifica um preceito tradicional do Candomblé que diz que é necessário alimentar e cuidar de Oxumarê muito bem pois, se ele perder suas forças e morrer, a conseqüência será nada menos que o fim da vida no mundo.
Seu domínio se estende a todos os movimentos regulares que não podem parar, como a alternância entre o dia e a noite, o bom e o mal tempo (chuvas) e entre o bem e o mal (positivo e negativo).
Enquanto o arco-íris traz a boa notícia do fim da tempestade, da volta do sol, da possibilidade de movimentação livre e confortável, a cobra é particularmente perigosa para uma civilização das selvas, já que ela está em seu habitat característico, podendo realizar rápidas incertas.
Pierre Verger acrescenta que Oxumarê está associado ao misterioso, a tudo que implica o conceito de determinação além dos poderes dos homens, do destino, enfim: É o senhor de tudo o que é alongado. O cordão umbilical, que está sob seu controle, é enterrado geralmente com a placenta, sob uma palmeira que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore.

Oxumarê

 

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Imagem

Oxumarê, filho mais novo e preferido de Nanã, irmão de Omulu. É uma entidade branca muito antiga, participou da criação do mundo enrolando-se ao redor da terra, reunindo a matéria e dando forma ao Mundo. Sustenta o Universo, controla e põe os astros e o oceano em movimento. Rastejando pelo Mundo, desenhou seus vales e rios. É a grande cobra que morde a cauda, representando a continuidade do movimento e do ciclo vital. A cobra é dele e é por isso que no Candomblé não se mata cobra. Sua essência é o movimento, a fertilidade, a continuidade da vida.
A comunicação entre o céu e a terra é garantida por Oxumarê. Leva a água dos mares, para o céu, para que a chuva possa formar-se – é o arco-íris, a grande cobra colorida. Assegura comunicação entre o mundo sobrenatural, os antepassados e os homens e por isso à associa do ao cordão umbilical.
Oxumarê é um Orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de existirem muitas confusões a respeito dele, principalmente nos sincretismos e nos cultos mais afastados do Candomblé tradicional africano como a Umbanda. A confusão começa a partir do próprio nome, já que parte dele também é igual ao nome do Orixá feminino Oxum, a senhora da água doce. Algumas correntes da Umbanda, inclusive, costumam dizer que Oxumarê é uma das diferentes formas e tipos de Oxum, mas no Candomblé tradicional tal associação é absolutamente rejeitada. São divindades distintas, inclusive quanto aos cultos e à origem

Corta-se dan para Oxumarê?

Corta-se Dan para Oxumarê? Existem casas que fazem isso sim. Mas a Dan, a cobra, a serpente, que em iorubá não é nem Dan, em Iorubá é Djô, mas é conhecida popularmente como Dan. Tanto que é um título de Iyámi, ela é djô (senhora das serpentes). Na realidade, as djô, as serpentes, elas pertencem as Iyámis. Oxumarê, ele é representado como uma cobra, na realidade, no mito original poderia ser representado como um dragão, porque ele se estica da terra ao céu para promover o ciclo das chuvas. Oxumarê é o Orixá que rege o ciclo das águas das chuvas, quando a água evapora da lagoa, se torna nuvem, da nuvem vira chuva e cai, ou seja, a cobra morde o próprio rabo. A serpente orobô que é o símbolo de Oxumarê, o ciclo das águas, na realidade seria o mito do dragão porque pelas citações antigas de Oxumarê, quando se diz assim: “Oxumarê aquele que se estica até o céu se diz que ele bota fogo pelo nariz e pelas mãos”, e a serpente que bota fogo pelo nariz não é serpente, é dragão. Na realidade, as cobras e serpentes pertencem as Iyámis, porque são símbolos femininos. Elas andam, arrastando a barriga pelo chão. Oxumarê é um Orixá associado à riqueza pela relação com a chuva e com o ciclo das águas, com a fertilidade. A serpente é ligada à Iyámi porque ela arrasta a barriga no chão, o ventre da mulher, o ventre que traz a vida e as serpentes que andam arrastando a barriga no chão tem uma relação com o culto da fertilidade, do culto de Gëlëdé e o culto de Iyámi, aliás muito mais ligada à Iyámi do que propriamente a Oxumarê, apesar de fazer parte do culto de oxumarê também. Portanto não se deve enfim, cortar a Dan para Oxumarê, pois são animais sagrados, e animais que são símbolos do orixá, não devem ser sacrificados para ele, devem ser sim, bem vivos. Os egípcios faziam isso muito bem, quando eles associavam animais a seus deuses e não matavam esses animais para os seus deuses. Assim como não se mata o búfalo para Oiá porque o búfalo é sagrado para Oiá, assim como não se deve matar a serpente para oxumarê. É a idéia da quizila. Não se come daquilo que se é feito. Poderia se dizer, que se oferece Igbin a Oxalá, mas o animal sagrado de Oxalá não é o Igbin. O grande animal sagrado de Oxalá é o camaleão. O igbin é oferecido a todos os orixás para acalmar.

Lenda de Oxumarê

LENDA DE OXUMARÊ
 
O exótico e o mistério são os seus domínios. Tudo nele é repetitivo, variando apenas as formas, como no ciclo da chuva: a água que evapora, retorna como chuva. Ou como no universo dos corpos celestes, onde a lua, o sol, a terra e os demais astros e planetas executam os seus movimentos com metodicidade harmoniosa. No ciclo “vida e morte”, ele também está presente; e seu símbolo mais forte é o da cobra mordendo a própria cauda, numa atitude que representa o ciclo vital: vida, morte e renascimento. Enrola-se também em torno da terra para impedi-la de se desagregar. Acredita-se que se perdesse as forças seria o fim do mundo. 
 
A marca mais evidente de Oxumaré é o arco-íris, de quem é senhor.
Sendo ao mesmo tempo macho e fêmea, esta natureza aparece nas cores vermelha e azul que cercam o arco-íris. Ele representa também o bem, a riqueza e os benefícios mais apreciados no mundo dos iorubás.
Ele se paramenta de búzios como o bradjá (longos colares enfiados de maneira a aparecer escamas de serpentes) e com colar de lagdbá (relação com a terra e os ancestrais). Representa a sabedoria, o equilíbrio ecológico e a evolução. Patrono do arco-íris e outros fenômenos da atmosfera, está relacionado com o conceito de terra e infinito. Símbolo da fecundidade e da eternidade.
Ele é a morbilidade e a atividade, pois uma de suas obrigações é a de dirigir as forças que produzem o movimento. Ele é o Senhor de tudo que é alongado: como o cordão umbilical. Este está sob seu controle e é enterrado sob uma palmeira, que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore.
Os Eleguns de Òsùmàré trazem na mão um Eberi (espécie de vassoura feita com nervuras das folhas das palmeiras), outras vezes seguram também uma serpente de ferro forjado.
 
O lugar de origem deste Orixá seria Mahi, no ex-Daomé. Òsùmàré é Orixá da riqueza e é chamado de Ajé Sàlugá na religião de Ifé, onde dizem que chegaram os 16 companheiros de Odùdùwa.
Ele é simbolizado por uma grande concha. Registram-se 4 qualidades sendo a de Abessem – a Cobra Sagrada – a mais conhecida.
Lendas
… a prosperidade
 
” Oxumaré era, antigamente, um adivinho (babalaô). O adivinho do rei Oni. Sua única ocupação era ir ao palácio real no dia do segredo; dia que dá início à semana, de quatro dias, dos iorubás. O rei Oni não era um rei generoso. Ele dava apenas, a cada semana, uma quantia irrisória a Oxumaré que, por essa razão vivia na miséria com sua família. O pai de Oxumaré tinha um belo apelido. Chamavam-no “o proprietário do chale de cores brilhantes”. Mas tal como seu filho, ele não tinha poder. As pessoas da cidade não o respeitavam. Oxumaré, magoado por esta triste situação, consultou Ifá. “Como tornar-me rico, respeitado, conhecido e admirado por todos? Ifá o aconselhou a fazer oferendas. Disse-lhe “que oferecesse uma faca de bronze, quatro pombos e quatro sacos de búzios da costa.”
 
No momento que Oxumaré fazia estas oferendas, o rei mandou chamá-lo. Oxumaré respondeu: “Pois não, chegarei tão logo tenha terminado a cerimônia.” O rei, irritado pela espera, humilhou Oxumaré, recriminou-o e negligenciou, até, a remessa de seus pagamentos habituais. Entretanto, voltando à sua casa, Oxumaré recebeu um recado: Olokum, a rainha de um país vizinho, desejava consultá-lo a respeito de seu filho que estava doente. Ele não podia manter-se de pé. Caía, rolava no chão e queimava-se nas cinzas do fogareiro. Oxumaré dirigiu-se à corte da rainha Olokum e consultou Ifá para ela. Todas as doenças da criança foram curadas. Olokum, encantada por este resultado, recompensou Oxumaré. Ela ofereceu-lhe uma roupa azul, feita de rico tecido. Ela deu-lhe muitas riquezas, servidores e um cavalo, sobre o qual Oxumaré retornou à sua casa em grande estilo.
Um escravo fazia rodopiar um guarda sol sobre sua cabeça e músicos cantavam seus louvores. Oxumaré foi, assim, saudar o rei. O rei Oni ficou surpreso e disse-lhe: “Oh! De onde vieste? De onde sairam todas estas riquezas?” Oxumaré respondeu-lhe que a rainha Olokum o havia consultado. “Ah! Foi então Olokum que fez tudo isto por você!” Estimulado pela rivalidade, o rei Oni ofereceu a Oxumaré uma roupa do mais belo vermelho, acompanhada de muitos outros presentes. Oxumaré tornou-se, assim, rico e respeitado. Oxumaré, entretanto, não era amigo de Chuva. Quando Chuva reunia as nuvens, Oxumaré agitava sua faca de bronze e a apontava em direção ao céu, como se riscasse de um lado a outro. O arco-íris aparecia e Chuva fugia. Todos gritavam: “Oxumaré apareceu!” Oxumaré tornou-se, assim, muito célebre.
Nesta época, Olodumaré, o deus supremo, aquele que estende a esteira real em casa e caminha na chuva, começou a sofrer da vista e nada mais enxergava. Ele mandou chamar Oxumaré e o mal dos seus olhos foram curados. Depois disso, Olodumaré não deixou mais que Oxumaré retornasse a Terra. Desde esse dia, é no céu que ele mora e só tem permissão para visitar a Terra a cada três anos. É durante estes anos que as pessoas tornam-se ricas e prósperas.”
(Do livro “Lendas Africanas dos Orixás de Pierre Fatumbi Verger e Carybé – Editora Currupio)
 
 
… filho de nanã
Nanã, obcecada pela idéia de ter um filho de Oxalá, concebeu o primogênito Obaluaiye que, por sua terrível aparência, foi desprezado por ela. Nanã consultou ifá, e este orixá lhe disse que, numa segunda tentativa, ela daria a luz a um filho lindíssimo, tão formoso quanto o arco-íris. No entanto, preveniu-a sobre o fato que a criança jamais ficaria a seu lado.
Seu sonho parecia realizado até o momento do parto, quando deu a luz a um estranho ser que recebeu o nome de Oxumaré. Durante seis meses a criatura tomava a forma de arco-íris, cuja função era levar a água para o castelo de Oxalá, que morava em orun (no céu). Depois de cumprida a tarefa, ele voltava a terra por outro seis meses, assumindo a forma de uma cobra.
Com essa aparência, ao morder a própria cauda, dando a volta em torno da terra, ele teria gerado o movimento de rotação, bem como o transito dos astros no espaço. É um orixá que representa polaridades contrarias, como o masculino e o feminino, o bem e o mal, a chuva e o tempo bom, o dia e a noite, respectivamente, através das formas do arco-íris e serpente.
 
… rei dos Jeje
Òsùmàrè , filho de Nanã, nasceu com o destino de ser seis meses um monstro com esse nome, e seis meses uma linda mulher chamada Bessem. Aos poucos Bessem revoltou-se com sua mãe Nanã, pois não conseguia ter um amor que durasse por muito tempo. Seu companheiro sempre desaparecia quando ela se transformava em monstro.
Um dia Òsùmàrè encontrou Esú e este, como sempre apreciou criar discórdias, semeou um conflito entre o deus do arco-íris e a velha Nanã, aconselhando Osunmaré a tomar a coroa do reino de jeje, que pertencia a Nanã.
Òsùmàrè foi ao palácio de Nanã aterrorizando a todos. Nanã suplicou-lhe que não matasse ninguém, tentando dissuadir o filho de seu intento. No entanto acabou entregando-lhe sua coroa de rainha. Desde então Òsùmàrè reina sobre os jejes, no entanto continua sendo um monstro chamado Osunmaré e uma linda mulher chamada Bessem.
… o consultor dos orisás
Irmão gêmeo de Ewá e tendo como irmãos mais velhos Osayin e Obaluaê – todos filhos de Nanã – Osumare sempre foi franzino, mas dotado de grande inteligência e capacidade. Um dia frente à frente com OLOKUM, mãe de Yemonjá, perguntou-lhe como poderia achar pedras brilhantes, preciosas. Osumare pensou e respondeu: -Senhora dos Oceanos, é preciso que faças um investimento, me dando seis mil búzios (moeda corrente)”. “Sim respondeu, Olokum”. Osumare apontou para a própria casa de Olokum, o mar, explicando-lhe que nas partes rasas poderia encontrar o que procurava. Olokum ficou tão feliz que deu à ele, além dos seis mil búzios, a capacidade de transformar-se em serpente e poder, com a ponta do rabo tocar a terra e com a cabeça tocar o céu. Com tal poder Osumare transformou-se em serpente esticou-se até a terra de Olorum, no céu e com os seus seis mil búzios falou ao criador: -”Pai cheguei até o Senhor. Tive de esticar-me demais para pedir-lhe ajuda, para fazer de mim aquele que tem capacidade de dobrar tudo que tem”. E Olorum dobrou o número de búzios de seis para doze mil. Daí pra frente Osumare passou a ser consultado sobre os grandes negócios. Xangô fez dele seu consultor e grande conselheiro, aumentando sua riqueza de Deus do Trovão ,ao mesmo tempo que a do próprio Osumare. Este poder de se transformar em serpente e ir até o céu deu origem à um Oriki (Poema) muito bonito: ” Osumare egó bejirin fonná diwó – O Arco-Íris que se desloca com a chuva e guarda o fogo no punho!”
 
… a armadilha
Certa vez, Sàngó viu Òsùmàrè passar, com todas as cores de seu traje e todo o brilho de seu ouro. Sàngó conhecia a fama de Òsùmàrè não deixar ninguém dele se aproximar.
Preparou então uma armadilha para capturar Òsùmàrè. Mandou uma audiência em seu palácio e, quando Òsùmàrè entrou na sala do trono, os soldados chamaram para a presença de Sàngó e fecharam todas as janelas e portas, aprisionando Òsùmàrè junto com Sàngó.
Òsùmàrè ficou desesperado e tentou fugir, mas todas as saídas estavam trancadas pelo lado de fora. Sàngó tentava tomar Òsùmàrè nos braços e Òsùmàrè escapava, correndo de um canto para outro. Não vendo como se livrar, Òsùmàrè pediu a Olorum e Olorum ouviu sua súplica. No momento em que Sàngó imobilizava Òsùmàrè, Òsùmàrè foi transformado numa cobra, que Sàngó largou com nojo e medo. A cobra deslizou pelo chão em movimentos rápidos e sinuosos.
Havia uma pequena fresta entre a porta e o chão da sala e foi por ali que escapou a cobra, foi por ali que escapou Òsùmàrè. Assim livrou-se Òsùmàrè do assédio de Sàngó. Quando Òsùmàrè e Sàngó foram feitos Orisás, Òsùmàrè foi encarregado de levar água da Terra para o palácio de Sàngó no Orum, mas Sàngó não pode nunca aproximar-se de Òsùmàrè.

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